Histórico
Futebol Brasileiro
Estagnação ou regressão?
postado em 17 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Sempre somos questionados com uma pergunta sobre a estagnação do futebol brasileiro, e a resposta que oferecemos é de que houve uma evolução financeira, com maiores recursos, e de forma estranha uma regressão no setor técnico, quando começamos a perder o protagonismo entre os maiores centros do mundo.
A regressão foi um produto da ausência de uma boa gestão, que deu o seu lugar a gestores temerários e incompetentes. Para que se tenha uma ideia exata sobre essa queda, na década de 60 o maior clássico do futebol mundial tinha a presença do Santos e Benfica de Portugal, e o duelo de Pelé e Eusébio. Todas as mídias da época davam o devido destaque.
Hoje os jogos que se comenta, e que tem um um acompanhamento, são os da Europa, e que contemplam famosos atletas brasileiros em seus clubes. O Brasil era cantado em prosa e verso como o futebol arte. Serviu de inspiração para o Velho Continente que aprendeu e superou-o no decorrer do tempo. Conquistou cinco Copas do Mundo e tinha jogadores idolatrados, e com um bom mercado. Hoje são raras as transferências para os grandes clubes, e a demanda maior está na emergente China.
De repente, tudo isso foi jogado pelas laterais dos campos, dando lugar ao novo futebol proveniente da Espanha, Alemanha e Inglaterra. As novas táticas de valorização da bola adotada pelos maiores clubes europeus, que vem das categorias menores até os profissionais não foram acompanhadas pelo futebol brasileiro, que mudou a sua cara para um jogo de bola na área e defensores brucutus.
No Brasil de hoje, poucos clubes praticam o toque de bola como padrão. Os chutões e a ligação direta prevalecem. O futebol brasileiro que sempre foi exemplo por conta de seus talentos, sua ginga e habilidade, deu lugar a marcação dura, faltas em excesso e um número exagerado de simulações. A parte física sobrepujou a técnica. Quem corre é o jogador não a bola, como deveria ser. Os atletas são preparados para provas de atletismo, e não fazer a bola correr nos gramados.
Todos se submetem ao sistema sem contestação, inclusive apoiando um calendário insano e imoral. Trabalhamos no futebol no curto prazo. O longo é um palavrão no dicionário dos cartolas. Na Europa o treinador é longevo, no Brasil é descartável, e tudo reiniciado com a contratação de outro.
A regressão é latente, não temos técnicos especiais, jogadores diferenciados, dirigentes com visão estratégica, uma imprensa esportiva analítica, e contamos com uma entidade apodrecida dirigida por um presidente que não sai do país com medo do FBI.
O futebol europeu evoluiu nos últimos anos, e o brasileiro regrediu, e hoje está sendo tratado numa estação de esgotos.

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Acontece
A controversa propaganda de Neymar
postado em 15 de setembro de 2016

Análise de DUDA LOPES - Máquina do Esporte


A Snickers certamente celebrou a campanha com Neymar nas redes sociais. O vídeo em que o jogador canta, divulgado em sua página do Facebook, fez um enorme sucesso. Rodou a rede e foi parar até em canais de televisão. No fim, a marca foi exposta a um público considerável. Mas será que toda a encenação constitui-se no melhor uso possível das redes sociais?

Uma resposta definitiva é difícil. Não há, nesse momento, como mensurar a reação dos seguidores de Neymar e como quantificar o quanto a Snickers vai vender no fim da linha, o que, claro, é o objetivo final.

Ainda assim, é fato que a estratégia quebra toda a espontaneidade que uma rede social propõe. Teoricamente, o Facebook, o Twitter ou o Snapchat formam um meio de comunicação em que uma celebridade, por mais controlada que seja sua imagem, mantém contato real com seus fãs. É o local de interação e alguma espontaneidade.

Isso não impede, claro, que as redes sociais sejam usadas de forma comercial. Mas, talvez, se a comunicação de uma marca for feita de maneira mais transparente a mensagem poderia chegar com menos resistência.

Além disso, Neymar criou uma barreira em sua rede social. Mídia e torcedores poderão ter dúvidas em mente, no futuro: é uma brincadeira do astro com seus seguidores ou é mais uma ação comercial? Para a mídia, a Snickers fez uma espécie de emboscada, que nunca é muito bem-vinda.

Pode ser preciosismo, mas a busca incessante por um viral já parece tática de outros tempos, quando bom conteúdo era mais raro.


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Futebol Pernambucano
Disque Denúncia
postado em 14 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, depois de sugerir a pena de morte para os torcedores que brigarem nos estádios ou nas ruas, fato esse que serviu de chacota nos diversos programas esportivos brasileiros, convocou uma coletiva que contou com a presença de quatro ouvintes para falar sobre a violência no futebol de Pernambuco, e mais uma ideia "original", a de oferecer um prêmio para o "Disque Denúncia".
Na verdade ideias como essa mostram o desconhecimento do tema, que é muito mais profundo do que uma delação por dinheiro. Aliás no caso de domingo as imagens que circularam em nossa cidade foram ao vivo e a cores. Nós recebemos na mesma hora, e trata-se de um farto material para a Policia local, que faz um trabalho de enxuga gelo, já que os bandidos não são condenados.
Cansamos de escrever e falar sobre a violência no futebol, e tudo continua a acontecer, com a gravidade de um maior acirramento entre as partes. Conversamos com amigos torcedores que nos disseram que ficam com medo de irem ao estádios por conta da impunidade reinante. Todos os problemas que acontecem fora dos gramados estão relacionados às torcidas organizadas. Dentro desses praticamente não existe, graças ao trabalho articulado com todos os poderes realizado pelo Juizado do Torcedor. O palco agora está na rua, onde os encontros programados nas redes sociais se transformam em lutas campais.
Os clubes são culpados. Com exceção do Sport, que rompeu os seus laços com tais torcedores, uma das poucas coisas boas da atual gestão, os demais acobertam as suas organizadas, inclusive no lado financeiro. No momento da agressão de domingo, recebemos uma foto do agredido, que é presidente da Inferno Coral, festejando o lançamento dos novos uniformes com dirigentes do Santa Cruz. Criaram a cobra e essa está engolindo-os. Sabemos que no meio dessas torcidas, existem pessoas envolvidas com o crime organizado, além do acesso às drogas.
O combate deve ser feito através da asfixia financeira, e com a proibição de utilização de símbolos dos clubes em seus materiais. Com os cofres vazios, vem a inanição, desde que não terão mais recursos para a captação de seus "soldados".
Na verdade, a maioria é de jovens sem perspectiva que se unem a tribos que lhes dão identidade, valor e sentido que a sociedade lhes nega, sobretudo algo mais importante para o ser humano a educação. Torcedores organizados não somam nada no contexto, e servem para afugentar os que desejam frequentar os estádios e consumir os produtos de seus clubes. 
Quantos amigos nossos que usavam camisas dos seus times em dias de jogos relutam hoje em fazê-lo, por ficarem passíveis de uma agressão? Pena de morte ou Disque Denúncia não irá resolver o problema, e para tal basta atender o que determina o Estatuto do Torcedor, e entender que o problema é social, e que deve ser tratado como tal, com a participação de diversos segmentos, e em especial dos órgãos de segurança com o auxilio de seus setores de inteligência.
O torcedor precisa perder o medo de ir a um jogo, e para que isso aconteça existe a necessidade da participação de toda a sociedade.

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Futebol Pernambucano
Violência deixa cidade em pânico
postado em 12 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES



A "Lei do Cangaço" voltou a imperar em Pernambuco. Como estamos em pleno Século XXI, a nova ordem é plantar o terror no maior entretenimento do povo: o futebol. É uma espécie de "Estado Islâmico Tupiniquim". A diferença é que o verdadeiro EI faz terrorismo matando a grosso. O que mancha de sangue o futebol brasileiro mata a granel. Neste final de semana, enquanto Sport e Santa Cruz se preparavam para disputar uma edição histórica do Clássico das Multidões, um grupo de "cangaceiros", ou "terroristas", como queiram, promoveu um linchamento em uma das ruas do bairro do Cordeiro, no Recife. As imagens viralizaram nas redes sociais, fato que nos deixa com o sentimento de que a violência está banalizada.

No século passado, os bandos de cangaceiros levaram a melhor em vários combates com a polícia, a época tratada como "volantes". O ponto final do movimento foi cruel, violento, sanguinário. Naturalmente que, nos dias de hoje é inconcebível qualquer tipo de extermínio, genocídio. Mas existe um clamor na sociedade para que Polícia Militar e as outras instituições envolvidas com a segurança pública, encontrem uma forma efetiva de neutralizar as torcidas organizadas que deixam a cidade sitiada, e em pânico, em dias de jogos. Não é de hoje que o futebol pernambucano se tornou refém da violência.

A Colômbia conseguiu neutralizar as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas - FARC. Os europeus conseguiram conter as ações dos hooligans que transformavam estádios de futebol em campos de guerra. Apesar de várias ações terem sido anunciadas pelas autoridades civis e militares, a sensação é de que não causaram o efeito desejado em relação as torcidas organizadas em Pernambuco. Os clubes foram coniventes, contribuíram para que o "monstro" crescesse e proliferasse. Hoje, a sociedade sente os efeitos deste paternalismo, e paga um preço alto.

Enquanto não houver medidas extremas tipo - jogos para uma só torcida; acesso ao estádio só para sócios - seguiremos assistindo espetáculos de terror: linchamento; jovem paraplégico por conta de tiro; torcedor morto por ter sido atingido por uma privada lançada das arquibancadas...

Diante deste cenário sangrento do futebol pernambucano, é bastante previsível uma retaliação ao espancamento do qual foi vítima o presidente da Organizada Inferno Coral. Alguém duvida?

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Brasileiro Série B
O erro estratégico do Náutico
postado em 12 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES



A edição 2016 da Série B tem sido marcada pelo equilíbrio de forças, o que exige um planejamento estratégico dos clubes. É sabido que o returno é decisivo para os clubes que definiram como meta o acesso à Série A. Tal conceito revela a fragilidade do Náutico que, após o empate com o Bahia na vigésima-quarta rodada, caiu para a décima-primeira posição na tabela de classificação, fato que colocou sete clubes a sua frente na briga pela última vaga de acesso. A queda vertiginosa do clube alvirrubro acontece num momento em que as definições acontecem. Nas cinco rodadas do returno o time dos Aflitos contabilizou três derrotas, um empate e uma vitória. Não venceu nenhuma partida como mandante, sequência que lhe levou a figurar, pela primeira vez, na parte de baixo da tabela de classificação.

O equilíbrio da disputa nos mostra o Náutico a seis pontos do G4 (faixa de acesso à Série A), e a cinco pontos do Z4 (zona de queda para Série C). A atual posição dos alvirrubros na tabela de classificação deixa o clube com 11,2% de chance de acesso. A probabilidade de descer para a Série C é mínima dada a fragilidade dos times, com Sampaio Corrêa, Joinville e Tupi já estando teoricamente rebaixados.

O que fazer? Acredito ser esta a pergunta do torcedor alvirrubro que se recusa a deitar as armas quando estamos a quatorze rodadas do final do campeonato. Poucos treinadores conhecem a Série B como Givanildo Oliveira. A prioridade no momento é ultrapassar o ponto de corte, ou seja, levar o time aos 45 pontos o mais rápido possível, para isso precisa de uma sequência de quatro vitórias e um empate. Isto feito, o que vier é lucro. O cenário atual ressalta as dificuldades de buscar metas ousadas quando se depende da combinação de resultados.

O erro estratégico cometido pelos alvirrubros não foi outro senão o enfraquecimento no momento em que vários clubes deram sinais de reação, fato que estabeleceu um maior equilíbrio na disputa. Agora, além da essencial transpiração é preciso ter um pouco de qualidade para fazer a diferença.

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