Histórico
Santa Cruz
A Tática do Abafa
postado em 09 de maio de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Liberdade de expressão; liberdade de imprensa, são coisas que, no nosso Brasil brasileiro ficam restritas ao dicionário. Já a "Lei da Mordaça", ninguém admite, mas ela é tão real quanto o abominável preconceito de cor, que é praticado por todos da corte com o maior descaramento.

No futebol, a "Lei da Mordaça" funciona como a "Tática do Abafa". A ordem é abafar todas as "sujeiras" dos bastidores, mesmo sabendo que elas interferem diretamente na produtividade do time em campo.

Domingo, após a suada vitória do Santa Cruz, a primeira nesta edição do Brasileiro da Série D, o técnico Leston Júnior passou por cima da "Tática do Abafa", e respaldado por jogadores, funcionários administrativos e membros da comissão técnica do time tricolor, revelou toda a fragilidade administrativa do Clube Coral. O resultado do escancaramento da crise que atravessa a Agremiação do Arruda não poderia ser outro: a demissão do treinador.

É assim que funciona a "Lei da Mordaça" em todos os seguimentos da sociedade brasileira. Foi de encontro aos interesses do rei, ou dos amigos do rei, vai para a guilhotina. O tempo passa, o mundo evolui, mas a "Lei da Mordaça" é imexível. Será que Leston pensava que nas Repúblicas Independentes do Arruda seria diferente?

Claro que não. Afinal, no futebol o único ser inocente é o torcedor porque a paixão lhe cega. Os resultados negativos, contabilizados nas primeiras rodadas da Série D, indicavam que o seu prazo de validade no comando do Santa Cruz havia expirado. Só lhe restava uma alternativa: tirar o tapume que estava abafando uma das maiores crises vivenciadas pelo Tricolor do Arruda em toda sua centenária história.

Leston Júnior sabia que fazia parte do contexto, mas não queria ser apontado como protagonista do fracasso. Seus comandados enfrentavam tantas dificuldades nos bastidores que chegavam no campo derrotados. As "batalhas" extracampo não pertenciam a eles.

O torcedor tricolor tomou conhecimento da demissão do treinador ao mesmo tempo que era revelado o nome do seu substituto: Marcelo Martelotti, e do novo coordenador de futebol do Arruda, Zé Teodoro. Os dirigentes foram ágeis, e com uma ação rápida abafaram qualquer repercussão negativa que porventura viesse surgir com a demissão de Leston. Coisa de quem conhece os bastidores do futebol.

O comentário na praça não era mais sobre o passado, e sim, sobre o presente que trouxe esperança para o futuro. A volta de dois profissionais vencedores ao "ninho das cobras" é recebida pela numerosa torcida coral como um bom presságio.

O passado dos dois "reforços" - Martelotti e Teodoro - no Arruda é a primeira ferramenta motivacional a ser utilizada na busca pela superação da crise. A experiência de ambos pode, e deve dar, uma sacudidela no grupo, entretanto, a sustentação a qualquer evolução apresentada somente será possível através de uma série de medidas extracampo.

De uma coisa tempos certeza: a "Tática do Abafa" não vai resolver.

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Santa Cruz
MUTIRÃO DA INTELIGENCIA
postado em 06 de maio de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Levantamento feito pela equipe de esportes do Diário de Pernambuco, nos mostra que, nos últimos 21 jogos disputados no Campeonato Brasileiro - Séries C e D - o Santa Cruz contabilizou 12 derrotas; 7 empates e 2 vitórias. Os números levam os analistas a uma única conclusão: o Tricolor do Arruda é um clube insolvente.

De imediato vem a pergunta: Quem investirá nesta massa falida?

Raciocínio lógico: ninguém.

Quem foi o culpado por esta debacle?

Todos!

Os que lavaram as mãos utilizando o argumento de que não foram eles que levaram o clube a este caos; os que insistem que utilizar as mesmas receitas que transformaram o Tricolor numa referência nacional nos anos 70; os que insistem em chamar o clube de meu esquecendo que se trata de uma sociedade onde o coletivo deve ser uma prioridade. Enfim, existem mil e uma explicações para justificar o conjunto da obra.

Sinto falta do amigo, João Caixero de Vasconcelos, um dos maiores amantes que o Santa Cruz teve em toda a sua história. O sentimento de doação que ele carregava consigo era transformado em ações efetivas. Naturalmente que cometia equívocos, mas os acertos foram infinitamente maiores que os erros. Isto ninguém contesta.

Caixero se alongava em nossas conversas: fazia uma exposição de ideias, me pedia uma leitura do cenário, desabafava sobre alguns episódios ocorridos e era um defensor intransigente da política do mutirão.

- O Santa Cruz é um gigante mestre. Sozinho ninguém vai soerguê-lo! Afirmava com a certeza de que, se todos os tricolores desse as mãos, a saída do caos era uma coisa mais que viável.

O princípio defendido por Joca - era assim que eu tratava Caixero - não está de todo defasado. A "essência" da unidade é válida. O que falta é buscar o novo. Pensar fora da caixa para poder sair do lugar comum. Nos dias de hoje não se pode falar em cadeia produtiva vendendo agendas, bolo de rolo e ovos de galinha. Tampouco fazendo cotas com os mesmos empresários o tempo todo. Isto é não perceber a evolução do tempo.

O Santa Cruz precisa de um mutirão de ideias que venham colocar o clube em sintonia com o novo tempo.

Detalhe: Não se pode utilizar métodos antigos, ultrapassados, na execução de novos projetos. Fabricar sócios, ressuscitar defuntos... são práticas inconcebíveis para a construção do Santa Cruz dos sonhos.

Semana passada recebi uma mensagem do amigo e jornalista, Ricardo Antunes, amante inconteste do Santa Cruz, um dos fundadores da Santamante, indagando por que não fazia uma análise sobre o momento do Clube do Arruda?

O Mutirão da Inteligência precisa das ideias dos jornalistas Ricardo Antunes, Ivan Maurício, Magno Martins, Fernando Veloso, José Gustavo e tantos outros. Publicitários, economistas, homens de marketing....

O Mutirão da Inteligência requer desprendimento. O Santa Cruz não pertence a um presidente e seus pares. Estamos falando do Clube das Multidões, cuja história é pontuada de mutirões, movimentos populares que foram marcados pela entrega do povo na execução de serviços e doações de materiais. Hoje a participação tem que ser com sugestões que indiquem uma saída, que estanque a insolvência.

Nos dias de hoje, até para os mutirões é preciso ser inteligente, mas antes de tudo, desprendido. Coisas que faltam aos tricolores.

Não esqueçamos que, no futebol não se dar "glória as lutas inglórias".

  

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Campeonato Pernambucano
NÁUTICO BICAMPEÃO!
postado em 01 de maio de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Náutico Campeão de 2022!

Bom para o futebol pernambucano.

Nada contra o Retrô. Pelo contrário, só elogios. Mas no momento, o título em sua galeria não agregaria nada ao combalido futebol pernambucano. Tal como aconteceu com o Salgueiro em 2020.

A verdade é que, o fato novo, caso tivesse ocorrido, não fosse aquele pênalti mandrake, marcado pela fraquíssima Débora Cecília, não iria reverberar, não teria eco. O Retrô não tem torcida, e no futebol, quem dar legitimidade aos títulos são as torcidas.

Aliás, dentre as inúmeras memes e gozações que circulam pelas redes sociais, uma me chamou a atenção pela sua elegância e mensagem:

"Falo com o Retrô daqui a 121 anos!".

Humor de fino trato, com uma pitada de fidalguia inglesa. E entrelinhas ainda traz uma verdade: Maturidade e musculatura se adquire com o tempo.

Uma lição para o presidente do Retrô que vomitou arrogância em vários vídeos postados nas redes sociais. O cidadão, cujo nome desconheço, pelo seu protagonismo, merece o "Oscar da Imbecilidade", como ator coadjuvante na edição 2022 do Pernambucano. A Polícia Militar, pela lambança de proibir o cidadão portar um radinho de pilha no estádio, fica com o "Oscar da Imbecilidade" destinado ao ator principal.

Criamos este prêmio para ressaltar a verdade dita pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo: "ESTAMOS VIVENDO A ERA DA IMBECILIDADE".

Como bem disse o saudoso, Nelson Rodrigues: "Os idiotas vão tomar conta do mundo. Não pela capacidade. É que eles são muitos". Verdade.

Em 2020, quando o Salgueiro foi campeão pernambucano, fato inédito, pois em mais de cem anos de disputada era a primeira vez que um clube do Interior levantava o título, o silêncio sepulcral imposto pela travessia pandêmica, não fora quebrado na Capital Pernambucano, onde existe a maior concentração das grandes torcidas do Estado. "Ninguém riu, ninguém brincou, e era carnaval".

Diferentemente da decisão do título de 2021, onde estavam envolvidos Náutico e Sport, dois clubes de grandes torcidas, este ano, a decisão não "sacudiu" o Recife. Os alvirrubros cumpriram o papel destinado a eles: compareceram em bom número a Arena Pernambuco, mas faltou o contraponto. O Retrô não tinha torcida.

Foi como servir um McPicanha sem a picanha.

Neste domingo, logo cedo, fui caminhar no calçadão da Avenida Boa Viagem. Me chamou a atenção um sinhozinho, com mais de 80 anos, vestido com a camisa do Náutico. Passos lentos, sorriso largo, a quem lhe interessava fazia o sinal de que o seu time era o campeão. Batia no peito mostrando o escudo do clube alvirrubro com orgulho.

Me aproximei e perguntei: Quantos títulos pernambucanos conquistados pelo Náutico o senhor comemorou?

"Quase todos!". Me respondeu com dificuldade. Estava afônico. Segundo ele, havia gritado muito na noite anterior. "Me esgoelei durante os pênaltis", concluiu.

Aquele cidadão que estava pouco se lixando para a idade, queria mostrar para o Recife que o seu time era o campeão. E todos para quem ele acenava lhes respondiam com um sorriso.

Este amor, que traduz tudo de bom que existe no futebol, o Retrô ainda não tem.

Parabéns, Náutico!

BICAMPEÃO PERNAMBUCANO 2022.

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