Copa do Nordeste
Poderia ter sido melhor
postado em 28 de abril de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Foi bom, mas poderia ter sido melhor. A vitória do Santa Cruz - 2x1 - sobre o Campinense, no primeiro confronto das finais da Copa do Nordeste, deixou o time tricolor com a certeza de que cumpriu sua missão dentro das quatro linhas. Afinal, a vantagem para o segundo jogo fora construída, fato que levou a torcida ao delírio em virtude das circunstâncias como tudo aconteceu, com o gol salvador marcado no último minuto do jogo.

O objetivo, que era a vitória, foi alcançado, entretanto, a zona de conforto na qual o Santinha deveria estar transitando, caso seus atacantes não tivessem desperdiçado as boas chances de gols criadas, não existe, razão pela qual o técnico do Campinense, Francisco Diá, deixou o estádio prognosticando que "domingo nós vamos vencer". A sequência de jogos, marcada por bons resultados do Tricolor do Arruda, se contrapõe ao pensamento do treinador do rubro-negro paraibano. As vitórias sobre o Ceará, Bahia e Náutico, todas na casa dos adversários, e no segundo jogo, provocam bons sentimentos na torcida do Santinha, mesmo com Diá mostrando que, em dois anos no comando da Raposa, só perdeu um jogo na condição de mandante.

A volta de João Paulo ao time do Santa Cruz é um reforço substancial. Sua ausência no jogo do Arruda provocou a queda de rendimento no conjunto, que perdeu a "batalha" do meio campo por falta de um jogador que pensasse o jogo e fizesse uma boa distribuição de bola. O Santa Cruz utilizou muito a ligação direta, fato que facilitou a marcação do time adversário.

A mobilidade do time do Campinense chegou a impressionar e confundir os jogadores do Santa Cruz, fato revelado pelo volante Uillian Correia. O técnico Milton Mendes, que volta a sentar no banco neste domingo, tem muito que corrigir no time do Santa Cruz, pois mesmo sabendo que numa decisão toda vantagem é substancial, não é aconselhável ficar refém dos lampejos de Grafite, que foi o ponto de desequilíbrio contra Ceará, Bahia, Náutico...

leia mais ...

Futebol Pernambucano
Gallo e Osvaldo
postado em 28 de abril de 2016

ROBERTO VIEIRA


O futebol tem coisas inesperadas.

O Náutico tem menos dinheiro.

Mas acaba de contratar um baita técnico.

O Sport está cheio de grana.

Mas acaba de contratar um técnico ultrapassado.

Gente boa, mas ultrapassado.

Caso tenha a cabeça no lugar.

O Náutico arranca o terceiro lugar do estadual.

E constrói sua campanha de volta a Série A.

Gallo que deixou o Náutico arrumado em 2013.

Com certeza deseja novamente vencer.

Osvaldo Oliveira?

Está mais para o Geninho dos últimos dias na Ilha.

Milton Mendes?

Vamos ver.

A mão que afaga nas semifinais.

É a mão que apedreja nas finais e Série A...

leia mais ...

Artigos
O que o torcedor merece, afinal?
postado em 26 de abril de 2016

Blog do ERICH BETING


"O futebol é feito também de dinheiro, mas não só de dinheiro. O futebol é feito de respeito com torcedor, com as tradições, e com aquilo que cada clube fez durante competição".

A frase foi dita por Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, justificando a escolha dos estádios para a final do Paulistão Itaipava de 2016. A opção de mandar os jogos para o José Liberatti e a Vila Belmiro preserva o princípio básico do esporte, que é a garantia de competitividade entre os clubes.

Mas será que essa é, para o campeonato, a melhor escolha?

A opção de privilegiar apenas a questão do mando de campo na final fará com que, pela primeira vez neste século, o Paulistão realize dois jogos de final para menos de 30 mil pessoas. Nem quando São Caetano e Paulista decidiram o torneio, em 2004, tão pouca gente foi ao estádio, já que o Pacaembu abrigou a partida decisiva.

Pelos dados oficiais, nem quando Bragantino e Novorizontino decidiram o Paulistão de 1990, na primeira %u201Cfinal do interior'''', o público foi tão baixo. Nas contas chutadas de quase 30 anos atrás, eram 15 mil torcedores empilhados nos dois estádios em cada um dos jogos.

E aí voltamos à frase de Reinaldo Carneiro Bastos. O futebol não é só dinheiro, sem dúvida. Nisso ele está coberto de razão. Mas o futebol precisa ter respeito ao torcedor. Essa é a essência do negócio. É o torcedor, afinal, quem faz existir todo esse espetáculo.

Será que é respeitar o torcedor restringir uma decisão de campeonato para no máximo 25 mil pessoas?

Soma-se a isso sugestão dada pelo brilhante publicitário Ricardo Chester em seu perfil no Facebook. Por que não fazer da decisão do Paulistão um grande evento, em jogo único, sempre no Pacaembu? Como bom publicitário que é, além de fã de futebol, Chester até já imaginou a campanha de início da competição %u201CRumo ao Pacaembu''''.

Ter uma final em jogo único, num local pré-definido, permite nortear uma série de ações para todos os envolvidos no campeonato: atletas, clubes, torcedores, federação, patrocinadores, mídia%u2026

Não adianta querer dizer que isso fere qualquer princípio esportivo. O clube já sabe, de antemão, que a decisão será em jogo único, naquele estádio. Não é jogo de torcida única, não é mando de campo de A ou B. É um lugar onde será realizada a decisão do campeonato.

Isso permite planejar como será dividida a carga de ingressos para a partida, permite à federação vender antecipadamente bilhetes, permite às marcas ativarem seus clientes, permite aos clubes programarem ações para o torcedor se engajar com ele durante todo o torneio e até mesmo permite aos torcedores já comprarem antecipadamente passagem e hospedagem para ver a decisão do campeonato, independentemente do time que a disputar.

Não é qualquer novidade fazer dessa forma. É o modelo adotado pela NFL e que foi copiado pela Uefa na Liga dos Campeões, hoje o campeonato de futebol mais desejado do mundo.

Esportivamente é justo. Comercialmente é muito mais rentável. E, promocionalmente, é muito mais fácil trabalhar.

O que o torcedor merece, afinal, não é só o respeito à tradição no futebol, mas um evento legal para ele acompanhar, independentemente do time para o qual ele torce.

leia mais ...

Campeonato Pernambucano
Do jeito que o povo gosta
postado em 25 de abril de 2016


CLAUDEMIR GOMES



A final do Pernambucano 2016 foi definida do jeito que o povão gosta: com o confronto entre Santa Cruz e Sport, os dois clubes donos das maiores torcidas do Estado, fato que torna iminente o sucesso de público nos jogos programados para os dias 4 e 8 de maio. Com exceção do clássico - Santa Cruz 3x1 Náutico -, válido pelas semifinais, onde mais de quarenta mil torcedores marcaram presença no estádio do Arruda, o campeonato foi um fracasso de bilheteria. Que venham os jogos finais recheados de rivalidade e com cara de festa. O fato de rubro-negros e tricolores estarem na Série A do Brasileiro qualifica a disputa do título.

O Sport ainda não acertou o passo nesta temporada, e ontem, no Cornélio de Barros, em Salgueiro, por pouco perde o compasso. Foi derrotado pelo Salgueiro - 1x0 - no tempo normal e chegou a condição de finalista numa disputa de pênaltis(5x4). Nada de sorte, o Leão foi competente, coisa que não aconteceu nas semifinais da Copa do Nordeste, quando caiu diante do Campinense, em Campina Grande, também numa decisão de tiros livres diretos. Com um trainee no comando técnico, Thiago Gomes, o Sport aposta na tradição do Clássico das Multidões para, escudado na mística da camisa rubro-negra, superar o melhor momento do adversário. Afinal, situação similar foi vivenciada há dez anos, em 2006, quando o Santa Cruz, com um melhor time, havia ascendido à Série A no ano anterior, perdeu o título numa decisão por pênaltis. No futebol é assim: quando se está em desvantagem a superstição também entra em campo.

Se por um lado os leoninos evocam a façanha de 2006, considerada pelo então vice-presidente de futebol, Homero Lacerda, como "um dos títulos mais importantes" da história do clube da Ilha do Retiro, os tricolores contra-atacam lembrando um passado mais recente, o início da década atual onde o Santa Cruz se sagrou tricampeão estadual conquistando os três títulos em cima do Sport. O momento do time do Arruda é mais alvissareiro. Ninguém contesta. O fato de ter superado adversários do nível de Ceará, Bahia e Náutico em decisões do tipo mata, mata, como será a final do Pernambucano, aumenta a confiança dos comandados de Milton Mendes, e da imensa torcida coral. Detalhe: em todas as decisões com os adversários citados, o Santinha disputou o segundo jogo na condição de visitante e contabilizou três vitórias, o que leva o ex-presidente coral, José Neves Filho, a mandar um recado: "Prepara a casa de festejos que estamos chegando".

Estamos a precisos dez dias do primeiro jogo das finais, mas a disputa já começou nas redes sociais com gozações de ambos os lados. Este é o clima. E assim sempre será todas as vezes que tivermos Sport e Santa Cruz numa decisão de título: festa de povo, com jeito e cheiro do povo.

leia mais ...

Artigos
Um País chamado Náutico
postado em 24 de abril de 2016

ROBERTO VIEIRA

Muitas vezes me sinto um galês, ou irlandês.
Um apaixonado por futebol que nunca chega à Copa do Mundo.
Um apaixonado por futebol que desconhece a glória de um título %u2013 todos ficaram no passado.
Comparecer aos estádios parece o ato de exercer uma velha fé.
A fé em uma religião distante cujos fiéis desaparecem no tempo.
Acho que o sentimento é generalizado entre alvirrubros.
Lutamos e gritamos por uma religião prestes a se extinguir.
Renovamos nossos votos a cada domingo sem saber se sobreviveremos ao próximo domingo.
Pois, não bastassem as ameaças do Clube dos 13 e da globalização do futebol.
Nós também perdemos terreno em nossa própria paróquia.
Talvez seja cobrar muita responsabilidade de nossos jogadores.
Nenhum craque.
Nenhum fora de série.
Apenas rapazes aplicados e correndo em campo.
Desejamos que eles nos deem o passado quando mal podem com a bola do presente.
Todos, ou quase todos, desconhecem a história do clube.
São ciganos do futebol %u2013 como de resto, quase todos os que jogam bola atualmente.
Quem chora e sofre são os torcedores, entre os quais me incluo.
Neste domingo estarei em campo.
Pois sou alvirrubro, como são os galeses e irlandeses.
Loucos que acreditam que seu país significa alguma coisa fora dos seus corações.
Os últimos druidas do planeta Terra.
E esta fé e paixão imemorial e inexplicável, nacionalista e fanática.
Esta fé e paixão irão comigo até o fim.
E irá até o fim com milhares de outros alvirrubros.
Porque nosso país é o Náutico.
Não somos apaixonados por futebol.
Somos reféns de uma paixão chamada Clube Náutico Capibaribe.
E, peço perdão ao Senhor.
Se um dia, quem sabe, jogarem a seleção celestial e o Náutico.
Eu sou inferno desde criancinha.
E se meu destino é ser um só.
Quero ser um só com Lucídio, Celso, Edgar e todo esse monte de gente que ama o vermelho e o branco...

leia mais ...