Brasileiro Série B
A Força do Querer
postado em 18 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Ontem a noite, enquanto um percentual bastante expressivo da alienada população brasileira tinha suas atenções voltadas para os últimos capítulos da novela A Força do Querer, querendo saber qual o destino da "sereia" Ritinha e o seu filho; o que fará Bibi Perigosa fora do tráfico; como ficarão as trans; e qual a reação de Eurico quando descobrir que sua mulher é uma viciada compulsiva... um número infinitamente menor de torcedores acompanhavam, não menos angustiados que os milhões de noveleiros, as emoções da reta final da Série B, numa de suas edições mais pobres tecnicamente.

O Goiás foi o único clube que estava na parte de baixo da tabela de classificação que conseguiu vencer na 30ª rodada do Brasileiro da Série B. Os quatro times que habitam a zona de rebaixamento = ABC, Náutico, Santa Cruz e Luverdense = empataram em seus jogos, fato que manteve a zona de degola inalterada, inclusive na pontuação que separa um clube dos outros, ou seja, tricolores e alvirrubros seguem a uma distância de cinco e oito pontos, respectivamente, do Guarani, primeiro clube fora da área de degola. Tal empacotamento leva as equipes a patinarem sem sair do lugar, fato que transformam distâncias aparentemente fáceis de serem superadas em obstáculos quase que intransponíveis.

A suada vitória(1x0) do Goiás sobre o Juventude lhe rendeu um salto de quatro casas na tabela, contudo, a distância que o separa da Luverdense, equipe que abre a zona de rebaixamento é de apenas três pontos. A paridade deixa clara a existência de inúmeras possibilidades, mas poucas são as probabilidades por conta da regularidade que determinou tal equilíbrio de forças. Durante os 90 minutos de bola rolando o Náutico esteve, em dois momentos, na frente do Santa Cruz, na tabela de classificação, mas como os jogos de ambos, contra CRB e Oeste, respectivamente, terminaram empatados, com o mesmo placar (2x2), "tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes".

A nove rodadas do final do campeonato, a soma passou a ser imperativa para os clubes que ainda atingiram suas metas. Os que têm chances reais de acesso fazem a contabilidade do sucesso. Os que tentam evitar o descenso buscam os pontos que possam lhes livrar do desastre maior, caso dos dois representantes do futebol pernambucano que estão na iminência de serem rebaixados.

No folhetim, A Força do Querer, a autora, Glória Perez, deixou milhões de brasileiros impressionados de como a arte imita a vida, tendo sempre em mãos a prerrogativa de definir qual o final que o público deseja. No futebol não se pode afirmar que a vida é uma cópia da arte. Evidente que haverá sempre um final feliz para uns clubes, e amargo para outros, em qualquer competição. Mas o epílogo da Série B está reservado para o final de novembro. Até lá ainda haverá dez capítulos de muita expectativa e bastante sofrimento para tricolores e alvirrubros pernambucanos.  

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Brasileiro Série A
As tendências do descenso
postado em 17 de outubro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Os Deuses do Futebol estão contra o Coritiba. Falta futebol ao Coxa. Falta competência, mas lhe falta o apoio daqueles que comandam esse esporte bem acima do nosso planeta.

O time paranaense tem feito bons jogos, e este no último domingo, contra o Grêmio, mostrou que não está havendo um empurrão de uma mão divina. Além de ter perdido alguns gols, com a bola na trave, nos acréscimos o time gaúcho conseguiu o seu tento da vitória. Um sinal que os Deuses o abandonaram.

Essa derrota apontou todos os indícios que o Coritiba será rebaixado. Jogou de forma correta, superior ao rival, mantendo a partida em equilíbrio, mas não teve a devida qualidade nas suas conclusões, e com a gravidade de que está sendo criada uma tendência de perder no fim do jogo. A falta de qualidade está tornando dramática a sua situação, e seu a ajuda dos Deuses o caminho da degola está sendo traçado.

Fizemos uma análise profunda com todos os dados de 13 clubes que têm possibilidades de serem rebaixados, e chegamos a algo que nos mostrou que Avaí, Coritiba, Atlético/GO tem respectivamente 84%, 75% e 66% de chances para que isso aconteça. A Ponte Preta que está na 17ª colocação tem 49% de chances para acompanhar os três clubes citados.

O Sport tem tudo para escapar, mas depende de sua performance como mandante que hoje deixa muito a desejar.

Chapecoense e Vitória tem maiores chances de que do que o rubro=negro da Ilha do Retiro, cujo percentual atual é de 20% para que isso possa acontecer. A equipe da cidade de Chapecó tem 32% e o do rubro=negro baiano é de 22%.

São Paulo, Fluminense, Bahia, Atlético/MG e Vasco estão em uma faixa mais tranquila, com bons percentuais para a fuga.

Os números favorecem ao time da Ilha do Retiro, mas necessitam do apoio do seu treinador e sobretudo dos jogadores, para que a fuga da degola seja concretizada.   

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Seleção Brasileira
Supremacia continental
postado em 11 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A tranquila vitória (3x0) do Brasil sobre o Chile, na derradeira e dramática rodada das Eliminatórias Sul=Americanas, ratificou a supremacia do futebol brasileiro no continente. Os números são incontestes: a seleção comandada pelo técnico Tite carimbou seu passaporte para a Copa da Rússia com quatro rodadas da antecedência. Fechou sua participação nas eliminatórias com dez pontos sobre o Uruguai, o segundo colocado. O ataque brasileiro marcou 41 gols, 22 a mais que a artilharia argentina. Neymar e companhia fecharam a conta com um saldo de 30 gols, uma marca para deixar Messi com inveja, uma vez que o saldo de gols dos hermanos foi por demais econômico: 3.

Os números da campanha brasileira servem para devolver o otimismo ao torcedor e para alimentar o ufanismo que é uma marca registrada da crônica esportiva nacional. Mas é importante observar que nossa supremacia é continental, ou seja, está restrita a América do Sul. Evidente que, os acertos e a evolução do time pós chegada de Tite são reais, e colocou o Brasil numa outra realidade no espaço de um ano, fato que ressalta a dinâmica do futebol, e nos deixa com a certeza de que, nos oito meses que faltam para o início da disputa do Mundial o cenário pode ser alterado, e ser bem diferente quando a bola começar a rolar em Moscou. Há quatro anos o Brasil festejava a conquista da Copa das Confederações, e todos acreditavam que a seleção de Felipão e Parreira estava no caminho certo para a conquista do penta.

Acompanhamos atentamente as eliminatórias da Europa e da América do Sul, os dois continentes que têm times credenciados ao título. Os outros podem nos presentear com bons coadjuvantes, nada mais que isso. Com exceção da Alemanha, que tem um conjunto equilibrado, e que se impõe pelo coletivo, nenhuma outra seleção conseguiu atingir o nível dos atuais campeões do mundo. Naturalmente que existem bons times, e que irão evoluir com os devidos ajustes a serem feitos pelos treinadores. No cenário atual o Brasil se apresenta com grandes chances de chegar as finais.

O que mais nos tranquiliza é a consciência do técnico Tite em relação as carências e necessidades do grupo. A falta de um maior equilíbrio emocional foi ressaltada mais uma vez no confronto com o Chile, num jogo onde o Brasil não sofria nenhum tipo de pressão. Detalhe: Neymar, o jogador de maior potencial técnico segue inconsequente dentro das quatro linhas. Apesar do excelente número de gols (41) o time brasileiro deixou evidente, nos dois últimos jogos das eliminatórias, que necessita de uma maior precisão nas finalizações. Os amistosos com a Inglaterra e a Alemanha serão de fundamental importância para mensurar nosso potencial diante de duas boas seleções européias. Afinal, na América do Sul o Brasil reina absoluto.

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Santa Cruz
Nomes sem projeto
postado em 09 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

As dificuldades que o Santa Cruz tem encontrado para evitar o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro é imperativa. Afinal, estamos falando de um clube de futebol. É o esporte que faz a agremiação pulsar, ter vida. Portanto, todas as prioridades do momento nas Repúblicas Independentes do Arruda são canalizadas no sentido de respaldar a luta contra o descenso. Tal fato leva assuntos relevantes a não receberem a atenção que merecem, como por exemplo, as eleições que acontecerão no clube, no final do ano. A escolha do presidente coral para o próximo triênio representa a construção de um alicerce para um clube que precisa ser recriado.

Na última sexta=feira, em reduto distante do Arruda, o presidente do executivo, Alírio Moraes, que segundo os boatos que circulam nos corredores, há três meses não aparece no clube, se reuniu com o presidente da Comissão Patrimonial, Antônio Luís Neto, os conselheiros, João Caixero e Rodolfo Aguiar, as duas maiores referências da história do Santa Cruz, com mais de 50 anos de dedicação efetiva ao clube. O assunto em pauta era a sucessão presidencial, mais precisamente, quem seria o candidato da situação na eleição que se aproxima.

No final do encontro ficou definido que o atual presidente da Comissão Patrimonial, Antônio Luís Neto, será o candidato a sucessão de Alírio Moraes no executivo, tendo como vice o empresário Jairo Rocha. O atual mandatário, seguindo uma tradição, que pontualmente não é respeitada, assume a presidência do Conselho Deliberativo. A presidência da Comissão Patrimonial, o outro poder do Santa Cruz Futebol Clube, deverá ser ocupada por Ricardo de Paula, que já esteve no cargo e desenvolveu um grande trabalho. Quem acompanha o Tricolor do Arruda na atual década observa que a proposta não vai além de uma troca de cadeiras. E quando o resultado das eleições for anunciado será possível declarar: "Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes". Trocando em miúdos, nada mudou.

Ao consultar um ex=presidente sobre as eleições no Tricolor do Arruda ele foi taxativo: "Não existe uma oposição forte, efetiva. Foi ventilado um nome que, se consultarmos o Código Penal ele deverá ser enquadrado em qualquer artigo".

Em eleições de clube não se discute projetos, e sim, nomes. Como estamos falando de uma agremiação de futebol, os títulos conquistados na atual década pesam muito: cinco títulos estaduais; um título regional e um título brasileiro (Campeão da Série C). Tais conquistas servirão para respaldar o grupo que fatalmente seguirá respondendo pela gestão do clube nos próximos três anos.

E o projeto administrativo? Sabemos que, se o clube for rebaixado para a Série C, a recuperação do futebol é a prioridade das prioridades. Mas quem conhece um pouco do que acontece nos intramuros das Repúblicas Independentes do Arruda sabe que o clube tem uma série de prioridades que não podem ser levadas com a barriga. Não há mais espaço para absurdos administrativos.  

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Brasileiro Série B
Os números falam mais alto
postado em 08 de outubro de 2017

CLAUDE MIR GOMES

 

Ao participar da coletiva de imprensa, após o jogo onde o Santa Cruz amargou uma derrota (1x0) para o América Mineiro, o técnico do Tricolor Pernambucano, Marcelo Martelotte, foi enfático nas suas declarações ao afirmar que, naquele momento o torcedor estava muito mais ligado nos números que no desempenho da equipe. Verdade. Os resultados da 28ª rodada do Brasileiro da Série B conspiraram contra os clubes pernambucanos na competição. Dessa forma, Santa Cruz e Náutico seguem patinando na zona de rebaixamento, e observam o crescimento da distância que os separam do primeiro clube acima da linha de corte. O sentimento dos nove mil torcedores que marcaram presença, neste sábado, no Estádio do Arruda foi de um "adeus as ilusões".

Evidente que uma onda de pessimismo tomou conta dos torcedores tricolores e alvirrubros, que vêem as quedas de seus respectivos clubes cada vez mais iminentes, fato negativo inédito para o nosso futebol. Desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos nunca tivemos dois clubes tão próximos da Série C como este ano. Apesar das atenções estarem concentradas nos números, é impossível não avaliar o rendimento, a desenvoltura das equipes em campo, uma vez que uma coisa está interligada a outra. E quem teve a oportunidade de ver o desempenho do time do Náutico na derrota para o Goiás (2x0), observou que a equipe comandada por Roberto Fernandes não tem força, nem qualidade, para buscar a reação que lhe livre da queda para a Terceira Divisão nacional. Hoje, o risco de rebaixamento do Clube dos Aflitos é de 95%.

O Santa Cruz foi a campo, na noite do sábado, sabedor dos outros resultados, e sua missão era buscar uma vitória para não deixar que os clubes que estão fora da zona de rebaixamento se desgarrassem da indesejada área de queda, visto que, nem a soma dos três pontos em disputa com o América/MG lhe tiraria da zona de desconforto. Mas o time esbarrou nas suas limitações. Os erros de posicionamento foram grotescos, e os equívocos cometidos pelo treinador, nas mudanças efetuadas, deram uma contribuição efetiva para o sucesso do clube mineiro. Na sequência dos últimos treze jogos o Santa Cruz contabilizou uma vitória, três empates e nove derrotas, ou seja, dos 39 pontos disputados conseguiu somar apenas seis. Um aproveitamento inferior a 20%. Isto é campanha de rebaixado. Os números, como bem ressaltou o técnico Marcelo Martelotte, nos mostram que o Tricolor do Arruda, após a disputada da 28ª rodada tem um risco de rebaixamento de 71%.

Com a disputa da 29ª rodada, que acontece nesta semana, se inicia a contagem regressiva dos 10 últimos jogos. É a fase mais cruel da subtração. As tendências já estão bem definidas na parte de cima, e na parte de baixo da tabela. O cenário do momento nos mostra que, um clube para se livrar do rebaixamento teria que somar 46 pontos. Evidente que este quadro poderá ser alterado ao longo dos dez jogos restantes. Na realidade  do momento o Náutico precisaria somar 7 vitórias nas 10 partidas que irá disputar. Vale observar que, em 28 jogos o Alvirrubro Pernambucano contabilizou apenas 6 triunfos, fato que torna sua missão quase impossível.  

Em 9 rodadas do returno o Santa Cruz somou apenas uma vitória (3x0) sobre o Goiás. Nesta reta final disputará 5 jogos como mandante e 5 jogos como visitante. Os tricolores enfrentarão três adversários que estão brigando por acesso (Oeste, Vila Nova e Paraná), e medirá forças com quatro equipes que lutam contra o rebaixamento: Figueirense, Luverdense, Náutico e Paysandu. Se o corte for mantido em 46 pontos o Santinha precisa somar 5 vitórias e 2 empates nos 10 jogos restantes. Tarefa nada fácil para quem contabilizou apenas 7 vitórias em 28 rodadas. Como nos ensina o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "o futebol segue uma lógica e os números dão o norte, mostram as tendências" Eis porque os torcedores estão mais atentos a eles do que ao fraco desempenho dos times dentro das quatro linhas.     

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