Copa do Nordeste
Bola parada é apenas um recurso
postado em 30 de maro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


"Vencer é o céu!". Eis a razão pela qual o torcedor do Santa Cruz anda rindo à toa. Afinal, nos últimos três jogos o time contabilizou três vitórias, todas pelo mesmo placar - 1x0 - resultados que lhes levaram a alcançar os objetivos dentro das metas traçadas: classificou em primeiro lugar do seu grupo para as quartas de final da Copa do Nordeste; empatou um clássico com o Sport atuando com o time reserva e conseguiu uma vantagem substancial para o segundo confronto com o Itabaiana, na busca por uma vaga nas semifinais da Copa do Nordeste. Tudo dento dos conformes, como manda o figorino no futebol de resultados. Detalhe: todos os gols foram oriundos de bola parada.

As disputas das quartas de final da competição regional começaram ratificando o favoritismo dos campeões - Sergipe 2x4 Bahia; River 2x3 Vitória e Itabaiana 0x1 Santa Cruz - fato que torna mais viável a possibilida de se ter dois clássicos estaduais nas semifinais. Evidente que temos de aguardar o resultado do confronto entre Campinense e Sport, que acontece na noite desta quinta-feira, em Campina Grande/PB. Enfim, tudo conspira para uma final entre Bahia e Pernambuco, principais praças do futebol nordestino.

O mestre, Lenivaldo Aragão, sempre nos alerta para o fato de que, no futebol não existe uma verdade absoluta. Verdade. Mas no caso desta fase da Copa do Nordeste tudo nos leva a crer que a lógica será obedecida. Questão de qualidade técnica. E peso de camisa também. Se tudo transcorrer de acordo com o cenário atual, as semifinais e a final serão marcadas pela rivalidade local, no Clássico das Multidões e no Ba-Vi, e pela rivalidade regional que já serviu de pano de fundo para inúmeros confrontos do frevo com o axé.

Apostando no futebol de resultados, creio que o Santa Cruz consolidará sua classificação para as semifinais no próximo sábado, no Arruda, no segundo jogo com o Itabaiana. Contudo, o time comandado por Vinícius Eutrópio terá que evoluir muito. A bola parada é uma alternativa para se chegar à vitória, mas não podeser o único meio, como está ocorrendo com o time tricolor que passou a ser dependente da maestria do zagueiro Anderson Sales. Sem a criação do meio campo e a objetividade do ataque, fica difícil apostar no bicampeonato.

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Artigos
Produto bom, mas mal dirigido
postado em 29 de maro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


O jogo de futebol em sí é um bom produto. Mas hoje no Brasil passa por uma fase seca em seus procedimentos, prejudicando a sua transformação.

O maior problema desse esporte são os responsáveis por dirigi-lo, que não atentam para o momento grave que já perdura há um bom tempo, e continuam no processo de uma alienação total.

Cerca de 90 clubes deixaram de existir, ou disputar competições profissionais nos últimos cinco anos. O calendário nacional é excludente, contemplando cerca de 13 mil atletas sem emprego na maior parte do ano.

Uma massificação concentrada em poucos clubes está motivando a perda da identidade esportiva em muitos estados. Apenas 5 entre os 27 da Federação Brasileira, ainda resistem a influência de clubes de outros locais.

Rio Grande do Sul, com 97,2% de torcedores locais, contra 2,8% de fora, é o estado mais resistente, seguido pelo Rio de Janeiro (relação de 96,0/4,0%), São Paulo (relação 94,8%/5,2%), Minas Gerais  (63,4%/36,6%) e Pernambuco com 60,4% contra 39,6%. que torcem por clubes de fora. No caso de nosso estado, essa relação já foi mais distante, e que cada dia vai sendo reduzida.

As demais praças tem uma situação inversa, inclusive algumas com números acachapantes, de 8,1% para os locais, contra 91,9% daqueles de outras regiões, sendo que a maioria é do Sudeste.

Tais números que fazem parte da última pesquisa do setor, mostram claramente uma concentração de poucos clubes na demanda nacional, que é motivada pela exploração de uma maioria, em detrimento da minoria, e por conta disso as suas dificuldades.

Um ponto muito importante é o da regionalização, mas só poderá acontecer com a mudança do sistema.

Há muito tempo que a decadência tomou conta de muitos times brasileiros, o Circo não acorda para os fatos, continuando com o seu sistema de tudo pela seleção.

O Guarani é um exemplo. Campeão Brasileiro de 1978, participando por muitos anos da maior divisão nacional. com uma boa demanda, uma estrutura que já foi referência, e que aos poucos foi sendo tragado pelo sistema maléfico da concentração de renda, apoiado por gestões desastrosas que o empurraram para o fundo do poço.

O time disputa a Série C Nacional, e vive em eterna dificuldade, tendo perdido em um leilão o seu estádio Brinco de Ouro.

O time campineiro é o maior exemplo do descaso dos cartolas. Parou no tempo, endividou-se sem que tivesse uma regulamentação para coibir tais coisas, e vai vivendo um dia atrás do outro sem nenhum alento de melhora.

A Portuguesa é outra referencia de péssimas gestões, que a levaram para a UTI, sem chances de sair.

Para melhorar o sistema, depende dos torcedores, dos sócios e para que isso possa acontecer o atual tem que ser derrubado.

Precisamos de profissionais sérios nesse esporte, e que pensem no coletivo e não no individual, na defesa de seus interesses e muitas vezes dos seus bolsos.

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Futebol Pernambucano
É preciso retomar a interiorização
postado em 28 de maro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, diz, com propriedade, que o único fato novo no futebol pernambucano é o Salgueiro. Verdade. E o líder do Pernambucano 2017 é produto do movimento que marcou a evolução do processo de interiorização do nosso futebol. Tudo na vida segue um movimento. Quando este pára acontece a estagnação, a retração, involução e, por fim, a extinção. O mapa geográfico do Estado de Pernambuco é retilíneo e o movimento dar-se do litoral ao sertão. O movimento do futebol começou na Capital e seguia para o Interior. Alcançou o sertão, mas os atuais gestores não deram sustentação ao básico e fundamental.

O enfraquecimento do futebol do Interior reflete diretamente nos grandes clubes do Recife. Chegamos a um estágio onde o Estadual nem como laboratório está servindo, pois o modelo em vigor basicamente exterminou os clubes interioranos. Restou o Salgueiro porque fortaleceu sua musculatura em competições nacionais.É preciso retomar o movimento de fortalecimento do futebol do Interior sob pena de, num futuro próximo o Estadual ser reduzido a um quadrangular. O maior sinal de alerta para tal catástrofe é o fato de, mesmo antes de a bola rolar todos saberem que os semifinalistas desta edição do Pernambucano seriam Sport, Salgueiro, Santa Cruz e Náutico, uma vez que, Central e Belo Jardim estavam numa disparidade técnica avassaladora. A falta do movimento enfraqueceu os clubes do Interior e deixamos de ter parämetros para uma melhor avaliação dos times que disputam competições nacionais.

Os promotores da Copa do Nordeste tiveram a sensibilidade e o bom senso para enxergar e mudar o regulamento da competição que, a partir do próximo ano volta a contar com 16 clubes participantes. Um medida racional para elevar o nível técnico da competição que este ano foi bastante sofrível com 20 clubes na fase declassificação. A FPF acena com a possibilidadede mudança na forma de disputa do Pernambucano. A condição sine qua non para uma melhora de qualidade é a diminuição de 12 para 10 participantes com os clubes da Capital jogando no Interior, ou seja, é a retomada do movimento.

Existe a possibilidadede de Santa Cruz e Sport se confrontarem nas semifinais do Pernambucano e da Copa do Nordeste, fato que provocaria a disputa quatro edições do Clássico das Multidões no curto espaço de 20 dias, ou seja, a cada cinco dias teríamos um clássico. Overdose e banalização, apesar do caráter decisivo dos jogos.


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Campeonato Pernambucano
Salgueiro é ofato novo
postado em 28 de maro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


O Salgueiro tem uma folha salarial mensal 50% menor do que o salário de um único atleta do Sport. Mesmo assim se transformou no único fato novo nesse futebol combalido.

A sua campanha é irretocável.

Faltando duas rodadas para o término do tal de Hexagonal do Título, nome grotesco e fora da ordem. o time do Sertão Central assumiu a liderança e não tem mais chances de ser alcançado.

Com 19 pontos ganhos em 8 jogos, seis a mais do que Santa Cruz e Sport que se dizem grandes, e sete para o Náutico.

Enquanto as equipes da capital somaram 3 vitórias na competição, o Salgueiro obteve 6, o dobro, o que mostra que a sua campanha não é por acaso, e sim pelo bom futebol que está jogando.

A sua única derrota foi de forma injusta contra o tricolor do Arruda, pelo placar de 1x0, quando foi bem melhor do que o seu adversário.

Contra números não existem argumentos contrários, e na verdade o time sertanejo foi o melhor até agora.

Nenhuma novidade, desde que a manutenção do elenco é bem importante para os seus resultados.

Esse bem que merecia uma melhor cobertura de nosso jornalismo juvenil.

Um bom exemplo para o Central que vive um momento de agonia, mesmo tendo como sede a mais importante cidade do interior de Pernambuco.

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Sport
Uma queda esperada
postado em 27 de maro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Os números dão norte a tudo em nossas vidas, mas no futebol de resultados eles são ilusórios e não dão sustentação a trabalhos que buscam metas mais ousadas. A queda do técnico, Daniel Paulista, no Sport, é mais uma constatação desta realidade. A simples análise dos números credencia o profissional que teve um aproveitamento de 70% no comando técnico do elenco leonino. Entretanto, quem se dispôs a analisar as atuações, o desempenho da equipe diante de adversários de pouca qualidade técnica, concluiu que tais números estavam mascarando uma realidade.

Os clássicos funcionam como termômetro no futebol pernambucano, e Daniel não conseguiu adicionar nenhuma vitória no seu currículo após a disputa de quatro clássicos estaduais. Com o time titular, ou o alternativo, nas atuações do Sport na Copa do Brasil, no Pernambucano e na Copa do Nordeste, ficou evidenciado que o time não tinha um padrão de jogo. A impressão que ficava, a cada apresentação do time leonino, era de que o treinador não tinha embocadura para tocar aquele instrumento. O treinador tem qualidades, mas ainda não estava pronto para assumir um time do nível do Sport, que tem como meta um salto de qualificação no cenário nacional.

Um dos maiores defensores da efetivação de Daniel Paulista como técnico para a temporada 2017, foi o vice=presidente de futebol, Gustavo Dubeux. A aposta não deu certo, mas não anula o potencial do profissional. Acredito que, o maior problema é que o treinador demitido ainda era visto como companheiro por diversos jogadores que atuaram com ele quando de sua vida como atleta. O comandante tem sempre que ser visto num patamar mais alto. A diretoria não teve habilidade para administrar essa falha, não respaldou o treinador neste sentido.

O mercado brasileiro não dispõe de muitos nomes com perfil adequado para assumir o comando do clube rubro=negro, mas a diretoria procura um treinador que os jogadores olhem para ele de baixo para cima, fato que não ocorria com Daniel Paulista.

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