Acontece
Sem alegria nas arquibancadas
postado em 23 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A boa vitória do Sport = 3x0 = sobre o limitado Sete de Setembro/MT, em jogo válido pela segunda fase da Copa do Brasil, foi testemunhada por 2.020 torcedores. Hoje a noite teremos um confronto entre Náutico e Campinense, pela Copa do Nordeste, na Arena Pernambuco. Qual a previsão de público para esta partida numa noite em que o frevo está rolando no Marco Zero do Recife e nas ladeiras de Olinda? Concorrer com o carnaval é uma insanidade. A concorrência também estará presente na ressaca. Para a quarta=feira de cinzas está programado o clássico entre Sport e Náutico, às 21h45, na Ilha do Retiro. O horário do jogo é um anúncio subliminar de que o mesmo será mostrado, ao vivo, pela tv aberta.

Quando foi anunciado o público presente nesta quarta=feira, na Ilha do Retiro, fui indagado por Bartolomeu Fernando, narrador da Rádio Globo, se eu estava surpreso com o pequeno número de pessoas presentes no estádio. De pronto respondi que não. As competições em curso = Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil = têm ofertado, em suas respectivas fases iniciais, jogos de uma pobreza técnica assustadora, para os quais não existe demanda. Os modelos das disputas e o excesso de jogos, em todos os níveis, apresentados pela televisão, são outros componentes que contribuem para o êxodo do torcedor dos estádios. Evidente que existem outros fatores que interferem, contribuem para o esvaziamento das praças de esportes, como violência urbana, crise financeira, etc. Mas me detenho apenas a duas coisas: a concorrência com o carnaval numa cidade como o Recife, e a qualidade do espetáculo.

Como repórter tive a oportunidade de cobrir algumas edições da Copa do Mundo, e no início ficava intrigado com o pequeno público registrado em algumas partidas. Quando tomei conhecimento do processo comercial da competição passei a entender o conceito do grande negócio que é o futebol. Mas o que se emprega numa competição de elite, necessariamente não dará certo em disputas onde inexistem grandes investidores. Com exceção dos que disputam o Brasileiro da Série A, os clubes nordestinos dependem, e muito, das receitas da bilheteria. A constatação dos estádios vazios em jogos do Estadual e da Copa do Nordeste abriu um leque de discussão entre os gestores dos clubes.

O slogan da extinta Rádio Clube dizia: "Sem Clube não há futebol". Apesar do dúbio sentido, a frase é por demais verdadeira. Assim como também é verdadeiro, que o futebol com estádio vazio é triste de se ver. Futebol é um movimento popular. Portanto, a participação do povo nas arquibancadas é imprescindível, em qualquer lugar do mundo.   

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Náutico
A "sorte" do novo treinador
postado em 21 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


Milton Cruz aportou nos Aflitos e bons ventos sopraram a favor do Náutico no Arruda, onde o time alvirrubro interrompeu uma sequência negativa de quatro derrotas com uma vitória - 2x0 - sobre o Belo Jardim. Um bom presságio, e a mídia não deixou por menos, ao lincar o resultado do jogo aos bons fluídos que porventura foram trazidos pelo novo treinador. O futebol tem espaço para superstições, mas não podemos misturar as coisas. O Belo Jardim amargou mais uma derrota no Pernambucano por conta da incompetência dos seus atacantes que perdem gols incríveis. Não foram poucas as chances que criaram, mas ninguém acerta a última bola. E, dentro da máxima de que, "quem não faz, leva", o Náutico, que tinha Levi Gomes no comando, marcou dois gols para marcar a chegada de um novo tempo.

A contratação de Milton Cruz é uma aposta dos dirigentes do futebol alvirrubro, que contrariaram o presidente, Ivan Bronde, que não se mostrou satisfeito com o salário do novo treinador: R$ 100 mil. O meia, Marco Antônio, recebe R$ 90 mil por mês, e o presidente começou a se preocupar com a folha. Afinal, a chegada de um novo técnico representa investimentos em um assistente técnico e prováveis reforços. A ordem parece ser regra no futebol. Milton fará seu "vestibular" de treinador no futebol pernambucano. Embora tenha passado 19 anos no São Paulo, a maior parte do tempo como assistente técnico do profissional, somente agora ele será cobrado como técnico. Nos ombros dos interinos não recai nenhum tipo de cobrança.

Bom! Segundo alguns "analistas" ele tem sorte. É um bom começo.

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Copa do Brasil
Extermínio nordestino
postado em 18 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


A Copa do Brasil fechou a sua primeira etapa, com a realização dos últimos cinco jogos restantes, e entre esses o do Salgueiro que foi eliminado no final pelo Sinop, juntando-se aos demais Nordestinos que foram exterminados pelo modelo fascista dessa competição.

Dos 24 clubes de nossa região que começaram a competição, 16 desses foram metralhados no campo de extermínio instalado na Barra da Tijuca. Sobraram oito resistentes que estarão na segunda fase da competição que já começa na próxima semana.

Dos clubes de nosso estado que iniciaram a Copa, restou apenas o Sport, enquanto Náutico e Salgueiro despediram-se de forma melancólica. 

Sobraram além do rubro-negro, dois de Alagoas, Murici e Asa, dois da Bahia, Vitória e Bahia, um do Maranhão, Sampaio Correia, um do Piauí, Altos, e um do Rio Grande do Norte, ABC.

Os que foram eliminados, alguns empatando os seus jogos, não tiveram a chance de uma segunda partida, e foram encaminhados para o paredão.

Na verdade o futebol de nossa Região, morreu, foi enterrado, ninguém tomou conhecimento, nem as nossas mídias.

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Campeonato Pernambucano
"Eu quero entrar na folia meu bem"
postado em 17 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES


"Eu quero entrar na folia meu bem. Você sabe lá o que é isso?". Este é um trecho do Hino de Batutas de São José, tradicional agremiação carnavalesca do Recife, e que traduz, com fidelidade, o sentimento que toma conta da Capital do Frevo na semana pré carnavalesca. A coisa parece que tem feitiço, porque neste sábado que antecede as festas de Momo, teremos desfile de blocos nos quatro cantos da cidade. A ordem é: "Deixa o frevo rolar, eu só quero saber se você vai ficar...".

Os gestores da federação Pernambucana de Futebol, na contramão dos foliões, não atenderam ao apelo expresso no Hino de Batutas, e marcou, para a tarde deste sábado, a primeira edição do Clássico das Multidões, o confronto entre Santa Cruz e Sport, os dois clubes donos das maiores torcidas do Estado. Só há uma explicação para tal insensatez: ou estão ruim da cabeça ou doente dos pés. Futebol e carnaval são dois dos maiores movimentos populares da cultura brasileira, mexem com a alma do povo, mas a folia tem um espaço que precisa ser respeitado, principalmente num Estado onde nasceu um dos ritmos mais quentes, que é o frevo, e tem uma diversidade que leva a gregos e troianos a vivenciarem a festa da forma mais intensa possível.

O desafio desta edição do Clássico das Multidões, num sábado onde todos querem mesmo é fazer o passo, em perder o compasso, é levar um público de 10 mil torcedores ao estádio do Arruda. Não estou sendo pessimista. Apenas raciocino dentro de uma lógica que é apresentada pelos números. No clássico de abertura do Pernambucano o público pagante foi inferior a 3 mil torcedores. Em 51 partidas realizadas, até o momento, não se chegou a marca dos 30 mil torcedores pagantes nos estádios. A competição já foi rotulada como o "campeonato dos estádios vazios". Programar o Clássico das Multidões para concorrer com dezenas de prévias é uma falta de bom senso imperdoável.

O saudoso Capiba, um dos maiores compositores da história do frevo pernambucano, era amante do Santa Cruz. Certamente não marcaria presença num clássico enquanto o resto da cidade estava se esbaldando, fazendo o passo. Foi este o recado que ele repassou em A PISADA É ESSA.

"Quando a vida é boa

Não precisa ter pressa...

Eu quero ver queimar carvão

Eu quero ver carvão queimar...

A pisada é essa

Pra que vida melhor."

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Náutico
Com a corda no pescoço
postado em 15 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Na centenária história do Náutico não existe registros de confrontos com o Guarani de Juazeiro/CE. Portanto, o jogo de hoje a noite, válido pela primeira fase da Copa do Brasil, é inédito para os dois times. Em condições normais de temperatura e pressão creditaria um favoritismo ao alvirrubro pernambucano, em que pese a partida ser realizada na casa do adversário, no Estádio Mauro Sampaio, o Romeirão. Contudo, como o Timbu vem de uma sequência de três derrotas, a pressão em cima de Dado Cavalcanti e seus comandados pode levar o fiel da balança a pender para o lado do time cearense.

O novo regulamento da competição determina que, nesta primeira fase, o empate classifica o time visitante. Menos mal. Se jogar com tranquilidade e inteligência a vantagem é substancial. O difícil é buscar o equilíbrio emocional em momento de turbulência. A situação do Náutico não difere da de muitos clubes brasileiros neste início de temporada. Não é fácil promover uma remontagem de elenco com dinheiro curto. As equipes que conseguem fazer resultados, ou seja, construir vitórias, saltam a "fogueira" sem se chamuscar, mesmo sem exibir um bom futebol. É a força do resultado. Vitórias e derrotas são determinantes para efetivação, consolidação ou anulação de trabalhos.

A insatisfação com a sequência de resultados negativos tem levado o torcedor alvirrubro a fazer uma comparação entre as trajetórias do Santa Cruz e do Náutico neste início de temporada. Enquanto no Arruda tudo conspira a favor de um acerto, fato que leva o grupo a acreditar na proposta do novo treinador, e obtém como resposta a autoconfiança e uma autoestima elevada, nos Aflitos, os resultados negativos deixam a impressão de que está tudo errado. Quando as análises são feitas em cima de vitórias e derrotas as comparações se tornam injustas porque não se avalia o desempenho, tampouco se analisa a qualidade do material humano que o técnico dispõe para trabalhar.

Dado Cavalcanti está com a cabeça a prêmio. Isto é fato. Chega a ser frustrante para aqueles que o viam como "salvador da pátria". A confiança e o otimismo da torcida alvirrubra em relação ao treinador que veio ocupar a vaga deixada por Givanildo Oliveira, tem como fundamento o trabalho realizado por ele em outros clubes. Por outro lado, para ele, a oportunidade de sucesso a frente de um clube pernambucano, se traduzia numa chance real de turbinar a sua carreira. Deixar o Náutico por imposição de uma sequência de derrotas pode representar o fechamento do mercado local para o técnico. A saída é buscar a reação a partir de hoje, no difícil confronto com o Guarani do Juazeiro.  

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