Artigos
Quando nada acontece
postado em 30 de dezembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Os dias que separam os festejos do Natal e do Ano Novo nos deixam com a impressão de um espaço onde nada acontece. Teoria que ganha força quando o assunto é futebol. Sigo as ondas do rádio; garimpo novas notícias em sites especializados na internet; busco novidades nos canais esportivos na TV por assinatura, nada me chama a atenção. A rotina do fim da temporada não se altera. São reprises de fatos com personagens diferentes. O factual das transferências de jogadores funcionam como gotas de orvalho regando esperanças que alimentam torcedores.

Um monte de assuntos pendentes voltam à tona em discussões superficiais, sem embasamento. A crônica falta de recursos, junto a pecaminosa antecipação de receitas, escancara a pobreza e a realidade do futebol pernambucano cujo universo de conquistas se resume ao Estadual e a Copa do Nordeste. Evidente que o torcedor sonha com mais, entretanto, o plus, quando ele acontece, é obra do acaso. Não se trata de nenhum pessimismo. Nossa análise é baseada em fatos, ou seja, tem a marca do pragmatismo. Na geografia do futebol brasileiro o Nordeste funciona como uma reserva de mercado, nada mais que isso. A região não atrai grandes investidores. Em todos os projetos nossos clubes funcionam como apêndices, ou seja, são descartáveis.

É possível mudar o cenário? Os números apontam para tal possibilidade. O Bahia fez uma projeção de recursos para 2017 em torno de R$ 100 milhões. O Sport fala em cifras próximas aos R$ 90 milhões. Evidente que tal montante é o somatório de todas as receitas. O desafio está na contenção das despesas. Na maioria dos casos, os clubes gastam mais do que arrecadam, razão pela qual estão sempre no vermelho. O crescimento do passivo, ano após ano, é justificado pela falta de uma política pés no chão. O futebol é movido pela emoção, razão pela qual, dentro da nova ordem, os clubes contratam executivos para tocarem os projetos. Afinal, os gestores amadores são, antes de qualquer coisa, grandes e fieis torcedores.

Nossos clubes não assumem o perfil de formadores. Ao não aceitarem tal identidade passam a funcionar como barriga de aluguel, pagam salários altíssimos, fora da realidade da região, a jogadores e treinadores, provocando um caos financeiro irreparável. Ao final das temporadas "é de pior a pior, a cantiga da perua é uma só". A queima de fogos na passagem do ano é sempre esperança de um novo tempo.    

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Artigos
Tempos vividos
postado em 27 de dezembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

No seu último título = Tempos vividos, sonhados e perdidos / Um olhar sobre o futebol = Tostão faz uma breve narrativa sobre as diferenças do relacionamento e da convivência entre jogadores e profissionais da mídia na sua época de jogador, e nos dias de hoje. Diria que a diferença é da água para o vinho. Evidente que temos de nos curvar as evoluções impostas por diversos setores e motivos. Vivemos na época da comunicação onde a evolução imposta pela internet nos últimos trinta anos parece ter colocado o mundo de ponta cabeça. Novos conceitos foram criados sem a preocupação das causas e efeitos. A força das redes sociais criou novos canais de comunicação promovendo uma ligação direta com o público alvo. Tal fato provocou um verdadeiro alvoroço na grande mídia, e muitos são os setores que ainda não se encontraram.

A evolução tecnológica é fato. Quando iniciei minha carreira jornalística as redações eram cheias de máquinas olivetti, remington..., e quando viajava para alguma cobertura, as matérias eram enviadas via telex. Os companheiros, Lenivaldo Aragão e Amaury Veloso vivenciaram tempos mais difíceis porque tinham que ir ao aeroporto de onde estivessem, procuravam identificar algum passageiro que vinha para o Recife e pediam o favor para eles entregassem o material no Diário de Pernambuco. Quando surgiu o fax foi uma evolução muito grande. A primeira Copa que utilizei o notebook foi a de 1994, nos Estados Unidos. De lá pra cá a evolução tecnológica ocorreu numa velocidade impressionante. Nos dias de hoje, o repórter de posse de um smartphone, ou um outro aparelho similar, envia textos, fotos, vídeos, para a redação, ou faz postagens em tempo real de onde estiver.

As distâncias foram encurtadas, mas novas barreiras foram criadas para os caçadores de notícias. Em nome da "profissionalização", clubes, entidades esportivas trataram de encurtar os espaços e tornaram os profissionais da mídia em seres quase estranhos para os jogadores. Engessados, os repórteres se limitam a receber material das assessorias e as empresas, principalmente as rádios passaram a funcionar como se fossem repetidora dos clubes. As associações de classe perderam a força porque a maioria dos seus diretores são funcionários de grandes empresas que aceitam as novas regras. Sem o estreitamento de amizade que existia antes, muitos profissionais passaram a utilizar o Twitter como ferramenta para se comunicar direto com seus seguidores. Uma postagem de uma celebridade no seu twitter viraliza de forma imediata. O jornalismo esportivo ainda não se encontrou dentro da nova ordem.

Perdidos no espaço, a saída tem sido a do achismo, fato que empobrece os noticiários, até porque, como dizia o Comodoro Rubem Moreira, "repórter não acha, repórter simplesmente reporta". Sinais dos tempos.       

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Futebol Brasileiro
Cultura uma ova!
postado em 23 de dezembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  = blogdejjpazevedo.com


No Brasil criou-se o costume de se encobrir alguns malfeitos como se esses fizessem parte de nossa cultura. O jeitinho brasileiro é usado para justificar algo que foge dos padrões normais.

O que mais ouvimos nas televisões da vida, são essas palavras, cultura e jeitinho. Realmente vivemos na era da imbecilidade.

Quando se joga lixo na ruas, é um cultura. Quando se chega atrasado em um encontro, é uma cultura. Levar vantagem em tudo, é uma cultura, e lá vamos nós de cultura em cultura.

Roube mas faça é uma cultura perdoável, desde que as obras estão presentes dando a penitência aos seus superfaturamentos. Paulo Maluf por muito tempo foi o símbolo do sistema, sendo substituído hoje pelos corruptos que tomaram conta do país nos últimos anos, que nada viram ou ouviram. São modernos.

Como o futebol é um segmento da vida nacional, também criou as suas culturas, e entre essas algumas nefastas, como a das demissões de treinadores.

Ao cair na dança das cadeiras, as primeiras palavras do treinador atingido é lamentar a cultura de demissão de profissionais após uma derrota de seus clubes.

A realidade é bem outra, e a quantidade exacerbada de mudanças nas divisões principais não demonstram a tão citada cultura, e sim a falta de planejamento dos clubes para uma temporada esportiva.

Contratar um treinador é por demais relevante, já que esse terá a responsabilidade de pilotar um barco, que deveria ter uma rota preparada para que no caminho não afundasse. Nada disso é feito, contratam por contratar, sem que o perfil desse timoneiro seja analisado e carimbado com o OK, compatibilizado com a carta náutica a ser obedecida.

Na verdade a palavra cultura está sendo mal aplicada nesse contexto, desde que no seu lugar o correto seria referenciar uma outra que atende pelo nome de IRRESPONSABILIDADE.

Saída de treinadores e contratações de novos, tornou-se um fato normal em nosso país, tão simples como se vender bananas em uma feira livre. Criou-se um sistema de banalidade, que mostra o quanto andamos na organização do futebol.

Na divisão principal foram 29 substituições, e na Série B somou 23. A falta de visão dos cartolas é extremada, que esses ainda não entenderam que tais mudanças na maioria dos casos não resolvem o problema, posto que está entranhado na estrutura existente nas agremiações, que é da idade da pedra lascada.

Apenas três clubes da Série A permaneceram com seus treinadores, Palmeiras, Santos, e Atlético-PR. As performances demonstraram o acerto. Certamente os seus dirigentes foram mais competentes, e apostaram no que seria melhor para os seus clubes.

O grave é que tudo isso acontece é analisado pelas mídias de forma simplória, sem conteúdo, e sobretudo na busca das raízes dos problemas, sobretudo por não refletir os prejuízos que cada saída deixa nos cofres dos clubes.

Mas como se trata o assunto como cultura, continuamos a viver com esse comportamental da dança das cadeiras, que é sem duvidas uma das maiores irresponsabilidades dos gestores do futebol.

CULTURA UMA OVA, é muita incompetência.

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Futebol Pernambucano
A mesmice do fim de ano
postado em 21 de dezembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

A Engenho de Mídia nos presenteou com uma coletânea de TEXTOS = Artigos e Crônicas = tendo como mote o fim de ano. Jornalistas, juristas, escritores, publicitários, pessoas com mentes brilhantes e formações diversas, nos brindam com narrativas espetaculares, e nos mostram como a vida é efêmera e fugaz. A maioria dos autores faz questão de expor seu otimismo em relação ao futuro. O ex=companheiro de redação no Diário de Pernambuco, Raimundo Carrero, pragmático e conciso, afirma que, "Se existisse no calendário um ano para esquecer, 2016 seria apagado a ferro e fogo". Concentrei o pensamento no futebol pernambucano, sobre o qual o pensamento de Carrero cai como uma luva.

Lembrei do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que, diante do atual cenário, não nutre nenhum tipo de otimismo em relação ao futuro do nosso futebol. Acompanho os noticiários e me sinto familiarizado com as mesmices. Sabemos que o tempo não pára, mas nada muda nos nossos clubes. "É a nossa realidade", afirma o amigo e amante do futebol, Humberto Araújo, que enriquece a publicação da Engenho de Mídia com uma charge espetacular.

As mudanças implicam em novas idéias, novas mudanças, novas atitudes, novos comportamentos e novos paradigmas. Portanto, é preciso pensar fora da caixa. Eis o desafio. Tudo gira em torno do factual. Projetar e executar não é tarefa fácil no futebol brasileiro. O princípio de tudo é a formação. A partir do momento que os nossos clubes se conscientizarem de que são formadores, e partirem para um investimento efetivo na base a estrutura se fortalecerá e será consolidada.

Em 2016 o Sport investiu mais de R$ 3 milhões na base, e teve 12 jogadores convocados pela CBF para as seleções de base. O aproveitamento das novas gerações é a garantia de um futuro próspero. Formar jogadores não quer dizer que o clube ficará com todos sob o seu guarda=chuva. Futebol é business. E no mundo dos negócios sobrevive quem tem melhor qualidade. Enquanto os nossos clubes não estruturarem melhor a base, investirem melhor na formação de jogadores, com profissionais qualificados nas comissões técnicas, vamos ficar aguardando o anúncio do "presente de Papai Noel".

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Acontece
As propostas da vida
postado em 20 de dezembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


A vida tem muitas propostas, algumas até "indecorosas", tipo, infarto. Foi justamente o que ocorreu comigo no início do mês. Resultado: fui obrigado a tirar o time de campo. Parentes e amigos formaram uma corrente positiva que me levou a sentir, apesar dos riscos pelos quais passava, o doce sabor da solidariedade. Em nenhum momento me senti só. Como tenho formação cristã, e na condição de ex=aluno salesiano, segurei na mão de Deus e de Nossa Senhora Auxiliadora. Não larguei hora nenhuma. E surgiram dois "anjos da guarda": Dra. Patrícia e Dr. Carlos Eduardo Montenegro, alvirrubra e rubro=negro respectivamente, que juntos com todos os outros profissionais formam um time por demais harmonioso.

No momento estou em transição, ou seja, voltando aos poucos, mas já é uma grande coisa após momentos de turbulência.

Bom! Como costumam dizer os boleiros: "Tamos juntos e misturados".  

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