Brasileiro Série A
Quando o técnico ganha o jogo
postado em 31 de julho de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Quando o Sport foi derrotado (3x1) pelo Vitória, na Ilha do Retiro, o técnico Vanderlei Luxemburgo não poupou críticas a forma como o time se comportou dentro das quatro linhas. Nas rodadas a seguir foi nítida a reação e evolução da equipe leonina que deu um salto na tabela de classificação do Brasileiro da Série A. Semana passada, na Argentina, após a derrota (2x1) para o fraco time do Arsenal de Sarandí, em jogo válido pela Copa Sul=Americana, o treinador leonino voltou a ser contundente nas críticas aos seus comandados. Neste domingo, em Salvador, mesmo desfalcado de três referências (Diego Souza, Rithely e André), O Sport foi absoluto na construção de uma vitória por 3x1 sobre o Bahia, quebrando um tabu de 28 anos que não vencia na Fonte Nova. Os dois exemplos servem para ressaltar a tese de que "técnico também ganha jogo".

Antes de a bola rolar a principal preocupação do torcedor do Sport era em saber como o time iria se comportar com a ausência de três importantes jogadores. Afinal, a questão não era uma simples troca de peças. E foi ai que Luxemburgo deu mostra de que é um bom estrategista. Montou um esquema para anular a mobilidade do adversário, fato que impediu com que a bola circulasse com tanta leveza no setor ofensivo, como normalmente acontece nas apresentações do Tricolor Baiano, e deixou o seu time buscando uma bola que fatalmente apareceria como resultante de um erro cometido pelo adversário na saída de jogo. Tal como aconteceu no primeiro gol marcado por Everton Felipe em jogada construída por Lenis.

A proposta de jogo e a disciplina tática dos leoninos foram decisivas para o sucesso de um grupo que foi a campo consciente de suas limitações e com conhecimento do exército inimigo, detalhes fundamentais para se vencer uma "batalha". Evidente que, para o confronto com o Fluminense, nesta quarta=feira, quando o treinador volta a ter, a sua disposição, os jogadores Rithely, Diego Souza e André, o plano de jogo será diferente. Esta a vantagem de se ter um estrategista no comando da equipe. Afinal, numa época onde os treinadores são munidos de inúmeras informações, as surpresas ficam por conta do plano de jogo que o comandante definir. Até porque são poucos os jogadores diferenciados que podem desequilibrar com uma técnica apurada.

A vitória sobre o Bahia não chega a ser uma garantia de que o Sport venha emplacar uma nova sequência positiva, tal como aconteceu após o tropeço diante do Vitória, contudo foi um resultado com ganhos expressivos, que vão desde a afirmação na sexta posição da tabela de classificação, a recuperação do atacante Lenis, que fez sua melhor exibição desde que aportou na Ilha do Retiro. Uma apresentação que foi destaque na domingueira do futebol brasileiro.

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Brasileiro Série B
Acesso requer uniformidade
postado em 31 de julho de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Para se chegar ao grupo de acesso na Série B existe algo por demais importante, ou seja, a uniformidade nos resultados como mandante e visitante. Os clubes que conseguirem o equilíbrio nesses dois setores serão aqueles que estarão na Série A em 2018, desde que o acaso não existe no futebol, e sempre os mais competentes chegam aos seus objetivos.

O América/MG é um bom exemplo, com um aproveitamento de 66,67% dos pontos disputados em casa, e 62,50% dos que foram disputados na condição de visitante. Por conta disso tem 82% de chances de acesso.

O Vila Nova que é o vice=líder também é uniforme, com 62,50% como mandante e 51,85% como visitante. As suas chances de subir para a Série A são de 55%.

Um outro clube que tem uniformidade na sua campanha é o Internacional, embora tenha que melhor o seu percentual de aproveitamento nos jogos que disputará como mandante. A quarta posição lhe foi assegurada com um aproveitamento de 54,17% nos jogos que disputou no Beira Rio e 51,17% na casa dos adversários. As chances de acesso são de 48%.

Por outro lado, o Guarani não é bom visitante e corre o risco de ser um cavalo paraguaio que larga ligeiro, e fica no meio do caminho, desde que é um bom mandante (70,37%) e fraco visitante (33,36%).

Se não elevar nesse item será atropelado ou pelo Londrina, que tem seus defeitos em sua casa, ou pelo Criciúma, que precisa melhor nos jogos que atua como visitante.

A equipe do Paraná tem 40,74% de aproveitamento em casa, e 66,67%, enquanto o time catarinense tem 66,67% como mandante e 37,04% como visitante.

O time de Campinas que já teve 70% de chances para o acesso teve uma queda para 38%, enquanto os adversários diretos subiram para 32%.

O mesmo está acontecendo com o Juventude, que tem uma excelente performance jogando em Caxias (70,37%), e jogando fora de casa tem apenas 33,3%, o que lhe levou a quinta posição.

O maior desequiíbrio entre os clubes disputantes vem do Paraná, que tem 70,83% de aproveitamento como mandante, e apenas 25,93% como visitante.

Uma campanha boa somente em um setor não irá levá=lo a maior divisão brasileira, e o exemplo é a sua atual colocação na tabela de classificação, no 10º lugar.

O Santa Cruz tem o mesmo problema do time paranaense com um desequilíbrio gigantesco. Tem um bom percentual nos pontos conquistados em casa 62,50%, e péssimo na condição de visitante: 29,63%.

A sua posição na tabela (12º lugar) é o reflexo desse momento. Hoje só tem 10% de chances para chegar entre os quatro melhores da competição. O clube com melhor aproveitamento em casa é o Oeste (75%), mas a contrapartida que recebe nos jogos fora dessa é trágica, com apenas 18,52% (13º colocado). Jamais conseguirá subir.

Com relação ao rebaixamento, por mais que tenhamos boa vontade, os números do Náutico mostram que esse já está na Série C de 2018, com 99% de chances para que isso aconteça. Como mandante tem 14,81% de aproveitamento e 16,62% como visitante.Somente um milagre o salvará, mas como isso é bem raro, a degola deverá acontecer.

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Sport
As dificuldades da internacionalização
postado em 28 de julho de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

O Sport se classificou para a próxima fase da Copa Sul=Americana, mas o descontentamento de todos, com o desempenho do time na derrota (2x1) para o Arsenal, em Sarandí, Região Metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, trouxe à tona um velho questionamento sobre merecimento e justiça em relação a determinados resultados de jogos. A discussão se torna subjetiva ante a realidade dos fatos que ressalta a estatura e o atual estágio do Sport Club do Recife no cenário nacional e internacional.

Embora seja o clube nordestino que mais evoluiu nas primeiras décadas do novo século, o Sport ainda não alcançou o estágio dos grandes clubes do futebol brasileiro. Nos últimos anos tem havido um investimento expressivo na estrutura do futebol leonino, fato sempre elogiado e ressaltado pelos treinadores que passam pelo clube. Potencializar tais investimentos através de resultados conseguidos em campo é um desafio que requer aprendizado, intercâmbio e o conhecimento que leva o clube a maturidade que consolida as agremiações no grande cenário.

Os grandes clubes cariocas e paulistas se beneficiaram da conjuntura administrativa e política do país no século passado, onde até os anos 80 havia um domínio absoluto do futebol do Rio e de São Paulo. As oportunidades de excursões para disputa de torneios no exterior sempre eram apresentadas no eixo Rio=São Paulo. Depois vieram o crescimento do futebol de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Sinais de evolução no Nordeste sempre foram pontuais na Bahia e em Pernambuco, mas nada que recebesse registro como grande legado para o futebol regional. O Náutico, que foi o grande clube nordestino da década de 60, sendo vice=campeão da Copa do Brasil, não deu sustentação ao seu crescimento.

O Sport conseguiu uma sequência de participações na Copa Sul=Americana, competição continental onde, pela primeira vez, chega à terceira fase da disputa, numa classificação que não foi comemorada nem por jogadores, nem pelo treinador. Evidente que a passagem para o próximo estágio do torneio agrada a todos, e representa um ganho financeiro para o clube, além da visibilidade. Mas como bem disse o meia Diego Souza, o time não sabe disputar à competição. Tal realidade retrata a falta de intercâmbio, que hoje é quase impossível por conta do número exagerado de copas, torneios e campeonatos que foram criados.

A internet interligou o mundo, as distâncias foram encurtadas. Hoje se tem informações de tudo o quanto é clube de futebol de qualquer parte do planeta. Mas alguns aprendizados só se consegue na prática. O futebol nos mostra isso todos os dias. Afinal, a evolução do jogador brasileiro acontece em clubes europeus. O Sport se engasgou com um clube pequeno da Argentina porque não tem muita experiência e conhecimento internacional. É possível que se apresente melhor na próxima queda de braço na Sul=Americana, que será contra a Ponte Preta.

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Brasileiro Série B
Os números da queda
postado em 27 de julho de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  = blogdejjpazevedo.com

 

Em uma postagem anterior mostramos os caminhos do acesso para os clubes que disputam a Série B Nacional. Agora, vamos mostrar alguns números da nossa pesquisa que mostram as possibilidades de queda para a Série C.

Nos últimos quatro campeonatos dessa divisão, 44 pontos foi a média do 16º colocado na fuga da degola. Na atual competição, por conta da embolada em que essa se encontra, de acordo com a colocação do Paysandu, com 20 pontos, a média teve um crescimento para 47 pontos, mas no andar da carruagem deverá ser reduzida.

A pontuação do líder de hoje, o América/MG, é a menor no período de 2013 a 2016. A pontuação do lanterna, o Náutico, é a pior desses anos, empatando com o Vila Nova de 2014, com 8 pontos, que no final da disputa foi rebaixado.

Em 2013, a zona de rebaixamento era composta por São Caetano (16 pontos); Paysandu (15 pontos); América/RN (15 pontos) e ABC (11 pontos). Foram rebaixados o Paysandu e o São Caetano.

Em 2014, a degola estava composta com o araná (16 pontos); Oeste (15 pontos); Bragantino (13 pontos e Vila Nova (8 pontos). Desses somente o Vila Nova foi rebaixado.

No ano de 2015, o quarteto tinha o Atlético/GO (15 pontos); Boa Esporte (15 pontos); Mogi Mirim (13 pontos) e Ceará (11 pontos). Foram rebaixados o Boa Esporte e o Mogi Mirim.

Em 2016, a composição dos possíveis degolados obedecia a seguinte ordem: Bragantino (17 pontos); Joinville (14 pontos); Tupi (12 pontos) e Sampaio Corrêa (11 pontos). Todos os quatro foram para a Série C.

No atual campeonato a diferença do último colocado (Náutico), para o 16º é de 12 pontos. Em nenhum dos anos estudados essa distância era tão grande: 2013 = 5 pontos; 2014 = 10 pontos; 2015 = 4 pontos e 2016 7 pontos.

O mais próximo do alvirrubro foi o Vila Nova (2014), que no final foi degolado.

Por conta dessas diferenças pequenas alguns lanternas escaparam, como o ABC (2013) e Ceará (2015). Em 2016 a degola foi geral.

Os números mostram que a situação do Náutico é trágica, desde que os números são contrários a qualquer pretensão. O clube da Rosa e Silva só tem uma vitória, 8 pontos ganhos, e com 66  disputar, necessitando de 37 para fugir do carrasco do rebaixamento, o que representa 12 vitórias e um empate em 22 jogos, o que não é fácil de acontecer.

Dos quatro que estão no grupo da degola, dois não sairão desse até o fim da competição: Náutico e ABC.

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Náutico
Por conta da confidencialidade
postado em 25 de julho de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Segunda=feira, ao participar do programa Fórum Esportivo, na Rádio Jornal, o secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, Felipe Carreras, revelou que, o Governo do Estado estaria disposto a ajudar o Náutico voltar a jogar no Estádio Eládio de Barros Carvalho, os Aflitos. No dia seguinte, ouvi um dirigente do clube alvirrubro declarar que a agremiação tem que ser ressarcida por conta de uma quebra de contrato, uma vez que, existia um contrato em vigor de trinta anos, com o consórcio que administrava a Arena Pernambuco. O contrato foi quebrado sem anuência do clube, que não recebeu nenhuma indenização, nem da Odebrecht, nem do Governo do Estado.

A volta do Náutico para os Aflitos é um assunto que está sempre em pauta. Primeiro porque esta é a vontade da maioria dos torcedores do clube alvirrubro, fato que gera uma polêmica sem fim. Segundo porque apenas um pequeno e seleto grupo de cidadãos tem conhecimento, de fato, do teor do contrato que foi assinado pelos dirigentes a época, tornando o Náutico o único parceiro do Governo do Estado no projeto de construção da arena que recebeu jogos da Copa do Mundo de 2014.

Quando a febre das arenas assolou no futebol brasileiro, o termo "confidencialidade", passou a ser usual. Era a forma mais elegante de dizer para o povo brasileiro que os números das operações não podiam ser revelados, muito embora as obras fossem financiadas por um banco do governo, o BNDS. A falta de transparência virou regra, e as discussões passaram a ser de forma superficial, sem embasamento, uma vez que, ninguém sabia o que de real havia nos inúmeros contratos feitos com as construtoras para construção e reforma das arenas.

O Governo do Estado convenceu o Náutico a adotar o seu projeto, coisa que não ocorreu com Sport e Santa Cruz que tinham propostas para construção e requalificação de seus respectivos estádios. Entretanto, o contrato do Náutico foi com o Consórcio Odebrecht. Por conta da "confidencialidade", não se sabe quem vai pagar essa conta, embora sonho roubado não tem preço.

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