Artigos
O Poder que não é consultado
postado em 20 de setembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Quando se elege um presidente de um clube, na boa parte através do voto direto do associado, muito embora existam alguns casuísmos eleitorais com manobras não institucionais, o dirigente esquece dos eleitores e assume o papel de um suserano a frente do seu feudo.

Aqueles que o conduziram para o poder máximo de uma agremiação são relegados, e apenas convocados para uma próxima eleição.

O associado é a alma de um clube sócioesportivo. Deixam milhões por ano em seus cofres com o pagamento de suas mensalidades e na compra dos produtos ofertados, mas nada disso é reconhecido.

Os clubes de Pernambuco nos dão exemplos de tal distanciamento, quando as suas gestões os levaram ao abismo, sem o conhecimento dos maiores interessados, os associados.

Obvio que esses não os levaram a bancarrota. Não os endividaram. Não anteciparam receitas. Não oneraram as folhas salariais, desde que nunca foram ouvidos.

Os sócios deveriam ter o direito de conhecer todos os contratos, que poderia ser feito através de um Conselho Gestor eleito em separado de forma independente.

Se isso acontecesse de forma correta, certamente o Sport não estaria na atual situação.

Os sócios não colocaram os seus clubes na pindaíba, com atrasos salariais, débitos com o fisco, débitos trabalhistas, passando por vergonha perante os seus torcedores. Nunca foram consultados sobre os temas.

Democracia é algo importante para uma sociedade, mas no futebol essa não existe em pleno vigor. Temos uma meia democracia, quando os sócios podem eleger os seus dirigentes, mas não podem ter acesso a tudo aquilo que se passa nos seus intramuros.

Há pouco tempo os acionistas da SAD (sócios) do Sporting de Lisboa deram o impeachement do presidente, e participaram de uma eleição para o novo comando, com 25 mil eleitores, a maior de sua história.

Se a compararmos hoje com os clubes brasileiros, com exceção dos gaúchos que sempre têm a presença de um bom número de eleitores no seu colégio eleitoral, embora com um percentual no máximo de 30%. As agremiações do nosso Estado, quando elegem o Executivo, não têm o comparecimento de 10% dos eleitores.

O mais grave nesse sistema é que elegem acoplado ao Executivo, o Conselho Deliberativo, que é um apêndice do primeiro, e aprova tudo que lhes é apresentado.

Na  maioria dos clubes do Sudeste e Sul, esse órgão tem a presença de representantes de todas as chapas concorrentes, de acordo com o número de votos, e tal fato pelo menos permite um debate mais amplo sobre os mais diversos temas.

Um outro bom exemplo do clube luso é o voto à distancia, que permite, via internet, que o eleitor mais longe possa participar do processo.

O associado é o maior poder de uma entidade, e deveria fazer valer esse privilégio, porque são na verdade os seus donos, enquanto os dirigentes são seus agentes, mas nos esportes brasileiros, esses só servem para quitar as suas mensalidades.

Ou se modernizam ou morrem.

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Sport
O lema do descenso
postado em 17 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

"A DERROTA EU JÁ TENHO!".

Este tem sido o lema do Sport no Campeonato Brasileiro da Série A, pós Copa do Mundo. Em 13 jogos disputados o time leonino contabilizou 10 derrotas, 2 empates e apenas uma vitória. Portanto, não é por acaso que os sites que estudam as probabilidades de sucesso, das equipes nas diferentes séries do Brasileiro, apontam o representante pernambucano com 90% chances de rebaixamento para a Série B. Com um total de 13 derrotas, e um saldo negativo de 17 gols, a tendência é de que o Leão alcance a marca de 19 derrotas até o final do campeonato, número que inviabiliza a permanência do Leão na elite do futebol brasileiro.

A 25ª rodada, que será concluída hoje a noite com o confronto entre Chapecoense e Internacional, força os torcedores e gestores do Sport a uma reflexão. Afinal, nas primeiras 12 rodadas, que foram disputadas antes da parada para a Copa do Mundo, o time leonino havia somado 5 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Quando a bola voltou a rolar, após o Mundial da Rússia, em 13 partidas o Leão somou apenas uma vitória, tendo sido o time que mais somou derrotas neste período: 10.

O trem não diminuiu a velocidade, ele simplesmente descarrilou.

A pergunta é: O que o técnico, Eduardo Baptista, deve fazer para o time reagir de imediato e, nas 13 rodadas restantes, apresentar um percentual de aproveitamento similar ao apresentado na primeira fase da competição, ou seja, antes da paralisação que ocorreu durante a disputa da Copa da Rússia?

Os adversários em campo serão os mesmos. Diante dos próximos 4 adversários, nos jogos de ida, o Sport emplacou uma sequência fantástica, quando contabilizou 3 vitórias e um empate: venceu o Palmeiras por 3x2 em São Paulo; superou o Atlético/MG por 3x2 na Ilha do Retiro; empatou, sem gols, com o Internacional, em Porto Alegre, e venceu o Atlético/PR por 1x0 na Ilha do Retiro.

Performance invejável, e pouco provável que seja reeditada pelos comandados de Eduardo Baptista, que ora lutam contra adversários ocultos: ausência da autoconfiança; pressão por resultados, que induz a erros coletivos e individuais, e o desaparecimento da autoestima.

Tomando a Copa do Mundo como divisor de águas, facilmente se chega a conclusão que, o que levou o Sport a sair do compasso não foi o trabalho de campo, e sim, a gestão dos bastidores.

Afinal, era mais que previsível, que após a intertemporada, o nível da disputa seria mais elevado devido aos ajustes ocorridos nos times. Fato que não aconteceu na Ilha do Retiro.

E assim foi criado o lema do descenso: "A DERROTA EU JÁ TENHO".

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Futebol Pernambucano
Ninguém pensa, nem cria coisas novas
postado em 15 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Todo e qualquer movimento no sentido de mudar o atual cenário do futebol pernambucano é válido. Portanto, considero louvável a iniciativa dos treinadores, Roberto Fernandes e Dado Cavalcanti em provocar a realização de um seminário para se debater o momento, discutir as causas da "queda" e sugerir saída para o caos.

Torço para que tudo não passe de um encontro onde serão contadas histórias e causos; que a discussão seja ampla, que a proposta do encontro vá mais além das teses técnicas buscando soluções para a pobreza do que está se oferecendo dentro das quatro linhas.

As mudanças começam com a conscientização de cada um da necessidade de mudar. A mudança de paradigma parece simples, mas não é fácil.

Na década de 90, ainda no Século XX, o então presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira, estava a beira de um ataque de nervos com a baixa média de público nos estádios. A saída seria o Programa Todos com a Nota. Em princípio o governador, Miguel Arraes, não abraçou a idéia, mas depois foi convencido pelo seu neto, a época secretário de Estado, Eduardo Campos, e por Milton Coelho, que teve uma participação efetiva no processo que levou o governador a adotar o programa.

E todos foram beneficiados: Governo porque o torcedor passou a exigir a nota fiscal das compras para trocar por ingressos; os clubes que passaram a ter uma receita assegurada; a FPF que recebia um percentual da verba bruta, e a mídia que era reembolsada com os cachês dos testemunhais.

Quando Jarbas Vasconcelos assumiu o Governo do Estado, o programa passou a se chamar, Futebol Solidário. Os ingressos para os jogos não eram mais trocados por notas fiscais, e sim por alimentos que eram repassados para entidades sociais filantrópicas. Neste processo surgiram algumas distorções: no Interior foram flagradas pessoas revendendo os ingressos.

Ao assumir o Governo do Estado, Eduardo Campos rebatizou o programa com o nome original: Todos com a Nota.

Com quase vinte anos em curso, o programa se transformou num grande guarda chuva. Todos queriam mamar nas tetas do Governo via o Todos com a Nota: cronista que não tinha vínculo com nenhuma rádio; o marido da professora que era cabo eleitoral; o cunhado do deputado...

E o futebol não melhorava. A FPF maquiava público nos borderôs, mas os estádios estavam vazios, como bem denunciou o DIARIO DE PERNAMBUCO em várias reportagens. Com tantas avarias, não havia porque manter um programa que não obtinha respostas, servia apenas para distribuição de dinheiro.

Recentemente vi o presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, afirmar que a "crise do futebol pernambucano se deve ao fato da extinção do Todos com a Nota".  Uma afirmação totalmente equivocada. Afinal, nos 18 anos do Século XXI, o Tricolor do Arruda só disputou duas edições do Brasileiro da Série A. E contava com o subsídio do programa do Governo.

O clientelismo foi um legado negativo deixado pelo programa. Ninguém quer tirar a fenda dos olhos para enxergar mais adiante. Ninguém pensa, nem busca soluções para os problemas, achando que essa é uma tarefa do Governo.

A parceria público privada é por demais salutar quando o governo tem uma contrapartida. Os clubes não estavam dando nada em troca, mas insistem em azeitar suas máquinas com um combustível por demais poluente.

Que surjam novos pensadores porque a pobreza de idéias é franciscana no nosso futebol.    

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Artigos
Novas veias do futebol brasileiro
postado em 15 de setembro de 2018

*RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO = Site MIGALHAS

 

A insistência com que se trata nesta coluna, da crise estrutural do futebol brasileiro é motivada pelos evidentes e recorrentes sinais internos e externos de deterioração do ambiente. Não bastasse o desperdício de  atividade econômica única, pujante e universal, ainda se joga pelo ralo a possibilidade de sua utilização como instrumento de desenvolvimento social.

No plano interno, algumas pessoas ganham, eventualmente muito, com essa situação, oferecem toda sorte de obstáculos para evitar o surgimento de um novo marco regulatório do futebol.

Aliás, o modelo vigente, construído por pilares que deixaram de cumprir função de sustentação serve, paradoxalmente, para manutenção do status quo.

O dogma maior é o sistema tributário. Não que seja algo simples, pois não é. A passagem do modelo associativo para o de marcado tem consequências relevantes que somente se compensam enquanto o rojeto do SAF não se torna lei, pela organização de uma empresa econômica futebolística e eficiente e competitiva.

Esses requisitos, porém, deveriam estimular e não obstaculizar o processo. A potencialidade, aliás, é comprovada pelo sucesso organizacional do futebol europeu, que superou o mesmo dilema, e se posicionou como o principal = e talvez único = marcado realmente relevante do planeta.

No plano externo, as evidências de que a nova ordem empurra o Brasil para a mais distante periferia são inequívocas.

O Movimento se iniciou com a ruptura de um modelo clientelista e a compreensão de que além do jogo, o futebol é um negócio global.

Daí a concepção e a adoção de mecanismos de financiamento da empresa, que viabilizam inicialmente a importação de jogadores formados, e na sequência a exportação em massa de jogadores de formação.

Esse modelo reforça a desigualdade de que se revela nos confrontos entre clubes ou seleções. Esta solução, no entanto, decorre menos da localização geográfica e da instabilidade das moedas ou governos locais, do que da ineficiência mantida e defendida pelos donos ocultos do futebol.

O propósito, nos dias atuais, está muito claro: países como o Brasil devem fornecer matérias primas para o desenvolvimento europeu.

Nada muito diferente do que se passa desde as invasões e conquistas ibéricas, como ensina Eduardo Galeano: "Os metais arrebatados nos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento europeu e até se pode dizer que o tornaram possível".

Não bastasse a redução dos times brasileiros a exportadores de matéria prima, pretende=se ademais, aniquilar o símbolo cambaleante da resistência, uma espécie de Palmares, abalada pelas interferências dos mesmos donos ocultos do futebol: a seleção.

O instrumento é a Liga das Nações da UEFA, que servirá para isolar ainda mais a periferia do centro mundial do futebol, e reduzir as seleções sulamericanas apenas a indesejadas, porém necessárias coadjuvantes.

Portanto, o problema passou a ser também da CBF, e não apenas dos clubes. Seus dirigentes têm a oportunidade de impor um novo modelo e reconquistar o prestígio perdido, ou ficarão marcados na história como os algozes do futebol brasileiro.

(*) O autor é presidente do MDA. Professor de Direito Comercial da Mackenzie. Doutor em Direito Comercial pela PUC.

OBS: MATERIAL RETIRADO DO blogdejjpazevedo.com

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Sport
Dependência Bivariana
postado em 13 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Dentre os ex=presidentes do Sport, Homero Lacerda é o que tem mais empatia com o torcedor leonino. Por tal razão, as palavras, quando proferidas por ele, ganham força, reverberam e ecoam de forma estrondosa na Ilha do Retiro. Ontem, ele surpreendeu a tribo leonina ao declarar, em alguns programas de rádio, que existe um movimento, no qual estão envolvidos vários ex=presidentes do clube, no sentido de tentar convencer o empresário, Luciano Bivar, a se candidatar, mais uma vez, a presidente executivo do Sport.

Os argumentos apresentados por Lacerda são pertinentes e inquestionáveis, mas geram muitos questionamentos, principalmente, porque Milton Bivar, que apesar de ser irmão, é desafeto de Luciano, já anunciou que é candidato, e segundo seus pares, "não abre para ninguém". Milton colocou sua tropa na rua escudado no título da Copa do Brasil, conquistado há dez anos.

Teríamos então o embate BIVAR x BIVAR nas eleições do Sport?

A julgar pelo pleito dos oposicionistas, tal possibilidade foi criada, embora a intenção seja de que, Luciano Bivar seja apresentado como candidato único, para suceder Arnaldo Barros na executiva do clube leonino.

É pouco provável que os dois irmãos venham a bater chapa. Quase impossível. O bom senso sugere que tal confronto seja evitado. Mas, em se tratando de eleições clubista, onde surgem incendiários de todos os lados, tal possibilidade não pode ser descartada. Afinal, em política, e em futebol, o improvável sobe ao palanque e surpreende os de raciocínio lógico.

Luciano Bivar, que está envolvido numa campanha para deputado federal, e é um dos escudeiros do candidato a Presidente da República, Jair Bolsonaro, já deixou claro que somente fala sobre eleições do Sport a partir do dia 8 de outubro. Até lá os bastidores da Ilha do Retiro vão fervilhar, mas sem a presença daquele que, para muitos, é o candidato ideal para tirar o Sport do buraco negro em que se encontra.

A primeira vez que Luciano Bivar assumiu a presidência do Sport foi em 1988, quando sucedeu Homero Lacerda após a conquista do título brasileiro de 1987. Nesses 30 anos ele se consolidou como a liderança mais forte do clube. Em três décadas assumiu a presidência executiva do clube várias vezes, tendo livrado o Leão de situações vexatórias. Seu apoio foi decisivo em todas as eleições realizadas neste período. Na história do clube aparece como o homem que mais assumiu a presidência executiva do Sport, e o que mais renunciou também.

O indiscutível poder econômico e político de Luciano Bivar criou a dependência bivariana na Ilha do Retiro. A incapacidade de se preparar novas gerações para um processo natural de sucessão deixou o clube refém do empresário.

O movimento, "volta Bivar", que está sendo capitaneado pelo ex=presidente, Jarbas Guimarães, e que ganha força a partir do momento que Homero Lacerda se apresenta como defensor número um, revela a incapacidade dos leoninos de gerir o clube sem a tutela do grande líder.

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