Histórico
Campeonato Pernambucano
Benditas Mãos!
postado em 30 de julho de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

Sensacional, a manchete de primeira página, do Jornal do Commercio, nesta quinta-feira - MÃO SANTA - ressaltando as defesas do goleiro, Maycon Cleiton, do Santa Cruz, na disputa de pênaltis que assegurou o time tricolor nas finais do Pernambucano 2020. Um feito que transcende a disputa acontecida dentro das quatro linhas criando possibilidades que servirão para alimentar a rivalidade doméstica do nosso futebol.

Com a nacionalização e internacionalização do futebol, os títulos estaduais passaram a ser irrelevantes para o ranqueamento dos clubes, entretanto, quando o assunto é a satisfação pessoal do torcedor, eles seguem em alta. E isto é fácil de ser detectado nas redes sociais. Hoje, por exemplo, o dia amanheceu com um festival de memes e gozações produzido pelos torcedores do Santa Cruz. Afinal, o Time do Povo está na iminência de conquistar o título pernambucano sem amargar nenhuma derrota, ou seja, INVICTO, carimbo que servirá para valorizar, ainda mais, a almejada faixa.

A história nos mostra que, nossos grandes clubes  - Sport, Náutico e Santa Cruz - nunca conseguiram se consolidar como uma grande força do futebol brasileiro. É verdade que vivenciaram momentos onde se posicionaram, lado a lado, dos gigantes nacionais, mas não conseguiram dar sequência ao crescimento. Portanto, como diz o mestre dos traços, Humberto Araújo, o Estadual "é o nosso tamanho".

Com tal certeza, a ordem é viver, de forma intensa, os bons momentos que a vida nos reserva. E nada mais prazeroso para o torcedor do que ver o seu time do coração levantar um título.

Na história recente do nosso futebol - Século XXI  - o Sport detém a hegemonia do futebol estadual com 9 títulos. Caso o Santa Cruz se sagre campeão da temporada 2020 chegará ao seu sétimo título neste século, se aproximando dos leoninos. Tais registros alimentam a rivalidade que é de fundamental importância para o viés da paixão.

Náutico, Sport e Santa Cruz nasceram, e cresceram, numa época em que os estaduais eram títulos gigantes. E foi através dessa disputa tribal que surgiu a rivalidade que alimentou a ganância por conquistas que provocavam grandes comemorações e eram eternizadas em músicas, versos e prosas.

É certo que, na nova ordem, onde o futebol é analisado como um grande negócio, o título estadual é considerado irrelevante. Mas no universos das nossas aldeias ainda provocam grandes alegrias.

A semifinal envolvendo Náutico e Santa Cruz foi disputada num estádio sem torcida; o futebol foi de um nível técnico baixíssimo; o placar do jogo foi um zero a zero entediante; deixou escancarada as limitações dos nossos representantes para encarar o desafio de um Brasileiro, mas teve como fechamento uma disputa de pênaltis super emocionante.

E o vencedor foi o time do goleiro "Mão Santa".

Em tempo de pandemia as redes sociais se transformaram em redutos para a farra dos tricolores. Afinal, o Santinha driblou o Covid-19; deu um chapéu nos adversários e segue invicto na busca do sétimo título no Século XXI.

E o povão gostando!!!

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Campeonato Pernambucano
O título do novo normal
postado em 27 de julho de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

Em condições normais, onde o mando de campo representa uma vantagem substancial na busca pela vitória, torcedores e analistas do futebol pernambucano afirmariam que, o campeão estadual de 2020 será conhecido no clássico entre Santa Cruz x Náutico, que marca uma das semifinais da competição doméstica. Entretanto, dentro do novo normal, imposto pela pandemia do coronavírus, a distância entre os clubes da Capital e do Interior diminuiu, fato que deixa a disputa do título em aberto, e apimenta, ainda mais, o outro confronto da semifinal: Salgueiro x Afogados.

Evidente que, a travessia pandêmica não alterou as estruturas dos clubes, razão pela qual os créditos seguem para o representante da Capital que estiver na final, entretanto, Salgueiro ou Afogados, o que chegar à final como representante do Interior, se sentirá mais próximo do grande sonho: o título de campeão estadual. Uma façanha inédita, se vir a ocorrer, em mais de cem anos de história.

A paralisação de quatro meses, jogos sem torcida e num único estádio, e a carência de um melhor condicionamento físico e técnico são fatores que colocam os clubes do Interior, e os clubes da Capital, em patamares próximos, tornando as distâncias mais fáceis de serem vencidas através do esforço e da superação. As semifinais, além de representarem passos decisivos na busca pelo título, servirão de plataformas de estudos sobre o adversário final, visto que, na decisão, o plano de jogo será imperativo.

Nas dezenove temporadas do Século XXI, o Sport conquistou 9 títulos estaduais (2003, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010,2014, 2017, 2019), e foi vice 4 vezes. Detalhe: todas as vezes que o clube leonino terminou o campeonato na segunda posição foi em decisões diretas com o Santa Cruz (2011, 2012, 2013 e 2016).

Neste século, o Tricolor do Arruda esteve em onze decisões, conquistando 6 títulos pernambucanos (2005, 2011, 2012, 2013, 2015 e 2016). Foi vice em 2001, 2002, 2003, 2004 e 2006.

O Náutico foi o primeiro campeão do novo milênio, tendo levantado a taça quatro vezes (2001, 2002, 2004 e 2018). Os alvirrubros foram vice-campeões em 2005, 2008, 2009, 2010, 2014 e 2019. Neste século o clube dos Aflitos nunca conquistou um título estadual numa decisão direta com o Sport.

As maiores façanhas registradas por clubes do Interior tiveram como protagonistas Central e Salgueiro, ambos foram vice-campeões em duas temporadas. O Central decidiu o título em 2007 com o Sport e em 2018 com o Náutico, ficando como vice nas duas disputas. O Salgueiro chegou à decisão em 2015 e 2017, com Santa Cruz e Sport, respectivamente. Em 2017 o time sertanejo foi prejudicado no jogo final com o Sport com uma interpretação erra do VAR, sistema eletrônico usado, a época, pela primeira vez no futebol pernambucano.

Os números expostos credenciam os clubes da Capital na disputa pelo título do Pernambucano 2020, entretanto, o novo normal entrou em campo, e com ele pode surgir um fato novo na história.

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Artigos
O Nordeste ficou grande
postado em 26 de julho de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

E o Nordeste ficou grande para os nossos clubes! Agigantou-se até. E por favor, não me venham falar em evolução porque as diferenças entre grandes e pequenos existirão sempre. Em qualquer lugar do planeta terra. O futebol pernambucano se apequenou. Isto é fato. E a escalada da regressão não é de hoje. O que testemunhamos dentro das quatro linhas é o efeito natural de um processo de degradação que não é visto pelos dirigentes.

Sinais foram emitidos, mas passaram despercebidos. A meta é trabalhar em cima de efeitos. A cada dois anos é implantado um novo projeto administrativo com foco no imediatismo. A falta de um planejamento macro deixa o trabalho sem consistência.

O DNA de clube formador foi preterido, fato que impõe a formação de elenco a cada temporada. A equação dos problemas dos nossos clubes está na importação de refugos ou na transformação de "barriga de aluguel". Uma prática que leva as agremiações a serem produtos de segunda, ou de terceira categoria. Quando estamos disputando a Série A, a meta é uma classificação entre o 11º e o 16º colocados, ou seja, se livrar do rebaixamento.

Sport e Santa Cruz foram eliminados da Copa do Nordeste nas quartas de final, em disputa de pênaltis. Resumir as análises das desclassificações - o Náutico sequer passou da primeira fase - a atuação num único jogo, é valorizar conceitos medíocres. Nosso fracasso está atrelado a pobreza de pensamento dos gestores.

Quando foi que o futebol pernambucano revelou um grande jogador?

Faz um bom tempo. Não adiante criar estrutura se não existe material humano capacitado, nem planejamento de trabalho.

Tempos atrás, era comum, nas incursões por cidades do Interior, e mesmo em visitas a equipamentos esportivos construídos em bairros da periferia das grandes cidades, encontrar quadras equipadas com tabelas de basquete. A maioria desses equipamentos nunca serviu de palco para um jogo de basquete porque não havia times locais, nem técnicos. O equipamento era apenas decorativo, e logo virava ruína pela falta de uso.

A verdade é que nossos clubes não olham a base como uma raiz promissora. As revelações, cada vez mais pontuais, são obras do acaso. Nada acontece num passe de mágica. E todo trabalho exitoso no futebol, em qualquer lugar do mundo, segue um planejamento e demanda um bom tempo.

O que sai na hora, e bom, é caldo de cana. Nada mais que isso.

Dizer que ficou animado com a apresentação do Sport diante do time sênior do Fortaleza, considerando um bom presságio para uma campanha no Brasileiro da Série A, é coisa de torcedor psicologicamente afetado pela reclusão imposta pelo coronavírus.

Nossa realidade, de momento, é o Campeonato Pernambucano. Há uma década tínhamos um representante na Libertadores da América, maior competição futebolística do continente. Caímos vertiginosamente.

O que aconteceu?

Nada. Ninguém pensa. Tudo o que se faz é analisar resultado de jogo. Com tal pobreza de raciocínio fica difícil a retomada do crescimento.   

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Copa do Nordeste
Noite de tensão
postado em 22 de julho de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

A Copa do Nordeste retorna com a disputa da oitava rodada da fase classificatória, fato que obriga o torcedor recorrer à máquina de calcular antes de ver a bola rolar. É como se o jogo saísse das quatro linhas. O retorno, pós o hiato provocado pela pandemia do coronavírus, foi marcado com a vitória do Fortaleza (3x1), sobre o América de Natal, em jogo isolado na terça-feira. Hoje teremos as sete partidas restantes desta rodada de vida ou morte para os pernambucanos.

Foi-se o tempo em que, Náutico, Sport e Santa Cruz, tiravam de letra a rivalidade regional. Com todo o respeito aos clubes baianos e cearenses, o Trio de Ferro da Capital Pernambucana sempre cantou de galo em terras nordestinas. No cenário da nova ordem, observamos a evolução de algumas "escolas" e a estagnação de outras. Resultado: o nivelamento das forças passou a ser comum, natural.

Uma rápida olhada na tabela de classificação nos leva a constatação da dificuldade, do momento, do futebol pernambucano. A quarta-feira reserva uma noite de sofreguidão para rubro-negros, tricolores e alvirrubros. Todos, sem exceção, estarão naquela de - MATEMATICAMENTE - vivenciando um jogo de mutações que sofrerá interferência de sete resultados.

"Passarás, passarás, na bandeira há de ficar. Se não for o da frente, tem que ser o de atrás".

Tal qual na brincadeira de criança, sabemos que existe a possibilidade de um, dois, ou os três passarem para as quartas de final da competição regional. Assim como, os três podem ficar no meio do caminho. São muitos os fatores a conspirar contra e a favor.

Joga o jogo! Esta é a ordem. Afinal, como nos ensinou o mestre, Ênio Andrade, "quando se começa a falar - matematicamente - é porque a vaca já está indo para o brejo". Sábias palavras.

O equilíbrio foi estabelecido por conta da falta de qualidade técnica. A probabilidade das dificuldades aumentarem neste retorno, pós parada de mais de cem dias, é enorme. Já que vamos ter uma panelada de carne de pescoço, dura de digerir, o tempero fará a diferença. Portanto, quem tiver mais poder de superação fatalmente alcançará seus objetivos.

Não adianta se perder em elucubrações analisando a preparação do clube A e do clube B. O que teremos hoje a noite é um tiro no escuro. Evidente que, ao final da rodada vamos ouvir o tradicional: "Eu não disse!". São os analistas do futuro que fazem discurso no passado. Engenheiros de obras prontas, como se dizia no passado.

E amanhã teremos uma enxurrada de lives discutindo o sexo dos anjos. É o futebol em tempos de distanciamento social, onde até a intimidade dos jogadores com a bola parece ser proibida.

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Futebol Pernambucano
Clássico no novo normal
postado em 17 de julho de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

Em tempo de pandemia, a expressão "novo normal" se tornou bastante usual para justificar, e explicar, ajustes e mudanças. Bem que poderia permitir a exclusão momentânea de algumas palavras que fazem parte do universo do futebol, como por exemplo: clássico.

Tivemos no meio da semana um Fla x Flu, válido pela decisão do título carioca de 2020, que foi chamado de clássico apenas pela tradição. Tecnicamente o confronto foi de uma pobreza tamanha, que fez o mestre, Nelson Rodrigues, a estrebuchar no seu túmulo.

Clássicos decisivos, e decisões de títulos, sem público nos estádios, são tão sem graça quanto estar no escurinho do cinema ao lado da irmã. Isto é regra universal. Mas faz parte do novo normal.

Recentemente assistimos a várias decisões de títulos. O Bayern de Munique se sagrou campeão da Copa da Alemanha; o Liverpool conquistou o título da Inglaterra após uma espera de 30 anos; o Real Madri adicionou mais um título espanhol no seu rico acervo; o Flamengo confirmou seu favoritismo na conquista de mais um título carioca, tudo isso sem público nos estádios. Coisas de pandemia.

Evidente que a história, futuramente, não fará referência a este grande detalhe: a ausência de público nos estádios. Os documentos apontarão apenas os campeões da temporada 2020. Mas para nós que estamos testemunhando os fatos, que estamos acostumados com as ruidosas torcidas dando legitimidade às conquistas, o novo normal é por demais estranho.

Na nova normalidade a gente não navega mais nas ondas do rádio para buscar novidades nas resenhas esportivas. Agora, a nova onda é surfar na internet em busca de lives. A proliferação de lives é uma coisa impressionante. Tem para todos os gostos, e em todos os níveis. Esta semana, numa dessas passagens, vi um dos novos "analistas" do futebol pernambucano, com voz empostada, anunciar: "Esta semana teremos a volta do Campeonato Pernambucano com o Clássico das Multidões, na Ilha do Retiro".

Clássico das Multidões sem ninguém no estádio chega a ser cômico. Aliás, há muito que os mestres, José Joaquim Pinto de Azevedo e Ednaldo Santos se referem ao confronto entre tricolores e rubro-negros como o "ex-Clássico das Multidões".

O novo normal também deve impactar negativamente na popularidade do futebol. Tivemos uma mostra na quarta-feira, quando o SBT transmitiu o clássico Fla x Flu, e apesar do relevante crescimento na audiência, só superou a Globo no Rio de Janeiro. Evidente que se trata de apenas um exemplo, mas é que o futebol sem torcida é garapa sem açúcar.

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