Brasileiro da Série C
Apenas correria
postado em 29 de setembro de 2013


Santa Cruz esbarrou na forte marcação do Sampaio Corrêa/Foto: Guga Matos/JC Imagem


CLAUDEMIR GOMES

 

Santa Cruz e Sampaio Corrêa fizeram um jogo corrido, com elevado nível de competitividade, mas de pouca qualidade técnica. Com este cenário coube aos quase 40 mil torcedores presentes ao estádio do Arruda, hoje à noite, se contentarem com um zero a zero, que não frustra o sonho tricolor, mas evidenciou a necessidade de uma melhora técnica para conseguir o acesso à Série B. O jogo foi igual até em emoções, pois os dois times mandaram bolas na trave, deixando suas torcidas engasgadas com o grito de gol.

Não se pode cobrar qualidade técnica num confronto de Terceira Divisão, onde a transpiração vale mais que a inspiração, entretanto, quando os dois times se equiparam na luta, no empenho e na determinação, quem tiver um pouco mais de qualidade faz a diferença.

Os dois times foram aplicados dentro de suas propostas: o Santa Cruz, jogando respaldado por um público extraordinário, pressionou o Sampaio Correia desde o início, impondo um ritmo alucinante ao jogo. Apesar da forte pressão que mantinha o adversário acuado no seu campo de jogo, faltava criatividade e articulação na equipe comandada por Vica. O time tricolor fez da velocidade sua arma, mas ao avançar em bloco abria espaço para os contra-ataques do adversário, que embora não tenha adotado uma postura ofensiva, chegou com perigo ao gol de Tiago Cardoso.

Num jogo intenso, onde os dois times pareciam jogar no limite, o técnico do Santa Cruz demorou a mexer. Deveria ter voltado para o segundo tempo com Dênis Marques, que ao entrar deu mais qualidade e o Tricolor do Arruda passou a criar mais oportunidades, embora o Sampaio Corrêa tenha respondido a altura as ameaças sofridas.

Por ter um jogo a menos, o empate sem gols foi bem digerido pelos tricolores, pois se o Santa Cruz vencer o lanterna Rio Branco/AC, na quinta-feira, assume a liderança do grupo, e dependerá apenas dos seus resultados para chegar à próxima fase da competição.

Se na Série C não se cobra qualidade, que venham os bons resultados.

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Brasileiro Série A
Um sábado especial
postado em 29 de setembro de 2013


Timbu voltou a vencer depois de 14 partidas. Foto: Clemilson Campos/JC Imagem


CLAUDEMIR GOMES


O 28 de setembro de 2013 é para ser registrado na centenária história do Clube Náutico Capibaribe como um dia especial. Afinal, o clube alvirrubro conquistou dois títulos e pôs fim a um jejum de dois meses sem contabilizar uma vitória no Brasileiro da Série A. A única nota destoante foi a da perda de um torcedor ilustre: o jornalista, Lula Carlos, incomparável no seu estilo.

A farra começou na cidade de Carpina, que dista 45 km do Recife. O feito passou despercebido por falta de informação, entretanto, Náutico e Sport fizeram a final de mais uma edição da Taça Carpina de Futebol Sub16, que reúne alguns dos grandes clubes do futebol brasileiro. Os garotos alvirrubros venceram por 2x1 e fizeram à festa.

Quase no mesmo horário, na Arena Pernambuco, os juniores do Náutico e do Porto decidiam o título do Pernambucano Sub20. No final, os alvirrubros deram à volta olímpica para marcar a conquista que veio com a vitória por 3x0 do time comandado por Sérgio China.

Dois títulos que podem ser vistos como bom presságio para o futuro do futebol alvirrubro. E o presente? Bom! Num sábado especial podemos dizer que foi do jeito que a torcida gosta: com uma convincente vitória - 3x0 - sobre o Coritiba. Um resultado que, no mínimo provocou uma pergunta do torcedor: Quem é este Marcelo Martelotte - um mago, um bruxo ou um milagreiro? Afinal, nos dois jogos que esteve no comando da equipe foi notória a evolução. Pela primeira vez nesta edição da Série A o Náutico consegue emplacar uma sequência de três partidas sem amargar uma derrota.

A soma dos três pontos não alterou a posição do clube na tabela de classificação. O Náutico segue como lanterna. Tampouco serve como indício de que o clube se livrará do rebaixamento. O seu passivo é muito alto, quase impossível de ser resgatado. O que deixou os 7 mil torcedores que marcaram presença na Arena Pernambuco foi o fato de ver o time jogando com dignidade. É como se todos os jogadores estivessem dando uma resposta a si próprio.

O time alvirrubro segue com suas limitações, mas diante do Coritiba foi possível observar que tem potencial para descrever uma campanha melhor. Evidente que se trata de uma suposição, entretanto, este é o raciocínio lógico. Agora, como observou o treinador, "é jogar cada jogo". Em toda competição a prioridade é o resultado. O Náutico de Martelotte está indo buscá-lo com qualidade.

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Artigos
Pobre futebol rico
postado em 29 de setembro de 2013

PAULO VINÍCIUS COELHO - FOLHA DE SÃO PAULO


Os dois clubes mais ricos do futebol brasileiro ficarão ainda mais ricos a partir de 1º de janeiro de 2016. Os contratos de transmissão dos jogos de Corinthians e Flamengo com a Rede Globo no Brasileirão valem hoje R$ 120 milhões por ano. Valerão R$ 170 milhões.

Essa conta não inclui o pay-per-view, modalidade em que corintianos e rubro-negros também são campeões.

Não há nenhum problema em Corinthians e Flamengo arrecadarem tanto. O que salta aos olhos é como a distância aumenta a cada renovação contratual, entre os donos das duas maiores torcidas e os demais clubes do Brasileirão.

Hoje, Palmeiras e Vasco arrecadam R$ 80 milhões, R$ 40 milhões de TV a menos do que Corinthians e Flamengo. A partir de 2016, a distância vai subir para R$ 70 milhões. Atlético-MG, Cruzeiro, Inter, Grêmio, Fluminense e Botafogo recebem R$ 45 milhões por ano. Vão ganhar R$ 60 milhões. Significa que receberão R$ 110 milhões a menos do que os gigantes.

Desde a última renovação do contrato, há dois anos, discute-se o risco de haver desequilíbrio semelhante ao da Espanha, onde Real Madrid e Barcelona revezam-se como campeão e vice há nove temporadas. Isso não está acontecendo no Brasil. O Cruzeiro, virtual campeão, pode quebrar a longa hegemonia Rio-SP.

O risco é menor no Brasil do que na Espanha porque aqui há 12 clubes com a ambição do título. Mas o perigo existe e conviver com esse risco só será justo se existir também a chance de equiparar o Brasileirão ao Espanhol em outras coisas.

Estádios lotados, altos índices de audiência, gente falando da disputa em todos os bares, ruas e restaurantes. Um campeonato onde a TV dá R$ 1 bilhão, e dará R$ 1,6 bilhão para os clubes, precisa empolgar.

Até 2009, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco ganhavam R$ 25 milhões por ano, cada um. Aquele Brasileirão teve o Flamengo campeão e a melhor média de público nos estádios desde 1987, na Copa União.

Na época, a Globo gastava R$ 150 milhões por ano. Em 2016, gastará dez vezes mais.

Mas a audiência dos jogos não cresce, e os estádios têm média de público 27% inferior a quatro anos atrás. Por que pagar mais por um campeonato que vale menos?

Junte tudo isso à discussão da semana, sobre o calendário.

A lógica dos jogadores de tornar o calendário mais racional e melhorar a qualidade das partidas deveria agradar a quem vende o espetáculo televisivo.

No final da semana, a Globo admitiu a hipótese da mudança do calendário, mas só a partir de 2015. Sem aliado econômico na batalha, os jogadores ganham amigos políticos. O presidente da Federação do Rio, Rubens Lopes, promete iniciar seu Estadual dez dias mais tarde. Seu objetivo é óbvio: deixar Marco Polo Del Nero como único vilão.

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Acontece
Adeus, mestre Lula Carlos
postado em 29 de setembro de 2013
Por ROBERTO VIEIRA
 
 
Mestre Lula diria que descansou.
Descansou deste bando de pernas de pau nos gramados atuais.
Tinha saudade dos Bitas e Nados.
Da raiva que lhe provocava Traçaia.
Ou Lua.
Raiva que desaparecia na fina navalha da ironia marsupial.
Uma palavra fazia tcham.
E a outra tcham tcham tcham tcham.
Lula era um alvirrubro típico.
Metia pau no Náutico com afinco e civilidade.
O lombo alvirrubro era mais doído.
Grande amigo e defensor do Mestre Sebastião Orlando.
Lula sabia do que falava.
E falava do que sabia.
Coisa que muita gente anda querendo aprender.
Inclusive esse que insiste em vos falar por aqui.
O tempo de Lula era um tempo de paixões imortais. 
Paixões inconcebíveis para as mentes atuais.
Onde tantos gastam rios de palavras.
Turbilhões de frases feitas.
Lula resolvia tudo como craque.
Com dois toques...

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Artigos
Caminhos tortuosos
postado em 27 de setembro de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, CAMINHOS TORTUOSOS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O debate sobre o calendário nacional mostra bem o desconhecimento de todos os segmentos envolvidos de uma realidade que aflige o futebol brasileiro.

A maioria dos clubes profissionais do Brasil vive de sonhos, visto que as suas existências são apenas para uma disputa anual, que dura no máximo quatro meses e depois desaparece do mapa esportivo.

Este é o maior e mais contudente problema desse esporte, cujo calendário pela sua irracionalidade os deixam fora de uma atividade fim que faz parte de suas existências.

Qual o motivo da existência das entidades, se são sazonais, pouco produzem e fecham as suas portas na espera do próximo ano?

Enquanto os ¨gênios¨ que fazem o futebol de nosso país não entenderem que existe a necessidade, inclusive a obrigação legal de que os clubes joguem no mínimo 10 meses por temporada anual, o esporte cada dia afundará no abismo que se encontra há um bom tempo.

Necessário se faz separar o joio do trigo, e torna-se importante um censo para que seja detectada a realidade de  todos os clubes profissionais registrados na CBF, a fim de que sejam definidos os rumos a serem tomados.

Deveriam ter pelo menos o mínimo necessário para que pudesse ter uma equipe de futebol, pois é um esporte que agrega altos custos, e sem uma garantia de que as necessidades possam ser cobertas, tais profissionalizações deveriam ser reexaminadas.

Clubes aventureiros não cabem mais no mercado, que a cada dia é mais restritivo.

Divisões com a Série C e D poderiam contemplar mais equipes, regionalizadas, e com disputas finais entre os melhores, para que se conhecesse aqueles que teriam o acesso.

O Brasil é um continente, e necessita que seja tratado como tal. A Série E já é factível, e englobaria outros clubes que vivem apenas para uma competição em cada temporada.

Certamente haveria o fortalecimento, e uma renovação de atletas, que faz falta em nosso país. Os de sempre irão dizer que faltam recursos, o que não é verdade, desde que se criasse um Fundo Global do Futebol (uma ideia de nosso visitante Beto Castro há anos), certamente todas as divisões seriam aquinhoadas.

Não podemos continuar com clubes que obedecem a um calendário que começa as suas atividades em janeiro, com a necessidade de uma preparação antecipada, contratando comissão técnica e pelo menos 25 jogadores todos os anos, com altos custos burocráticos, e que no final da competição encerram as suas atividades, com prejuízos, que muitas vezes são cobertos por seus dirigentes.

Que modelo é esse, quando se paga para jogar?

Na verdade, o calendário é pernicioso, mas o sistema existente é mais grave, e que vem apequenando o futebol nacional, sem que os interessados reajam e analisem os procedimentos que deverão ser adotados, e entre eles a sua perenização, que é a peça chave de toda a reformulação pretendida.

O debate deveria ser nacional, uma vez que o interesse é de todos. Hoje vivemos de sonhos, mas a ilusão com esses é um devaneio.

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