Histórico
Santa Cruz
Patinando no novo tempo
postado em 20 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES


O mestre, Adonias de Moura, um dos maiores amantes do Santa Cruz que conheci, sempre me orientou a observar muito, ouvir bastante e falar o necessário, ou o indispensável. Seguindo a regra, são poucos os amigos com os quais converso sobre futebol. Naturalmente que surgem as provocações, mas evito alimentar qualquer prosa cujo mote seja esta paixão nacional.

Passar na padaria, na manhã do domingo, faz parte da liturgia do final de semana. A turma do café da manhã faz uma "resenha" espetacular. O assunto do dia não poderia ser outro senão a queda do técnico, Leston Júnior, do Santa Cruz. Uma morte anunciada, mas dispensa de treinador sempre provoca buchicho entre torcedores.

As opiniões estavam bem divididas.

Em clube de massa, quando não se chega a um consenso, o mais sensato é recorrer aos números. Para fortalecer a tese de que o Santa Cruz precisa, urgentemente ser repensado, e mudar os paradigmas, basta observa o desempenho do clube no Campeonato Brasileiro, no Século XXI:

Série A: 2001 - 2006 - 2016;

Série B: 2002 - 2003 - 2004 - 2005 - 2007 - 2014 - 2015 - 2017;

Série C: 2008 - 2012 - 2013 - 2018 - 2019;

Série D: 2009 - 2010 - 2011.

A trajetória é por demais esclarecedora: três participações na Primeira Divisão; oito na Segunda Divisão; cinco na terceira Divisão e três na Quarta Divisão. O encolhimento do clube é indiscutível.

O que aconteceu? Devem perguntar os tricolores em busca de explicações convincentes, principalmente os que tiveram o privilégio de vivenciar o clube no final da década de 60 até os anos 80, quando a agremiação do Arruda apresentou os maiores índices de crescimento no futebol brasileiro.

O sucesso dos anos dourados do Tricolor do Arruda era justificado através de um planejamento estratégico que foi seguido a risca por João Caixero de Vasconcelos; Rodolfo Aguiar; Aristófanes de Andrade; Andre de Paula; Henoch Coutinho; José Nivaldo de Castro e muitos outros dirigentes que pensaram o clube como uma grandeza nacional.

A justificativa do fracasso do presente é encontrada do lado oposto, ou seja, a falta de um planejamento estratégico. Afinal, há mais de dez anos que o futebol do Santa Cruz é pensado, e comandado, pelas mesmas pessoas, as quais se pode creditar a presença do clube em cinco edições da Série C e três edições da Série D.

Nos maiores "apertos" surge um iluminado para "sangrar" um grupo de empresários. Tem até que aposte numa rede de vendas de bolo de rolo e ovos de galinha de capoeira. As tímidas conquistas do Pernambucano, campeonato que não serve de referência para atestar crescimento e evolução, são comemoradas como feitos históricos. Enfim, os gestores de hoje diferem dos gestores de ontem a partir da definição dos horizontes.

Na atual década, ou seja, de 2011 para cá, esta é a décima-sétima vez que o Santa Cruz troca de treinador. Apenas um profissional conseguiu sobreviver duas temporadas: Zé Teodoro.

Está mais que visto que, a solução para os problemas do Santa Cruz não está na troca de treinadores.

O que precisa?

Mudar a forma de pensar para poder entrar em sintonia com o Século XXI. Afinal, o Tricolor está há 19 anos patinando. Nas três vezes que chegou no alto da pirâmide, não teve competência para dar sustentação ao crescimento.

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Sport
Afasta de mim este CALE-SE
postado em 17 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Numa varredura de final de dia na internet, me deparo com a notícia de que o repórter, Anderson Gomes, da Rádio Transamérica, havia sido proibido de fazer a cobertura do treino do Sport. Motivo: num programa da emissora, dois dos seus companheiros criticaram os dirigentes do clube.

Nos dias de hoje o fato é tão absurdo que pensei se tratar de uma das tantas fake news que são publicadas com objetivo de confundir a opinião pública. A "guerra" das inverdades e calúnias nas redes sociais se tornou insuportável. Para minha frustração o fato foi verídico.

Aderi à súplica do Chico Buarque e gritei para quebrar meu silêncio interior: Afasta de mim este CALE-SE!

A submissão da classe diante de um fato tão absurdo foi pior que a agressão. Afinal, a "Lei da Mordaça" faz parte de cultura do Clube da Ilha do Retiro.

Na década de 70, quando iniciava minha carreira jornalística, fui convocado pelo editor de esportes do DIARIO DE PERNAMBUCO, Adonias de Moura, para participar de uma assembléia na sede da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP. A época o presidente da entidade era o jornalista, Francisco José, que se posicionou contra a tirania do presidente do Sport, Jarbas Guimarães. A queda de braço entre os dois ganhou uma proporção inimaginável.

Adonias de Moura, Ivan Lima, Lenivaldo Aragão, José Bezerra, Luís Cavalcanti, Sílvio Oliveira, Edvaldo Morais, Júlio José, Robson Sampaio, Gomes Neto, Paulo Morais, Amaury Veloso, José Santana, Walter Spencer, César Brasil, Bartolomeu Marinho, Haroldo Rômulo, Ivo Suter, Givanildo Alves, Lula Carlos, Hélio Pinto... Enfim, todos que faziam parte da ACDP marcaram presença na maior assembléia da história da entidade de classe.

Vitória da unidade!

Ainda na década de 70, o presidente do Sport, Jarbas Guimarães, não satisfeito com uma matéria feita pelo jornalista, Amaury Veloso, foi até o DP, pedir a cabeça do profissional. O diretor, Antônio Camelo, recebeu o presidente leonino e manchou chamar na redação, o editor de esportes, Adonias de Moura.

Após ouvir as queixas e as reivindicações do dirigente rubro-negro, Adonias de Moura o colocou para fora da sala do diretor, Antônio Camelo, e disse que Amaury seguiria como setorista na cobertura do dia a dia do Sport.

Sempre achei que liberdade de imprensa é uma coisa utópica, principalmente no futebol.

Na década de 80, quando Emerson Leão iniciou sua carreira como treinador, no Sport, o presidente rubro-negro, a época Homero Lacerda, comprou uma briga com o comandante de esportes da Rádio Clube, Barbosa Filho. A briga do "rochedo com o mar", sobrou para o repórter, Pedro Luís, que foi proibido de entrar no clube.

Após o treino, Leão me viu com o gravador de Pedrão e perguntou o que estava acontecendo. Lhe fiz um relato dos fatos. O técnico foi claro: "Ele não pode entrar, mas eu não estou proibido de sair. Darei entrevista a ele lá fora".

A atitude de Leão acabou com o entrevero.

Em 2008, quando o Sport descrevia campanha vitoriosa na Copa do Brasil, e foi jogar com o Vasco, no Rio, cortou o assessor de imprensa, Amaury Veloso, da delegação. Precisei de uma informação para fechar a coluna que escrevia na Folha de Pernambuco. Liguei para Amaury que não tirou minhas dúvidas por não ter acompanhado o grupo.

Critiquei a ausência do assessor de imprensa na delegação de um clube que caminhava para a conquista de um dos títulos mais importante de sua história. O presidente, Milton Bivar, não assimilou a crítica. Foi em cima do Amaury e depois ligou para mim. Na nossa conversa ele foi enfático, afirmando que, o trabalho que o assessor faria, qualquer um poderia fazer, "até Pelé".

Para quem não conhece, "Pelé", é um dos seguranças do clube. Com tamanho pensamento, não dava mais para alongar a conversa com o presidente.

Caro Anderson Gomes!

Foi louvável o seu esforço no sentido de deixar claro que a proibição não foi pessoal, ou seja, ao homem, e sim, ao repórter funcionário da Rádio Transamérica. Seja qual for o alvo, a "Lei da Mordaça" é uma coisa abominável, truculenta e inaceitável.

Lamento o silêncio dos inocentes.

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Artigos
A Era da Chatice
postado em 16 de maio de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

O mundo tornou-se chato em todos os segmentos e obviamente o futebol não poderia escapar.

Sentimos tal transformação quando os músculos começaram a valer mais do que o intelecto. Criou uma geração musculosa e que pensa muito pouco. Trocaram um bom livro pelas colunas de celebridades, e na sua maioria, embora com diplomas, escrevem xadrez com "ch". É a geração do pop-stars.

Hoje é proibido cantar "atirei o pau no gato", pois os "sábios" acham que é instigar a violência contra os bichanos.

As crianças enfurnadas em seus condomínios não sentem o prazer de uma pelada de rua. As celebridades são criadas da noite para o dia, e interferem com seus atos para que outros as transformem em seus ídolos.

Quanto mais uma B... de fora, mais seguidores no Instagram.  

Na vida política, as novas mídias fabricam candidatos empastelados e que contam com marqueteiros para transformá-los em figuras que prometem até o cavalo de São Jorge.

O povo abestalhado os acompanham.

Mas o nosso sentido é o de falarmos sobre o futebol. Esse realmente nas pesquisas, mesmo com a famosa margem de erro, lidera a chatice. Nada mais chato hoje do que um jogo desse esporte. Pragmático, defensivista e com bolas alçadas na área.

O empate é o objetivo dos treinadores, que jogam para não ganhar e não perder. Nada mais chato ainda são os brucutus que assumiram o lugar dos antigos craques. A missão desses personagens é de pararem o jogo de qualquer maneira. Hajam faltas.

Chato mesmo é um jogo de 95 minutos, ter no máximo 50 de bola corrida. Os preços dos ingressos deveriam ser cobrados por minuto de bola rolando.

E as torcidas organizadas que transformaram o futebol como um meio de vida e uma praça de guerra. Verdadeiras gangs fascistas que se apoderaram do pedaço graças às benesses dos cartolas.

Mais chato do que entrevistas coletivas não temos conhecimento. No final de tantas perguntas o resultado é inexistente, pois ninguém perguntou nada, nem alguém  respondeu alguma coisa.

Os programas de esporte viraram de humor, e dos mais baratos.

E assim nós vamos caminhando para esse mundo chato, movido a dinheiro, onde somos comprados, vendidos sem sequer sabermos. A internet dominou, e hoje é a porta voz de tudo.

O jornalismo tem o google como companheiro.

O escritor, Eric Honsbawn, já falecido, deixou um grande legado com os seus livros, mas esqueceu de escrever um bem importante, ou seja, a "Era da Chatice".

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Futebol Pernambucano
"Se o campeonato terminasse hoje..."
postado em 14 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

"Se o campeonato terminasse hoje..."

Uma rápida olhada na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro (Séries B e C), nos leva a rememorar a célebre frase do saudoso plantonista, Mané Queiroz, que a utilizava como um grito de alerta, independentemente da rodada que estivesse em curso na competição.

Evidente que não podemos fazer projeções sobre o futuro dos clubes numa disputa de tiro longo, que mal começou, contudo, é inegável o desconforto de observar que o Sport, ao final da terceira rodada, segue na parte de baixo da tabela da Série B, distante da zona de acesso; testemunhar a condição de lanterna do Santa Cruz na Série C, assim como ver o Náutico fora da zona de classificação, no Grupo A da Série C.

Enfim, "se o campeonato terminasse hoje", o futebol pernambucano estaria descendo mais um degrau, nenhum clube recifense alcançaria a meta desejada.

Se tomarmos por base a Série A, Pernambuco é, no momento, o quarto colocado no ranking nordestino: Ceará, Bahia e Alagoas, Estados com representantes na elite nacional, ultrapassaram o "Leão" que segue dormindo em berço esplendido enquanto os concorrentes avançam dentro dos conceitos da nova ordem.

O atual cenário deve ser analisado por várias óticas, o que nos assegura que haverá mudanças, que são imposições da dinâmica do futebol, principalmente porque este ano haverá uma paralisação por conta da disputa da Copa América.

O despreparo dos novos "cronistas esportivos", contribui de forma efetiva para a queda de qualidade. Segundo o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "a imprensa juvenil se comporta como jurado de Escola de Samba, dando NOTA 10 a tudo". A coisa funciona assim. Afinal, tem rádio que transformou estagiário em comentarista, e seus comentaristas evitam ir ao estádio.

De repente, vejo no celular o renomado narrador dando uma de comentarista, sem a menor preocupação com o visual e o conteúdo. Levar para a telinha o modelo do rádio, sem a menor lapidação, chega a ser uma agressão.

A conservação dos estádios é um outro item que afugenta o torcedor.

Os motivos da queda do padrão de qualidade do nosso futebol são claros, mas soluções estão distantes por falta de conceito, principalmente no contexto de tudo o que acontece fora das quatro linhas.

"Se o campeonato terminasse hoje...", o futebol pernambucano não retomaria o crescimento, mas certamente a imprensa juvenil estaria dando Nota 10 ao apocalipse.    

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Acontece
A desvalorização do valor agregado do Sport
postado em 13 de maio de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

"O Sport Club do Recife comemora nesta segunda-feira, 13 de maio de 2019, 114 ano de fundação. Os amantes do clube rubro-negro louvam a data ressaltando feitos memoráveis do passado, e citam a conquista da Copa do Brasil de 2008, como um fato que tornou o clube contemporâneo do Século XXI. Quem acompanha o crescimento do Sport observa que, está faltando um "Plus", para que ele se posicione, de forma efetiva, entre os grandes do futebol brasileiro.

abaixo, transcrevemos artigo publicado hoje no blog do mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, que conhece como poucos a história do clube da Ilha do Retiro, e que deixa bem clara as dificuldades dos dirigentes leoninos em assegurar um futuro promissor ao centenário Sport. (Claudemir Gomes)".

 

Na economia as empresas fazem os cálculos do seu Valor Agregado Bruto a fim de que os seus procedimentos sejam analisados.

O esporte moderno é um negócio como outro qualquer e deve ser tratado como tal, desde que os seus investimentos terão que ser focados na busca de um bom retorno financeiro.

Os dias do amadorismo e dos dirigentes com o talão de cheque nas mãos desapareceram, dando lugar ao planejamento estratégico, com linhas traçadas para que os clubes possam apresentar lucratividade no final de cada exercício.

O valor agregado bruto aplicado no futebol é a percepção que o cliente (consumidor/sócio), tem de um bom produto ou serviços, que atenda o seu conjunto de necessidades, considerando o benefício x preço, em comparação com outro bem disponível na concorrência.

Para conquistar um cliente, existe a necessidade de se ter a junção do valor agregado ao seu produto. Em outras palavras, é fazer com que esse (ou físico ou prestação de serviços) apresente um "algo mais", que atraia a sua atenção, tornando-se mais competitivo no mercado.

Os valores em um clube sócio-esportivo a serem agregados ao seu produto final, a prestação de serviços ao seu associado/consumidor, formam um conjunto bem extenso, que vão da formação de uma equipe competitiva, que participe com qualidade de eventos mais importantes, e que respeitem as regras pré-estabelecidas ao bom atendimento a todos que o frequentam.

Além disso, a infraestrutura local para o fornecimento de serviços representa um grande valor, e está representada por um estádio confortável, alimentação higiênica, sanitários dignos, facilidade de aquisição de ingressos, lugares marcados, estacionamento, etc.

Um outro ponto importante para ser agregado ao produto final, é o bom atendimento ao associado/consumidor, tornando o clube como uma segunda casa, e lhe dando atividades em todos os segmentos.

Um clube de Pernambuco que teve o maior valor agregado ao seu produto final foi o Sport, mas nos últimos anos esse foi reduzindo, motivado pela perda da qualidade da prestação de serviços e sobretudo da gestão do futebol.

Em dezessete Campeonatos da Série A, que é um agregador de valores, o clube participou de nove. O seu patrimônio foi abandonado e o sócio relegado a um segundo plano, reduzindo mais ainda a sua participação, o que provoca a queda de receitas. Para efeito de comparação, na década de noventa o rubro-negro participou de todos os Brasileiros da Série A.

O dirigente precisa ter uma idéia exata do que isso representa, visto que com a agregação de bons valores ao produto final, esse certamente será valorizado e vendido por melhores preços, inclusive a sua marca. Isso é a antiga lei do vale quanto pesa.

Nos lembramos desse assunto após assistirmos o grotesco jogo contra o Figueirense, no último sábado, quando ficamos convictos de que o clube não pode continuar com a mesma linha que vem sendo adotada no presente, pois acarretará, sem dúvida, no apequenamento de sua qualidade e levará o seu produto final a um preço aviltado em relação à potencialidade que apresenta.

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