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Nada mudou
postado em 31 de agosto de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Começou o Guia Eleitoral no Rádio e na TV!

Antes, porém, nos primeiros dias da semana, o Jornal Nacional, telejornal de maior audiência da televisão brasileira, submeteu os quatro candidatos a presidente da República, mais bem pontuados nas pesquisas de opinião,  a uma autêntica inquisição, a que chamaram de entrevista.

A cada dois anos somos obrigados a "digerir" o horário gratuito de propaganda eleitoral. Promessas vãs se perdem no ar. É a consolidação da subcidadania brasileira acatada por uma sociedade que aprendeu a conviver com a mentira, e aceita a indigência como um padrão de vida natural.

E os formadores de opinião, como num passe de mágica, deixam de ser a esperança do povo em ter um paladino, para se transformarem em patéticos emissários das perguntas prontas.

Nenhuma novidade nos debates, nas entrevistas individuais e, muito menos, no Guia Eleitoral.

Vida de gado! E o povo segue no seu confinamento aguardando o momento da eleição. Neste tsunami político, mudar é a palavra de ordem.

Esqueçam os conceitos. Afinal, o bem está abraçado com o mal, e todos surfam no mar de lama prometendo justiça e honestidade. O perdão foi feito para se perdoar. E se o eleitor perdoar a todos com o poder do seu voto, o Brasil seguirá como dantes.

Como bom sentinela, fiquei atento diante da televisão. Assisti a todas as entrevistas. Mudei de canal. Fui ver os mesmos candidatos sendo sabatinados por outros entrevistadores. Nada mudou.

Não! Não posso me deixar dobrar pelo pessimismo. Passo a raciocinar como um torcedor que nunca desiste do seu time do coração.

Isso mesmo. O Brasil vai dar certo. E tudo vai começar pelo desporto. Afinal, um dia, é certo que já faz muito tempo que isso aconteceu, disseram que o Brasil era o País do futebol. Verdade. Temos cinco títulos de Copa do Mundo. Mais ainda: conquistamos a medalha de ouro do futebol nas Olimpíadas do Rio. Era o único título que faltava no nosso acervo de conquistas.

Agora, somos fortes até na canoagem.

Mas quais são mesmo as propostas do candidatos para uma nova política no desporto nacional?

Em momento algum se falou em desporto. É mais interessante dizer que o cara limpa está abraçado, no mesmo palanque, com um ficha suja. Esse tipo de "fofoca" parece que conquista votos. Na política é assim: o desafeto de ontem é o amor de hoje. Não é fácil dormir com esse barulho.

Na Copa de 1990, na Itália, perguntei ao sindicalista, Luís Inácio Lula da Silva, que havia perdido uma eleição presidencial para Fernando Collor, no estádio em Turim, o que ele tinha a dizer daquela derrota do Brasil para Argentina, resultado que eliminou a Seleção Brasileira do Mundial. De pronto ele me respondeu: "O futebol brasileiro retrata bem a situação do País".

E nada mudou de lá pra cá.

Um ex=presidente da CBF está preso nos Estados Unidos por conta de corrupção. Outros dois ex=presidentes não podem deixar o País sob pena de também serem presos e extraditados.

Os escândalos não ficam restritos ao futebol. Parece até que virou regra. Não são poucas as confederações envolvidas em falcatruas. Tivemos até Ministro de Esportes que se engasgou com uma tapioca.

Pobre desporto brasileiro!

Mas os candidatos a presidente da República não parecem preocupados com isso. Afinal, o desporto é a cara da política.

Em 1986, na Copa do México, o mestre, Adonias de Moura, reuniu a equipe do Diário de Pernambuco (Adonias de Moura, Edivaldo Rodrigues, Valdir Coutinho, Claudemir Gomes e Humberto Araújo), que havia sido escalada para fazer a cobertura do Mundial, num jantar de despedida. No final, chamei o garçom e perguntei se ele poderia dividir a despesa e conseguir cinco notas. E ele foi claro: "Tem gorjeta?"

Quando trouxe as notas, e conferiu a gorda gorjeta que depositei em suas mãos, nos presenteou com esta pérola: "Nós mexicanos somos iguais aos brasileiros, todos corruptos".      

E o cenário não nos leva a bons sentimentos.

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Artigos
A reabertura do estádio dos Aflitos
postado em 28 de agosto de 2018

POR ROBERTO VIEIRA

 

Quis o destino e os desatinos dos últimos anos que Náutico e Santa Cruz entrassem de férias antecipadamente em 2018. Vítimas e cumplices do calendário clubicida do futebol brasileiro %u2013 calendário que mata sem dó nem piedade os clubes que são a razão de ser do próprio futebol.

Alvirrubros e tricolores estão de cuia na mão neste final de ano.

Porém, todo grande problema na vida traz consigo uma solução, mesmo que ela seja o aparente retorno ao passado do futebol.

Nos velhos tempos do desporto nacional, não se jogava tanto quanto atualmente. Havia o Torneio Início, o certame estadual e, a partir dos anos 60, taças e campeonatos nacionais. Havia uma infinidade de datas à disposição para a prática do futebol e as equipes aproveitavam para realização de amistosos e torneio de ocasião.

Aqui mesmo em Recife, tivemos excursões dos grandes times do Rio e São Paulo, mas também nos encheram os olhos Torneios Norte-Nordeste, Taças Pernambuco-Paraíba, Torneio Pernambuco-Bahia e por aí afora. O torcedor não ficava distante dos estádios, olhos esbugalhados numa tela de TV ou celular; ele tinha a oportunidade de ver de perto suas equipes do coração. Ao mesmo tempo, os clubes ocupavam suas datas livres, faturavam uma grana boa e revelavam jovens valores em partidas de caráter menos belicoso que competições oficiais.

Por que eles acabaram? Porque os clubes abdicaram da sua força em favor das federações. Uma loucura total.

O fato se torna ainda mais estapafúrdio porque tais torneios permanecem acontecendo nas pré-temporadas do badalado primeiro mundo do futebol, assim como nos Estados Unidos e Japão. O Barcelona, por exemplo, jamais abandonou seu tradicional Torneio Joan Gamper, criado em 1966 para homenagear um ex-presidente e atleta excepcional, o qual, curiosamente, era suíço de nascimento e não catalão.

Agora, com o aval da Federação Pernambucana de Futebol, é chegada a hora de retomar estes torneios. Momento de criar alternativas a esta selva de pedra na qual se sacodem clubes centenários ao pântano fiscal.

O próprio Estádio dos Aflitos que será o possível palco de alguns jogos já foi reaberto e reinaugurado com torneios similares.

Quem sabe este torneio não se torne permanente no futuro, sendo disputado noutras datas?

Pois qualquer noventa minutos de futebol é muito melhor que conviver com a melancolia de estádios vazios e silenciosos.

Estádios construídos para o grito de gol...

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Acontece
Propostas da vida
postado em 28 de agosto de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O dia foi marcado por uma enxurrada de homenagens póstumas ao radialista, Edvaldo Morais, que nós o tratávamos como Tião. Os mais próximos, evidentemente. Um profissional que deixou uma marca no rádio pernambucano.

Edvaldo era carpinense, mas não o conheci na nossa cidade. Mesmo sendo meu conterrâneo, foi aqui no Recife, já como um dos craques do Escrete de Ouro, uma das melhores equipes do radio esportivo pernambucano, que era capitaneada pelo extraordinário Ivan Lima, que passamos a ter uma convivência profissional, ele na Rádio Clube, e eu no Diário de Pernambuco.

Durante décadas o rádio foi o maior veículo de propagação e divulgação do futebol. E surgiram grandes grifes como comentaristas, narradores e repórteres. Em Pernambuco, Tião deu visibilidade a uma função, até então, pouco valorizada: o plantonista.

Amante das frases de efeito, criou uma série de jargões, que foram sendo adotados pelos ouvintes e passaram a enriquecer o vocabulário dos torcedores.

"SÃO COISAS DO FUTEBOL BRASIEIRO".

O Escrete de Ouro era um coral afinado, harmonioso, com tenores e sopranos que, com narrativas melodiosas, transformavam o mais sórdido dos jogos numa ópera digna de ser apresentada no maior palco do futebol brasileiro: o Maracanã.

Um dia, Tião descobriu que era chegada a hora de encarar uma carreira solo. Talento para encarar tal desafio não lhe faltava. E, com uma visão jornalística diferenciada, se transformou num dos maiores comunicadores do rádio pernambucano.

Das ondas do rádio para a era digital, soube, como poucos, se adaptar as exigências da nova ordem sem esquecer a essência do bom jornalismo.

O jogo da vida transcorria normal para Edvaldo Morais, um craque do microfone que a cada dia era aplaudido por mais fãs.

De repente, uma bola nas costas que redundou num gol contra.

O silêncio da morte doeu em todos.

Vida que segue.

Mas o desfalque é irreparável. Afinal, craques com o seu talento não aparecem todos os dias.

São coisas do...

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Brasileiro da Série C
Não é fácil fazer a bola entrar
postado em 27 de agosto de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

"A BOLA NÃO ENTRA POR ACASO"!

Busquei no título do livro do espanhol, Ferran Soriano, que por cinco anos participou da gestão de sucesso do Barcelona, o entendimento para o insucesso do Náutico, e do Santa Cruz, no Brasileiro da Série C. Tomar como ponto de partida, uma frase pragmática, era a única forma de se desvencilhar do componente emoção tão bem traduzido pelos comportamentos das torcidas tricolores e alvirrubras, nos últimos dias, e fazer uma análise coerente dos fatos que escancaram a fragilidade dos nossos clubes.

Domingo, 19 de agosto, a torcida do Santa Cruz deu mais uma mostra de sua força e fidelidade ao clube do Arruda. Mais de 49 mil torcedores foram ao estádio para empurrar o time a uma vitória (1x0) sobre o Operário/PR. O apoio seguiu até a sexta=feira, quando o time embarcou para o Paraná, onde faria o segundo jogo válido pelas quartas de final da Série C, respaldado pelo carinho de uma multidão que acreditava, ser a pequena vantagem construída no jogo de ida, suficiente para levar o Tricolor Pernambucano de volta a Série B Nacional. A força do gesto dos torcedores não contrariou a previsão dos números, que apontava o time paranaense com probabilidade de acesso bem superior a do Santa Cruz.

Quem tem um pouco de conhecimento sobre a atual gestão do Santa Cruz sabia que, o sucesso do trabalho de campo era pouco provável. Os movimentos dos bastidores deixavam claro a dicotomia tricolor: de um lado dirigentes buscando soluções imediatas para equacionar os problemas que foram entraves para a evolução do time na competição. Por outro lado, a esperança de uma torcida no milagre da doação. Doar carinho e afeto pode estimular o grupo de jogadores, mas não chega a ser o fator determinante do sucesso numa decisão.

A gestão do Santa Cruz é desastrosa, e a tendência é se agravar nos próximos meses quando estão pra vir cinco folhas de pagamento sem previsão de receitas.

Ontem, quando o árbitro, Wagner do Nascimento, trilou o apito dando o jogo por encerrado na Arena Pernambuco, com o placar estampando um frustrante empate (1x1) entre Náutico e Bragantino, resultado que decretava a permanência do alvirrubro pernambucano na Série C Nacional, no próximo ano, os torcedores não esboçaram nenhum tipo de protesto.

Resignação?

Dias antes da primeira rodada das quartas de final da Série C, onde o Náutico enfrentou o Bragantino em Bragança Paulista, as informações repassadas pela diretoria do clubes davam conta de que, os torcedores alvirrubros já haviam adquirido mais de 20 mil ingressos. A derrota por 3x1 no jogo de ida estancou o otimismo dos campeões pernambucanos. Afinal, a vantagem construída pelo adversário era substancial.

Nas redes sociais, um ou outro, "EU ACREDITO", nos mostrava que ainda existia um fio de esperança.

Não é fácil explicar o que aconteceu com um time que deixou a zona de rebaixamento e classificou em primeiro lugar na fase de grupos, para em seguida decepcionar no momento de decidir o acesso à Série B.

Voltamos ao ensinamento do Ferran Soriano: "A BOLA NÃO ENTRA POR ACASO".

Entendo o silêncio das arquibancadas, ao final do jogo de ontem, não como uma resignação, mas como um crédito a uma diretoria que tem feito um trabalho de reconstrução elogiável no Clube dos Aflitos.

Não se constrói um novo tempo do dia pra noite. A conquista do título pernambucano, após um recesso de 13 anos, foi um primeiro passo. Outros virão com a reabertura dos Aflitos. Por fim, o equilíbrio da gestão com o campo impedirá oscilações drásticas como as que ocorreram nesta edição da Série C.

O futebol pode ser simples, mas não é fácil fazer a bola entrar.

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Brasileiro Série A
O Sport e o rebaixamento
postado em 24 de agosto de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO

 

O Sport entrou numa fase de desespero ao observar que o calor do fogo do inferno está se aproximando da Ilha do Martírio.

Os números do time no quadro das estatísticas desanimam. Hoje, as chances do Leão ser degolado chegam a quase 77,7%. Só ganha do Paraná que contempla 90,7%.

Estão sendo disponibilizadas três vagas na famosa zona de degola, para quatro pretendentes, consideramdo=se que o time do Paraná só poderá escapar se ficar confirmado que Papai Noel existe.

Sport, Vitória, Ceará e Botafogo estão na reta final da corrida para que um desses consiga escapar do carrasco no photochart. A equipe baiana tem 72% de chances de voltar à Série B, Ceará com 53%, Botafogo, 35%.

A campanha do Sport é de um time rebaixado. Nos 10 últimos jogos somou apenas 2 pontos, com um aproveitamento de 6%, para quem precisa de 39%. Foram oito derrotas que mostram a sua realidade.

Com 10 derrotas, os leoninos se aproximaram do Vitória e do Paraná que têm 11 derrotas, cada um. Na história dos pontos corridos com 20 clubes, nenhum disputante que totalizou 19 derrotas conseguiu fugir da zona do rebaixamento.

As estatísticas não mentem. O rubro=negro da Ilha do Martírio tem a pior defesa da competição (32 gols) e o quarto pior ataque: 19 gols. Um saldo negativo de 13 gols, que só está acima do rival baiano e do time paranista.

O Sport tem um aproveitamento fraco como mandante (43%), e trágico como visitante (23%). Para  fechar a temporada  o time irá jogar 9 vezes em casa, e 9 vezes como visitante, 27 pontos em cada segmento.

Vamos mostrar, de forma didática, os adversários que irão jogar na Ilha: Paraná, Cruzeiro, Palmeiras, Internacional, Vasco, Ceará, Vitória, Flamengo e Santos. São cinco pedreiras, com poucas chances de vitórias contra esses. Se utilizarmos o atual percentual de 43%, poderá somar 12 pontos.

No caso das partidas que serão realizadas fora, os confrontos serão contra Botafogo (direto), Bahia, Corinthians, Atlético/MG, Atlético/PR, Grêmio, Fluminense, Chapecoense e São Paulo. Jogos bem complicados. Aplicando=se o percentual de 23% poderá conquistar 6 pontos.

Serão 18 pontos no total para uma necessidade de 25 para escapar do carrasco, representando o percentual de 47% de aproveitamento dos que serão disputados, ou seja, 8 vitórias e um empate.

Em 20 partidas disputadas, o Sport só conseguiu contabilizar 5 vitórias e 5 empates, aproveitamento de 33,3%.

Óbvio que ainda existe esperança para que o clube permaneça na Série A, mas pelo andar da carruagem isso poderá não acontecer, desde que a equipe em campo demonstra que está sem rumo, tendo perdido o lenço e o documento.

O Leão chegou na obrigação de ganhar os seus jogos e torcer para os rivais sejam derrotados. Um desejo parecido com os sonhos de uma noite de verão.

Só os deuses do futebol poderão lhes ajudar, posto que da sua diretoria não se pode esperar nada sobre nada.

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