Futebol Brasileiro
Os Estaduais e o provérbio português
postado em 17 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nas mesmas praças, nos mesmos jardins, os campeonatos estaduais estão iniciando, ou já iniciaram no país. Trata=se da repetição da decadência de um evento que despertava emoções nos tempos antigos que a globalização enterrou, e que só sobrevivem por conta da ausência de inteligência que fazem o futebol brasileiro.

Existe um velho ditado português que pode ser aplicado à essas competições: "A lua e o amor quando não crescem diminuem".

Realmente os estaduais foram reduzindo e a sua demanda encolhida, perderam o amor dos seus consumidores. Em Pernambuco, hoje a noite, o pontapé inicial será dado com três jogos e a rodada só termina na sexta=feira, ou seja, algo que mostra a falta de visão dos que fazem uma tabela, posto que, em menos de 48 horas alguns clubes estarão atuando pela segunda rodada.

O mais grotesco é que nessa abertura não haverá nenhum clube jogando na Capital, com o Sport, atual campeão, atuando em Arcoverde contra o Flamengo local.

Iremos continuar vivendo uma grande mentira que é absorvida pelos veículos de mídias, logicamente pelos seus interesses financeiros na venda de um produto em extinção, e que é bem modificado por uma maquiagem enganadora.

Reservar dezoito datas para uma competição falida, que leva do nada para o nada e cujo campeão é esquecido em dois meses, é uma perda de tempo, principalmente por que essas deveriam ser ocupadas por um torneio regional com duas divisões.

No encerramento desse evento, diversos clubes irão hibernar por sete meses, e o desmanche será total. Esses poderiam disputar uma divisão nacional durante toda a temporada que poderia lhe dar uma nova dimensão no contexto global do futebol.

Em alguns Estados a competição doméstica já foi iniciada, entre esses o Rio de Janeiro e o Ceará. ara que se tenha uma idéia exata da realidade, no seletivo carioca a média de público em 15 jogos foi de 514 testemunhas, enquanto na Terra de Iracema, sem jogos do Fortaleza e Ceará a média foi de 602 pagantes (6 partidas). Nada mais para caracterizar que alguma coisa deve estar errada, e necessita de uma mudança.

As competições nacionais assim como as continentais reduziram os estaduais, desde que o foco passou totalmente para essas, que são realizadas em paralelo.

Além disso, o acesso mais amplo para os jogos dos campeonatos europeus escancaram um choque de realidade, o pay=per=view, a pobreza técnica da quase total maioria dos clubes do Interior; estádios sem condições; a overdose de jogos saturando o torcedor com torneios sobrepostos, levaram os estaduais a falência.

Aliás, isso já estava escrito há muito tempo nas tábuas de Moisés.

A maioria desses jogos não tem interesse, e que, no final não servem de parâmetro para outras competições, pois os clubes acreditam que estão em boa situação e quando encaram adversários com um pouco mais de potencialidade se arrebentam.

Torna=se necessário o repensar desse esporte, com o cotejo entre os erros e os acertos, e no debate que seja resolvido o problema mais sério que é o da continuidade dessa competição que foi consumida pelo tempo.

Os nossos "Napoleões Retintos" do Bloco Sanatório Geral, ainda não tiveram a percepção que as datas da temporada brasileira é a mais extensa do mundo, e mal aproveitada na sua distribuição. As 18 datas consumidas pelos estaduais são jogadas fora, e poderiam ser mais bem aproveitadas.

Na realidade o futebol brasileiro necessita de pessoas sérias que pensaem nele como um excelente produto, e não como uma grade de televisão, e em segundo lugar, que seja analisado o modelo das ligas dos países europeus.

As disputas regionais existem e seguem dentro da normalidade, mas com divisões inferiores. Os clubes são perenes e não sazonais.

Na Inglaterra, elas começam a partir da sexta divisão, na Alemanha desde a quarta. No Brasil poderia ser criada uma nova Série, a E, que iria abrigar a regionalização de clubes que tivessem as condições necessárias.

São detalhes que deveriam ser bem estudados, não pelo bloco dos "Napoleões Retintos", e sim por aqueles que tem uma visão mais global do futebol, de que esse não existe apenas para grandes clubes e sim para todos.

O nosso calendário é uma aberração monstruosa, e que potencializa uma competição que faleceu há um bom tempo.

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Acontece
A novela das dez
postado em 16 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O esforço da mídia esportiva no sentido de promover as competições e motivar o torcedor para que ele vá a campo, e prestigie os jogos, é louvável, mas esbarra na falta de bom senso dos organizadores, cujo objetivo único é atender as televisões que pagam barato por um produto que lhe dar um bom retorno. Dentro deste pensamento, estádio cheio passa a ser apenas um mero detalhe.

Hoje, terça=feira, começam as disputas da fase de grupo da Copa do Nordeste. Amanhã é a vez de a bola rolar no Pernambucano 2018. Até domingo teremos jogos todos os dias.  "A pisada é essa", diria o saudoso tricolor Capiba.

Existe demanda para isso? Indaga o torcedor perplexo com a "overdose de jogos", programada pelos iluminados promotores. A fraca presença de público nos estádios faz parte do contexto. Afinal, os números decrescem ano após ano.

Se criou a máxima de que "o torcedor brasileiro só gosta de decisão". Portanto, não precisa se preocupar com horário, com a qualidade do espetáculo, com as condições dos campos e dos estádios, com a falta de segurança urbana... O produto oferecido é para ser consumido em casa, pela telinha. É como se tudo o que fosse cuspido no colo do telespectador ele aceitasse de bom grado.

"De graça até ônibus errado!".

Mas será que o torcedor fica acordado até a meia noite para assistir a um jogo de terceira categoria, tendo que se levantar cedo, no dia seguinte, para ir trabalhar? Ninguém perguntou isso ao público consumidor. Afinal, estamos no país do Big Brother.  

Mas o futebol não é um entretenimento, como tantos outros, para se ver in loco? Isso é o que acontece em vários países europeus, onde se pratica o melhor futebol interclubes do planeta, mas aqui no Brasil a cartolagem está pouco se lixando pra isso.

O amigo, Ival Saldanha, tem feito umas postagens saudosistas no facebook, mostrando craques dos anos 60 e 70. Maravilhas que hoje não se encontram mais nos gramados do futebol brasileiro. Tudo mudou. "Tudo se apequenou", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.

E o futebol virou a Novela das Dez. O enredo é péssimo, mas a audiência é satisfatória nos capítulos finais. Sinais dos tempos.

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Acontece
No Reino do Absurdo
postado em 15 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O futebol brasileiro vive no reino do absurdo, onde de tudo acontece, e sem a mínima reação dos seus habitantes. ara os seus cartolas os grandes são grandes e merecem tudo, e os pequenos são pequenos e tratados com chibata.

É o reino comandado por um dirigente que o FBI não permite que saia do país, e por uma cartolagem que não pensa no todo, e cada um olha apenas para o seu umbigo. Na verdade o pensamento é o de sempre aumentar a sua fatia, e se distanciar dos demais.

Tudo isso com o apoio total de um monopólio que já perdura por mais de trinta anos da Rede Globo de Televisão. Quanto mais altas forem as cotas do Flamengo e do Corinthians, é óbvio que as chances de conquistas serão bem maiores. Ambos nessa temporada irão receber R$ 4,4 milhões por cada jogo, enquanto o Sport terá que se contentar com R$ 105 mil. São diferenças gritantes.

Por outro lado, o Campeonato Mineiro receberá da televisão R$ 37 milhões para a transmissão dos seus jogos. O absurdo está na sua divisão, quando Cruzeiro e Atlético terão uma participação de R$ 21,3 milhões para cada um, o América/MG, R$ 2,9 milhões, e os menores entre R$ 850 e 875 mil. Sem dúvida mais uma distribuição indecente. Deveria haver mais equilíbrio.

Um fato interessante está no tamanho do futebol de Pernambuco, que receberá da televisão R$ 4 milhões, 9 vezes menos do que o de Minas Gerais.

 Não somos nada no reino do absurdo.

No Brasil existe a síndrome do egoísmo, desde que trata o clube como um produto e não a competição. Há anos que mostramos aos nossos visitantes os modelos das Ligas norte=americanas como ideais para serem aplicados em nosso país, e em especial a NBA, a National Basketball Association, que tem no seu campeonato o produto, e não os times.

Qual a possibilidade que tem um clube menos no Brasil de conquistar o título do Brasileirão por conta das diferenças técnicas produzidas pela péssima distribuição das suas receitas, que é precedida de forma desproporcional e injusta?

A NBA adota um plano de divisão dos recursos para que a competitividade seja garantida. É um trabalho efetuado para o fortalecimento de todos os participantes, não apenas aqueles com maiores audiências, como acontece no Brasil.

Em geral todos os times formam elencos capazes de surpreender.

Além do sistema draft, existe um teto salarial para as equipes, e um complexo sistema de controle dos vencimentos oferecidos a cada jogador. A intenção é o evitar a supremacia dos mais ricos.

O abismo técnico entre os ricos e os pobres é bem reduzido, e o sucesso de cada temporada reflete muito bem que se trata de algo proveitoso, devidamente comprovado.

O sistema adotado no Brasil tem uma única intenção, inclusive à nível estadual, a de se perpetuar os grandes clubes, que hoje já não são mais grandes, e matar os menores de inanição.

Os recursos distribuídos de forma mais igualitária geram um equilíbrio nas competições, onde um time menor fica em condições de uma boa participação. A solução para viabilizar o futebol brasileiro, e tirá=lo do reino do absurdo, é o da criação de uma Liga que poderia ser uma das maiores do mundo pela potencialidade do país.

Enquanto isso não acontece, o nosso esporte da chuteira a cada dia se transforma em um verdadeiro lixo.

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Futebol Brasileiro
Juntos, misturados e desgastados
postado em 11 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

As críticas parecem até um clichê. Todo o início de temporada, o excesso de jogos, com os clubes disputando várias competições simultaneamente, nos leva a debruçar nas tabelas e as análises se tornam repetitivas. É como se estivéssemos escrevendo a crônica de uma morte anunciada. Afinal, o ano é formado por 12 meses, 52 semanas e 365 dias. Isto é fato. Não muda. Mas no futebol brasileiro existe a política do inchaço. A resultante desta zorra total é o atropelamento de normas, regras e regulamentos. Tudo é empurrado com a barriga. Afinal, a impunidade faz parte deste "jogo". As entidades de classe, associações e sindicatos, se mostram impotentes diante dos abusos. Quando acontecem "vitórias" através de acordos, esses não são cumpridos.

A agenda para o torcedor pernambucano, na próxima semana, não poderia ser mais intensa. Vamos ter jogos na terça=feira, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. É que começam as disputas do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. Nas normas gerais das competições da CBF consta que um clube tem que respeitar o espaço de mais de 60 horas entre uma partida e outra. Mas tudo indica que esta normal foi criada para não ser respeitada, como acontece com inúmeras leis municipais, estaduais e federais que são criadas neste Brasil brasileiro.

Então vejamos: O Santa Cruz estréia na Copa do Nordeste no dia 16, terça=feira, enfrentando o Confiança, em Sergipe. Dois dias depois (48 horas) inicia sua participação no Pernambucano medindo força com o Vitória, no Arruda. A situação ficará mais complicada para o Náutico, caso o time alvirrubro se classifique para a fase de grupo da Copa do Nordeste. O primeiro jogo do Clube dos Aflitos na competição regional (fase de grupo) está programado para a próxima quarta=feira, dia 17, quando receberá o Altos/PI, na Arena Pernambuco. No dia 19 fará sua estréia no Pernambucano enfrentando o América, na Arena Pernambuco. Mais ainda: menos de 48 horas depois os alvirrubros voltarão a campo para o seu segundo compromisso pelo estadual, desta feita contra o Central, em Caruaru. Resumindo: o Náutico, caso se classifique para a fase de grupo da Copa do Nordeste, na próxima semana jogará na quarta=feira, na sexta e no domingo.

Ontem, a CBF divulgou as datas dos jogos da primeira rodada da Copa do Brasil. Santa Cruz, Salgueiro e Náutico estréiam na competição nacional no dia 31 de janeiro. O Sport teve o seu primeiro jogo marcado para o dia 7 de fevereiro. Acontece que, o Tricolor do Arruda tem compromisso agendado pela Copa do Nordeste para o dia 30 de janeiro. "Coisas do futebol brasileiro", como diz o amigo, Edvaldo Moraes.  

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Acontece
Copiar é preciso
postado em 09 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Partindo do princípio de que, "na vida pouco se cria, tudo se copia", o projeto lançado pelo Palmeiras no início da semana, o "Palmeiras Camp", que não é outra coisa senão o acampamento de férias oficial do clube, bem que poderia ser copiado, e desenvolvido, pelos nossos clubes com o objetivo de aproximar o sócio e torcedor. A proposta palmeirense é fazer com que o interessado se sinta como um jogador. Para isso no período em que estiver "concentrado", terá uma convivência diária com ex=ídolos do clube.

Sempre que um clube pernambucano lança uma campanha de sócio eu fico a perguntar aos meus botões: "O que eles vão oferecer ao sócio?". Basicamente não oferecem nada, razão pela qual as campanhas são sempre marcadas pelo insucesso. No início podem até atingir números que impressionam, entretanto, não há ações para fidelizar o sócio, fato que leva as campanhas a não terem sustentação. O "Palmeiras Camp" utiliza a figura dos ídolos que escreveram páginas da história do clube para valorizar o projeto.

Imaginem um programa como este nos clubes recifenses! Quem não gostaria de concentrar com Luciano, Ramon, Kuki, Roberto Coração de Leão, Denô, Luís Neto, Zé do Carmo, Gena, Ivan Brondi... treinar com eles, ouvir suas histórias, trocar idéias. Enfim, vivenciar momentos que seriam inesquecíveis. O simples fato de conhecer a estrutura do clube, centro de treinamento, concentração, seguir uma agenda de treinos, fará com que cada um liberte o jogador que existe dentro de sim.

Na década de 90, José Joaquim Pinto de Azevedo, criou no Sport um projeto que convocava o sócio para passar um dia inteiro na Ilha do Retiro. Nesse dia eram desenvolvida uma série de ações. Foi um sucesso. O que mais o sócio e o torcedor quer é se aproximar do seu clube e dos seus ídolos. Isto é fato. Mas os nossos clubes desprezam aqueles que têm seus nomes em suas gloriosas histórias.

A idéia do Palmeiras é tão simples quanto a que Colombo teve para por um ovo em pé. E fácil de por em prática.

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