Acontece
Dia de pedidos e agradecimentos
postado em 08 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Nossa Senhora da Conceição, Iemanjá, Oxum... o dia 8 de dezembro é especial. Os que têm fé se sentem na obrigação de render homenagens. Dezenas de romarias são feitas, durante todo o dia, ao Morro da Conceição, zona norte do Recife, onde fica o santuário da Virgem Imaculada. A noite, em todo o litoral pernambucano são entregues oferendas a Iemanjá. As crenças e devoções fazem parte da história de cada povo. As formas de expressá=las varia de acordo com o conceito criado por cada um. Isto, no entanto, não quer dizer que fulano tenha mais fé do que cicrano.

Em nome da fé o futebol é colocado neste contexto em todos os momentos. De um simples pedido de proteção, expresso através de uma oração no vestiário, a atitudes extremas de torcedores subindo o morro de joelhos para pagar promessa por conta da conquista de um título, confesso que já vi de tudo. Em décadas passadas, era praxe, no dia seguinte a conquista do título pernambucano, os campeões subirem ao Morro da Conceição para fazerem suas orações pelo feito alcançado. Em quase todo vestiário existe imagens de santos.

Edgar Campos foi o primeiro supervisor a trabalhar no futebol pernambucano. Veio do Rio de Janeiro em 1973 contratado pelo Sport. Trabalhou nos três grandes clubes do Recife: Sport, Santa Cruz e Náutico. Católico fervoroso, sempre levava a imagem de Nossa Senhora para o clube onde trabalhava. O ex=presidente do Santa Cruz, Antônio Luiz Neto, durante toda a sua gestão no clube tricolor, manteve uma grande imagem de Nossa Senhora da Conceição no seu gabinete. E com fé na Mãe Rainha tirou o clube da Série D e colocou na Série B; conquistou o primeiro título brasileiro da história do Santa Cruz e tem no seu currículo quatro títulos estaduais.

São muitos os caminhos da fé. A Umbanda e o Candomblé também dividem espaços nos vestiários. Nos dias de hoje os evangélicos ocupam boa parte do terreno. Os Atletas de Cristo se multiplicam através de uma eficiente comunicação oral e gestual.

Como diz o genial, Gilberto Gil, "A fé não costuma faiá", mas ela não determina resultados de jogos, tampouco conquistas. Isto é coisa do imaginário de cada um. Supersticioso ao extremo, conhecido por suas frases de efeito, o pragmático Davi Ferreira, o Técnico Duque, dizia sempre: "Se a reza vingar o time do padre vai ser campeão". É que ele acreditava mais na força do catimbó.

Nas águas doces de Oxum; nas águas salgadas de Iemanjá, a Rainha do Mar; no Morro de Nossa Senhora da Conceição, os pedidos dos torcedores devem ter um único fim: "Que 2018 seja menos sofrido para o futebol pernambucano".      

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Santa Cruz
A esperada vitória de Tininho
postado em 06 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Ah! Eu já sabia. Exclamou o torcedor do Santa Cruz ao ouvir o anúncio da contagem dos votos na eleição que definiu o novo presidente executivo do Clube do Arruda para o triênio 2018/2019/2020. Constantino Júnior, 812 votos; Albertino dos Anjos, 250 votos e Fábio Melo, 190 votos. Alírio Moraes é o novo comandante do Conselho Deliberativo, enquanto Ricardo de Paula volta a presidir a Comissão Patrimonial.

A vitoria da chapa "Construindo com a Força da União", era tida como certa antes mesmo da realização do pleito. A única coisa que faltava conferir era os números. Afinal, não se sabia quantos sócios iriam participar da eleição. Tininho, como é tratado carinhosamente o novo presidente, tem sua assinatura nas últimas conquistas do Santa Cruz, fato que lhe credita junto ao torcedor coral, e contava com o respaldo da maioria das lideranças do Clube do Povo.

Por se tratar do clube mais popular do Estado, o número de 1252 votantes numa eleição com três candidatos, e o arcaico mecanismo utilizado na realização do pleito, foram dois pontos que serviram para reforçar a tese de que o grande desafio do presidente eleito, Constantino Júnior, será colocar o Santa Cruz em sintonia com o novo tempo. Tudo nas Repúblicas Independentes do Arruda parece ter estagnado no Século XX. Eis a razão pela qual os pequenos saltos de crescimento não tiveram sustentação.

O Santa Cruz tem que ir muito além do futebol. Enquanto for pensado como um time que precisa apresentar resultados para massagear o ego dos seus amantes, o crescimento será sem sustentabilidade. As conquistas funcionam como espuma que se perde ao vento. Um clube popular como o do Arruda, tem que ter responsabilidade social. Assistimos a uma palestra da Isabel Luchesi, RP do Santos, sobre o trabalho social que é desenvolvido pelo clube paulista. A maioria das ações são realizadas sem custo para a agremiação que hoje é uma das referências em responsabilidade social no futebol brasileiro. A maioria dos exemplos citados por Isabel pode ser aplicado no Santa Cruz.

Tininho chega à presidência executiva do Tricolor com o respaldo das lideranças, tem como vice, Tonico Araújo, que por mais de uma década lidera um grupo de empresários e executivos que são, confessos Santa Cruz de Corpo e Alma. O clube precisa ser repensado e discutido. Sabemos que o futebol é a grande célula, mas se não houver uma simbiose com as outras existentes no conjunto, o clube não será reconstruído.

A escolha do nome de Constantino Júnior foi um consenso entre aqueles que já respondiam pela gestão do Santa Cruz. E que todos se sintam cúmplices na tarefa da mudança de paradigma. O número de 1252 sócios votantes, e a dificuldade que se teve para votar, retratam bem o quanto o clube parou no tempo e no espaço. Enfim, se apequenou, como diria o mestre José Joaquim Pinto de Azevedo.

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Brasileiro Série A
A visibilidade dos clubes medianos
postado em 05 de dezembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

A Série A de 2012 a 2016, em cinco anos seguidos contemplou clubes que são chamados de grandes com o rebaixamento, entretanto nesta temporada de 2017 a sequência foi quebrada e todos conseguiram escapar. O que chegou mais perto foi o Fluminense que ficou na 13ª colocação com 47 pontos. No total foram 44 rebaixamentos, com 39 clubes medianos e apenas 7 dos grandes.

No período de 11 anos apenas um clube mediano figurou no G4, o Atlético/PR que ficou na 3ª colocação em 2012. Nos demais anos alguns times de menor porte se contentaram com a página um da tabela de classificação. Na temporada que foi encerrada domingo, apenas a Chapecoense figurou entre os 10 melhores ficando na 8ª posição. Os demais foram para a segunda página.

 Em 2006 três clubes terminaram no TOP 10: Paraná(5º); Figueirense(7º) e Goiás(8º). Em 2007 nenhum clube mediano figurou na parte de cima da tabela.

2008 = Goiás(8º); Coritiba(9º) e Vitória(10º);

2009 = Avaí(6º) e Goiás(9º);

2010 = Atlético/PR(5º);

2011 = Figueirense(7º) e Coritiba(8º);

2012 = Nenhum clube mediano figurou no TOP 10;

2013 = Atlético/PR(3º); Goiás(6º) e Vitória(5º);

2014 = Atlético/PR(8º);

2015 = Sport(6º);

2016 = Ponte Preta(8º);

2017 = Chapecoense(8º).

Verificamos que o Goiás figurou no TOP 10 em quatro edições, e o Atlético/PR em três, sendo que o clube paranaense tem tudo pronto para se tornar um GRANDE mas não consegue dar um salto para alcançar esse patamar. Falta ainda algo em seu projeto.

Pelos números apresentados, nas 110 vagas disputadas no período de 11 anos que foi analisado, apenas 10 clubes medianos colocaram os seus nomes na primeira página da tabela de classificação, com um sério agravante de que nos últimos 4 anos, somente um conseguiu chegar a tal grupo, ou seja, estão se tornando coadjuvantes e figurantes. Esse buraco aumentou com o início dos contratos dos direitos de televisão de forma individual, desde que na época em que era feito de forma coletiva era mais igual, e os clubes conseguiam uma maior competitividade.   

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Sport
"Eu sou de Primeira"
postado em 04 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Acabou a festa. Hora de passar a régua e fechar a conta. O saldo foi positivo, o Sport se livrou do rebaixamento. Explosão de alívio na Ilha do Retiro. O suspiro coletivo da torcida leonina nos fez lembrar das explosões de alegria quando das grandes conquistas no estádio rubro=negro. Mas os sentimentos eram diferentes. Escapar é bem diferente de conquistar. O que se viu ao final dos 90 minutos nas arquibancadas foi uma torcida extravasando uma angustia que lhe torturou durante todo o returno do Brasileiro da Série A.

Ufa! Passou. Os bons ventos sopraram a favor da bandeira do Sport. Tudo conspirou a favor do Leão que antes de a bola rolar, a permanência na Série A não dependia apenas do seu feito diante do Corinthians, o atual campeão, mas também de uma combinação de resultados. As peças se encaixaram e a tensão se manteve até após o árbitro trilar o apito dando o jogo da Ilha do Retiro por encerrado. É que em Salvador, e em Chapecó, a bola ainda rolava e o imponderável poderia entrar em campo para por água no chopp do Sport. Não aconteceu. E a torcida entrou em êxtase. Nada mais compreensível para quem passou tantos momentos de agonia. Explosão de emoção.

Dentro das quatro linhas alguns atletas desmoronaram. Estavam exaustos. A vitória (1x0) sobre o Corinthians tirou um peso incalculável dos ombros de cada um. E a sequência de três vitórias nas partidas finais foi ressaltada como um feito memorável pelos quase 30 mil torcedores que externavam suas emoções de formas diversas.

Em meio a euforia pelo alívio, um profissional dava uma demonstração elogiável de equilíbrio: o técnico Daniel Paulista, que não se embriagou com o sucesso, e ressaltou a necessidade de se fazer uma avaliação profunda na campanha para não se cometer tantos erros, e a temporada 2018 ser menos dolorosa. Sensato, revelou que havia entregue o cargo, e mesmo provocado por alguns repórteres se manteve firme em sua lucidez.

"Eu sou de Primeira, Eu sou de Primeira", gritavam os torcedores num coro uníssono que ecoava nas arquibancadas da Ilha do Retiro. Era uma provocação explicita a tricolores e alvirrubros que este ano amargaram as quedas do Santa Cruz e do Náutico para a Terceira Divisão nacional. Coisas da rivalidade, e que serviram para alimentar a explosão de alívio. Afinal, nada incomodava mais aos leoninos do que aquela pergunta infame que tomava conta das redes sociais a cada tropeço do Leão: "O Sport perdeu foi?".

E no domingo do "Juízo Final" para Sport, Vitória, Coritiba e Avaí, o Leão rugiu mais alto, foi valente. Não perdeu. E o torcedor soltou o seu grito de alívio: "Eu sou de Primeira". Foi a melhor forma de extravasar tudo que apertava o seu peito e suspirar entre lágrimas e sorrisos.

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Brasileiro Série A
O adversário invisível
postado em 02 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Finalmente chegou o sábado! Isto significa que estamos a 24 horas do confronto do Sport com o Corinthians. Jogo decisivo para o Leão, e que serve apenas para o campeão cumprir tabela. Vale lembrar que o clube bandeirante conquistou o título com quatro rodadas de antecedência do final. Aliás, quem analisa o futebol com mais profundidade, sabe que o título corintiano foi assegurado no primeiro turno com uma campanha irretocável.

Durante toda a semana fomos abordados com perguntas do tipo: "O Sport escapa do rebaixamento?". A resposta foi a mesma para dezenas de rubro=negros aflitos: Domingo a noite eu te digo. A maioria dos cronistas esportivos acredita saber tudo, até dos mistérios que transformam o futebol no esporte mais apaixonante e imprevisível do planeta. Tal fato leva muita gente a adotar uma postura de vidente. A experiência nos mostra que o cenário desta última rodada do Brasileiro é de indefinição. São tantas as variáveis que podem interferir e definir mudanças nas probabilidades durante os 90 minutos em que a bola estiver rolando no Recife, em Salvador, em Santos e Chapecó, que não existe nada mais sensato do que aguardar o final da rodada para fazer suas análises. Isto somente será possível depois de passar a régua e fechar a conta.

E não me venham dizer torcedores do Sport, Vitória, Coritiba e Avaí, que o rebaixamento se deu por conta de um resultado, ou da combinação dos resultados na derradeira rodada. O que rebaixa um clube é a campanha.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, postou hoje, no seu blog, alguns números que nos mostram a vocação, desses clubes que estão com a cabeça na guilhotina, para a sofrência. O Sport, que é o que interessa para os pernambucanos, desde que o Brasileiro passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos disputou oito edições da Série A. Em sete delas encerrou sua campanha na parte de baixo da tabela, tendo sido rebaixado para a Série B duas vezes. O ponto fora da curva foi em 2015, quando o Leão encerrou o campeonato na sexta colocação. O Coritiba, segundo dados levantados por Azevedo, desde 2012 que se livra do rebaixamento na última rodada. Enfim, estamos falando de clubes medianos que têm traços de protagonismo no campeonato mais qualificado do futebol brasileiro.

A tensão e ansiedade que tomaram conta das torcidas também invadem os vestiários. No cenário da rodada final, Sport e Avaí são os mais penalizados porque não dependem apenas de seus resultados. O Leão precisa tirar 10 no seu dever de casa e aguardar uma bonificação que viria através de um tropeço do Coritiba ou do Vitória. Mas a missão dos comandados de Daniel Paulista não fica restrita ao bom desempenho dentro das quatro linhas, como diria o saudoso mestre, Adonias de Moura. O primeiro desafio é driblar o "Adversário Invisível", que não é outro senão a pressão por resultados. Uma pressão que se somatiza de diversas formas. Dentro deste contexto o trabalho dos psicólogos é determinante. O bom é que o Sport tem um grupo formado por jogadores experientes, que já vivenciaram situações diversas.

Bom! Driblar o "Adversário Invisível" é um grande passo para concluir, com êxito, a missão quase impossível. Porque num cenário como este não existe o impossível, e sim, o pouco provável.

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