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Euricos e Bolsonaros
postado em 26 de novembro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, EURICOS E BOLSONAROS


* Artigo escrito pelo jornalista Leonardo Mendes Jr, e publicado no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. 


Foram sofridos para a cartolagem nacional os seis anos sem Eurico Miranda na presidência do Vasco. Duvida? Basta olhar para a primeira briga comprada por Eurico. Ele disse que não reconhece o Bom Senso, que se trata de um movimento elitista e que os clubes que fizeram acordo coletivo com os jogadores erraram, pois com o Vasco não tem acordo.

Eurico tirou da boca de muitos dirigentes palavras, que, por conveniência, eles não tiveram coragem de falar. Há uma cobrança, felizmente cada vez maior, por dirigentes com um perfil mais conciliador, abertos ao diálogo com todas as partes envolvidas no espetáculo e adeptos à gestão empresarial e responsável no futebol. Dirigentes modernos, com perfil europeu, a antítise do velho cartolão.

Investidores, uma parcela numerosa da torcida e muito de nós, jornalistas, não só defendem como impõem este padrão. Isso atraiu algumas boas mentes para o futebol, mas também deu a quem no fundo continua sendo cartolão à moda antiga a chance de exercer seu lado camaleônico.

Muitos dirigentes se sujeitaram a passar o verniz do gestor moderno por verem benefício nessa atitude. É certeza de elogio em colunas, blogs e mesas redondas. Talvez até renda um convite para entrevista no Juca Kfoury- o selo de qualidade de gestão moderna no futebol brasileiro. Obviamente, há um preço a ser pago. O principal é ter de engolir a seco algumas  ¨verdades que precisam ser ditas¨. Um problema que a volta de Eurico resolve.

Eurico está aí para verbalizar (de novo) os pensamentos mais inconfessáveis dos dirigentes brasileiros. O primeiro a botar o Bom Senso naquele que, segundo a cartolagem, é o seu devido lugar. O próximo será dizer que os benefícios que o futebol dá ao Brasil são muito maiores que os impostos devidos- afinal, o futebol dá a alegria ao povo e gera emprego. Depois que projeto é coisa de ciências. Entre outras barbaridades que, reconheço, minha cabeça é limitada demais para imaginar, mas certamente sairão como música da boca de Eurico, a voz dos cartolas excluídos em um mundo em que, vejam só, cobra-se responsabilidade, visão moderna e bom senso.

Embora seja lamentável, não é surpresa que Eurico Miranda consiga reconquistar a presidência do Vasco e, dois dias depois, esteja na mesa do ministro do Esporte para discutir uma lei de responsabilidade fiscal com status de autoridade. O mundo que dá poder e acesso irrestrito ao Eurico é o mesmo que elege o Congresso mais conservador da história, com Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, reconduzidos com votação expressiva.

Nenhum deles me representa. Nem Eurico, nem Bolsonaro, nem Feliciano. Mas todos representam uma mentalidade que se imaginava já ter ficado para trás. No futebol e no dia a dia, são a voz de muitos que perderam a coragem de mostrar quem realmente são.

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As capitanias hereditárias
postado em 26 de novembro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Somos eleitores do Sport Recife, assim como temos amigos que são eleitores do Santa Cruz. Ambos realizarão as suas eleições no próximo mês de dezembro, e pelo que tudo indica, com candidato único no caso do segundo, e um olímpico com relação ao primeiro, que é péssimo para a democracia e para a sociedade de cada um.

As únicas propostas que ouvimos dos candidatos foram simplórias, que não merecem um debate. Do lado do Santa Cruz a contratação de um treinador de peso e do favorito do Sport, o apoio aos associados.

Geninho e Guto Ferreira com os seus mais de 100 quilos resolveriam o problema do tricolor do Arruda, mas correm o risco de não receberem os seus salários. Quanto ao apoio aos associados na Ilha do Retiro, os que lá estão e irão continuar nada fizeram nesses últimos dois anos, e até para o pagamento das mensalidades é um sofrimento. O associado do clube não é respeitado.

Infelizmente os processos eleitorais dos clubes são viciados, não permitindo a existência de uma oposição. Na realidade o associado pouco está se importando com o que acontece nos seus intramuros. Para eles empatar com o Fluminense é uma glória, mesmo que a entidade esteja em precária situação.

O sistema é de Capitanias Hereditárias, e fica concentrado em poucas mãos, as caras são repetitivas, ungidas sem a participação dos sócios, que pouco se interessam pelo processo.

Os clubes sócio-esportivos tinham movimentações em suas sedes. As famílias o frequentavam, os associados reconheciam nos frequentadores as lideranças que eram formadas no seu interior.

Na verdade era uma escola de dirigentes, na qual fomos formados.

Tudo mudou, os clubes tornaram-se apenas de futebol, um pequeno grupo passou a dominá-los, e numa reunião simples decidem os seus destinos, escolhendo os candidatos que irão dirigi-los de forma não transparente, sem cobranças e sem a participação dos mais interessados, que são os seus sócios.

Não existe mais a simbiose do sócio com a vida do clube, e em alguns casos os candidatos só chegam a sua sede utilizando um GPS, por não saberem as sua localização.

Uma frase que nos incomoda e que sempre ouvimos no dia a dia é a de que ¨O futebol não é para pessoas de bem¨, que também se aplica na política.

Temos um sentimento diferenciado sobre o tema, posto que se houver o abandono de pessoas sérias, certamente a desqualificação tomará conta, e os clubes serão entregues a pessoas sem a competência para dirigi-los.

Os esportes precisam de seriedade e, para tal, que pessoas dignas participem ativamente de suas gestões. Se formos utilizar esse paradigma iremos entregá-los aqueles que os utilizam para fins pessoais e, inclusive, para lavagem de dinheiro.

O problema maior do futebol brasileiro é que a sociedade afastou-se dos clubes sócio-esportivos, ou foi afastada de forma premeditada, e isso redundou numa crise financeira que se alastrou pelo Brasil afora, pela ausência de uma fiscalização permanente.

Essa frase afasta muitas pessoas do sistema, o que é um erro, desde que estarão entregando o poder a pessoas não preparadas para tal, e que vão defender apenas os seus interesses pessoais, dos amigos, e não os dos clubes.

Os homens chamados de bem são maioria em nosso país, mas no geral da sociedade estão perdendo a batalha para os que não merecem o comando, por conta de suas acomodações.

Uma candidatura de oposição requer um trabalho de longo prazo e com relação ao Sport a oposição foi acomodada, e só despertou no final, quando Inês já estava morta. Os candidatos desistiram, e pelo que soubemos só resta uma candidatura olímpica, sem poder de fogo.

Cabe agora uma união para a fiscalização das gestões, para que não tenhamos a repetição a que estamos assistindo no Brasil, com os clubes na vermelhidão, sem gestões produtivas, e com o pires na mão para enfrentar o fim do ano.

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Copa do Brasil
A final que deveria ser
postado em 26 de novembro de 2014

Blog do ERICH BETING

Hoje era dia para não apenas BH e as Minas Gerais estarem paradas. O futebol no país precisava estar estacionado, à espera do grande evento. Mas parte da atenção estará dividida esta noite na final mais espetacular da Copa do Brasil em 25 anos de história. No mesmo horário, o São Paulo recebe o Atlético Nacional por uma vaga na final da Copa Sul-Americana. Em outras partes do país, felizmente, só haverá espaço para a final nacional.

Mas não é só a incompetência dos gestores do calendário brasileiro que impede que só exista espaço para Cruzeiro x Atlético nesta quarta-feira.

Graças à truculência, ao jogo de cena e à intransigência, os dirigentes dos dois clubes conseguiram apequenar a discussão sobre a partida.

O clima pré-jogo não era sobre as táticas de cada treinador, mas sobre a divisão e a precificação dos ingressos para as duas torcidas. O torcedor, que poderia ser o segundo maior protagonista dessa grande final, virou o personagem principal. Não pela festa, mas pela exploração de sua paixão.

Quanto custa o bilhete? Quantas entradas estarão disponíveis? O jogo é no Independência para 20 mil pessoas ou no Mineirão para mais de 50 mil?

Um dos sucessos do futebol brasileiro nos anos 60 foi tornar-se uma manifestação nacional. O Santos e o Botafogo, que seriam os equivalentes a Atlético e Cruzeiro da atualidade, eram times que jogavam pelo Brasil adentro. Não importava a cidade, o povo queria ver os craques em campo. Não há melhor lugar que o Mineirão para receber a grande final da Copa do Brasil. Mas, infelizmente, a mentalidade pequena dos dirigentes fez com que nem isso fosse realmente um diferencial do duelo.

Era para estarmos falando de Diego Tardelli x Ricardo Goulart; São Victor x Fábio; Levir Culpi x Marcelo Oliveira. Era para falar do %u201CEu acredito'''' que mudou de lado. Para debater o porquê de Minas Gerais ser, há dois anos, o centro do futebol no Brasil.

Mas perdemos praticamente três semanas de pré-jogo discutindo quantos bilhetes cada time teria. Qual seria o preço do ingresso. Qual a intransigência da vez de um lado ou de outro.

Com tanta gente pedindo a volta do mata-mata para o Brasileirão, matamos a chance de curtir uma das melhores finais que já existiram no futebol do país. Belo Horizonte é uma cidade dividida em duas paixões. Elas vão se encontrar logo mais no melhor momento vivido pelos dois times desde o fim dos anos 60 e começo dos 70.

Dificilmente voltaremos a ver tão cedo Atlético e Cruzeiro na mesma situação. Vale lembrar que, há três anos, os dois times beiraram a Série B do Brasileirão, e o Cruzeiro só não caiu porque goleou o Galo na última rodada.

Essa é a final que deveria ser da Copa do Brasil. E que nossos dirigentes conseguiram depenar. Pelo menos durante os 90 minutos de bola rolando, o torcedor estará estático, acompanhando uma final épica para o nosso futebol.

Hoje, o futebol das Minas Gerais canta de galo em velocidade de cruzeiro.

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E se o presidente do seu clube fosse preso?
postado em 24 de novembro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, E SE O PRESIDENTE DO SEU CLUBE FOSSE PRESO?


Artigo de autoria do consultor Ricardo Araujo, publicado em seu blog Novas Arenas, da Revista Exame.


Parece uma realidade distante para nós, mas ainda existe esperança?

Na Europa, os clubes se dividem em 2 tipos. As entidades associativas, como a maioria no Brasil, e os que pertencem ao portofólio de algum magnata. No segundo caso, o dono faz o que quer, sofre pouquíssima fiscalização interna, a menos que possua sócios minoritários que possam ter amparo da legislação do país respectivo.

No primeiro caso entretanto, altos dirigentes presos têm sido relativamente comum. Sem necessidade de recorrer ao Google, e por motivos variados, lembro do então presidente do Marselha, Tapie, do recente presidente do Bayern, Uli Hoeness, e de vários outros envolvidos com a justiça, como Berlusconi, Aziz Yildrim e Sandro Rosell, afastado da presidência do Barcelona, e ainda respondendo a processos.

Pois agora, outro ex-presidente do clube catalão irá ¨puxar uma etapa¨ de 2 anos e 3 meses. O poderoso Josep Nuñez, que dirigiu o Barcelona por 22 anos, e inclusive dá nome ao Museu do clube, teve seu último recurso negado e tem 10 dias para se apresentar e cumprir sua pena. O que ele fez? Sonegou impostos e para não ser descoberto, tentou subornar um fiscal da Fazenda.

Esse "sonho" parece distante do Brasil, que possui apenas um exemplo relevante que foi o "impeachment" do ex-presidente do Flamengo Edmundo Silva, e sua condenação (ainda sujeita a recurso) a devolver mais de R$ 18 milhões aos cofres do clube. E parece ainda mais distante, pela forma como os dirigentes brasileiros estão articulando a retirada de qualquer punição por gestão temerária do texto da nova legislação que o governo prepara. Dirigentes, alguns deles confessos sonegadores de impostos que não se furtam a endividar seus clubes sem a menor cerimônia.

A esperança seria uma atuação forte por parte do Governo para enquadrar CBF, Federações e Clubes, a uma negociação que envolvesse a garantia de responsabilidade de gestão desses senhores, vinculando seus eventuais desvarios à devolução dos prejuízos aos clubes, perda de pontos, rebaixamento de divisão, perda unilateral de atletas, entre outros, mas pelo jeito que as coisas caminham, as esperanças são remotas.

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Um futebol depressivo
postado em 24 de novembro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UM FUTEBOL DEPRESSIVO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O futebol pernambucano vive em fase de depressão. Termina ano e começa ano, nada de novo acontece, e os nossos clubes continuam com os mesmos procedimentos.

Os campeonatos estão chegando na reta final, e na verdade nada podemos destacar com relação à participação dos representantes do estado nas divisões nacionais.

A alegria dos torcedores é o da permanência, que na realidade é muito pouco para um setor que deseja evoluir.

Não estamos pregando a conquista de um título de campeão do Brasileirão, desde que pelas circunstâncias financeiras tal fato é impossível de acontecer, e sim participações mais efetivas, com atuações que possam ser destacadas, e não conquistas pontuais que são comemoradas com intensidade por quem está se acostumando a ser pequeno.

O Sport realizou uma campanha de mediano para baixo, poderia ser bem melhor, enquanto Santa Cruz e Náutico não chegaram ao acesso em uma competição mais medíocre tecnicamente dos últimos anos. O Salgueiro ficou no caminho na Série C, assim como Porto e Central na D.

O nome para tais resultados tem um só: Gestão, que é um produto em falta nas nossas prateleiras.

Os números estatísticos mostram que os últimos 10 anos não foram positivos para o nosso futebol. Nesse período vivemos mais focados em estaduais fracos, e com participações soltas na divisão principal do futebol brasileiro.

Os nossos clubes estiveram mais tempo nas divisões menores do que na elite nacional, por conta da ausência de um planejamento que pudesse dar a consolidação necessária para uma permanência maior, livrando-os do ¨ciclo elevador¨ de três anos.

Sentimos que o nosso futebol tornou-se depressivo por ter insistido em uma essência amadora. Vive de paixões e emoções, e com pouca racionalidade. Não existem projetos a longo prazo, e sobretudo deixou de ser formador, que era o seu carro-chefe, para ser importador de produtos que muitas vezes não dão o retorno desejado. 

De 2005 a 2014, o Sport Recife participou de apenas 5 campeonatos da Série A (2007, 2008, 2009, 2012 e 2014), o Náutico com o mesmo número (2007, 2008, 2009, 2012 e 2013), e o Santa Cruz apresenta o fato mais grave, com apenas uma participação (2005) nas últimas 10 competições.

Para quem analisa o futebol com detalhes, esses são números que mostram a razão dos problemas que o estado de Pernambuco enfrenta até o dia de hoje.

Eventos maiores fazem a captação de recursos mais vultosos, maior visibilidade, uma boa demanda nas bilheterias e vendas dos produtos, e quando se escondem em divisões pouco divulgadas, e sem uma grande marca, todos esses segmentos são afetados.

Infelizmente as cabeças que fazem o esporte da chuteira em nosso estado não pensam, e se não mudarmos os modelos das gestões, inclusive o da Federação local, continuaremos a disputar competições maiores, com um único objetivo, o da permanência por um tempo maior do que a média dos clubes que tem o mesmo porte dos nossos.

Sem um planejamento adequado sempre iremos terminar uma temporada com o sentimento do apequenamento, fingindo que vivemos numa Ilha da Fantasia, quando a realidade é totalmente diferente.

Somamos dez anos perdidos, e com uma única conquista a ser destacada, o título da Copa do Brasil pelo Sport Recife, e o resto é o bla-bla-bla, que ouvimos todos os dias.

Hora de todos acordarem dessa profunda depressão.

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