Histórico
Campeonato Pernambucano
Sport festeja seu 42º título
postado em 21 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

No espaço de oito dias torcedores do Sport e do Náutico vivenciaram uma verdadeira "Via Crúcis", ao constatarem tantos erros de arbitragem nos dois jogos finais do Campeonato Pernambucano. Para se ter uma idéia, dos quatro gols que aconteceram (um no primeiro jogo, e três na partida final, neste domingo, na Ilha do Retiro), três foram irregulares, mesmo assim foram validados, erradamente, pelos árbitros. E quando todos pensavam que o Sport seria liquidado na decisão por pênaltis, por não ter mais o milagroso Magrão no gol, eis que o jovem Maílson se agiganta, defende duas cobranças de tiro livre direto, garantindo uma Feliz Páscoa para a torcida leonina.

E a Ilha do Retiro festejou o seu novo "Messias" como o grande herói do 42º título estadual.

As expulsões do experientes, Suéliton e Brocador, logo no início da partida, por conta de uma irresponsável troca de agressões, interferiram nos planos de jogos das duas equipes.

Os técnicos, Guto Ferreira (Sport) e Márcio Goiano (Náutico), não pouparam adjetivos para ressaltar as qualidades dos seus respectivos grupos. A valentia dos alvirrubros foi citada como uma virtude a ser destacada, visto que, foi através de uma entrega surpreendente, que o Náutico superou todas as adversidades e chegou a uma vitória pouco provável diante das circunstancias em que transcorreram os dois jogos decisivos.

A melhor qualidade do grupo do Sport é incontestável, mas algumas peças não corresponderam as expectativas neste jogo final. O grande número de erros de passes foi impressionante, a tal ponto de o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, me chamar a atenção sobre tal detalhe, ainda no primeiro tempo da partida, fato que deixa ressaltada a necessidade de investimentos nos dois times - Náutico e Sport - para que ambos consigam atingir suas metas no Brasileiro, que começa no próximo final de semana.

Após o jogo, durante duas horas de trabalho analisando lances e entrevistando os protagonistas desta página da história do futebol pernambucano, os comentaristas e analistas da Rádio Jornal do Commercio, se perderam numa discussão sobre os erros da arbitragem, colocando a análise de desempenho das duas equipes em segundo plano.

O rubro-negro Costinha, ex-diretor do Sport, é sempre lembrado por uma frase antológica após a conquista de um título na década de 90: "Vencer é o céu".

Pois bem: O Sport comemora seu 42º título do Campeonato Pernambucano; o técnico Guto Ferreira festeja um título que ele conquistou em sete jogos, mas fica a interrogação sobre a musculatura do time para encarar o maior desafio da temporada: o acesso a Série A.

O Pernambucano não serve de parâmetro para o Brasileiro da Série B, fato que nos deixa com a certeza de que, se não reforçar o grupo, o Campeão Pernambucano sentirá muita dificuldade para alcançar sua meta na "maratona nacional".      

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Acontece
Os Desavergonhados
postado em 17 de abril de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

O errado e o maléfico, a incompetência e o desleixo, a estupidez e a má fé são próprios da condição humana. A diferença está entre os que se envergonham e os desavergonhados.

No Japão civilizado, a vergonha é o pior castigo para uma pessoa e sua família, mais temida do que as penas da Lei. Homens públicos se suicidam por pura vergonha.

Embora seja só meio caminho para não errar de novo, o sentimento de vergonha ajuda a civilizar. Já os que não se envergonham, nem por si nem pelos outros, são determinantes para que as suas sociedades sejam aquelas que mais sofrem com a corrupção, a criminalidade e a violência.

Começamos este artigo com um texto do professor Elton Simões, após esse analisar pesquisas internacionais sobre as relações entre o sentimento social, familiar e a criminalidade.

O nosso País, infelizmente se tornou um dos maiores celeiros de desavergonhados do mundo. A ética desapareceu e o sistema de levar vantagem em tudo tomou conta sob o silêncio profundo de boa parte da sociedade.

A política nos últimos anos apodreceu, políticos foram presos, um ex-presidente da República encontra-se numa cela por conta de chefiar uma quadrilha que tomou conta da nação, e que quase quebrou a Petrobras. O dinheiro público foi jogado pelas janelas.

Isso é um lado do Brasil que perdeu a vergonha.

Nos esportes, em particular no futebol, encontramos um Circo que foi dirigido por três presidentes com mais de trinta anos no poder, estando, no momento, um preso, enquanto os outros dois  foram afastados por corrupção. Enriqueceram e os clubes ficaram à deriva. A estrutura atual é a mesma, desde que o novo comandante sempre parte desse grupo.

Hoje ao lermos o Jornal da Folha de São Paulo com relação a empresa Sport Promotion que ganhou uma licitação fraudada pela entidade que administra o futebol para a venda de publicidade, mostrando que essa possui sete empresas com os sócios ocultos distintos entre si registradas no mesmo endereço, a sede da companhia em São Paulo.

O sócio ostensivo sempre é José Francisco Coelho Leal, dono da empresa, que tem uma longa história de parceria com Marco Polo Del Nero. As empresas são legais mas na verdade são vacas em vários postes.

O mais grave é que não aparece uma viva alma, nos clubes e nas mídias para, pelo menos, solicitar informações sobre o assunto. Não existe indignação de nenhum setor. Estamos nos acostumando com o que não presta.

Os grandes empresários do futebol se apossam dos atletas desde a sua formação. As procurações são dadas, na maioria com a conivência de alguns dirigentes, e aproveitando-se da situação financeira das famílias.

A seleção do Circo transformou-se num balcão de negócios, um modelo que foi implantado pelo ex-presidente Ricardo Teixeira. O sistema afeta das convocações, e por milhões de dólares jogam com times sem expressão. É a falta de vergonha.

Em alguns jogos pelas diversas competições muitas das arbitragens determinam os resultados finais, principalmente pela falta de uma preparação adequada e muitas vezes dirigidas. O VAR foi implantado e como tudo que acontece no Brasil, está sendo desmoralizado.

As torcidas organizadas, financiadas pelos clubes e seus cartolas trouxeram a violência aos estádios de futebol, e todos fingem que nada acontece. É a falta de vergonha.

Infelizmente, a listagem é vasta e o espaço não comporta, entretanto como a maioria do nosso povo tem vergonha, caberia a esses um movimento contra os desavergonhados que pululam em torno de um esporte fantástico, afregador, e que se chama futebol.

Só podemos derrubá-los com o tempo, educação e lideranças com vergonha.

O resto é malhar em ferro frio.

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Campeonato Pernambucano
Viva o analista de arbitragem!
postado em 14 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

E o analista de arbitragem bagunçou o coreto!

Sinal dos tempos. Se não houvesse esta nova função na crônica esportiva, nada se contestaria na vitória do Sport (1x0) sobre o Náutico, na primeira partida da decisão do título do Pernambucano 2019.

A jogada: Juninho individualizou e arriscou o chute, o goleiro Bruno, do Náutico, fez uma defesa parcial e o lateral Sander, do Sport, em posição irregular, aproveitou o rebote e deu o passe para Ezequiel marcar o único gol do jogo. O árbitro, Wilton Pereira Sampaio, FIFA/GO, validou o lance porque a assistente, Daniane Caroline Muniz dos Santos (MS), desatenta, também não percebeu a irregularidade.

Nenhum jogador do Náutico contestou o lance junto ao árbitro ou a assistente. Narradores, comentaristas e repórteres, não fizeram nenhuma alusão ao lance. Minutos depois o analista de arbitragem da Globo Nordeste mostra que, o lateral Sander se aproveitou de uma posição irregular para dar sequência a jogada que resultou no gol do Sport.

Resumindo: não adianta árbitro FIFA numa decisão se não houver o VAR. Clubes e Federação investiram na importação de um trio de fora, sob a alegação de que o quadro pernambucano não é de bom nível, mas se perderam no varejo ao não investir numa tecnologia que respalda a arbitragem nas principais competições do mundo.

O erro de arbitragem, que somente foi detectado pela televisão, após analisar o replay, passou a ser o mote das discussões, e servirá para empanar os equívocos dos treinadores. O gol irregular vai minimizar a derrota de um time que não foi ousado, e mesmo jogando em casa, com o apoio da torcida, criou muito pouco ofensivamente. O Náutico agrediu o Sport durante dez minutos da etapa final antes de sofrer o gol. No mais, procurou ser eficiente na marcação.

Dentro de um nível técnico baixíssimo, o jogo nos mostrou um Sport mais incisivo nas jogadas ofensivas, mas desperdiçando oportunidades de ouro, fato imperdoável em decisões. Os rubro-negros foram mais insinuantes ofensivamente, deixando claro que o técnico Guto Ferreira dispõe de mais alternativas para tentar mudar o cenário do jogo. O Náutico do técnico Márcio Goiano buscou o gol numa única jogada: investida pelo setor direito e bola lançada no segundo pau. No momento em que pressionou e empurrou o adversário para seu campo de jogo, lhe faltou variações nas jogadas ofensivas.

O futebol tem suas ironias: em 2017 o árbitro, Wilton Pereira Sampoio cometeu um erro crasso na decisão do Pernambucano, envolvendo Sport e Salgueiro, por seguir a sugestão do VAR, na época em fase de implantação. Sport foi campeão. Hoje, por certo está amargando a ausência do aparato técnico que teria respaldado sua atuação evitando a falha que maculou a arbitragem do primeiro clássico decisivo.    

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Sport
Tranquem o presidente!
postado em 09 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O presidente do Sport, Milton Bivar, não tem nenhuma habilidade no trato com as palavras, e ontem (segunda-feira), ele foi protagonista de um episódio que seria cômico se a moldura não fosse tão grotesca, revelando como a notícia é manipulada nos bastidores antes de chegar ao consumidor final que, no caso do futebol, é o torcedor.

O renomado repórter, Jorge Soares, que tem um programa diário na Rádio Clube, 720AM, ligou, logo cedo pela manhã, para o presidente leonino, com o intuito de fazer uma gravação. Ainda irritado com a arbitragem do jogo onde o Sport venceu o Salgueiro por 3x1, Milton Bivar desconsiderou a força das palavras e disse que achava que o árbitro "havia roubado", e em seguida foi mais feroz ao proferir um sonoro "cabra safado".

Como o bom repórter não guarda notícia, de imediato o Jorge Soares colocou a gravação no ar, deu o furo no programa do Bocão, e fez chamada para o seu programa que vai ao ar às 11h.

A partir daí o telefone do Jorge Soares não parou de tocar. Os pares do presidente Milton Bivar estavam em polvorosa. Afinal, declaração tempestiva como aquela poderia prejudicar o Sport na final. Alguém deve ter dito para o presidente leonino a célebre frase do Rei da Espanha, Juan Carlos, na XVII Conferência Ibero-Americana, no Chile, quando indagou o presidente venezuelano, Hugo Chaves: ¿Por qué no te callas?

Milton Bivar ligou para o Jorge Soares que acabou cedendo aos apelos. Apesar das chamadas feitas no programa do Bocão, ele passou uma hora no ar e não fez referência as agressões do presidente do Sport. Seus interesses se revelaram maiores que seu compromisso com a notícia, com o fato.

Na resenha esportiva, que foi ao ar logo a seguir, ninguém também fez referência ao fato, numa clara evidência de que a notícia foi "censurada" pela diretoria do Sport.

Alvirrubros e rubro-negros chegaram ao consenso de que o melhor para as finais do Pernambucano seria importar árbitros que fazem parte do quadro da FIFA.

O episódio de ontem, envolvendo o presidente do Sport e o repórter, Jorge Soares, nos faz voltar ao tempo em que os grandes jogos do Pernambucano eram promovidos com insultos e provocações dos dirigentes dos clubes que ocupavam todos os espaços das resenhas nas diversas rádios.

Certa vez, testemunhei um fato junto com o conceituado repórter, Hélio Macedo, atualmente na Transamérica FM, que entrou para o anedotário do futebol pernambucano, mas que foi real.

Carlos Alberto Oliveira havia assumido a presidência da Federação Pernambucana de Futebol. Dias depois se apresenta no gabinete do presidente, um cidadão dizendo ser o representante do Santa Cruz. A conversa transcorria amistosamente quando, em determinado momento, o dirigente tricolor adverte o novo presidente da FPF:

"Presidente! Quero lhe dizer que, as vezes eu vou para as rádios e chamo os outros de ladrão, desonesto... mas depois eu peço desculpas e fica tudo bem. Coisa do futebol, o senhor sabe como é".

Carlos Alberto ficou em silêncio por alguns segundos, se levantou da confortável cadeira e bradou:

"Sou parecido com você, não levo desaforo pra casa. Com uma diferença: se alguém me chamar de cabra safado, ladrão... eu dou um tiro na boca dele. Infelizmente não vou ter como pedir desculpa ao morto".

Bom! Depois deste dialogo o Santa Cruz foi obrigado a escalar um outro represente para ser o seu porta-voz na Federação.

O modo de fazer futebol no Século XX não cabe mais nos dias de hoje. Portanto, aqui vai uma sugestão para os rubro-negros:

Tranquem o presidente!      

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Campeonato Pernambucano
Final com a vibe da invencibilidad
postado em 07 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Em dois jogos, na Ilha do Retiro, o Sport marcou sete gols no Salgueiro e sofreu apenas um. Portanto, os números atestam a superioridade do time rubro-negro, que teve a vantagem do mando de campo nos dois confrontos. O fato referenda o nosso prognóstico: final do Pernambucano com Náutico e Sport medindo forças. Estava escrito nas estrelas desde que as semifinais foram definidas com confrontos entre times do Interior e da Capital.

O Sport do técnico Guto Ferreira se credenciou para as finais do Estadual com propriedade, o mesmo acontecendo com o Náutico de Márcio Goiano que ostenta uma invencibilidade de 18 jogos. Enfim uma decisão de título com o molho e a marca da rivalidade.

Tem quem defenda o fato novo como sendo positivo e importante para o futebol. Respeito os defensores de tal tese, contudo, não vejo evolução em clubes do Interior, em nenhum Estado brasileiro, a ponto de superar as forças tradicionais. As conquistas pontuais não chegam a ser determinantes.

O clássico entre Náutico e Sport deixará duas tribos centenárias em pé de guerra. Assim como acontecerá em Minas Gerais com a decisão entre Atlético/MG e Cruzeiro; em São Paulo com o Tricolor do Morumbi brigando por um título que não conquista há 16 anos. E o que dizer da decisão do Carioca envolvendo Flamengo e Vasco? Os grandes clássicos têm a marca da rivalidade. É ela que aquece a disputa.

Todos sabem que o futebol brasileiro não vive um grande momento. O nível técnico desta edição do Pernambucano foi baixíssimo, mas chegamos a uma decisão que se prognostica como das mais equilibradas dos últimos anos. Até o dia 21, quando conheceremos o campeão, a grea vai rolar solta nas redes sociais e nos quatro cantos da cidade. Fato que não acontece quando temos um confronto final entre Capital x Interior.

A boa apresentação do Náutico diante do Ceará, sábado, em Fortaleza, quando surpreendeu o adversário com uma vitória por 2x0, não apenas colocou o alvirrubro pernambucano nas semifinais da Copa do Nordeste, como credenciou a uma boa disputa de título com o arquiinimigo Sport. Os comandados de Márcio Goiano tiveram maturidade para suportar a pressão do alvinegro cearense, no primeiro tempo, e reagiram com inteligência e ousadia, na etapa final, construindo uma vitória memorável.

A falta de um melhor ritmo de jogo foi notória no time do Sport na vitória sobre o Salgueiro (3x1), hoje a tarde, mas a movimentação do conjunto, principalmente no setor ofensivo, evidenciou, mais uma vez, que o treinador, que segue invicto e com um aproveitamento de 100%, conseguiu estabelecer o equilíbrio que tanto o torcedor leonino cobrava.

A manutenção da invencibilidade nos dois jogos finais levará o Náutico e Márcio Goiano a uma marca história, além de quebrar um tabu de mais de 50 anos, que é o de conquistar um título na Ilha do Retiro, a casa do adversário.

A vibe da invencibilidade também será explorada no vestiário da Ilha do Retiro, onde o técnico Guto Ferreira tem nas mãos a possibilidade de ser campeão com apenas sete jogos, e de receber sua faixa com o carimbo de "invicto".

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