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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O torcedor pernambucano me parece confuso e perdido por conta do choque de realidades provocado pela qualidade dos jogos ofertados pela televisão, e a qualidade dos jogos que acontecem no Campeonato Pernambucano e na Copa do Nordeste. O conflito gerado pela admiração e o desprezo não é um privilégio dos pernambucanos. Ele acontece em todos os Estados. O paralelo foi traçado com as coisas nossas porque aqui é o nosso habitat.
Tornou=se comum, nas conversas onde o assunto dominante é o futebol, referências sobre jogadores que atuam em clubes da Europa como o Chelsea, Barcelona, Bayern de Munique, Real Madri, Paris Saint Germain, Juventus, Borussia Dortmund..., são os efeitos da globalização, da internacionalização do futebol. A internet nos proporciona mais informações sobre o Manchester United, clube que disputa a Premier League, do que sobre o Afogados, clube que participa do Pernambucano.
Na década de 80, no Século XX, o futebol brasileiro vivia uma crise de grandes proporções que culminou com a realização de um campeonato com mais de cem clubes. Um verdadeiro caos. Era necessário um freio de arrumação. Aconteceu. Entretanto, não foi respeitada a geografia do futebol de um paÃs continente. Dessa forma, o projeto da tão sonhada, e desejada, nacionalização foi implantado com um viés de discriminação absurdo, com as regiões Norte e Nordeste sendo marginalizadas e transformadas em reservas de mercado, que serviam apenas para o consumo do que a televisão apresentava.
Na mesma década a internet passou a ser de domÃnio público. Era o inÃcio da globalização. As distâncias foram encurtadas e começou o processo de internacionalização do futebol, que veio atropelar a mal planejada nacionalização do futebol brasileiro. A resultante dessa engrenagem é o choque de realidades. Hoje, a televisão nos oferta um futebol de excelência, onde desfilam os melhores jogadores do mundo. Por outro lado, para assistir a uma partida das competições domésticas, o torcedor enfrenta uma série de adversidades, sem falar na qualidade do produto que a cada ano piora.
Fica difÃcil para o torcedor, após o deleite de assistir a um confronto do Barcelona com o Chelsea, ir para um estádio, no inaceitável horário das 21h45 para testemunhar um confronto entre Náutico e Salgueiro, ou ver o Sport sofrendo diante do limitado Belo Jardim.
O choque de realidades nos transporta do céu ao inferno, numa dinâmica imposta pelo futebol e pela internet, razão pela qual os estádios brasileiros estão cada dia mais vazios.
ERICH BETING = MÃQUINA DO ESPORTE
Quer saber o caminho que as marcas vão seguir no investimento em mÃdia? Olhe para as marcas esportivas.
Costumo usar essa frase em conversa com outros profissionais de empresas de comunicação. Há 13 anos, quando surgiu a Máquina do Esporte, entendi que a marca esportiva está sempre um passo a frente das demais no que se refere à comunicação com o público.
A montagem do time de influenciadores e a decisão de investir na cocriação de conteúdo com eles feitas pela Adidas é uma prova clara disso. Assim como a marca esportiva, outras empresas entenderam isso lá no Rio.
Bradesco e Coca-Cola foram outros que apostaram nesse tipo de abordagem para falar com o público. Agora, o caminho parece ser esse. Buscar o influenciador não mais para endossar o produto, mas para interagir com ele e, assim, ser relevante ao consumidor.
Isso, porém, gera certa "revolta" na mÃdia tradicional, que não entende o porquê de perder espaço para quem teoricamente não produz conteúdo.
O fato é que a mÃdia precisa voltar a ser influenciadora, se quiser manter o anunciante. Esqueça apenas a métrica já batida de alcance de pessoas. Se você tiver qualidade de produto e for importante para o consumidor, certamente terá seus patrocinadores.
O que mudou para o mercado não é só a pulverização do acesso à informação. Mudou a forma como nós, consumidores, nos conectamos à informação. A quebra de paradigma está exatamente em entender como passar uma informação para o público de uma forma que você seja essencial para as pessoas.
Os influenciadores não são a causa do problema de geração de receita da mÃdia tradicional. Ela é que deixou de ser tão influenciadora hoje em dia.
CLAUDEMIR GOMES
A mudança, na forma de disputa do Campeonato Pernambucano, tornou a competição mais justa e interessante, contudo, não foi o suficiente para deixar a disputa mais atrativa ao ponto de levar um bom público aos estádios. O novo modelo serviu também para estabelecer um equilÃbrio de forças, ressaltando o quanto domésticos são os times, fato que torna o mando de campo um fator determinante de sucesso.
Sport e Náutico, que em 8 apresentações contabilizaram 15 pontos, cada um, têm algo em comum além da soma de pontos: ambos têm 100% de aproveitamento como mandante, mas não conseguiram vencer nenhuma partida como visitantes. Em 41 jogos realizados no Pernambucano foram registradas apenas 6 vitórias de clubes visitantes, sendo cinco delas pelo placar de 1x0.
O regulamento da competição reza que, dentre os oito clubes classificados para as quartas de final, os quatro com melhor pontuação atuarão como mandante nas quartas e nas semifinais que serão disputadas em uma única partida. Tal realidade valoriza, ainda mais, as duas últimas rodadas dessa fase classificatória. Nesta semana serão realizados quatro jogos (Náutico x Flamengo; América x Belo Jardim; Flamengo x Santa Cruz e Pesqueira x Salgueiro), que foram adiados por conta do choque de datas com a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil.
Com dois jogos a disputar, Náutico e Sport podem chegar aos 21 pontos, levando a briga pela liderança da fase de classificação para os critérios de desempate. Teoricamente os desafios dos alvirrubros são mais fáceis de serem vencidos: enfrenta o Flamengo de Arcoverde, hoje a noite, na Arena Pernambuco, onde venceu todos os seus compromissos, e encerra sua participação medindo forças com o Belo Jardim, no Agreste pernambucano, na última rodada. Por outro lado, o Sport, que ainda não venceu na condição de visitante, enfrenta o Salgueiro, no Sertão pernambucano, no próximo domingo, e faz um clássico com o Santa Cruz, na última rodada, na Ilha do Retiro.
Central, Vitória e Salgueiro podem chegar a 19 pontos. O Salgueiro, atual vice=campeão pernambucano, tem um caminho mais tortuoso para percorrer, pois irá disputar três partidas no curto espaço de sete dias, contra Pesqueira, Sport e Central, sendo dois na condição de visitante, contra Pesqueira e Central.
O Vitória se manteve invicto até o confronto com o Sport, sábado passado, quando foi surpreendentemente goleado pelo Sport (4x0), na Ilha do Retiro. O Tricolor das Tabocas precisa superar o fato novo e superar o Afogados, no próximo domingo, em Afogados da Ingazeira. O Afogados, que no momento figura na sexta colocação, na tabela de classificação, só pode chegar a 12 pontos, sendo um dos candidatos ao rebaixamento. Portanto, vencer na sua última apresentação é uma questão se sobrevivência. A última partida do Vitória na fase de classificação será contra o Flamengo de Arcoverde, outro clube que luta para escapar do rebaixamento, dia 7 de março, na Arena Pernambuco.
O Santa Cruz, que ainda não venceu nenhum jogo como mandante, atuou quatro vezes no Arruda e contabilizou quatro empates (dois pelo placar de 1x1 e dois por 0x0), pode chegar aos 17 pontos. O desafio do Tricolor do Arruda é vencer o Belo Jardim, próximo domingo, no Arruda, e o Sport na última rodada da fase de classificação, na Ilha do Retiro. Mesmo chegando aos 17 pontos, o Santa Cruz vai depender da combinação dos resultados dos jogos Sport, Náutico, Vitória, Central e Salgueiro para ficar entre os quatro clubes com melhor pontuação na primeira fase do Estadual.
As duas últimas rodadas da fase de classificação serão decisivas para os clubes como Afogados, Flamengo, Belo Jardim, Pesqueira e América, que ainda brigam pelas últimas vagas para as quartas de final, e para se livrar do rebaixamento. O Flamengo de Arcoverde será o mais sacrificado nesta reta final onde irá disputar quatro partidas no espaço de dez dias.
Pelo sim, ou pelo não, todos os 11 clubes partem para as duas rodadas finais com uma certeza: o mando de campo tem sido determinante nesta edição do Pernambucano.
Blogdopaulinho.com.br
Eliminado, recentemente, pelo modesto Ferroviário, o Sport/PE que já havia sido rebaixado à Série B do Brasileirão em 2017, ficou de fora, também, da lucrativa Copa do Nordeste.
Muito desses desastres podem ser explicados por conta da desastrosa administração.
O presidente, Arnaldo de Barros, tem jogado para a torcida ao demitir o contestado Alexandre Faria e, em sequência, contratado Klauss Câmara, sem, porém, atacar as principais razões que geram insatisfação nos jogadores, entre as quais os frequentes atrasos de salários.
Se antes o Sport ironizava seus principais adversários, Santa Cruz e Náutico, pelos meses durarem mais do que 30 dias, alguns destes perÃodos no Leão, por conta da gestão atual, tem ultrapassado os 90.
Não à toa problemas jurÃdicos do clube começam a pipocar na mÃdia.
Para defender-se do episódio Diego Souza, os advogados do Leão acreditam, em clara demonstração de incompetência, que um email tem valor maior do que o contrato firmado entre as partes.
Não à toa o Fluminense já conseguiu bloquear parte da venda ao São Paulo: R$ 5 milhões de um total de R$ 10 milhões, quando o presidente afirmava, em aparente mentira, não ultrapassaria R$ 1 milhão.
O clube teve também que passar pelo constrangimento de admitir, publicamente, calote na aquisição do jogador André "Cachaça", que será cobrado com juros e correções devidas pelo Atlético/MG.
Mais grave ainda é o caso da ação promovida pelos agentes do jogador Rithely, que não receberam as comissões acordadas.
Em entrevistas, o vice-presidente jurÃdico do clube, Dr. Leucio Lemos, admitiu a dÃvida, mas que o Sport tem outras prioridades de pagamento.
Ocorre que, segundo a Câmara Nacional de Resolução de Disputas, criada pela CBF em 2016 para resolver litÃgios entre clubes, atletas, intermediários e treinadores, que foi acionada pelos agentes do então Ãdolo da agremiação, a equipe pernambucana sofrerá graves sanções se não quitar as pendências.
Entre as quais:
O departamento jurÃdico do Sport, em defesa, ao que parece, novamente atabalhoada, alegou: "estamos entregando a defesa do Clube na CNRD e manifestando a questão da competência. Na nossa tese, a CNRD não tem atribuição para decidir sobre isso".
Ao pagar para ver o Sport arriscará, ainda mais, sua já sofrÃvel condição administrativa, esportiva e financeira.
Este caso, especificamente, serve de exemplo aos dirigentes que prometem, como polÃticos, o que não possuem interesse em cumprir, sabedores de que o ônus para a falta de palavra recairá sobre os clubes, não em seus bolsos.
ROBERTO VIEIRA
Perdoa, velho amigo!
Perdoa-nos por te haver traÃdo por 500 contos de réis.
A gente não sabia.
Nenhum dinheiro.
Nenhuma modernidade.
Nenhuma Arena vale uma lembrança de ti.
Centenário.
Tu te calaste recluso e triste.
Abandonado em meio ao relento.
Quase viraste shopping center.
Quase foste pretérito sem volta.
Como se as lembranças do vevete não valessem nada.
Como se as tardes de domingo da infância; as cadeiras de madeiras; o comeu morreu; o velho palco das ilusões de criança pudesse ser fechado.
Lacrado.
Sublimado num depósito bancário.
Entregue a sanha polÃtica de uma Copa.
Certo
O mundo é globalizado.
O futebol virou mercado.
Mas as tribos resistem apaixonadas.
O amor por seu clube e sua terra é igual.
Seja ela Catalunha, Bavária ou Pernambuco.
Perdoa, velho amigo, perdoa!
Porquê tivemos de reaprender com lágrimas.
Que o mais belo estádio.
à o estádio da nossa aldeia...