Copa da Rússia
Estréia sem sal
postado em 18 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Agora vai!

Foi com essa certeza que o torcedor brasileiro aguardou o jogo de estréia do Brasil com a Suíça, na Copa da Rússia. A boa campanha nas Eliminatórias, pós chegada de Tite ao comando técnico, e o desempenho nos amistosos que serviram de preparação para a competição provocaram tal sentimento. Eis a razão pela qual a frustração, pós empate de 1x1, foi tão grande. Só não foi maior que o esforço dos profissionais da Rede Globo em atribuir o "fracasso" apenas aos erros de arbitragem.

O árbitro mexicano erro ao não marcar o pênalti em cima do Grabriel Jesus. Isto é fato. Quanto ao gol aos suíços, prefiro atribuir a uma falha de posicionamento da defesa, uma vez que haviam seis jogadores brasileiros na área, contra apenas um do time adversário, e deixaram que ele subisse livre, leve, solto e fagueiro para marcar o gol. O toque nas costas de Miranda existiu, mas não foi suficiente para crucificar o apitador, uma vez que, lances igual àquele acontece com frequência e nada acontece.

A verdade é que o Brasil se nivelou a Suíça porque os jogadores que estavam cotados para serem protagonistas não corresponderam. Sem ninguém para sair do lugar comum, todos os times se tornam iguais.

Evidente que os jogadores do nível de Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo... receberão uma marcação implacável. Isto é uma coisa tão previsível quanto os esquemas de retenção que estão sendo utilizados pelas seleções de pouca qualidade técnica.  Isso ficou bem claro no confronto da Argentina com a Islândia, onde os islandeses formaram um paredão dentro da área e caçaram Messi durante os 90 minutos, tal qual os suíços fizeram em cima de Neymar.

Os melhores jogos, até o momento, foram Espanha 3x3 Portugal e Alemanha 0x1 México porque foram embates de times que jogam e deixam o adversário jogar. Foram times que buscaram a vitória. As seleções que têm poucos recursos vão a campo com o propósito de não perderem. Os confrontos entre seleções pequenas são marcados pelo alto índice de competitividade. São forças que se equiparam, razão pela qual travam bons duelos.

A fase das estréias não nos trouxe grandes novidades até o momento.

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Copa da Rússia
E todos sabem tudo nas redes sociais
postado em 16 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

A cada edição de Copa do Mundo fico mais convicto de que nada liberta mais a imaginação do ser humano que o futebol. E agora, com as redes sociais a todo vapor, é que passamos a ter noção da diversidade de pensamentos e comportamentos através de opiniões que são expressas através de posts que são feitos sem o menor constrangimento, ou inibição, mostrando que o mundo é habitado por milhões e milhões de profundos conhecedores da matéria.

O sábado foi fechado com a disputa do oitavo jogo do Mundial da Rússia. A competição é composta por 64 partidas, sendo que 48 acontecem nesta fase de grupos. Pois bem! Esta pequena mostra parece ter sido suficiente para os "gênios" chegarem as suas conclusões. As análises são feitas por diferentes óticas. E todos têm explicação para tudo. Este é o efeito dos movimentos de rotação e translação que a bola faz durante 90 minutos, ora contrariando lógicas, ou referendando prognósticos que nos levam a crer que no futebol tudo é óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues.

A Copa do Mundo sempre foi tratada como um protótipo. O torneio, que começou em 1930, no Uruguai, com cara de uma competição sul-americana com alguns convidados europeus, tinha como proposta colocar em confronto, o que a época se chamava de escolas. O principal atrativo era a queda de braço entre as escolas européia e sul-americana. A cada edição, de quatro em quatro anos, surgiam novidades: novos esquemas de jogo, propostas táticas que eram copiadas pelos clubes durante todo um ciclo, até o próximo Mundial.

Quando a internet passou a ser de domínio público as distâncias foram encurtadas. Com as barreiras quebradas, todos passaram a ser alimentados com informações que antes dos anos 90 não se tinha acesso. A abertura de mercado, que promoveu o êxodo dos melhores jogadores dos outros continentes para a Europa, promoveu muitas quebras de paradigmas. Para simplificar todas as mudanças, uma frase se tornou bastante usual: "Não existe mais time bobo".

Desde a quinta-feira, quando a Rússia, que vinha de um jejum de vitórias que durava meses, aplicou uma sonora goleada (5x0) na Arábia Saudita, que verdadeiras "pérolas" enriquecem as redes sociais, onde Cristiano Ronaldo foi exaltado pela sua exuberante atuação no empate (3x3) de Portugal com a Espanha, no melhor jogo até o momento, mesmo porque reuniu as duas melhores seleções; e Messi foi execrado por não ter convertido em gol o pênalti que foi defendido pelo goleiro da retrancada Islândia.

Além da ansiedade que interfere no desempenho das equipes nos jogos de estréia em qualquer competição, desde que o futebol foi inventado, a nova ordem nos mostra que clubes e seleções adotam posturas que se tornaram padrões. A maioria das seleções vão a campo com a proposta de não perder, razão pela qual o futebol de retenção, com poucas exceções, imperou neste início de disputa na Rússia.

O talento fará sempre a diferença. Evidente que existem outros fatores que devem ser avaliados: a Argentina está com uma média de idade muito alta. O talento de Messi, como única alternativa de desequilibrar, pode não fazer efeito, como ocorreu diante da Islândia, uma seleção que não propõe jogo em nenhum momento da partida. Gol para os islandeses é obra do acaso.

A arte de Cristiano Ronaldo foi ressaltada no empate de Portugal com a Espanha, porque os dois times tinham propostas ofensivas. CR7 é um atacante letal, cirúrgico, e com uma precisão extraordinária. Três falhas individuais do adversário foram suficientes para ele mostrar porque, no momento, é o melhor do mundo.

Brasil e Alemanha estréiam neste domingo, mas tem muita gente falando que a seleção de Tite é imbatível. A conclusão foi por conta dos oito jogos que aconteceram até o momento.

Apesar de ser uma competição de tiro curto, a Copa do Mundo também proporciona mudanças de cenário. Enquanto isso não acontece, as redes sociais seguem bombando com as análises dos senhores sabe tudo.   

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Copa da Rússia
Boas vindas com goleada
postado em 14 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Que placar foi esse: Rússia 5x0 Arábia Saudita?

Nem mesmo o mais otimista dos russos cravou 5x0 numa casa de apostas em favor de sua seleção. Para um time que não vencia há cinco meses, a estréia não poderia ser mais auspiciosa. Um placar a altura dos presentes dos czares, mas que não chega a ser o prenúncio de uma nova revolução russa. Afinal, a fragilidade da Arábia Saudita não deixa os anfitriões se embriagarem com tanto otimismo. Mas foi o resultado que toda seleção deseja, as que são candidatas a protagonistas, e as que participam do Mundial como simples coadjuvantes.

Portanto, aos vencedores um brinde com as boas vodkas russas.

Esta é a 21ª edição da Copa do Mundo. De 1930, no Uruguai, até a bola cruzar as estepes russas muita coisa mudou. Doravante a metamorfose deverá ser maior. Afinal, o futuro nos reserva um aumento de 50% no número de participantes. Ao invés das 32 seleções atuais, na edição de 2026, a ser promovida conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá, serão 48 equipes. Um dos efeitos previstos será uma queda do nível técnico da competição, que terá jogos envolvendo seleções com qualidade bastante sofrível. Mas algumas coisas parecem imutáveis dentro daquele espaço retangular de 110m x 75m, onde os virtuosos têm vez.

A seleção da Arábia Saudita, que tinha no banco um pernambucano, o massagista Catatau, que trabalhou no Sport, e em seguida foi levado para o futebol saudita pelas mãos do técnico Hélio dos Anjos, cometeu erros primários, inadmissíveis a um time que se propõe a disputar um Mundial, por mais modestas que sejam suas pretensões. O resultado não poderia ser outro senão a acachapante goleada imposta pela seleção da casa.

Durante várias edições da Copa do Mundo, quem fazia o jogo de abertura era a seleção campeã da edição anterior. Se a regra fosse mantida a Alemanha é que faria as honras de abrir o mundial russo. Pelo que vimos na primeira mostra, os sauditas são candidatos a saco de pancadas deste Mundial. A Rússia construiu uma boa gordura (saldo de gols), que pode lhe valer para assegurar sua classificação para as oitavas de final.

O primeiro grande confronto está programado para a tarde desta sexta-feira, quando teremos Portugal x Espanha. Os lusos, capitaneados por Cristiano Ronaldo, o melhor e mais midiático jogador do mundo, vai tentar tirar proveito da crise que foi instaurada na seleção espanhola com a dispensa do técnico as vésperas do evento. O impacto que isso pode ter causado no favorito time espanhol, somente saberemos quando a bola rolar.

Tive a oportunidade de cobrir quatro edições de Copa do Mundo, todas como enviado especial do Diário de Pernambuco, e a soma de conhecimentos me deixou com a certeza de que em Mundial não há espaço para elucubrações, nem adivinhações com base no pressuposto.

Os russos nos mostraram isso saudando o mundo da bola com uma goleada.   

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Acontece
A era das casadinhas
postado em 13 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

É tempo de Copa do Mundo!

Quando isso acontece, de quatro em quatro anos, tudo o mais sobre futebol passa para um segundo plano, razão pela qual a décima-segunda rodada do Brasileiro da Série A, que começou ontem a noite com a vitória (3x0) do São Paulo sobre o Vitória/BA, e será concluída nesta quarta-feira, ocupa pouco espaço nos noticiários esportivos.

Mesmo com as pesquisas apontando uma queda de interesse do povo brasileiro pela competição da FIFA, é incontestável o fascínio que a competição exerce sobre grande parte da população mundial. Os números atestam a grandeza do evento que alcança índices imensuráveis a cada edição na era digital.

Este ano estamos comemorando os 60 anos da primeira conquista brasileira, fato que nos arremete a um comparativo sobre a comunicação utilizada no Mundial da Suécia, em 1958, e a dos dias atuais que nos leva ao conhecimento dos fatos, em tempo real, de tudo o que acontece na Rússia.

Despertamos nesta quarta-feira com as notícias da queda do técnico da Espanha, Julen Lopetegui, a dois dias da estréia da Fúria no Mundial. A dispensa teve como motivo uma quebra de contrato, uma vez que o treinador, que em maio havia renovado seu vínculo com a Federação Espanhola, anunciou um contrato com o Real Madrid.

A Espanha será comandada por Fernando Piero. A saída do comandante gerou uma crise numa das seleções cotadas a brigar pelo título.

A outra novidade foi o anúncio da vitória da candidatura tripla, apelidada de United, que viabiliza a realização da Copa de 2026 por três países: Estados Unidos, México e Canadá. Um inchaço previsto, que visa aumentar o lucro da FIFA, que na Copa do Brasil foi em torno de 6 bilhões de dólares, para 15 bilhões no mundial norte-americano.

A partir de 1994, quando a Copa do Mundo aportou pela primeira vez nos Estados Unidos, o futebol passou a ser tratado como um dos negócios mais lucrativos do mundo. Com a internet passando a ser de domínio público, e a evolução da telefonia móvel, as distâncias foram encurtadas e a internacionalização levou as grandes  competições a se sobreporem aos torneios nacionais. Uma nova realidade passou a ser vivenciada no mundo do futebol.

O primeiro questionamento a ser feito em relação ao aumento de participantes, que passará de 32 para 48 seleções, é técnico: Qual o impacto que causará na qualidade do produto. O segundo é sobre o futuro da Copa. Afinal, com esse inchaço, poucos países terão condições financeiras e estrutura para bancar o evento sozinho.

Vem aí a era das promoções casadinhas.

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Acontece
Parada para corrigir as falhas
postado em 11 de junho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Semana passada, o Fluminense brigava pela vice-liderança do Brasileiro da Série A. Agora, passadas duas rodadas, o Tricolor carioca se encontra na parte de baixo da tabela. O Sport alcançou a vice-liderança, mas uma rodada depois caiu cinco casas na classificação. O Flamengo, que vem de uma sequência de vitórias impressionante, construiu uma vantagem de seis pontos sobre o Atlético Mineiro, o novo vice-líder do campeonato. A regularidade fez a diferença para o rubro-negro carioca que segue livre, leve e fagueiro na condição de líder.

Após a parada para a Copa da Rússia acontecerão muitas mudanças de cenário. Não se pode assegurar que alguns clubes irão evoluir de forma radical, enquanto outros apresentarão quedas inesperadas. Esta intertemporada  forçada servirá para os clubes recuperarem jogadores e ajustar os elencos dentro das filosofias implantadas pelos treinadores.

A maioria dos clubes não tem suporte financeiro para investir na busca de uma melhor qualidade técnica. Não há como competir com o mercado do exterior. Os países sul-americanos foram transformados em grandes garimpos, com destaque para Brasil e Argentina. Os clubes europeus levam nossas melhores pepitas para lapidarem. Eis a razão pela qual o nosso produto interno perdeu a qualidade.

Apesar da carência temos visto bons jogos, com uma entrega muito grande dos dois times em busca do melhor resultado. A média de gols da 11ª rodada é uma prova inconteste da competitividade, e da forma de jogar da maioria. Os treinadores colocaram os times pra frente e isso é muito bom.

Quando não se tem uma técnica apurada, a vontade de vencer faz a diferença. Apenas cinco pontos separam o Atlético Mineiro, vice-líder da Série A, do Vasco, o décimo colocado. O emparedamento nos mostra que não existe uma equipe tecnicamente tão diferenciada na disputa. A atitude dentro das quatro linhas é que faz a diferença.

O Sport tem se especializado em levar gols nos minutos finais dos jogos. Uma deficiência que o técnico Claudinei Oliveira terá que corrigir na intertemporada que começa a partir de quinta-feira.

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