Acontece
A solidariedade e a força do futebol
postado em 30 de novembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

O mundo chorou pela Chapecoense. E segue consternado por conta do acidente aéreo que vitimou 75 pessoas, ocorrido próximo a cidade de Medellín na Colômbia. Confesso que, ao tomar conhecimento da notícia, na manhã da terça=feira, senti dificuldade de coordenar tantas informações. As que eram repassadas, em tempo real, pelo rádio e televisão, e as que brotavam da memória me levando a recordar inúmeros fatos. Duas coisas me chamam a atenção: a força do futebol e a solidariedade expressada, de diversas formas, nos quatro cantos do mundo.

O primeiro acidente aéreo do qual tomei conhecimento foi em 1961, ocorrido próximo ao aeroporto dos Guararapes. Ainda menino, morando em Carpina, ouvia os adultos acompanharem as notícias através do Repórter Esso, a época maior programa de jornalismo do rádio pernambucano. A noite, quando meu pai voltava do Recife, trazia consigo o Diário da Noite. As conversas e as fotos da tragédia me chamavam a atenção. A partir daquele momento acidente aéreo passou a ser sinônimo de muitas mortes para mim. Hoje, 55 anos depois daquele acidente, me surpreendo com tantas perguntas que faço sem encontrar explicações convincentes. A inquietação me deixa com a certeza de que, independente da idade e do conhecimento jamais teremos resposta para tudo. Somos pequenos diante do POR QUE.

O mundo está interligado. Isto é fato. As manifestações que aconteceram em todos os continentes, em decorrência do acidente envolvendo a delegação da Chapecoense, e um grupo de jornalistas que seguiam para a cobertura do primeiro jogo da final da Copa Sul=Americana, atestam tal realidade. O encurtamento das distâncias nos leva a tomar conhecimento dos fatos que ocorrem em qualquer lugar do planeta. Se o assunto trata de alguma tragédia o fato ganha uma dimensão maior. E surgem os exemplos de manifestações de solidariedade, que para muitos é maior que o amor, porque revela um desprendimento a fatos envolvendo pessoas que você sequer conhece.

Ao longo de nossas existências tomamos conhecimento de muitos acidentes aéreos, mas nenhum consternou tanto o País. E olha que aconteceram tragédias em solo brasileiro com um número bem maior de vítimas. Mas no desastre de Medellín havia o componente futebol. E a força do esporte mais popular do planeta levou todo o mundo a se solidarizar com a dor da cidade de Chapecó. Dentro de minhas indagações surge o por que um instrumento tão forte para se promover a união, a pacificação, seja usado para disseminar a violência? Chega a ser conflitante observar pessoas solidárias na dor e inimigas na paixão por um entretenimento.

Com certeza, isso não é coisa do futebol meu caro Edvaldo Morais (Tião).    

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Artigos
Um réquiem para o futebol pernambucano
postado em 28 de novembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com


No próximo domingo, 04 de dezembro, quando do final do Brasileirão, será realizada um Réquiem pelo futebol de Pernambuco, e para tal serão convidados os cartolas, jogadores, profissionais do setor, e a imprensa esportiva que são os responsáveis pela morte de um esporte que já teve prestigio e hoje dorme o sono dos justos em um cemitério da cidade.

O futebol de Pernambuco é igual a um ser que perde as suas forças, e sabe que não tem um futuro. Estamos vivenciando um período de que nada acontece e tudo está como dantes. Deixamos de ser alguém, para sermos o nada. Hoje quando acompanhamos a trajetória do Chapecoense, ficamos convictos que não temos o sentido de nossas necessidades.

Os que fazem o esporte da chuteira em nosso estado não entenderam que a nacionalização é uma realidade latente e sem volta, assim como a internacionalização. Paramos no tempo e no espaço quando o falido estadual é a peça de resistência de um repasto. Um título local é comemorado como fosse algo importante, e que na verdade pouco representa.

As participações de nossos clubes nas Divisões do Brasileiro foram grotescas. Central, Serra Talhada e America ficaram pelo caminho na Série D e passaram para o período de hibernação.

O Salgueiro na Série C só escapou do rebaixamento na última rodada, o Náutico tinha tudo para o acesso a Série A, jogou fora a oportunidade no seu último jogo, enquanto Sport e Santa Cruz foram figurantes da competição maior. O primeiro ainda luta contra o rebaixamento, e o segundo já foi degolado.

Os dois times juntos somaram apenas 75 pontos, dos 222 disputados, com um aproveitamento de 33,3%. As suas redes balançaram 119 vezes, e no conjunto totalizaram 39 derrotas. Os números mostram a realidade de um esporte falido, e sem gestão.

Quando observamos a Segunda Divisão estadual, ficamos mais convictos de que o futuro do futebol local não mais existe. Essa competição que está chegando ao seu final, é a demonstração de uma realidade bem clara e que os interessados fingem que não enxergam, ou seja, clubes sem estádios, sem demanda e sem estruturas. São os verdadeiros sem nada.

Os estaduais exauriram-se no tempo e no espaço, e não representam mais nada no contexto. Os clubes irão continuar sendo sazonais, sem futuro, sem lenço ou documento.

O futebol precisa unificar um sistema nacional de competições de todos os níveis, quando os clubes terão uma vida longa de 10 meses no ano, e não apenas três como acontece em todo o país.

Os setores ligados ao futebol de Pernambuco, ainda não perceberam que esse pertence a uma indústria que mais cresce no mundo, e por conta disso não poderá sobreviver de forma amadora e romântica como acontece no Brasil e em especial em nosso estado.

O estado que é  imortal tornou-se um mero mortal no futebol, morrendo de inanição.

Vamos todos ao Réquiem.

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Náutico
Para não caçar bruxas
postado em 28 de novembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Definitivamente o 26 de novembro passou a ser uma data aziaga no calendário dos torcedores do Náutico. A primeira edição do  helloween alvirrubro foi em 2005, e ficou conhecido como "A Batalha dos Aflitos". Sábado, 11 anos depois, tivemos a segunda edição do festival de horror com "A Batalha da Arena". Desapontamento, frustrações e outros sentimentos dessa natureza não se mede. Os fatos nos dois episódios separados por mais de uma década marcam a transposição do "céu" para o "inferno" num piscar de olhos, coisa que acontece com relativa frequência no futebol.

A caça as bruxas foi iniciada no estádio, quando alguns torcedores mais exaltados invadiram o campo de jogo para fazer cobranças aos jogadores do Náutico e ao técnico Givanildo Oliveira. Em momentos como este, ou seja, logo após os "desastres" que acontecem no futebol, o açodamento aparece como marca registrada dos julgamentos. Equilíbrio pós insucesso é algo quase impossível no futebol, mas se faz necessário para o soerguimento e o fortalecimento das agremiações. O balanço tem que ser feito de toda a temporada, e não pinçar fatos pontuais e atribuir a eles a causa do fracasso.

O Náutico somou, como mandante, 41 pontos dos 57 disputados na Arena Pernambuco, tendo um aproveitamento de 72%. Antes de Givanildo os alvirrubros disputaram 11 jogos contabilizando 7 vitórias, um empate e 3 derrotas. Neste período o aproveitamento em casa foi de 66%. Sob o comando de Givanildo Oliveira os alvirrubros fizeram 8 jogos na Arena Pernambuco tendo somado 6 vitórias, um empate e uma derrota, contabilizando 19 pontos dos 24 que disputaram. Neste período o aproveitamento como mandante foi de 80%. Naturalmente que, sobre o treinador pesa o fato de a única derrota sofrida ter sido num momento que não poderia acontecer, ou seja, foi decisiva para permanência na Série B.

Em outras postagens, e nos nossos comentários na Rádio Globo, chamamos a atenção para o fato da queda de produção de alguns jogadores na reta final. Os que estavam escalados para serem protagonistas não passaram de coadjuvantes. As dificuldades financeiras que impossibilitaram o resgate do passivo junto ao elenco também pode ter interferido. Portanto, as análises precisam ser aprofundadas para não se perderem na superfície do gramado.       

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Artigos
Os cartolas modernos
postado em 24 de novembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Pernambuco não existe no cenário esportivo brasileiro, e em especial o nosso futebol. A imprensa do Sudeste não publica uma única linha sobre o nosso estado. Somos inexistentes, e isso mais uma vez comprovamos pessoalmente nas viagens que realizamos. 

Nada mais grotesco do que uma foto do presidente da entidade do futebol local, ao lado do gerente do Circo, o escondido Del Nero, e de um representante do Náutico, solicitando um bom árbitro para o jogo do Oeste.

No futebol antigo os dirigentes eram chamados de paredros. Usavam paletó e gravata e gostavam de um bom uísque e de uma conversa inteligente. Eram na verdade comandantes com credibilidade e conceito na sociedade, sempre recebidos pelas autoridades com o maior respeito, pois sabiam que estavam ali representando os seus estados, e não solicitando um favor pessoal, nem algo fora de propósito.

Na verdade o alvirrubro de Pernambuco preocupar-se com o Oeste, é sem dúvida a prova maior da decadência do futebol local, que a cada ano se reduz ao nada. O Náutico tem que focar os dirigentes do Atlético-GO, que irá enfrentar o Bahia, e que poderá dar o seu acesso, assim como acalmar o ambiente interno por conta dos bichos e salários atrasados.

Conversamos com amigos de Goiânia, e fomos informados que mais de 7 mil ingressos já foram vendidos para o jogo das faixas, e isso poderá dar um impulso ao rubro-negro para uma vitória. Entretanto os seus cartolas são complicados.

Quanto ao Vasco da Gama, qualquer ajuda do Ceará será difícil, e apesar das pressões, a tendência é de uma vitória do time carioca.

O mundo moderno, da internet, dos tablets, dos celulares da maior geração enterraram os paredros, dando lugar aos cartolas modernos.

Esses trabalham diferente, mais para o marketing pessoal, mordomias, viagens, e outras benesses. Os novos cartolas adoram uma entrevista, pensam mais em si do que na coletividade.

Pernambuco na época dos paredros tinha seus três clubes na divisão principal nacional. De repente, na ausência desses, diminuímos, e hoje iremos nos contentar com apenas um, que lutou o tempo todo contra a degola, desde que o segundo foi rebaixado. Integramos o sistema gangorra.

Sem os paredros os nossos clubes são os que mais atuam em horários impróprios, mas ninguém protesta, aceitam tudo com submissão.

Quantas tardes dos domingos o futebol pernambucano não teve jogos às 16h00? A televisão transmite para o estado partidas dos times do Sudeste, em especial dos queridinhos Flamengo e Corinthians.

Quantas vezes o cartola da entidade pernambucana foi ao Circo protestar contra tal discriminação? Muito pelo contrário, silencia, e viaja para tirar uma foto com um personagem que é a cara do Brasil da Lava Jato, pedindo um árbitro para o jogo de um filiado.

Retornamos ao tempo, com uma nostalgia, e na convicção de que éramos felizes e não sabíamos, com a presença de nossos antigos paredros, e que conhecemos bem de perto.

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Sport
A corrida pelo voto
postado em 23 de novembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Está definido: o Sport terá apenas dois candidatos concorrendo as eleições presidenciais que acontecem em dezembro. Pelo lado da situação Arnaldo Barros é o candidato a chefe do poder executivo e Homero Lacerda candidato a presidente do Conselho Deliberativo. Wanderson Lacerda é o candidato da oposição para suceder o presidente João Humberto Martorelli no executivo, e Severino Otávio é o indicado para a presidência do Conselho. Os blocos foram postos nas ruas em busca de votos numa campanha que deixou o clube com uma divisão bem explícita a partir do apoio de "lideranças".

As estratégias de campanha e afinação dos discursos ainda estão sendo definidas pelos dois grupos que têm o desafio de diminuir a grande rejeição de seus respectivos candidatos pelos eleitores, fato que exigirá de ambos os lados campanhas propositivas. O primeiro encontro de Wanderson Lacerda com os seus pares foi avaliado como bastante positivo, não apenas pela organização e definição do norte da campanha, mas, principalmente pela presença de uma nova geração que passará a ocupar cargos diretivos no clube, em caso de vitória da oposição, o que demonstra a preocupação com a renovação de diretores, fato que não ocorre há muitos anos no Sport, o que dar a agremiação um perfil de capitania hereditária.

Wanderson Lacerda foi um presidente vitorioso no futebol e desenvolveu um trabalho elogiável no patrimônio do Sport, quando contou com a atuação brilhante do seu vice, José Joaquim Pinto de Azevedo, a época apontado como o "grande prefeito da Ilha do Retiro".

Arnaldo Barros, candidato da situação, atual vice=presidente, é visto como uma espécie de "poste" do presidente, João Humberto Martorelli, que bancou a sua candidatura. Atuante, Barros esteve a frente do futebol leonino nos últimos anos, e não ganhou nada, o que pesa muito, de forma negativa, em um clube onde o carro chefe é o futebol. O patrimônio do clube, especificamente o complexo socioesportivo da Ilha do Retiro se encontra em crítico estado de conservação. Duas coisas devem ser ressaltadas em favor da atual gestão, e que credenciam o candidato da situação: a reforma administrativa, que se fazia necessária no clube, embora se questione a forma como foi executava, e o resgate do Centro de Treinamento que, graças a uma elogiável manobra política do presidente Martorelli, saiu das mãos da Associação Amigos do Sport para ser incorporado ao patrimônio do clube. A presença de Gustavo Dubeux  na vice de Arnaldo é uma esperança de que o patrimônio volte a receber uma atenção especial do futuro gestor que representa a continuidade.

Com tantos equívocos cometidos no futebol, Arnaldo Barros não está sabendo tirar proveito do nome de Homero Lacerda, candidato a presidência do Conselho Deliberativo, para impulsionar sua campanha. Homero foi o diferencial na conquista do título mais emblemático da história do Sport: Campeão Brasileiro de 1987. Uma conquista com a marca da luta e da persistência de um presidente que foi um verdadeiro leão nas batalhas travadas nos bastidores contra Flamengo, Clube dos 13, Rede Globo, Coca=Cola... Com alto índice de rejeição, Barros teria que utilizar o seu companheiro de chapa como cartão de apresentação, tirando proveito da empatia que ele tem do sócio e torcedor.

Bom! A caça por votos começou. A ordem é diminuir a rejeição que existe aos dois candidatos à presidência do executivo. Só não vale apelar para baixaria.  

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