Futebol Brasileiro
O esvaziamento dos estádios
postado em 26 de fevereiro de 2015

Público no Clássico das Emoções foi cerca de 10% da capacidade da Arena Pernambuco. Foto: Guga Matos/JC Imagem

Foto: Guga Matos/JC Imagem - Blog do Torcedor

CLAUDEMIR GOMES

O torcedor brasileiro está se afastando dos estádios. O distanciamento acontecendo há alguns anos, mas ainda não foi o suficiente para sensibilizar a cartolagem, os gestores do futebol brasileiro. O público de menos de cinco mil torcedores no clássico - Náutico 1x2 Santa Cruz - quarta-feira, na Arena Pernambuco, chamou muito a atenção pelo fato de o jogo ter tido o benefício do programa Todos com a Nota, através do qual o torcedor pode ir ao espetáculo sem pagar ingresso. Resumindo: o futebol de graça ficou caro.

O esvaziamento é decorrente de uma série de fatores, e exige um aprofundamento nos estudos e nas discussões. A televisão paga e por isso casa e batiza, ou seja, defende seus interesses por uma maior audiência, em detrimento do público consumidor do esporte mais popular do País.

Os clubes vivem com a cuia na mão e o patrocínio da televisão passou a ser a maior fonte de renda. Neste cenário todos se curvam ao rei e mostram o fundo da calça rasgado aos plebeus.

Nada mais chato do que futebol com as arquibancadas vazias. A quantidade de jogos mostrados das competições européias ressalta a boa qualidade do futebol praticado no Velho Continente e estádios cheios. Sintonia perfeita.

A televisão não pode ser apontada como a grande e única vilã neste processo de êxodo dos torcedores dos estádios. No caso do Campeonato Pernambucano, os equívocos começam com a forma de disputa, seguem com os absurdos da tabela e culminam com o horário das 22h num estádio onde o principal modal de transporte utilizado pelo torcedor, o metrô, não funciona após o jogo. Tudo conspira para a fuga do público.

O jogo - Sport 1x0 Central - na Ilha do Retiro, nesta quinta-feira, teve o dobro do público que se propôs a ir a Arena Pernambuco assistir ao clássico na quarta-feira.

Esta edição do Pernambucano tem tido a menor média de público dos últimos anos. A Copa Nordeste também apresenta uma sensível queda de público. O Campeonato Carioca também está esvaziado. Perdemos a qualidade e a popularidade. O futebol brasileiro não entrou em sintonia com a nova ordem.

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Campeonato Pernambucano
Sport segue insustentável
postado em 23 de fevereiro de 2015


CLAUDEMIR GOMES

 

Após a quarta rodada do segundo turno do Pernambucano 2015, etapa em que a competição ganhou visibilidade com os ingressos de Sport, Náutico, Santa Cruz e Salgueiro, os resultados nos levam a imaginar que tudo conspira em favor do bicampeonato do Sport, atual líder com 100% de aproveitamento. Naturalmente que, a partir das semifinais, quando a competição passa a ser decidida pelo sistema de mata-mata, serão criadas possibilidades para surpresas, entretanto, a julgar pela distância técnica que separa o time rubro-negro dos demais competidores, as chances para uma mudança de cenário são diminutas.

O Sport manteve 80% do grupo com o qual conquistou a edição 2014 da Copa do Nordeste, o título estadual e fez uma boa campanha de manutenção no Brasileiro da Série A. A estratégia montada pela diretoria leonina diminui a margem de erros e possibilita vantagens ao técnico Eduardo Baptista nos ajustes necessários à equipe. O time rubro-negro ainda não está praticando um futebol plano. As oscilações observadas durante os jogos são provas incontestes, assim como, o fato de o treinador não ter conseguido repetir a mesma formação em sete partidas disputadas. Enquanto trabalha buscando uma evolução técnica e tática, o grupo está fazendo resultados, o que é fundamental para dar sequência ao trabalho.

Há 71 anos o título estadual fica nas mãos dos clubes da Capital - Sport, Náutico ou Santa Cruz - fato que acirrou a rivalidade e consolidou o "trio de ferro" como as grandes forças do futebol pernambucano. Apesar da ausência de um fato novo, que seria a chegada de um clube do Interior ao lugar mais alto do pódio, o Estadual chama a atenção dos torcedores pelo fato de ser a única competição que tricolores, alvirrubros e rubro-negros têm chances reais de chegar a final. A superioridade apresentada pelo Sport, até o momento, coloca o time leonino como o grande favorito nas casas de apostas.

Além de ter vencido os dois maiores concorrentes ao título - Santa Cruz e Náutico - o Sport atropelou os times intermediários - Salgueiro e Serra Talhada -, fato que não ocorreu com os outros postulantes. Para tornar a caminhada mais previsível, a tabela põe o Náutico e o Santa Cruz para disputarem dois clássicos seguidos entre si. O Sport também vai medir forças com o Central duas vezes, em sequência. A combinação dos resultados das duas próximas rodadas pode definir o Sport como primeiro colocado do hexagonal com quatro rodadas de antecedência.

O Leão está rugindo alto, e tornando a disputa por demais previsível.

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Artigos
Os últimos 25 anos do Santa Cruz
postado em 23 de fevereiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, OS ÚLTIMOS VINTE E CINCO ANOS DO SANTA CRUZ


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Ao assistirmos ao jogo entre Santa Cruz vs Salgueiro, no último sábado, realizado no estádio José do Rego Maciel, vimos a atual situação do time recifense, com um elenco sem dispor de muita qualidade e que certamente irá penar na Série B deste ano.

Como tínhamos apresentado os últimos vinte e cinco anos do Náutico, em uma postagem publicada ontem, resolvemos mostrar a real situação do tricolor do Arruda no mesmo período.

Na realidade, dos três clubes da capital, o Santa Cruz foi o que teve uma queda mais acentuada, passsando a viver em todo esse período uma situação de sérias dificuldades.

As conquistas de alguns títulos estaduais não deram motivação para investimentos e maiores patrocínios, uma vez que esse torneio não representa mais nada no contexto nacional. Fica na esfera local por seis meses, e depois cai no esquecimento.

O Santa Cruz na década de 90 participou apenas uma única vez da Série A, no ano de 1993, desde que não aconteceu a Série B, e terminou na 23ª colocação, sendo levado de volta ao grupo anterior. De 1995 a 1999, ano em que teve o acesso, fez parte de todas as competições da Segunda Divisão.

No ano de 2000 participou da Copa João Havelange, e no seu módulo terminou em 25º lugar. Em 2001, retornou a primeira Divisão, onde foi logo rebaixado, só voltando em 2006, chegando na lanterna do Campeonato, e sendo mandado de volta à Série anterior.

Em 2007, o tricolor pernambucano disputou a Segunda Divisão, e o seu calvário foi se prolongando, rebaixado para a Terceira Divisão e, em 2008 uma nova queda, dessa vez para a Quarta Divisão, onde permaneceu pelo período de 2009/2011, ano esse que conseguiu o acesso de volta para a Série C, onde permaneceu até 2013, quando conseguiu voltar para B, disputando sem sucesso o campeonato da temporada passada.

Os números chocam, e demonstram claramente a razão da atual situação do clube. Em vinte e cinco anos, o Santa Cruz jogou apenas 3 vezes na maior competição do Brasil, permanecendo nas demais divisões por 22 anos.

A dureza dessa realidade assombra a qualquer pessoa que analisa o futebol brasileiro. São mais de duas décadas fora do foco, dos grandes eventos, das mídias nacionais, em especial dos patrocinadores, que só apostam em clubes com visibilidade no mercado.

Tudo isso somado, levou a um empobrecimento financeiro, que até hoje perdura no clube e sem grandes perspectivas a médio prazo para uma retomada do crescimento.

Na realidade, foram anos desperdiçados, e que levou o clube a atual situação, eivado de dívidas, lutando com dificuldades para a sua sobrevivência, e que até hoje ainda continua vivo por conta do seu maior patrimômio, o seu torcedor, que de uns tempos para cá demonstram sinais de esgotamento, e a ausência em seus jogos é um recado a ser entendido pelos atuais gestores.

A ausência de um clube na divisão maior do futebol brasileiro por tantos anos o leva ao esquecimento, e isso arrasta uma queda de receita desproporcional. Isso aconteceu com o Santa Cruz, com o Náutico, e até o Sport, que tem uma melhor sitiuação, sentiu tal peso quando participou também poucas vezes da festa maior nessa década de 2000.

São dados que servem de roteiro para uma análise para que os atuais gestores possam formular um projeto de desenvolviento do clube, na tentativa de erguê-lo, o que é algo com muitas dificuldades de se proceder.

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Campeonato Pernambucano
Acerto de passo nos últimos acordes
postado em 19 de fevereiro de 2015

Ricardinho consegue sua primeira vitória no comando do Santa Cruz

CLAUDEMIR GOMES

 

O Santa Cruz aproveitou os últimos acordes dos clarins de Momo, e transformou a "quarta-feira ingrata", no ponto de partida de sua reação Campeonato Pernambucano. O Tricolor do Arruda não se intimidou com a condição de líder do Central, e acabou construindo uma vitória imperativa - 2x1 - para suas pretensões na competição estadual.

O time de Ricardinho apresentou uma evolução, mas deixou evidenciada uma série de erros, contudo, nas circunstâncias em que se encontrava na disputa onde é credenciado ao título, o importante era fazer o resultado. O Santa Cruz o fez de forma incontestável. O Central, que até então só havia enfrentado clubes do seu tamanho - Serra Talhada e Salgueiro - tendo passado nos testes com 100% de aproveitamento, amargou a dura lição de que, contra determinados adversários os erros custam mais caro.

Os erros de posicionamento seguem sendo o grande desafio do sistema defensivo coral. No gol do Central foi aberto um clarão na defesa do Santa Cruz do qual se aproveitou o esperto Candinho para cabecear livre, sem chance de defesa para o goleiro Bruno que começa a se firmar.

Já que acertou o passo o importante agora é não perder o compasso. Os tricolores voltam a campo neste sábado, para enfrentar o Salgueiro, no Arruda. Desta feita quem jogará pressionado por um bom resultado é o Carcará, que ainda não contabilizou uma vitória no Estadual, mas irá a campo escudado na goleada que aplicou no Moto Clube - 3x0 - em jogo válido pela Copa do Nordeste, ontem à noite.

A julgar pelos resultados, os ecos do carnaval serviram para anunciar que, o melhor da festa do Pernambucano 2015 está por vir. Como diria o saudoso tricolor Capiba, de agora em diante, "a pisada é essa".

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Artigos
Desnível financeiro do futebol espanhol
postado em 19 de fevereiro de 2015

Adalberto Leister Filho - MÁQUINA DO ESPORTE


A folha salarial das equipes que disputam a primeira divisão da Espanha escancara a diferença entre os clubes ricos (Barcelona e Real Madrid) e os pequenos (as 18 demais equipes). Os dados da temporada passada foram divulgados pela direção da Liga de Futebol Profissional, que dirige o torneio.

Para efeito estatístico, a LFP nem inclui Barça e Real no cálculo porque ambos fogem muito ao padrão de gastos dos clubes que disputam o torneio. Sem eles, a despesa média é de %u20AC 28,02 milhões por ano. Cada atleta recebeu, em média, %u20AC 1,1 milhão pela temporada inteira ou %u20AC 91,7 mil por mês.

Quem integrou o elenco dos dois grandes da Espanha, teve ganho significativamente superior: %u20AC 9 milhões por temporada ou %u20AC 750 mil mensais. Ou seja, um jogador dos clubes menores recebe, na média, apenas 12,2% do que ganha um atleta de Barcelona ou Real Madrid. A folha salarial nesses clubes chega a %u20AC 200 milhões.

Algumas léguas atrás dos dois grandes está o Atlético de Madrid, com média salarial de %u20AC 4,1 milhões, o que totaliza gastos de %u20AC 100 milhões com salários anualmente. Apenas sete clubes pagaram mais de %u20AC 1 milhão, em média, para cada jogador por temporada.

Sevilla e Valencia têm média de gastos de mais de %u20AC 2 milhões por atleta. Getafe, Athletic Bilbao, Real Sociedad e Villarreal superam %u20AC 1 milhão anuais para cada integrante do elenco profissional. O primo pobre da liga espanhola é o Rayo Vallecano, que gastou %u20AC 370 mil por jogador durante a temporada.

O abismo de salários também ocorre em relação à Série B espanhola. No torneio, o gasto médio com o elenco durante toda a temporada foi de %u20AC 4,01 milhões ou %u20AC 170 mil por atleta. Apenas cinco clubes desembolsaram valores maiores do que essa média: Zaragoza (%u20AC 400 mil), Córdoba, Deportivo La Coruña, Sporting Gijón e Mallorca (%u20AC 300 mil). 


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