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O Dia Mundial do Orgasmo
postado em 31 de julho de 2012

Por ROBERTO VIEIRA


Etelvina era divina.

Mulata exportação.

Treme Terra era o amor de Etelvina.

Centroavante rompedor do Ajax de Camaragibe.

Terror das peladas de toda região que agora recebe a Arena da Copa.

Jogo contra o Cobreloa.

Treme Terra perde dois gols feitos.

Um deles na linha de gol.

Etelvina se veste de rosa.

Espera o amante coberta de maus pensamentos.

Treme Terra nega fogo.

Etelvina passa as mãos na cabeça do artilheiro.

Não há de ser nada.

Domingo tem outro jogo e Treme Terra vai deixar sua marca.

Semana que passa.

Empate de 0-0 com o Ypiranga de São Lourenço da Mata.

Treme Terra até que vai bem.

Mas gol que é bom...

Etelvina se veste de esperança.

Treme Terra desconversa e foge da grande área.

Estabelece-se a crise conjugal e desportiva.

180 minutos sem gol é demais pra quem vive do gol.

Duas semanas sem toma lá dá cá com Etelvina é perigo de cartão vermelho.

Treme Terra corta a birita.

Treme Terra vai dormir mais cedo.

Treme Terra chuta duas bolas na trave contra o Korujão.

Etelvina tranca a porta de casa e vai passear com as amigas.

Treme Terra está só.

Ele e a bola dormem na rede em Tabatinga.

O técnico lhe dá uma última chance.

Etelvina?

Também.

O Atlético Pernambucano é timaço.

Treme Terra bota um trabuco dentro do calção.

Se não fizer um gol nos noventa minutos.

Tira o trabuco e mete uma bala na cabeça.

Artilheiro que não faz gol é homem sem valor.

Bola que rola.

A torcida pega no pé de Treme Terra.

Um bando de gavião bota os olhos em Etelvina.

Treme Terra tem medo de chutar errado e ser substituído.

Hesita.

Corre de lá pra cá.

O Atlético faz 1-0.

O time de Treme Terra diminui com Camaleão.

De repente, um cruzamento vem da esquerda.

Com açúcar e com afeto.

A boa sai dos pés de Preá e chega certeira na cabeça de Treme Terra.

Ele sobe e testa.

Cai no chão meio desacordado pela dividida com dois beques adversários.

Mas percebe o barulho da bola nas redes.

O grito insofismável de golllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll.

Treme Terra sente que o jejum foi embora de vez.

Etelvina era divina.

Mulata exportação.

Treme Terra era o amor de Etelvina.

Centroavante rompedor do Ajax de Camaragibe.

Nesse dia.

Treme Terra não deixou Etelvina em paz...

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Futebol Pernambucano
Sem explicações
postado em 31 de julho de 2012

CLAUDEMIR GOMES

 

Não sei o que é pior: as fracas atuações dos nossos clubes no Brasileiro, ou os argumentos apresentados pelos cartolas na tentativa de justificá-las. Até o posicionamento geográfico do Estado foi citado como uma causa que contribui para o insucesso dos times pernambucanos.

Em 2000, quando terminou a Copa João Havelange entre as cinco equipes com melhor pontuação, o Sport também tinha como domicílio a cidade do Recife. Em 2008, quando conquistou a Copa do Brasil, o clube leonino também estava no seu centenário endereço.

O planejamento de um clube quando vai encarar uma competição de 38 rodadas, cuja disputa demanda sete meses, tem que ser feito com a participação de médicos, fisiologistas, preparadores físicos, nutricionistas, para que todos, em conjunto, discutam a tabela, os deslocamentos, etc. Planejar não é formar dois times a cada ano, um para o Pernambucano, e outro para o Brasileiro. Após a chegada do técnico Alexandre Gallo, o Náutico contratou seis jogadores para o setor defensivo. O Sport investiu na aquisição de doze profissionais visando os jogos da Série A.

Naturalmente que, as distancias a serem percorridas por rubro-negros e alvirrubros são maiores que as das equipes do Sul e Sudeste, mas não podem ser usadas como desculpas para encobrir as limitações técnicas, erros estratégicos de treinadores, e equívocos cometidos por dirigentes na hora de contratar. Se os cartolas ouvissem os jogadores, como fazem os repórteres, encontrariam as respostas que precisam dar.

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Olimpíada
Instinto selvagem
postado em 31 de julho de 2012

EDGARD ALVES - FOLHA DE SÃO PAULO


Um ato falho tirou a brasileira Rafaela Silva do torneio de judô da Olimpíada de Londres. Visivelmente bem preparada, ela passava a imagem de que seria imbatível. Mas a vontade de vencer, e vencer rápido, acabou atropelando a sua performance. Nas oitavas de final, Rafaela dominava a húngara Hedvig Karakas, quando, no calor da disputa, instintivamente aplicou um golpe irregular. Ela própria admitiu a falha. Dureza.

A regra, no entanto, é marota, contempla uma sutileza. Não se pode agarrar a perna da adversária no início da execução do golpe, mas na sequência é permitido. As novas regras passaram a valer após Pequim-2008, e a intenção é valorizar mais a técnica do que a força.

Nos esportes, tensão e ansiedade sempre são pedras no caminho. Atrapalham. A psicóloga Regina Brandão, especialista em esportes, destaca que às vezes a ansiedade para liquidar logo a disputa leva ao erro. Em outras situações, o atleta fica tão ansioso que nem sequer ouve as orientações do técnico.

Lembro-me da decisão do título dos médios do torneio de boxe no Pan-1979, em Porto Rico. O experiente técnico Antonio Carollo passou o dia todo alertando o pupilo Carlos Antunes para que ele entrasse no ringue com a guarda levantada, atento porque o cubano Jose Gomez tinha uma direita potente.

No vestiário, acompanhei as últimas orientações antes da saída do brasileiro rumo ao ringue. Ali éramos apenas os três. Carollo, com luvas especiais nas mãos e os braços semiabertos, mandava Antunes golpear suas mãos, com a direita e a esquerda. E, como o som intermitente de uma metralhadora, alertava para que ele mantivesse a guarda alta, para a proteção, a fim de evitar surpresa. Só isso, o mesmo discurso durante uns 20 minutos. Antunes disse que não vacilaria, embora fosse evidente a tensão estampada em seu rosto.

Soou o gongo, e o cubano nem tocou as luvas no cumprimento convencional. Soltou uma bomba na cabeça do brasileiro, que caiu. Antunes estava com a guarda baixa e depois da luta não entendia como aquilo pôde acontecer. Ficou com a medalha de prata e sua história de vida humilde e de luta serviram para que João Figueiredo, no posto de presidente da República do governo militar, o presenteasse com uma casa num bairro humilde do Guarujá, onde morava.

Antunes, por sorte, teve a compensação de ganhar uma moradia melhor do que tinha. Rafaela, com seu gesto impulsivo, foi eliminada. Para realizar o sonho olímpico de subir ao pódio, ela vai ter que trabalhar duro por mais quatro anos. Como incentivo, tem o fato de que será uma Olimpíada em casa, com o calor da torcida, uma medalha especial.

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Olimpíada
De volta a realidade
postado em 31 de julho de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, DE VOLTA À REALIDADE


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O Brasil parecia um cavalo paraguaio que ao partir acelera e bota muitos corpos à frente dos adversários, e logo após começa a cair o rendimento e estanca deixando os concorrentes passarem.

As três medalhas iniciais deram aos ufanistas uma sensação de líderes do evento, que por sinal aconteceu apenas por uma hora. Com tantos festejos dava a impressão que aqueles que o transmitiam não tinham conhecimento da realidade brasileira.

Criaram com os seus comportamentos uma ilusão, que inclusive afeta aos próprios atletas. Obviamente iremos ganhar mais algumas medalhas, de acordo com as previsões, mas não na intensidade da partida.

Nos dois dias seguintes (domingo e segunda), a realidade tomou conta e as medalhas não apareceram, embora tivéssemos bons resultados em modalidades que ainda estão em curso.

Nada de pódios ou finais. Esses dois dias foram contudentes com os nossos esportes, principalmente na natação, judô e ginástica que sempre foram os principais segmentos nas conquistas das medalhas olímpicas.

Entre as atividades individuais, a ginástica, que já tinha sido desastrosa no setor masculino, no feminino deu continuidade aos tropeços. Nenhuma atleta no pódio, mais quedas, e pela primeira vez desde Sidney-2000, o Brasil ficou fora da disputa por equipes.

No judô, Leandro Cunha, Erika Miranda (domingo), Rafaela Silva e Bruno Mendonça (segunda), se despediram das Olimpíadas.

Na natação, o reverzamento 4x100, sem Cesar Cielo, perdeu nas semi-finais, enquanto Daniel Orzechowski e Patricia Molina ficaram nas eliminatórias (domingo). Na segunda Joanna Maranhão passou para as semi-finais com o último tempo e ficou por aí, enquanto Kaio Marcio e Leonardo de Deus eram eliminados.

No Tênis, Belluci foi eliminado por Tsonga, o que era totalmente previsível, tendo em vista a disparidade de qualidade entre ambos.

Na vela, Roberto Scheidt começou com um bom desempenho na sua campanha na classe Star, ao lado de Bruno Prada, terminando no domingo na liderança da competição, mas no dia de ontem em duas provas ficaram mal posicionados, e estão na 4º colocação. A liderança está com a dupla favorita da Inglaterra.

No coletivo o futebol masculino teve um bom resultado, com a vitória de 3 a 1 sobre Belarus, e uma boa exibição de Neymar. O voleibol masculino passou fácil pela Tunisia, enquanto na areia tivemos vitórias bem apertadas (domingo) e mais fáceis ontem.

Embora tenha ganho da Austrália não gostamos da atuação do Basquetebol masculino, cujo placar foi de 75 a 71, com apenas 4 pontos de diferença, para uma equipe sem grandes pretensões.

Tivemos as derrotas do voleibol feminino por 3 sets a 1 para os Estados Unidos, fato totalmente previsível, e o Basquetebol feminino perdendo para a Rússia, pot 69 a 59, que para nós não foi nenhuma surpresa.

Acreditamos que no dia de hoje, os nossos narradores deverão se esgoelar com a conquista de uma medalha.

Enfim vamos continuar a nossa vida de subdesenvolvido nos esportes, embora tenhamos potencial para sermos grandes, entretanto os cartolas e o governo não deixam.

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Olimpíada
Estranhos no ninho
postado em 30 de julho de 2012

Por ROBERTO VIEIRA


A cama arrumada.

O jogador de futebol observa a festa na televisão.

Por que será que eles estão felizes?

Eles que vivem nadando em piscinas.

Eles que nunca nadaram em milhões.

E não se trata dos Phelps da vida.

Mas daquele garoto de uma república das bananas.

Feliz por ser o último colocado.

Difícil de entender.

Mulheres choram por uma derrota.

Homens feitos e barbados se abraçam comovidos.

Parece que existe um sentimento universal de loucura.

Cadê os procuradores?

Cadê os dirigentes e seus dez por centos.

Cadê aquele beijo regulamentar no escudo do clube?

Cadê as torcidas organizadas bagunçando o coreto?

O salto no infinito da ginasta se quebra em dor e desespero.

O ginásio se cala.

Cadê as vaias das arquibancadas quando se perde o pênalti?

Ao invés.

O aplauso ensurdecedor de quem nunca pode ser derrotado.

Pois a paixão pelo esporte.

A paixão pela luta contra seus próprios limites.

A paixão pelo que existe de mais belo na espécie humana.

Não tem preço.

O jogador de futebol desliga a televisão.

Olha para a bola no chão do quarto londrino.

Aquela bola que era seu brinquedo de criança.

Bola e jogador.

Agora são estranhos no ninho...

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