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Ufanismo prejudica
postado em 19 de outubro de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

O ufanismo é um mal que nunca foi combatido no futebol brasileiro. Todos os segmentos envolvidos no esporte mais popular do país exageram nas tintas. É como se estivéssemos confinados numa bolha, em pleno carnaval, ouvindo músicas eletrônicas, enquanto na avenida desfilam os blocos e suas orquestras recheadas de músicos virtuosos. Enfim, perdemos o jeito de fazer espetáculo, de jogar futebol.

Nossos grandes "bailarinos", como costumava dizer o ex-técnico, Emerson Leão, estão todos vinculados a clubes europeus. Evidente que o Brasil segue sendo um grande celeiro, mas os nossos clubes não sabem trabalhar e preservar os grandes talentos.

No futebol brasileiro ainda se credita o sucesso, ou fracasso, aos treinadores. Se o momento é de colheita de bons resultados, palmas para o professor. Se a fase é marcada por resultados negativos, a culpa é do professor. Depois de abrirem as portas para jogadores estrangeiros, os grandes clubes nacionais passaram a apostar todas as fichas em treinadores que falam outro idioma.

Nossa escola não acompanhou a evolução. Estamos fora de sintonia em todos os setores. A crônica esportiva passou a ser povoada por ex-jogadores. Alguns merecem a aprovação, enquanto a maioria não leva o menor jeito como formador de opinião. O fato de terem sido bons jogadores não lhes assegura o protagonismo como comentarista.

O ufanismo leva ao equivoco nas análises. A sequência de três bons jogos é o suficiente para um jogador ser elevado ao patamar de craque no futebol brasileiro. Muitas vezes, num piscar de olhos, vemos o "craque" penando para se manter como titular.

O aprendizado do futebol tem que ser presencial. A Europa, a partir dos anos 90, passou a importar, em massa, os bons jogadores brasileiros não por acaso. Hoje, o continente é a maior referência de futebol excelência. A evolução de jogadores e treinadores acontece através de intercâmbio. A internet facilita a comunicação, mas no futebol o presencial é imprescindível.

Sport, Palmeiras e Vasco somaram quatro derrotas nas quatro últimas apresentações. Outros clubes, nos últimos cinco jogos somaram apenas uma vitória. Pergunto: a culpa é exclusiva dos técnicos?

O oba, oba, das resenhas esportivas está insuportável. A nova metodologia de trabalho, os novos conceitos, provocaram uma distância absurda entre os repórteres e os profissionais que trabalham em campo. O repórter se distanciou do nascedouro da notícia. Os mais experientes hão de concordar comigo.

O futebol brasileiro precisa ser reinventado.

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O MOMENTO
postado em 05 de outubro de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

O saudoso jornalista, Júlio José, costumava dizer que, "o ruim do futebol é o jogo". E apresentava mil e um argumentos para justificar sua predileção pelo antes, e pelo depois. Neste Brasileiro da Pandemia, a ordem é viver o momento mais que de costume. É como se não houvesse mais tempo para nada. Eis a razão pela qual a torcida do Sport está fazendo tanta zoada.

Afinal, após treze jogos disputados, o time que, na quinta rodada estava sendo apontado como um candidato a queda, aparece na parte de cima da tabela, entre os que vão brigar por uma vaga na Libertadores.

"Isto é nuvem passageira!". Diriam tricolores e alvirrubros para provocar os leoninos que retrucam: "Futebol é momento".

Hoje, na "resenha" matinal, na Padaria Diplomata da Conselheiro Aguiar, um pessimista argumentou: "Ver o Sport jogar é teste para cardíaco". O comentário teve o efeito de uma piada: todos que estavam em volta riram. Sem perder o humor, o otimista soltou essa: "Verdade. Nos últimos cinco jogos foram três vitórias, um empate e uma derrota. Quase morro do coração com tanta alegria".

Entenderam porque Júlio José gostava tanto do antes e do depois?

Pré e pós são espaços onde a gréia rola. Ninguém discute táticas, posicionamentos, funções de determinados jogadores em campo, nem se perde em elucubrações. Na gréia o que vale é o resultado do jogo e a posição na tabela de classificação.

Até a próxima rodada o leão do Sport estará rugindo alto. Numa rápida olhada na tabela de classificação observamos que o rubro-negro da Ilha do Retiro só está atrás de Atlético Mineiro, Internacional, Palmeiras e Flamengo. A reboque do time de Jair Ventura estão São Paulo, Santos, Vasco, Bahia, Fortaleza, Ceará, Botafogo, Grêmio, Atlético Paranaense, Fluminense, Corinthians...

Até quando? Não sei dizer. O futuro é incerto. O passado, passou. O certo é viver o presente. Afinal, amanhã o mote da gréia pode ser outro.

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