Acontece
A era do Off Tube
postado em 30 de setembro de 2015


CLAUDEMIR GOMES

 

Causou estranheza nenhuma emissora de rádio do Estado enviar um profissional sequer para acompanhar a delegação do Sport a Buenos Aires, capital argentina, onde hoje à noite o rubro-negro pernambucano enfrenta a equipe do Huracán, em jogo válido pela Copa Sul-Americana. Tal fato é inusitado, pelo menos nos últimos cinquenta anos, e serve para escancarar o empobrecimento do rádio esportivo recifense que, em outras épocas, foi o maior meio de divulgação e propagação do futebol pernambucano.

Naturalmente que a ausência de profissionais da mídia pernambucana para acompanhar o dia-a-dia dos leoninos na Terra de Maradona não decreta a falência do rádio esportivo, outros fatores interferiram direto para que houvesse uma perda de espaço para a televisão, por conseguinte, a desvalorização dos profissionais e o fechamento de mercado.

A força do rádio era incomparável nas décadas de 60, 70, 80 e 90. Começou a esvair-se no início do novo século. Foi tragada pela televisão. O rádio não observou os sinais que exigiam ousadia e mudanças. Os profissionais ficaram conjugando o verbo no passado fazendo alusão a "era de ouro do rádio" como se o tempo não passasse. A morte chegou e o rádio agoniza.

Num passado não tão distante, era rotina observar as equipes esportivas de diversas emissoras de rádio formadas por um narrador, um comentarista e um repórter acompanhando passo a passo as delegações do Sport, Náutico e Santa Cruz, no Brasil e em excursões pelo exterior. A partir da conquista do tricampeonato mundial no México, a Seleção Brasileira também passou a fazer parte do planejamento da mídia do Estado. Na Copa de 1994 o Diário de Pernambuco enviou o editor de esportes, Adonias de Moura, para a cobertura da Alemanha. Ivan Lima e José Santana foram os enviados especiais da Rádio Clube de Pernambuco. A partir daí o rádio esportivo pernambucano colocou o mundo a seus pés. O DP cobriu as Copas de 78, 82,86 e 90 com equipes formadas por repórteres e fotógrafos, se posicionando no mesmo nível dos grandes jornais do Sudeste.

Com a chegada da Internet os jornais, sob a alegação de contenção de despesa, deixaram de investir em seus profissionais. Acabaram-se as viagens e as grandes coberturas. A televisão passou a investir no futebol, produto que lhe dá grande audiência com zero custo de produção. O investimento é apenas na transmissão do espetáculo. O rádio foi sendo dragado e cedeu o seu espaço com uma passividade impressionante. As empresas foram terceirizando os horários. As equipes independentes surgiram como uma esperança para os profissionais que sofriam com o fechamento do mercado, mas logo mudaram os conceitos, e o que era ruim, piorou.

A crise se instaurou de forma efetiva e começaram a surgir manobras tipo "gambiarras" que foram impostas num mercado prostituído. Profissionais passaram a receber menos que o salário mínimo vigente, tendo como complemento a garantia de uma bonificação através do programa Todos com a Nota, do Governo de Pernambuco. A sobrevivência justificava a humilhação.

O órgão de classe, a Associação de Cronistas Desportivos de Pernambuco, foi minada pelo fantasma do desemprego. Os responsáveis pelas equipes esportivas sempre optaram por uma política patronal.

Escudados numa falsa profissionalização, os clubes encurtaram os espaços dos repórteres que, engessados, passaram a ser mais desvalorizados no mercado. A título de redução de custos, as coberturas foram ficando escassas. A ordem é fazer tudo pela televisão. Chegamos a era do Off tube, o algoz da radiofonia esportiva.   

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Acontece
O Estatuto do Náutico é inusitado
postado em 29 de setembro de 2015

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


A cada dia descobrimos algo a respeito do futebol, e do que acontece em torno dos seus segmentos.

Conversando com um amigo sobre as mudanças do Estatuto dos clubes por conta do Profut, tomamos conhecimento de algo que só acreditamos por conta da credibilidade de quem estava nos informando.

O Clube Náutico tem um artigo estranho na sua Carta Magna, que é a participação nas eleições do Conselho Deliberativo de candidatos avulsos.

Procuramos o Estatuto e verificamos que o seu artigo 16 determina que existem 270 vagas para conselheiros e 270 para os suplentes, sendo 50% dentre os candidatos constantes das chapas concorrentes e 50% dentre os candidatos avulsos, ou seja, esses levam uma vantagem da garantia de serem eleitos, desde que a chapa perdedora não tem direito à participação.

Na realidade isso abre uma brecha para que as torcidas organizadas tenham uma participação de 50% do Conselho e, para tal, bastam apresentar várias chapas avulsas, garantindo assim as suas presenças no órgão deliberativo do clube, desde que 50% estão reservadas para esse tipo de concorrente. Isso poderia acontecer com torcedores de rivais que são associados, quando formariam a sua chapa avulsa e garantiriam as suas vagas nesse órgão.

Hoje todos os clubes do Sudeste do Brasil têm uma divisão proporcional com referência às chapas disputantes, isto é, mesmo perdedora uma concorrente terá a participação proporcional de acordo com o número de votos, criando um mecanismo democrático da participação da minoria. Existe uma cláusula de barreira, no caso de mais de duas chapas concorrentes, com um percentual estipulado para a quantidade de votos recebidos.

Já estudamos diversos estatutos de clubes brasileiros, mas Chapa Avulsa jamais tínhamos visto algo tão inusitado.

Vivendo e aprendendo.

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Brasileiro Série B
As contas de Santa Cruz e Náutico
postado em 28 de setembro de 2015

CLAUDEMIR GOMES


O Campeonato Brasileiro é uma corrida de longa distância. São sete meses de disputa com várias mudanças de cenários. Este ano, o equilíbrio entre as forças marcou a Série B que chega ao momento da arrancada final. Com 10 pontos de vantagem sobre o quinto colocado, o líder Botafogo, teoricamente, já tem assegurado o seu acesso à Primeira Divisão. As três vagas restantes são disputadas, ponto a ponto, por seis clubes: Vitória, Paysandu, Bahia, América/MG, Santa Cruz e Sampaio Correia.

Com exceção do Botafogo, nenhum outro clube conseguiu se desgarrar do grupo, ou seja, alcançar uma pontuação que lhe proporcionasse um avanço confortável na tabela de classificação. A simplificação na análise dos números é uma tendência natural, haja vista a torcida para que os clubes alcancem as metas estabelecidas. Isto posto, é comum observar os torcedores tricolores destacarem que o Santa Cruz está a dois pontos do G4, o que é um fato. Entretanto, a simples chegada ao cobiçado grupo não assegura o acesso, apenas aproxima o time do objetivo traçado.

Com uma vitória simples sobre o Bragantino, nesta terça-feira, no Arruda, o Santa Cruz passa a somar 48 pontos, montante este que lhe leva ao G4, mas para ver o sonho do acesso se transformar em realidade o Tricolor do Arruda precisa contabilizar, nos dez jogos restantes, cinco vitórias e quatro empates, que lhes levariam a fechar a competição com 64 pontos. Segundo o site Chance de Gol, um clube com tal soma de pontos tem entre 70% e 80% de chance de ascender à Série A.

Os números são os mesmos para o Náutico que, com 43 pontos ocupa a oitava posição na tabela de classificação estando a quatro pontos do G4. Para ficar próximo do acesso o time alvirrubro precisa somar seis vitórias e três empates. Os desafios de tricolores e alvirrubros passam pela eficiência nas cinco partidas que disputarão como mandantes, uma vez que, o aproveitamento de ambos como visitantes é muito baixo.

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Artigos
Uma carta de Dona Lúcia
postado em 26 de setembro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UMA CARTA DE DONA LÚCIA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Para nossa surpresa, recebemos no dia de ontem uma carta de Dona Lúcia, a mesma que mandou uma missiva para Scolari, e que foi lida com tanta emoção por Carlos Alberto Parreira, após o fiasco da seleção do Circo no Mundial.

Não sabemos como a boa velhinha nos descobriu nessa terra do ¨nunca acontece nada¨, mas o fato aconteceu e nós vamos publicá-la.

* Prezado JJ:

¨Sou leitora do seu blog, e como esse é independente, resolvi mandar essa carta na certeza de que será publicada, desde que a lida por Parreira e que serviu de piada para o mundo, foi alterada e distorcida pelo "Circo do Futebol Brasileiro", como o senhor chama a CBF.

O Brasil perdeu a vergonha, e uma velhinha de 84 anos não consegue conter a sua revolta, como é o meu caso. Como uma Presidente da República, no lugar de procurar pessoas sérias para um governo de coalisão nacional, vai trocar apoio dando ministérios a uma banda podre de um partido apodrecido? E o STF querendo dar uma mãozinha aos investigados da Lava-Jato, desmembrando alguns processos, e criando uma confusão jurídica?

No futebol do qual o senhor é um mestre de ofício, as coisas continuam destrambelhadas.

Onde já se viu um treinador dar uma entrevista dizendo que não confia na diretoria do seu clube? Isso eu li, prezado JJ, nos jornais de nosso estado, quando Juan Carlos Osorio, do São Paulo, em pleno CT do clube, disse que a confiança foi perdida, pelo que fizeram com o elenco e os desfalques.

JJ, isto na minha época era algo impossível de ser visto, quando o empregado afirma que não confia no empregador, e esse em resposta garante a sua permanência no emprego. O mundo está invertido, e todos perderam a vergonha, em especial no Brasil.

A cada dia, caro JJ, me arrependo de ter apoiado o Circo, e depois tomar um choque com a prisão de um velhinho com cara de malandro, José Maria Marin, que deu lugar a um namorador profissional, que não sai do Brasil com medo do FBI, que está nos calcanhares de Blatter lá na Suíça. Aquele baixinho é muito esperto.

JJ, apesar da idade, sou uma estudiosa do futebol, e o brasileiro tem um arcabouço apodrecido, cujos dirigentes se apoiam em distribuição de favores e recursos, sobretudo para os seu restrito eleitorado de clubes e federações estaduais. Esse formato apodrecido se reproduz nos Estados, com as ligas municipais. Infelizmente estou chegando ao fim da vida, e não irei festejar a queda dessa gente esperta que tomou conta do esporte da chuteira no país.

O mais grave, prezado JJ, é que essa entidade está desejando matar os atletas de futebol, colocando-os para jogar em horários criminosos em pleno verão brasileiro, que tem a mesma proporção do Saara. As pobres jogadoras do Viana do Maranhão que o digam, quando foram obrigadas a jogar às 15 horas para atender a uma emissora de televisão, que é tão ruim que ninguém sabe o seu nome.

Por conta disso, JJ, 9 atletas desmaiaram e um baixinho chamado Marcos Aurelio Cunha, que dirige no Circo a parte do picadeiro relacionada ao futebol feminino, que renunciou uma vereança para assumir essa diretoria, mostrando que a boquinha é boa, afirmou que tudo aconteceu dentro da normalidade.

Mandei uma carta para ele, convidando-o para participar de uma partida no mesmo horário, no mesmo local, onde ovos são fritos nas calçadas, por conta da temperatura.

Fiquei sem espaço, e tinha tanta coisa a escrever, inclusive sobre Neymar, com o bloqueio de seu patrimônio solicitado pela Receita Federal, que só não trabalhou bem no caso da Petrobras, onde o dinheiro voava pelo país e pelo mundo, e ninguém viu, e ninguém sabia.

Em breve remeterei uma outra missiva, tratando de novos assuntos, e antecipadamente agradeço a publicação.

Um abraço da sua fã, Dona Lúcia, conhecida como ¨Dona Lúcia do Parreira¨.

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Acontece
A mesmice das resenhas
postado em 23 de setembro de 2015

CLAUDEMIR GOMES


Ao ultrapassar a barreira dos 50 anos o homem tem que fazer um exercício contínuo para não ser domado pela intolerância, mas é quase impossível ficar inerte diante de novos hábitos, regras e comportamentos. Converso muito com o mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, e comungo do seu pensamento a respeito da mesmice que tomou conta das resenhas e programas esportivos, principalmente no rádio.

O rádio é um veículo de comunicação EXTRAORDINÁRIO, apaixonante, mas as resenhas esportivas continuam como há 50 anos. Detalhe: o nível dos profissionais caiu assustadoramente. A geração do google, facebook, instagram, twitter, whatsapp..., perdeu o feeling da notícia, foi engessada por barreiras criadas por clubes, confederações e federações em nome do "profissionalismo". Hoje, as empresas de comunicação funcionam como se fossem assessorias de luxo. O que se escuta numa resenha é o mesmo que passa em todas as outras.

O saudoso, Adonias de Moura, não gostava de ver repórter na redação. "A notícia está na rua", bradava antes de colocar seu pelotão de repórter a caça de notícias. E lá íamos nós para os clubes, escritórios de dirigentes, casas de jogadores, enfim, ia atrás da notícia. Não existia nenhum tipo de apartheid, o dialogo era aberto do porteiro ao presidente do clube. A busca incessante por um fato novo enriquecia os noticiários, instigava os repórteres que estavam sempre ávidos por furos de reportagem.

A Internet passou a ser acessível à sociedade na década de 90. As distâncias encurtaram. Acompanhei toda a evolução. Nas primeiras coberturas nacionais e internacionais utilizei o telex para enviar matérias para o Diário de Pernambuco. Depois veio o fax e, por fim, chegamos à era digital. Hoje, resolvo tudo com um Iphone. A evolução tecnológica é um fato. As distâncias foram encurtadas, a velocidade da comunicação é impressionante. Temos conhecimento de tudo em tempo real. O que é que falta?

Falta o feeling do repórter para buscar o porque. O repórter não fala mais com o jogador que ele quer, e sim com o jogador que o clube escala para as entrevistas. Em síntese, as entrevistas são direcionadas pelos clubes, e o noticiário, que muitas vezes é repassado pelas assessorias das agremiações, é o mesmo para todas as emissoras de rádio.

A geração do google tem "armas" poderosas nas mãos, mas não descobriu que só sai do lugar comum quem tem faro de repórter.

É meu caro José Joaquim! Tem dia que as resenhas estão um saco.      

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