Histórico
Sport
Vitória avassaladora de Milton Bivar
postado em 18 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Mesmo antes das inscrições das duas chapas, a candidatura de Milton Bivar, à presidência executiva do Sport, se apresentava emoldurada com a faixa da vitória. O advogado, Eduardo Carvalho, sem nenhuma base política na Ilha do Retiro, funcionou como um contraponto que serviu para dar a conotação de uma disputa, visto que, o sentimento que nos foi repassado ontem, pela maioria das pessoas presentes na sede do clube, durante o pleito, era de confraternização pela "REDENÇÃO" do clube leonino.

A vitória de Milton era certa. Faltava apenas os números: 2.447 votos, contra 329 votos do seu opositor.

O novo presidente chega ao cargo pela segunda vez. O título da Copa do Brasil, conquistado pelo Sport em 2008, sob o seu comando, lhe credenciou ao sucesso na disputa pelo voto dos rubro=negros. E de forma avassaladora, fato que ressalta a credibilidade do sócio na sua capacidade de gerir o clube num dos momentos mais desafiadores de sua centenária história.

Por ironia, no final da manhã, quando um expressivo número de sócios marcava presença na sede do clube, na Ilha do Retiro, uma pane elétrica tornou inviável a frequência no restaurante, que sempre funciona como ponto de encontro nas eleições. Era como se o Sport estivesse devastado. Por ali tivesse passado um furação.

E passou.

Há seis anos que o clube leonino sofre um desgaste lento. Os equívocos administrativos foram corroendo todos os setores. O patrimônio está dilapidado. Qualquer parecer contábil dirá que o Sport é um clube insolvente. O caos no futebol, que é considerado o coração da agremiação da Ilha do Retiro, foi instaurado, e as soluções para tantos problemas não parecem fáceis.

Nas suas primeiras palavras como presidente eleito, Milton Bivar destacou que, a quantidade expressiva de votos a seu favor dá "legitimidade" a sua vitória.

Verdade. Os números são incontestáveis.

Tão incontestáveis quanto a expressa vontade dos eleitores de, nos próximos dois anos, ter uma administração transparente no clube. Aliás, este foi um dos desejos mais revelados por aqueles que transitaram pela Ilha do Retiro neste dia de eleição.

Vencer é o céu presidente! Que o diga seu amigo, Costinha, que fez questão de lhe dar um abraço após votar na sua chapa.

Mas não é preciso ser um administrador de empresa para saber que, o momento do Sport vai exigir que o senhor cobre o escanteio e corra para fazer o gol de cabeça. Sem falar nos pênaltis que também serão de sua responsabilidade.

Sucesso!

É o que lhe deseja milhares de leoninos.

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Artigos
Um cliente mal atendido
postado em 18 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nunca na história das corporações de mídia no Brasil tivemos tanto enxugamento nos seus quadros jornalísticos, em especial na imprensa escrita, que é a que vem sofrendo mais abalo na sua competição com as redes sociais.

Procedemos diariamente com a leitura de vários jornais brasileiros e internacionais, e não entendemos que o nosso jornalismo ainda não percebeu que para continuar ativo precisa acompanhar as tendências e os sinais do seu próprio público.

Os jornais europeus foram os que mais evoluíram na busca de alternativas para os seus leitores, enquanto no Brasil poucos mudaram nas suas editorias, publicando matérias por todos lidas um dia antes pela internet.

Não somos jornalistas, mas temos a percepção de um leitor que não deseja a repetição da notícia, e sim o aprofundamento sobre a sua repercussão na sociedade. O que vale repetir que João de Deus foi preso no domingo, ou seja um dia após o fato?

Na verdade esse ponto, que chamamos de mote, deveria servir para um debate maior na imprensa em geral e sobretudo na escrita, com uma análise de que existem vários personagens como esse.

Um tema que sempre temos destacado em algumas postagens é o da necessidade de um maior número de colunistas formadores de opinião, com a capacidade de observarem que além das notícias existe um algo maior a ser discutido. São essas interpretações que motivam o debate e prendem o leitor.

O futebol é um setor que sofre mais, desde que os bons articulistas desapareceram e não foram substituídos a altura. Não foi por acaso que os jornais e as revistas esportivas sumiram do Brasil, por conta da ausência do novo em suas matérias que se reportavam a fatos que aconteceram por muito tempo atrás, quando na verdade essas poderiam ser enaltecidas e sobretudo discutindo temas importantes sobre os diversos segmentos do setor.

A Sports Ilustrated é um com exemplo nos Estados Unidos. Um outro exemplo existe em Lisboa. Portugal, com três jornais diários sobre esportes, com grande aceitação. Os veículos lusos são procurados nas bancas, e logo cedo estão esgotados. O metrô nos dá uma amostragem com os passageiros lendo as notícias do dia.

Obvio que os jornais não irão morrer, porque existem há muitos séculos, mas a necessidade de mudanças é viável, desde que não poderão continuar com uma linha editorial do repetindo o repetido por muitas vezes, um dia após a sua edição.

A era digital chegou e esse é o caminho que será tomado.

O bom colunismo será a peça de resistência dos veículos impressos brasileiros.

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Náutico
Os Aflitos, os carpinenses e o tempo
postado em 15 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Nos últimos dias, o assunto dominante nos meios esportivos do nosso Estado é a reabertura do estádio dos Aflitos. A praça de esportes do Clube Náutico Capibaribe tem o nome oficial de Estádio Eládio de Barros Carvalho. Mas na boca do povo é "Estádio dos Aflitos" e priu.

Pois bem! A história dos Aflitos se confunde com a história do Náutico. Este é aquele típico estádio que não chega a ser um apêndice. É órgão vital. Afinal, as grandes conquistas alvirrubras aconteceram naquele pedaço de chão.

Lembranças de um passado glorioso se misturam as esperanças de um futuro que irá colocar o clube em sintonia com o novo tempo. Este "encontro" de passado com o futuro torna o presente excitante.

A história dos Aflitos tem sido revivida através das lembranças de fatos, de momentos inesquecíveis e marcantes. Evidente que a volta pra casa tem traços de saudosismo, até porque os laços de ternura nas narrativas são reais e emocionantes.

Revendo os feitos do Náutico na década de 60, foi inevitável lembrar da abertura de um canal que ligou o clube alvirrubro ao Santa Cruz de Carpina. Tudo começou quando o atacante Rinaldo foi defender o Náutico. O carpinense fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, se transferiu para o Palmeiras, numa troca com o meio campista, Ivan Brondi. Rinaldo chegou a Seleção Brasileira, e quis o destino, que Brondi viesse a se tornar uma referência na história do Clube da Rosa e Silva.

Na mesma década, o juvenil do Náutico, treinado por seu Cido, foi fazer um amistoso com o Santa Cruz de Carpina. O goleiro do Tricolor Carpinense, Lula, foi o destaque do jogo. De imediato foi garimpado pelo treinador alvirrubro. Como pagamento, o Náutico se dispôs a fazer um outro jogo em Carpina, sem nenhum ônus para o Santa Cruz.

O Tricolor Carpinense vivia o melhor momento de sua história. Além de jogadores renomados como Mário de Pirulito, Humberto, Pelado, Telbaldo... havia uma nova geração de grandes talentos surgindo. O Náutico investiu pesado nos jovens carpinenses: Jairo (goleiro); Zé Leite (volante), Edvaldo(lateral esquerdo) e Wilson (ponteiro esquerdo).

A concentração do juvenil alvirrubro, que ficava sob o setor de cadeiras do estádio dos Aflitos, parecia uma república de carpinenses. O objetivo de todos era vestir a camisa do time principal. Jogar ao lado de Ivan Brondi, Bita, Nino, Fraga, substituir Lula Monstrinho...

Os jovens carpinenses copiavam os seus ídolos no jeito de vestir: calças boca sino, feitas pelo alfaiate de nome Barbosa. E todos sonhavam em ter o carro da moda: Karmanguia da Wolksvagen, com rodas largas e toca fita roadstar auto reverse. As caminhadas pelas ruas da Angustura, Espinheiro e Santo Elias, onde ficava a concentração dos profissionais, eram preenchidas por bate papo revestido de esperança. A época, os juvenis faziam as refeições junto com os profissionais, na concentração da Santo Elias.

O Santa Cruz de Carpina sempre cedeu suas revelações para o Náutico. Walmir, um apoiador de grande habilidade, também morou na concentração sob as arquibancadas dos Aflitos.

A reabertura dos Aflitos acontece num momento de recesso do futebol brasileiro, fato que oferece um espaço generoso para os alvirrubros relembrarem o passado e fazerem planos para o futuro.

"A memória do passado, o olhar do presente e a espera do futuro". Esta a trilogia do tempo que foi ensinada por Santo Agostinho e que está sendo vivenciada pelos alvirrubros ao ver o futebol novamente sendo praticado em casa.

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Artigos
A refundação do futebol de Pernambuco
postado em 13 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Um tema que já discutimos por várias vezes e que voltamos a abordar nesse artigo, está relacionado a necessidade de se refundar o futebol de Pernambuco.

Esse esporte é um bom negócio que precisa de demanda, e os clubes  essa necessidade, desde que possuem boas torcidas, as quais formam um valioso mercado consumidor.

Quando observamos as campanhas de nossos times, especialmente aqueles que são chamados de grandes nas diversas competições, verificamos que as gestões não estão sendo delineadas para atender as suas necessidades. O amadorismo impera.

O futebol de nosso estado, como na maioria do Brasil continua atolado no imediatismo, na insensatez das cobranças. O debates são paupérrimos e não levam a nada.

Na realidade os times de Pernambuco não entenderam a necessidade de mudar o sistema atual, que dá muita validade a um Estadual que nada representa, e que não pode, nem deve servir de parâmetro para projeções futuras.

A própria Copa do Nordeste, que poderia ser um bom torneio, a qualidade técnica é baixa, e a conquista do título não pode servir como referência para as disputas em competições maiores.

O futebol pernambucano teve bons momentos, quando cuidava de suas bases, e os elencos eram formados na maioria por jogadores produzidos internamente, ou então na própria região. Tínhamos boas participações nos eventos nacionais.

O modelo foi abandonado, dando a preferência as importações de pouco conteúdo, e os resultados são bem visíveis. Os clubes no início da temporada contratam caminhões de jogadores.

Existe uma necessidade de se refundar o futebol local, ouvindo todos os seguimentos e sobretudo especialistas do setor, para que possam debater idéias na busca das modificações necessárias. A derrocada técnica e financeira é absurda. Todos os segmentos que o envolvem tem conhecimento, mas nada fazem para a mudança do sistema.

Termina um Estadual e mesmo uma Copa do Nordeste, quais os talentos que são aproveitados? Isso demonstra que não existe trabalho de base, e quando acontece é mal feito, para atender os empresários.

O futebol brasileiro se apequenou no geral, mas o de Pernambuco está na zona do rebaixamento, em função de uma linha de procedimento e, sobretudo, de um projeto a longo prazo para que volte a ser o que já foi um dia.

O Interior foi destroçado.

Enquanto existir uma parede separando os clubes profissionais, que não conseguem conversar entre si, só irá beneficiar a Federação local, que pouco se importa com o que acontece, e em janeiro irá dirigir um Estadual destruidor para todos os participantes.

Todos são culpados pelo momento atual, inclusive a imprensa e os torcedores, que nada fazem para que o sistema seja alterado.

Lamentável.

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Acontece
O Muro da Intolerância
postado em 11 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Sábado passado aconteceu mais uma edição do "Encontro dos Boleiros", confraternização que tem como objetivo agrupar o maior número possível de ex=jogadores. O evento faz parte do calendário esportivo pernambucano e é sempre marcado pela recordação de fatos e histórias que marcaram as carreiras cada um.

Evidente que o verbo é sempre conjugado no passado, fato que nos permite traçar um paralelo entre o praticado no século passado e o que ditado na nova ordem.

Nesta segunda=feira, no programa Bem Amigos, apresentado por Galvão Bueno, no SporTV, o comentarista, Caio Ribeiro, falou sobre o "Muro da Intolerância", que vem alimentando um apartheid entre os profissionais da imprensa e jogadores profissionais, separação que tem sido danosa para ambas as partes, principalmente para o futebol.

As observações feitas por Caio Ribeiro foram acatadas por todos os presentes, embora o assunto, de grande relevância, não tenha evoluído por não constar na pauta do programa.

Posso dizer que sou um privilegiado por ter vivenciado a época da liberdade de Circulação, que nos deixava íntimos dos fatos e das notícias. O respeito ao direito de ir e vir dos repórteres aproximava a mídia dos jogadores, técnicos e os dos outros profissionais ligados ao esporte mais popular do País. O estreitamento dos laços de amizade sempre foi visto como uma coisa salutar. E foi assim, juntos e misturados, que o futebol brasileiro viveu os seus melhores momentos.

"Por trás de um jogador, de um treinador e de um repórter, há um cidadão, um ser humano que precisa ser respeitado", enfatizou Caio Ribeiro.

Não sei de quem foi o brado, mas um dia, algum iluminado gritou que era preciso separar os dois grupos. O conceito equivocado ecoou, e foi levantado o fictício "Muro da Intolerância".

O repórter não tem mais o direito de ir e vir. Os espaços da mídia foram limitados, fato que deixou a todos sem informações precisas dos fatos. Jogadores e treinadores passaram a tratar profissionais da imprensa como inimigos numero um.

As entrevistas passaram a ser enviadas as empresas de comunicação pelas assessorias de imprensa. Enfim, o que chega ao conhecimento do público é o que os clubes acham convenientes. As coletivas de imprensa são de uma pobreza lamentável porque os profissionais da mídia não têm conhecimento dos bastidores.

O mestre, José Joaquim pinto de Azevedo, com muita propriedade afirma que estamos vivendo a "ERA DE IMBECILIDADE".

Ao proibir os repórteres de vivenciarem os bastidores, os iluminados dirigentes e incompetentes treinadores, que foram decisivos na criação deste apartheid, provocaram uma crise sem precedentes na imprensa esportiva, cada dia mais pobre de pensamento e atitude.

Pior ainda: colocaram um ponto final naquilo que somente é possível observar no encontro de jogadores do passado, a amizade sincera entre os profissionais dos dois lados.

O "Muro da Intolerância" empobreceu o futebol.    

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