Histórico
Copa Sul-Americana
A espera do imponderável
postado em 22 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O torcedor do Santa Cruz que ficou acordado até altas horas, na quarta-feira, para acompanhar o jogo histórico com o Independiente de Medellín, que marcou debut do Tricolor do Arruda numa competição internacional oficial, ficou com a sensação de que, com um pouco mais de ousadia os comandados de Doriva teriam retornado da Colômbia com um resultado melhor que a amarga derrota por 2x0. A vantagem construída pelo adversário é substancial, fato que torna iminente sua chegada às quartas de final DA Copa Sul-Americana.

O técnico coral abriu mão da qualidade ao deixar de fora do confronto três jogadores que representam o maior potencial técnico do Santa Cruz: Léo Moura, João Paulo e Keno. É possível que a estratégia fosse poupar as principais peças para o jogo de volta. Tal possibilidade deixou o torcedor otimista, uma vez que, o Independiente não apresentou um bom futebol, embora tenha sido eficiente nas finalizações. O sentimento entre os pernambucanos era de que se o time estivesse completo teria chances reais de construir uma vitória. Verdade. Faltou técnica e velocidade a equipe recifense.

A partida de volta, quarta-feira no estádio do Arruda, está sendo apresentada com uma moldura de otimismo exacerbado, o que nos leva a emitir alguns sinais de alerta. No afã de exaltar o momento histórico na vida do centenário clube do Arruda, pouco se falou do do time colombiano, e a sonegação de informações a respeito do momento do adversário levou o torcedor do Mais Querido a pensar que o Independiente fosse um pato morto, ou, no mínimo, ficar com a certeza de que "o diabo não é tão feito quanto se pinta". Portanto, vale lembrar que, se o Santa Cruz foi a campo desfalcado de suas melhores peças, o mesmo aconteceu com a equipe de Medellín que jogou sem seis titulares, inclusive os dois melhores atacantes.

O Independiente de Medellín se não chega a ser um dos melhores clubes do futebol sul-americano, pelo menos tem mais experiência internacional que o Santa Cruz, fato que, por si só exige respeito, e coloca a equipe colombiana como favorita nesta disputa por uma vaga para a próxima fase do torneio continental. Ao ver o Santa Cruz tropeças nas suas próprias limitações, chegamos a conclusão que, por enquanto a autonomia de voo do Tricolor é o Pernambucano e a Copa do Nordeste.

Bom! Na próxima quarta-feira vamos ter mais 90 minutos de bola rolando para ver se o imponderável entra em campo. Somente assim o Santa Cruz conseguirá reverter a vantagem.

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Acontece
A exclusão no futebol brasileiro
postado em 21 de setembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Realizamos uma pesquisa no Brasileirão a partir da era dos pontos corridos, e nos deparamos com algo muito sério com relação a exclusão de 2/3 do país na maior competição nacional.

Tal fato repercute por conta do Brasil ser um país continental, com 27 estados (incluindo o Distrito Federal) em sua Federação e no máximo apenas 9 participam do seu campeonato maior. Uma Forte exclusão.

Tal desigualdade atinge em cheio o futebol de três regiões, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A evolução do sistema só irá acontecer com um maior equilíbrio, e com as competições menores recebendo mais recursos, para que possam ter equipes bem estruturadas prontas para o acesso.

Hoje quando um clube chega a Série A, suas chances de continuidade são menores, desde que não tem o poder e as condições de uma maior competitividade. Temos um exemplo bem cristalino na atual temporada, com três clubes que vieram da Série B na zona do rebaixamento.

Nesse período analisado, a participação do Norte, com os clubes do Pará se deu  em 2003, 2004 e 2005 que foi o último ano. São 11 anos sem equipes nessa competição, que colaborou para a decadência desse estado.

No Centro-Oeste existe uma participação média anual de uma equipe. Em 2005 Brasilia teve a sua única participação com o Brasiliense, que foi logo rebaixado. No atual campeonato a região não tem representante.

No Nordeste nenhum clube da Paraíba, Alagoas e Sergipe. Do Rio Grande do Norte, apenas em 2007 com o America-RN, rebaixado no mesmo ano. Dai em diante o estado desapareceu do mapa do futebol nacional. Na Bahia, Vitória e Bahia se reversaram, algumas vezes participaram juntos. Nos anos de 2005, 2006 e 2015 não tiveram representantes.

A situação pernambucana é grave nesses últimos 16 anos . Nos anos de 2003, 2004, 2005, 2010 e 2011 não teve representante. O Santa Cruz no período de 2003 a 2016 jogou apenas duas vezes (2006 e 2016). Sport sete vezes (2007, 2008, 2009, 2012, 2014, 2015 e 2016), e Náutico cinco vezes (2007, 2008, 2009, 2012 e 2013).

São números que deveriam ser analisados, e que mostram a realidade do mundo do futebol, quando três regiões do Brasil simplesmente não existem, e quando participam da festa maior é para divertimento, sem maiores pretensões.

Existe uma necessidade de maior distribuição dos recursos e de se redesenhar o mapa futebolístico brasileiro.

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Brasileiro Série A
Torcida não tolera mais Oswaldo de Oliveira
postado em 19 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O Sport flerta com o rebaixamento desde o início da disputa do Brasileiro da Série A. No final do primeiro turno o time rubro-negro conseguiu sua melhor sequência na competição quando somou três vitórias e dois empates, resultados que lhes levaram a dar um salto da zona de rebaixamento para a parte de cima da tabela de classificação. Entretanto, uma série de erros lhe trouxe de volta ao sofrimento. A pouca qualidade técnica do grupo não foi suficiente para dar sustentação ao crescimento.

A derrota - 1x0 - para o Coritiba, um time da mesma estatura do Leão, e que foi a campo desfalcado de seis titulares, escancarou, ainda mais, a fragilidade de um grupo que foi montado dentro de critérios equivocados. Soma-se aos erros cometidos na composição do elenco, quando não foi respeitado o item qualidade na reposição de peças, os equívocos cometidos pelo técnico Oswaldo de Oliveira, que teve como castigo, um coro de mais de 7 mil vozes, lhe xingando de "burro, burro", ao testemunhar sua lambança, quando retirou de campo o atacante, Everton Felipe, o jogador mais lúcido da equipe rubro-negra. O fato deixou o treinador nervoso, e lhe levou a entregar o cargo no vestiário. Ao perceber o seu desequilíbrio emocional, o presidente, João Humberto Martorelli, pediu para que ele esfriasse a cabeça para conversar sobre o assunto.

Semana passada, já pressionado pelos fracos resultados, o técnico leonino se isentou de culpa em relação a montagem do elenco, o que merece uma contestação, pois, com sua anuência, o clube investiu e recrutou alguns jogadores que não deram uma resposta a altura, com exceção do atacante Rogério.

Oswaldo de Oliveira caiu em desgraça junto a torcida rubro-negra diante da série de erros cometida ao longo da competição. Habilidoso no uso das palavras, sempre procurou se proteger destacando erros de arbitragem como sendo a causa maior do fracasso do Sport em várias partidas. Passou a exigir um comportamento passivo do torcedor que, dentro de uma visão ditatorial, não tem o direito de externar seu descontentamento com o fraco desempenho do time através de um instrumento legitimo que é a vaia. Vale lembrar que a submissão nunca foi uma marca registrada dos leoninos. Domingo, quando a torcida passou a vaiar o goleiro Agenor, após o mesmo ter cometido uma falha primária que resultou no gol da vitória do Coritiba, Oswaldo de Oliveira passou a discutir com alguns torcedores, num jogo de cena patético.

Há muito que não ouvia, num estádio brasileiro, um coro uníssono chamando o técnico de burro. O comportamento pode ser avaliado como uma mostra da intolerância dos torcedores para com os constantes erros cometidos pelo treinador. As cobranças que antes eram direcionadas a determinados jogadores, agora têm como alvo o comandante da tropa, dono de um dos piores percentuais de aproveitamento dentre os técnicos que passaram recentemente pela Ilha do Retiro.

Os profissionais do Sport voltam a trabalhar na tarde desta terça-feira, quando teremos a resposta definitiva sobre a permanência, ou não, de Oswaldo de Oliveira no cargo.

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Brasileiro Série B
Um campeonato alucinado
postado em 19 de setembro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

Quem acompanha o futebol brasileiro jamais observou algo tão estranho como a Série B de 2016, quando os clubes fazem de tudo para não ocupar a vaga do acesso, e trabalham como uma carroça emperrada que não sai do lugar.

A 26ª rodada da competição foi concluída com alguns detalhes, que deixaram os analistas do futebol perplexos com a sua tabela de classificação. Cinco clubes com a mesma pontuação (39 pontos), e no G4 o acesso do Bahia, que com uma vitória saltou da 10ª posição para a 4º.

Quais os motivos para que esse fato raro pudesse acontecer? Vamos tentar responder essa pergunta.

Com exceção do Atlético-GO, o G4 do Turno foi totalmente modificado no returno, com Atlético-GO (1º), Bahia (2º), Avai (3º) e Criciuma em 4º. O Vasco da Gama continua na liderança, mas nas 7 rodadas da segunda fase encontra-se na 11ª colocação. Foi salvo pelas gorduras, e a queda de alguns clubes como o CRB, Ceará, Náutico e Londrina, que desceram na maluca roda gigante, sem sinais de recuperação. 

O Bahia, que pulou da 10ª colocação para a 4ª e Avai da 15ª para a 6ª, tomaram os seus lugares, e apresentam-se hoje com boas perspectivas de acesso, por conta de uma curva ascendente nos últimos 21 pontos disputados, quando tiveram um aproveitamento de 76%.

Um fato que está passando despercebido está relacionado a pontuação para o acesso. No momento e de acordo com os números do Bahia, um clube que chegar a 57 pontos poderá obter a vaga para a Série A de 2017, utilizando-se os critérios técnicos. Se os percentuais de aproveitamento dos melhores do returno permanecerem, a pontuação será de 60 pontos.

Achamos que os 59 pontos irão levar pelo menos um clube ao sucesso. Não temos dúvidas. Em 2007, o Vitória subiu com tal pontuação, e o fato poderá ser repetido nessa temporada.

A roda gigante ira continuar nas próximas 12 rodadas, quando as duas vagas abertas irão ser disputadas, e de tudo pode acontecer, desde que um tropeço do Brasil de Pelotas ou do Bahia, poderá levar o Avai, Londrina, ou o Ceará, caso um desses saia vitorioso em seu jogo, para o G4. Vasco e Atlético-GO estão bem próximos da Série A de 2017.

HAJA EMOÇÃO, E AO MESMO TEMPO MUITA REZA.

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Brasileiro Série A
A conta pelas derrotas
postado em 17 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

O marketing e a propaganda seguem à risca um dos princípios que regem o mercado: para se vender bem um produto é preciso ressaltar suas qualidades. Isto é regra. Afinal, ninguém compra o que não presta. É mais ou menos nisso que se baseia a lei da oferta e da procura. Esta é apenas uma das vertentes que nos leva a uma análise sobre o êxodo dos torcedores dos estádios brasileiros. A qualidade do espetáculo no Brasileiro da Série A, que alguns insistem em chamar de "elite", na edição 2016 ultrapassou o que poderíamos chamar de sofrível. A maioria dos jogos é marcada por uma pobreza técnica que leva ao grotesco.

De acordo com os números atuais, faltando treze rodadas para o final da competição, chegamos a dedução lógica que, dos 20 clubes participantes 9 somarão, ao final de suas campanhas, mais de 15 derrotas, fato que leva os analistas a fazerem suas projeções de forma inversa, ou seja, com base no elevado número de derrotas. Naturalmente que isto se aplica apenas aos clubes que lutam para fugir do rebaixamento.

Ao final da 25 rodada, América/MG e Santa Cruz são os clubes com o maior número de derrotas: 16 e 14, respectivamente. O Internacional que tem uma folha no futebol orçada em torno dos R$ 9 milhões mensais, já acumula 12 derrotas, o mesmo acontecendo com o Cruzeiro, outro clube tradicional do futebol brasileiro. Sport e Atlético/PR contabilizaram 11 derrotas, cada um. O que leva o time paranaense a ter 6 pontos a mais que o rubro-negro pernambucano é o fato de ter somado 11 vitórias, 3 a mais que o Leão. Atlético/PR e Santos são os clubes que menos empataram: 3 vezes cada um.

A pobreza técnica da Série A também pode ser observada através do saldo de gols dos clubes. Cinquenta por cento das equipes que disputam o campeonato das elites tem um saldo negativo. As leis que regem o mercado são tão pragmáticas quanto os números, que dão o norte sobre o futuro dos clubes na competição. Ao longo dos anos a crônica esportiva adotou um comportamento que mascara a realidade dos fatos. Levados pelo ufanismo os comunicadores, de forma geral, repassam um otimismo exacerbado para os ouvintes, telespectadores e leitores. Esquecem que o torcedor, embora seja levado pela emoção, também sabe fazer leitura de jogo, e nos dias de hoje são alimentados por muitas informações. Diferentemente do que acontecia há algumas décadas, quando o cardápio de jogos da televisão era pobre, vender ilusão através dos microfones e dos jornais é assinar um atestado de desinformado. Que me perdoem os mestres da informação.   

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