Campeonato Pernambucano
A banalização do "Clássico"
postado em 30 de janeiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

O público geral da primeira rodada do Campeonato Pernambucano não chegou a 9 mil pagantes. O fato se torna mais agravante porque houve um clássico: Náutico 1x1 Santa Cruz. A inclusão de um clássico na abertura do Estadual é mais um absurdo dessa fórmula esdrúxula imposta pela Federação e aceita, de forma pacífica e inexplicável pelos clubes. O que nós estamos assistindo não é outra coisa senão a banalização dos clássicos.

Toda competição tem na rivalidade a sustentação do seu alicerce, fato que leva os organizadores a darem um tratamento diferenciado aos grandes confrontos que, pelo peso e importância passaram a ser tratados de "clássicos". Há muitas décadas o futebol pernambucano passou a ter três "clássicos," que são disputados por Náutico, Santa Cruz e Sport. Alguns desavisados e incultos costumam chamar um confronto de um dos grandes clubes da Capital com um clube do Interior, que vive bom momento, de "clássico", cometendo um equívoco imperdoável. Esta é uma forma de banalizar o clássico, mas que não provoca grandes prejuízos.

Sport, Náutico e Santa Cruz, tradicionais candidatos ao título estadual, disputarão 14 jogos para poder levantar a taça de campeão. Com este modelo de disputa, o campeão pode vir a disputar 8 clássicos em 14 rodadas: quatro na primeira fase do hexagonal; dois nas semifinais e dois na final. Enfim, mais da metade dos jogos disputados pelo campeão serão clássicos, numa indiscutível banalização. Com tanta repetição prevista, qual o interesse do torcedor de Náutico e Santa Cruz pelo primeiro "classico"? A resposta foi dada na bilheteria: público inferior a 5 mil pagantes.

Tricolores e alvirrubros voltam a medir forças no próximo sábado, desta feita em jogo válido pela Copa do Nordeste. No curto espaço de dois meses, Náutico e Santa Cruz disputarão 4 clássicos ( 2 pelo Pernambucano e 2 pela Copa do Nordeste). Existe a possibilidade de se confrontarem mais duas vezes no pernambucano: nas semifinais ou na final. Não podemos esquecer que, pelo fato de os dois clubes disputarem a Série B, terão dois clássicos entre si no Campeonato Brasileiro. E assim o "Clássico das Emoções" vai se transformando no "Clássico da Tolerância".

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Futebol Brasileiro
A crise e os pensadores
postado em 30 de janeiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol brasileiro vive uma de suas maiores crises por falta de pensadores nas gestões da CBF e das Federações. O placar humilhante - 7x1 - que a Alemanha impôs a nossa Seleção na Copa de 2014 foi um grito de alerta que não chegou a ecoar como devia, ou seu efeito não foi o desejado por aqueles que sonham com melhores dias. Após a chegada do técnico Tite ao comando da Seleção Brasileira passamos a saborear uma sequência de bons resultados - sete vitórias - e tudo voltou às mil maravilhas, como se o futebol nacional se resumisse à Seleção Brasileira. E os clubes, e as competições?

Há muito que se fala que os Campeonatos Estaduais são estrelas cadentes. A partir do momento em que se começou a trabalhar a nacionalização do futebol, fato ocorrido na década de 80, época em que foi criado o Clube dos 13, a falência das competições domésticas passou a ser fato consumado. Passaram-se trinta anos e ninguém encontrou um modelo adequado e coerente para o futebol verde e amarelo. A criação de competições regionais para suprir carências dos estaduais, que já não atendiam as exigências da nova ordem, onde o futebol é tratado como um grande negócio, ainda não apresentou uma resposta positiva por conta do inchaço que promoveu a inclusão de clubes sem expressão. Se por um lado o excesso de jogos atende as necessidades, preenchem as grades da televisão, por outro provoca o êxodo dos torcedores dos estádios. Os registros de públicos em todas as competições, de Norte a Sul do País, neste final de semana, referendam nosso pensamento.

A incapacidade dos pensadores em definirem um modelo que atenda as necessidades das diversas regiões, facilita a dragagem que começa a ser feita pela internacionalização. Evidente que a globalização também iria dominar o futebol. O problema é quem ninguém se preparou para a sua chegada. Hoje, um número expressivo de torcedores brasileiros aguardam os jogos da Champions League com mais ansiedade do que os jogos do Campeonato Brasileiro. A internacionalização provoca um efeito acachapante, ou seja, vem de cima para baixo, e transforma, não apenas algumas regiões, mas todos os Estados da Federação numa reserva de mercado.

O efeito? Estádios vazios e futebol de péssima qualidade.

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Artigos
A Internet e o jornalismo esportivo
postado em 30 de janeiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


A internet afetou o jornalismo impresso em todo mundo, inclusive o esportivo. Aconteceu uma luta entre o tempo real e o tempo passado, com jornais e revistas especializadas no país sendo tragados pelo novo processo.

A sua velocidade teve um grande impacto na imprensa do papel, inclusive nos jornais, e no caso específico das revistas, que não souberam adequar-se ao tempo com uma nova roupagem de informações e foram definhando até suas extinções.

O Brasil cuja população acompanha os esportes só tem uma revista especializada à nível nacional, "Placar¨ e mesmo assim desatualizada e em franca decadência. Foi semanal, tinha uma grande repercussão no país, tornou-se mensal e marcha para o desaparecimento.

Nos Estados Unidos, a "Sports Ilustrated" passou por dificuldades, mas conseguiu sobreviver graças a um novo conteúdo, e hoje para colocar uma publicidade em suas páginas, tem que entrar em uma longa fila. É semanal. Na Inglaterra, a "Four-Four-Two" é uma das mais respeitadas do mundo, como a "France Football", da França.

Já tivemos boas revistas esportivas como a "Revista dos Esportes", "Manchete Esportiva", "Gazeta Esportiva¨ e até pouco tempo a ¨ESPN¨ e ¨FUT¨, que não souberam vencer a luta contra as notícias on-line que chegam nos milhões de computadores, tabletes e telefones do Brasil.

Ao analisarmos os jornais especializados em esportes, verificamos que esses também foram tragados. No Rio de Janeiro, havia um dos mais importantes do país, formador de bons jornalistas, o "Jornal dos Sports" que foi minguando e sucumbiu após tantos anos de glórias.

A "Gazeta Esportiva" era um dos mais lidos periódicos do Estado de São Paulo e no Brasil. Tinha uma escola de jornalismo de alto nível, mas não suportou a luta, encerrando as suas atividades, sobrevivendo hoje no sistema on-line. Fomos leitores assíduos, por conta da coluna de Juarez Araújo sobre o Basquetebol, que nos acompanhou em eventos internacionais desse esporte.

O último a desaparecer foi o ¨Marca Brasil¨, que tinha uma parceria com um dos mais importantes periódicos do mundo, o ¨Marca¨ da Espanha. Resta apenas ¨O Lance¨, que cedo ou tarde irá sucumbir por conta da ausência dos leitores, e da sua boa qualidade on-line. 

Na Europa, e nós lemos todos os dias para nos atualizarmos, diversos jornais esportivos tem grande aceitação, e são referências para o setor. Além do "Marca", a Espanha tem o "Diário As" o "Port-Bild" na Alemanha, "A Bola", em Portugal, o "Daily Express", na Inglaterra, o "Corriete dello Sports" e a "Gazzetta dello Sport" na Itália, e tantos outros, numa demonstração que foram competentes na luta contra um inimigo poderoso.

Na vizinha Argentina os esportes tem uma referência há muitos anos, o jornal "Olé", que é um dos mais respeitados do Continente, que serviu de modelo para o nosso "Lance".

O país que se proclama como do futebol não consegue segurar jornais e revistas especificas, principalmente pela falta de patrocinadores e de leitores, assim como os clubes não levam torcedores para os estádios. Algo bem estranho.

De acordo com as pesquisas realizadas, o país tem 130 milhões de pessoas que acompanham os esportes, e em especial o futebol, mas que não foram alocadas para o setor dos jornais e revistas, que não conseguiram manter-se e foram se extinguindo no decorrer do tempo.

Ou não foram competentes, e as informações não contemplavam algo interessante para os leitores, ou então esses números não representam a realidade.

Na realidade faltou visão e competência, fatores aliados a preguiça de leitura do povo brasileiro.

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Artigos
Futebol ruim e estádios vazios
postado em 26 de janeiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Em início de temporada nem futebol de seleção presta. Talvez esta seja uma das razões dos estádios estarem tão vazios. Portanto, vamos nos contentar com os resultados. A magra vitória (1x0) da Seleção Brasileira sobrea Colômbia, em amistoso, no estádio Engenhão, no Rio de Janeiro, serviu apenas para aumentar o crédito do trabalho do técnico Tite, que segue invicto. Seguindo a mesma linha de raciocínio, consideramos positivas as estreias dos clubes pernambucanos na Copa do Nordeste.

O Náutico passeou na frente do Uniclinic do Ceará, a quem goleou por 4x0 na Arena Pernambuco; o Santa Cruz arrancou um empate (1x1) diante do Campinense, em Campina Grande, no confronto que, teoricamente era o mais difícil, e o Sport venceu o Sampaio Correa (1x0), na Ilha do Retiro, graças a um erro da arbitragem que não marcou o impedimento do zagueiro, Ronaldo Alves, no lance que redundou no único gol da partida.

Os estádios vazios provocam a abertura de um leque de discussão e são muitos os argumentos utilizados no esforço de mostrar que o afastamento dos torcedores dos estádios é fato corriqueiro em início de temporada. Há controvérsias neste sentido. O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tem nos mostrado, há um bom tempo, que o êxodo dos torcedores tem crescido ano após ano. A julgar pelos públicos registrados em diversos jogos realizados pelo Brasil afora, em diferentes competições, a temporada 2017 não será positiva neste item, ou seja, os estádios estarão mais vazios.

Neste final de semana vamos ter um bom teste para o torcedor pernambucano. É que começam as disputas do hexagonal que apontará o campeão estadual da temporada. Central, Salgueiro e Belo Jardim juntam-se ao trio de ferro da Capital %u2013 Sport, Náutico e Santa Cruz %u2013 para o melhor da festa. A farra começa com o Sport medindo força com o Central, sábado a tarde, na Ilha do Retiro. No domingo teremos o clássico entre Náutico e Santa Cruz, na Arena Pernambuco, e o jogo entre Salgueiro e Belo Jardim, no Interior. Se vivo estivesse, o comentarista, Barbosa Filho, diria que este  "é um campeonato mequetrefe". Um conceito que deve ser abraçado por milhares de torcedores, razão me leva a crer que não teremos o registro de bons públicos na chegada do Campeonato Pernambucano ao Recife.

Nesta fase do Pernambucano que se inicia sábado, movimentando três cidades, uma vez que o Belo Jardim leva os seus jogos para a cidade de Caruaru, os seis clubes se enfrentam pelo sistema de ida e volta. Os quatro primeiros colocados disputam as semifinais. Embora saibamos que o futebol reserva muitas surpresas, tudo indica que, mais uma vez teremos Sport, Náutico, Santa Cruz e Salgueiro disputando as vagas para as finais. Está escrito nas estrelas.

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Futebol Brasileiro
Pirâmide invertida
postado em 26 de janeiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

O futebol brasileiro tem o aspecto de uma pirâmide invertida, quando as entidades são maiores do que os clubes, que na realidade formam a sua base.

Criou-se um paradigma de que a seleção brasileira é a pátria de chuteiras, fato esse que é uma grande ilusão, desde que sem os clubes essa não existiria, como também o Circo e as federações estaduais.

No futebol europeu as agremiações são maiores do que as seleções de seus países, como de suas entidades dirigentes. Por conta disso é que aconteceu uma grande evolução.

No Brasil trata-se uma seleção como algo de outro planeta. O jornalismo juvenil se emociona com as convocações, com os treinos e as entrevistas dos atletas. Esquecem que esses pertencem aos clubes, de onde recebem os seus salários.

A base da pirâmide do futebol são os clubes, mas como o sistema foi invertido, tornaram-se enfraquecidos, e o órgão maior que o comanda cada vez mais rico.

Estamos vivendo um período de seca, pior do que a do Nordeste, com reflexo nos clubes, arrastando as competições que se tornaram medíocres, abandonadas pelos torcedores, com estádios ociosos.

Os nossos dirigentes ainda não entenderam a importância de suas agremiações e continuam se submetendo aos donos do poder, sem a menor reação para virar a pirâmide para o seu devido lugar. 

Se perguntarmos a um torcedor de futebol se esse prefere uma conquista da seleção a uma vitória do seu time, certamente um percentual de 99,9% responderá de forma favorável ao segundo item. Não temos a menor dúvida.

O modelo ultrapassado não permite a presença de investidores, como acontece na Europa em diversos clubes, que tornaram-se grandiosos.

O Brasil por falta de credibilidade está fora do mercado. Os poucos que se aventuraram a investir em nosso futebol debandaram.  Quem irá colocar 200 a 300 milhões de euros em um time, sem a garantia de um retorno positivo por conta da instabilidade jurídica do Brasil, e da esperteza de alguns cartolas? 

Segundo a consultoria Deloitte,  existe uma chance apenas ¨moderada¨ de que o times brasileiros possam estar entre os mais ricos do mundo em 2030. O Leicester da Inglaterra, um clube mediano teve uma receita de R$ 592 milhões no ano de 2016, bem acima da maior do futebol brasileiro.

Sem investimentos jamais sairemos dessa patamar, e com o modelo superado que continuamos a manter, nunca iremos sair do atoleiro, contentando-se apenas com a disputa entre os emergentes.

A referência nacional hoje é o Continente Sul-Americano, inclusive no mercado de jogadores. É muito pouco para quem deseja crescer e ingressar no verdadeiro mundo do futebol.

A falta de visão dos dirigentes emperrou o esporte da chuteira no país, contando com o apoio da imprensa e dos torcedores que preferem morrer de inanição a mudar o sistema falido, e que nunca poderá concorrer com o mundo globalizado, capitalista e mercantilista que tomou conta do setor.

Quando os cartolas irão entender de que seus clubes são os donos do futebol?

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