Histórico
Artigos
A partida perfeita
postado em 11 de outubro de 2019

Por Zé Roberto *

 

 

O Estádio Rei Pelé, em Maceió, é um das daqueles templos sagrados do futebol brasileiro que foram construídos durante o milagre econômico, na década de setenta. Quando você está lá dentro jogando, a laje fecha sobre você, te engole, como no Mineirão, canaliza o eco da torcida para perto de onde você vai bater o corner, como no Serra Dourada, o Olímpico, o Maracanã.

De lá bem longe, entre a Bahia e Pernambuco, numa quarta-feira à noite, durante o campeonato brasileiro de 1978, na partida entre o meu Santa Cruz FC e o CRB, guardo uma das mais gratas lembranças e lições de toda a minha carreira como atleta profissional. Foi ali que realizei, em 17 anos de carreira, talvez a única das minhas atuações perfeitas com a bola nos pés.

Qual desportista, ator, médico ou engenheiro não se lembra do dia em que acertou tudo durante a prática do seu ofício? Naquela noite iluminada, onde Júpiter deve ter se entendido com Netuno, o biorritmo, badalado na ocasião, era favorável e as cartas e o búzios conspiravam a meu favor, devo ter errado dois passes dos 70 que realizava, em média, durante as partidas.

Jogadas de linha de fundo? Das cinco tentativas, em quatro deixei o lateral para trás e ao tentar os cruzamentos sobre a grande área inimiga, acabei acertando quatro passes, dois na cabeça do Nunes, um para o voleio certeiro do Betinho, o ultimo para um peixinho de Luís Fumanchú, que decretaram nossa vitória por 4x1.

Nesta abençoada partida, não corria. Voava. Roubava as bolas no meio-campo do CRB como quem tirava pirulito de bebê, e iniciava os contra ataques com uma rapidez e eficiência impressionantes. E pensava, enquanto jogava: mas, porque justo ali, longe da grande mídia, apenas com a Rádio Clube de Pernambuco e a Gazeta de Alagoas transmitindo a partida e sem qualquer TV, tinha que ser o local do meu melhor momento? Porque não jogara tudo aquilo no Maracanã, dois anos atrás, quando defendia o CR Flamengo e disputei a concorrida final (174 mil pessoas, o quarto público da história do Maracanã) da Taça Guanabara contra o Vasco? Ou por que tal inspiração não ocorrera três anos antes, quando disputei as semifinais do campeonato brasileiro pelo Fluminense, contra o Internacional, no mesmo Maracanã, e fui incapaz de impedir Falcão, Caçapava, Paulo Cesar Carpeggiani e Lula nos eliminarem da competição?

Se tivesse tal competência em tais ocasiões, jogando na cidade maravilhosa e defendendo camisas mais poderosas, certamente seria convocado para a seleção brasileira. Mas aprendi a não discutir com o destino. É ele quem nos conduz, e se ele quis que fosse ali o meu dia de Rivelino, que tal um chute de fora da área? Confiante, quando clareou na intermediária não virei o jogo para as laterais, como sempre fazia, resolvi arriscar, e juro que ela passou raspando a trave. Dribles, então, que pouco tentava por jogar à base de dois toques, até aquela partida minha especialidade para errar poucos passes, ser o ponto de equilíbrio do time para manter um craque que deveria estar no meu lugar sentado no banco, acabei dando uns quatro, de tão solto e abusado que me encontrava. É impressionante, jogava e pensava, como a mente, desobstruída das nossas cotidianas limitações, conseguia fazer até com o bom, eficiente e previsível futebol que até ali apresentava.

Fim de jogo, parti para o vestiário como Cesar Cielo se dirigiu ao pódio olímpico na China, nas nuvens, realizado. Afinal, era um dedicado atleta profissional que treinava mais que todos os meus companheiros, lutava pela vitória com sua minoria, e que merecia, nem que fosse por uma noite, num palco pouco iluminado ou reconhecido, jogar como sempre sonhei e busquei.

Passei pelo treinador, que era Evaristo Macedo disse o de sempre após nossas vitórias: "valeu, garoto!". Mas como valeu, se nunca havia jogado antes assim, com nenhum dos meus 16 treinadores anteriores? E fui encontrando pelo caminho repórter alagoano, narrador baiano, torcedor invasor local protestando, passando por adversários e ninguém deu a mínima para o que havia realizado. Será que eles pensavam que jogava sempre assim: E, se assim fosse, o que estaria fazendo no Santa Cruz, em Recife? Turismo em Boa Viagem, pagando promessas, visitando a feirinha de Olinda? Quando alcancei o vestiário já era 50% alegria e 50% frustração. Se havia treinado tanto, evitado noites e cigarros, as bebidas alcoólicas para atingir um dia a perfeição, quando a atingi, ninguém foi capaz de reconhecer. Nem uma medalha, muito menos um Motorádio, um abraço, um valeu.

Já nos vestiários, de banho tomado, notei meus companheiros felizes com a vitórias, que fazia avançar na classificação do brasileiro, e pela goleada conseguida fora de casa. Nada que reconhecesse minha iluminada atuação. Decepcionado, já de posse da conhecida vontade de chutar baldes perante simples adversidades, não mais bolas, dirigi-me à balança que o Sr. Amauri, um simpático funcionário do clube coral, que nos pesava antes e depois das partidas, uma prática que só conheci em Recife. Ao subir e conferir o que perdi, seu Amauri confidenciou baixinho: "Que atuação, hem! Zé Roberto? Parabéns, você foi brilhante esta noite!". Que alívio senti naquele instante. Não fiquei nem prosa, nem mascarado, apenas feliz. Afinal, de que valeria uma busca pela perfeição, em qualquer profissão, se quando a alcançamos, nem que fosse por apenas 90 minutos, que é o tempo dos holofotes da minha, ninguém fosse capaz de reconhecer, no mínimo, o seu esforço, a sua obstinação.

De lá para cá, até 1985 quando encerrei minha carreira, jogando no Bonsucesso FC, não me recordo de nenhuma atuação parecida, tipo desequilibrar uma partida, embora continuasse treinando passes, aperfeiçoando chutes, cabeçadas e domínio de bola. Continuei a ser o Zé Roberto de sempre, nunca mais o Zico, o Rivelino e o Gérson daquela inesquecível noite. Mas foi de seu Amauri que guardei a maios lição deste episódio: sempre que assisto de perto, seja como treinador ou mesmo torcedor, uma atuação acima da média, em qualquer modalidade esportiva (se for longe, pela TV, procuro mandar e-mail) faço questão de esperar o final da partida e dar um força e incentivo ao autor da proeza.

Só eu sei o que fiz para um dia ser perfeito no que fazia, e muito mais, jamais esqueci o que a indiferença e o descaso são capazes de aprontar com nosso interior minutos depois de tal conquista.

 

(*)Jornalista e ex-jogador. Material retirado do Blog de Magno Martins

 

leia mais ...

Futsal
O inesquecível título brasileiro de 93
postado em 10 de outubro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O verbo preservar é pouco conjugado no desporto brasileiro, razão pela qual causa estranheza eventos que são realizados com o objetivo de destacar feitos históricos e seus protagonistas. Neste contexto, a noite do dia 10 de outubro de 2019 entrou para a história do futsal pernambucano por conta da festa promovida pela FPFS para homenagear os campeões do primeiro título brasileiro conquistado pelo futsal pernambucano.

O feito histórico aconteceu há 26 anos, precisamente no dia 10 de outubro de 1993. De lá pra cá, Pernambuco conquistou uma série de outros títulos nacionais em diversas categorias, mas como bem ressaltou o presidente da FPFS, Luiz Cláudio de Carvalho, na sua saudação, "o primeiro título foi de uma importância ímpar para o nosso futsal".

Verdade. Mensurar o feito é impossível, entretanto, a julgar pela reação dos campeões quando foram chegando ao salão nobre da Federação Pernambucana de Futebol, local onde foi realizada a homenagem, o orgulho por tal conquista é indescritível.

Calipio Palmeiras, o maior goleador e colecionador de títulos do futsal pernambucano, foi o técnico da Seleção Pernambucana na inesquecível conquista. "Um título memorável não apenas pelo ineditismo, mas porque parecia pouco provável. Fizemos uma final com o favorito Paraná, cuja equipe era toda formada por jogadores que defendiam a Seleção Brasileira. O time todo se comportou como guerreiros da Nova Roma", pontuou Calipio.

O presidente da FPFS a época, Fred Carvalho, destacou que, "tão importante quanto a conquista era a sua preservação, valorização. Bastante louvável a iniciativa do presidente Luiz Cláudio em promover esta festa para enaltecer e lembrar a importância deste título que foi um marco para o futsal pernambucano".

Visivelmente emocionado, Edson Nogueira, ex-presidente da FPFS, declinou do uso da palavra, mas fez questão de abraçar todos os campeões.

Além das homenagens aos atletas, membros da comissão técnica e ao presidente de honra da Votorantim, e patrono do futsal pernambucano, Henrique Silveira, a FPFS homenageou com o Troféu Leão do Norte, os jornalistas, Claudemir Gomes e Pedro Luís; e o desportista, Fred Oliveira, ex-presidente da Federação Pernambucana de Futebol.   

OS CAMPEÕES BRASILEIROS DE FUTSAL EM 1993:

Fred Carvalho (Presidente da FPFS); Henrique Silveira (Presidente de Honra da Votorantim); Edson Nogueira (supervisor/chefe da delegação); Calipio Palmeira (Técnico); Dr. Antônio Bezerra (Médico); Roberval Ramos (Aux. Técnico); Clóvis Calado (Prepara Físico) e Romulo Macha (Massagista/Roupeiro).

ATLETAS:

Mazureik, Giusepe, Matheus, Luciano, Acidésio, Chau, Jerry, Marcelinho, Esdras, Bira, Alécio, Sandro Sales (Pelé), Jailton Cego, Xandi e Pequinho.

leia mais ...

Artigos
Falta o básico para a garotada
postado em 10 de outubro de 2019

PAULO CÉZAR CAJU  - O GLOBO

 

Não sei vocês, mas eu assisto até terceira divisão do campeonato norueguês. Sempre brinco aqui dizendo que troquei o futebol pelo Animal Planet e os Trapalhões, mas a bola está em nossa vida, não tem jeito. Assisti a vários jogos desta última rodada do Brasileirão e volto a afirmar: a garotada sobe para o profissional sem ter aprendido o básico. Nem falo sobre os mais velhos em atividade, que nasceram tortos e ninguém consertará mais. Vejam atentamente os jogos e concluam se estou louco.

Os atacantes do Vasco, Talles Magno e Marrony, são extremamente úteis ao time porque são jovens, têm vigor, vão, voltam, mas não sabem concluir. O Marrony tem dificuldade até para dominar. Será que Luxemburgo ainda não viu isso? No Fluminense, Botafogo e Flamengo, a mesma coisa, podem reparar as atuações da meninada que sobe. Por isso, insisto para os professores de Educação Física irem dar aula na faculdade. O próprio Marcinho, convocado pelo Tite, é nulo em vários fundamentos.

Estou falando sobre futebol, longe de querer atingir a imagem desse ou daquele profissional. Mas se você perguntar em qualquer roda de botafoguenses, ninguém entendeu essa convocação.

Algum empresário já deve ter alguma negociação em andamento, certamente. E outra coisa: o futebol já está transbordando de brucutus, e o Botafogo ainda me lança um atacante chamado Vinícius Tanque??? Se bem que antigamente tinha o centroavante Beijoca, que pelo apelido poderia ser um amor de pessoa, mas metia medo até nos mais temidos xerifões das zagas, kkkk!!!

Só na vitalidade não nos levará a lugar algum. Reparem o Gerson do Flamengo, como saiu do Brasil e como voltou da Europa. Certamente muitos jogadores talentosos estão sendo desperdiçados na base porque os professores nunca chutaram uma bola na vida! Como vão ensinar??? Por isso, me irrita nas mesas redondas os ex=jogadores que ficam cheios de dedos para comentar, intimidados com jornalistas de bancadas que se acham donos da verdade. Se é para ter medinho é melhor ficar em casa. Manda a letra e pronto, doa em quem doer!!! Mas e o emprego?

Esse tal de sistema muda comportamento das pessoas, impressionante!

Sobre Brasil x Senegal estou doido para ver ... o Senegal. Adoro o futebol praticado pelos africanos! E joguei com dois senegalenses na minha época de França, Jules Boncande e Saar Boubacar, talentosíssimos! Mas, do Senegal, gosto mesmo é do meu amigo Youssou N'Dour, compositor e intérprete espetacular!

Muita pena o nosso futebol estar sendo comandado por engessadores, gente que nunca colocou uma atadura na vida, quebrou uma vidraça, jogou descalço, driblou hidrante. A arte do improviso foi enterrada, mas a turma dos cifrões nos olhos precisa fazer a máquina rodar, vender a garotada para o exterior cada vez mais cedo, encher os burros de dinheiro e, depois, dar uma coletiva explicando mais um fracasso.

leia mais ...

Brasileiro Série B
Números apontam Sport na Série A
postado em 09 de outubro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Com Santa Cruz e Náutico "em gozo de férias", tricolores e alvirrubros não têm mais agenda nacional para cumprir nesta temporada, as atenções se concentram no desempenho do Sport que disputa o Brasileiro da Série B, com grande cotação para conseguir o acesso à elite do futebol nacional na próxima temporada. Hoje, segundo o site - Chance de Gol - o Leão pernambucano tem 88,4% de probabilidade de retornar à Série A.

Apesar da margem confortável, o grande número de empates (13) nos vinte e sete jogos disputados leva os pessimistas a acordarem "monstros" que estavam dormindo no imaginário e passam a desenvolverem teorias do apocalipse.

"Não vai conseguir!". Bradam alguns mesquinhos indo de encontro ao otimismo dos números.

Todos os cálculos e estudos de probabilidades são feitos com base no desempenho da equipe comandada por Guto Ferreira. Em vinte e sete rodadas o Leão teve 56,8% de aproveitamento. Como faltam 11 jogos para o final da competição, se o time mantiver os mesmos índices, ao final das trinta e oito rodadas terá alcançado a marca dos 64 pontos.

Resumindo: estará na Série A.

Tenho visto muitos torcedores se apegarem à regra básica: 19 vitórias e 8 empates como a receita infalível do acesso. Esta realmente é de uma previsão incontestável. Entretanto, não podemos esquecer que empate também conta ponto. Se por um lado o Sport ainda não atingiu o número desejado de vitórias, o excessivo número de empates lhe ajuda na compensação.

Numa amostragem simples, se o Sport mantiver a pegada, nos onze jogos restantes é provável que ele contabilize 4 vitórias; 6 empates e 1 derrota, o que representa 18 pontos. Soma-se os pontos que estão por vir aos 46 já existentes chegaremos ao total de 64 pontos.

Um amigo leonino, que não é referência de otimismo quando o assunto é futebol, está sempre enxergando chifre na cabeça de cavalo, me ligou após a vitória do América/MG (2x0) sobre o Bragantino e prognosticou: "O América vai ser vice-campeão".

Viva o time mineiro!

Se tal previsão venha se confirmar, será mais um case de estudo no futebol brasileiro. Mas vale lembrar que a meta do Sport nunca foi ser vice, e sim, conseguir o acesso.  

Um acesso que se prenuncia como fácil em decorrência da paridade que se transformou na marca registrada desta edição da Série B.

leia mais ...

Náutico
Campeão Brasileiro de 2019!
postado em 07 de outubro de 2019

Por ROBERTO VIEIRA


Nem Flamengo nem Palmeiras.

Nem mesmo o Santos da Vila.

O campeão brasileiro de 2019 é o Náutico!

Poderia ter sido em 1967, no Maracanã.

Em plena lua de mel de Ademir da Guia.

Mas não foi.

Os deuses e demônios do futebol pensavam diferente.

O Náutico deveria ser campeão brasileiro em São Luís do Maranhão.

Empatando com o bravo Sampaio Correia.

Um empate para honrar o passado de Cabelli e Fernando.

Orlando Pingo de Ouro e Ivanildo.

Ivson e Hamilton.

Manuelzinho, Caiçara e Lula.

Gentil Cardoso e José Porfirio.

Nado, Bita, Nino, Lala e Ivan.

Lula Monstrinho.

Jorge Mendonça, que saudade!

Neneca, Beliato e Sidcley.

Baiano e Mirandinha.

Bizu, Kuki e Acosta.

Um título para o Muricy Ramalho.

Conselheiro em vermelho e branco.

Hoje, o Náutico de Gena e Salomão é campeão brasileiro.

Um Timbu ébrio como os bons timbus do passado.

E como diria o sábio bardo inglês.

C ou não C?

Esta não é a a questão.

Porque o Náutico é campeão.

Campeão brasileiro de 2019!

leia mais ...