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O papel dos formadores de opinião
postado em 23 de outubro de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O PAPEL DOS FORMADORES DE OPINIÃO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O futebol não é um fato isolado, que poderá viver apenas com o talento dos seus jogadores e a participação de torcedores, quando a sua estrutura passa por um processo de ¨cupinização¨ que vem minando as suas estruturas.

O que acontece no segmento futebol passa ao largo, desde que o formador de opinião deixa de lado o senso crítico quando a bola começa a rolar, para virar um torcedor apaixonado.

O maior exemplo dessa alienação se deu no caso de Ricardo Teixeira, que comandou o futebol brasileiro por mais de duas décadas, com procedimentos ilegais que todos sabiam, mas não eram objetos de análises e críticas, e só perdeu o seu espaço por conta de um jornalista estrangeiro.

Ignorar os desmandos, a organização de campeonatos, os procedimentos dos dirigentes é sem dúvidas um comportamento fora da realidade, e que muitas vezes revela as paixões clubísticas que não deveriam acontecer, para que a opinião possa ser livre de tais grilhões.

Como poucas exceções, os programas esportivos levados pelas emissoras de televisão são piores do que as torcidas organizadas. Há pouco assistimos, em um desses, ao apresentador dá uma tapa no rosto de um dos participantes, numa brincadeira bizarra, demonstrando a sua baixa qualidade. Humor é para os humoristas.

O formador de opinião não é assessor de imprensa, e sim um ser livre que possa emitir as suas análises para um maior entendimento da sociedade que o acompanha.

O acompanhamento aos clubes tornou-se uma banalidade, uma vez que as mazelas não são divulgadas, e os torcedores recebem água de cheiro, no lugar em que muitas vezes a lama abunda.

O futebol brasileiro implodiu e assumiu a sua decadência principalmente pela ausência de opiniões que levantassem o que estava acontecendo por um perído já longo, e com isso suscitando um debate mais positivo sobre o assunto.

A importância do formador de opinião em todos os segmentos da sociedade, é sem dúvidas de alta relevância, principalmente pelo poder que tem em suas mãos ou vozes de levar aos consumidores o que de real acontece, e o que poderia ser feito para que o status quo fosse modificado.

Sem bons formadores de opinião não teremos um esporte de qualidade, em especial, o futebol. Estes têm que assumir a liderança do processo, e as suas contribuições fazem parte de um dos pontos mais importantes para a seriedade e desenvolvimento do setor.

Mamão com açúcar é bom no café da manhã, mas em nossos noticiários essa iguaria certamente não é bem recebida.

Estamos atravessando um dos piores momentos da história do futebol brasileiro, quando o público misturou-se com o privado, e sem os bons formadores de opinião a luta para que isso seja modificado certamente ficará muita mais tortuosa.

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Aqui na terra estão jogando futebol
postado em 22 de outubro de 2013


Por Magali Gama*


Quando Chico Buarque escreveu essa carta em forma de canção, os tempos eram difíceis, o futebol era usado como arma de alienação e o refrão "aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock''n''roll" servia para ilustrar a política "pão e circo". Agora, passados quase 50 anos, nossa realidade é outra, vivemos num país em pleno desenvolvimento social, econômico, o futebol brasileiro pentacampeão é respeitado no mundo inteiro, é sério, organizado e... que pena, acordei.

Para os que conhecem, devem perceber como a letra da canção ainda é atual e para os que não conhecem, recomendo para que melhor entendam através da poesia, o velho Brasil de sempre. Hoje, depois de mais uma trapalhada jurídica de nosso maravilhoso futebol, e de sentir uma indignação do tamanho de nossa paixão, me reportei ao passado do futebol tricampeão da ditadura em um paralelo ao futebol pentacampeão da democracia. O futebol mundial mudou bastante, deixou de ser apenas um esporte lúdico para se tornar um negócio bilionário. E em nossa caseira realidade, o objetivo da entidade que rege o futebol nacional não é apenas iludir o povo brasileiro, e sim assaltar a boa fé do torcedor em prol de seus interesses econômicos.

Todos nós sabemos que há muito o futebol brasileiro deixou de ser administrado e coordenado pela entidade que deveria ser responsável, que se omite propositalmente, favorecendo os grupos econômicos que fazem tal ato. Mas esses grupos, por razões óbvias, só administram, protegem e cercam os campeonatos que lhe interessam, no caso nacional, as séries A e B. Então, as outras séries existem apenas por um falso assistencialismo que, hipocritamente, continua por questões eleitoreiras tão antigas como a canção.

Infelizmente, desde 2008 estamos amargando todos os reveses possíveis e imagináveis que um clube de futebol pode amargar, por nossa própria incompetência. E quando, a duras penas, estamos conseguindo nos reerguer, mais um "furdunço" é armado e milhares de corações apaixonados são destratados, ignorados e submetidos a picuinhas jurídicas, tornando ainda mais gritante a nossa ânsia de sair desse buraco que nos enfiamos.

Não adianta aqui tentar discutir quem tem razão, quem não tem, contra quem devemos jogar, se devemos jogar. O que não podemos permitir é que um direito básico do consumidor continue a ser desrespeitado: o direito ao espetáculo previsto no regulamento.

Basta de brincadeiras de tribunais, de mocinho e bandido. Se o negócio é rentável e se tempo é dinheiro, cada minuto perdido são alguns milhares de reais que se deixa de ganhar, seja o clube, os patrocinadores, a imprensa. Pois mesmo no umbral do futebol, somos cobiçados pelo nosso maior patrimônio: o apaixonado torcedor tricolor. Não é à toa que a toda poderosa emissora administradora do Brasileirão iria transmitir um reles jogo de série C, não acham?

Só queremos apenas o direito de mostrar, pela bola rolando, que podemos e merecemos voltar a ter o nosso lugar ao sol. E que não fiquemos calados, esperando a %u201Cjustiça passar%u201D, e nosso direito sucumbir. Basta de subserviência, o tempo da %u201Cpátria de chuteiras%u201D já passou. Exigimos respeito ao Estatuto do Torcedor, e que resolvam imediatamente esse %u201Ccirco dos horrores%u201D.

Até hoje, em quase 100 anos de Santa Cruz, tudo que conquistamos e tudo que perdemos foi conseguido em campo, com a bola rolando, como sempre foi a filosofia dos meninos do pátio. Mas, em respeito a essa mesma filosofia, não podemos ver nosso direito tão duramente conquistado ser minado e cerceado por entraves jurídicos e brigas políticas, sem lutar, sem agir. Se for preciso, que se vá aos tribunais, que se grite por justiça, que se honre o nome do clube. E que se encontre, de uma vez por todas, a porta de saída do buraco negro, para nunca mais voltar.

Enfim, como diria o poeta Chico Buarque:

"Aqui na terra tão jogando futebol

Tem muita samba, muito choro e rock''n''roll

Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação

Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça

E a gente vai tomando e também sem a cachaça

Ninguém segura esse rojão".

*Magali Gama é torcedora do Santa Cruz

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Brasileiro da Série C
Desgaste tricolor
postado em 21 de outubro de 2013

CLAUDEMIR GOMES

 

A CBF marcou o jogo do Santa Cruz com o Mogi Mirim, para as 16h (horário do Recife) desta segunda-feira. Restava ao tricampeão pernambucano cumprir sua programação de viagem, embora todos soubessem do risco de a partida não vir a ser realizada. Afinal, o Betim, clube mineiro, que conquistou em campo o direito de enfrentar o Tricolor do Arruda na atual fase da Série C, estava de posse de uma liminar que assegurava sua permanência na competição.

Durante o debate das 13h, na Rádio Clube, do qual participamos diariamente, foi dito que o presidente do Santa Cruz, Antônio Luís Neto, havia sido informado de que a CBF havia cassado a liminar do Betim, e que a partida com o Mogi Mirim estava confirmada.

Mas este não era o enredo da opera bufa criada pela Confederação Brasileira de Futebol, que ao receber a liminar, foi obrigada a reconhecer o direito do clube mineiro. E assim o jogo foi cancelado sem nenhuma surpresa, até porque tal possibilidade nunca deixou de existir. É importante observar que, a pendenga judicial está no Fórum de Betim, portanto, todas as ações têm que passar por lá.

A lambança abriu o leque de discussão sobre a matéria Direito. As análises feitas por cronistas esportivos e dirigentes de clubes, querendo dar uma doutor em Direito, enfraquece todos os argumentos, tornando-os patéticos e personagens de um espetáculo grotesco, inaceitável num país que se prepara para sediar uma Copa do Mundo.

O Santa Cruz entrou de gaiato no meio de um tiroteio onde estão envolvidos FIFA, CBF, Betim e Mogi Mirim. O desfecho desta "guerra" é tão imprevisível quanto um jogo de futebol onde as forças se equiparam. E o clube pernambucano, que não tem nada a ver com as irregularidades cometidas por terceiros, sai chamuscado num episódio onde é mero figurante. Afinal, foi obrigado a cumprir uma agenda de viagem para um jogo que não existiu.

A zorra já invadiu o vestiário, e a incerteza em relação ao que virá pela frente, inevitavelmente afetará o trabalho desenvolvido pelo técnico Vica para o mata-mata que decidirá o acesso, ou não, do tricampeão pernambucano à Série B. O mais lamentável é a impotência do Tricolor diante de uma situação que bem retrata o comando do futebol brasileiro.

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Copa Sul-Americana
Hora de devolver o "presente"
postado em 21 de outubro de 2013

CLAUDEMIR GOMES

 

A Copa Sul-Americana caiu no colo do Sport para alegria do torcedor rubro-negro que foi ao delírio quando o clube leonino desclassificou o arquiinimigo Náutico na fase de classificação. Empolgação total, a ponto de o departamento de marketing promover o lançamento de uma revista em espanhol. A presença do rubro-negro pernambucano em mais uma competição continental era motivo de regozijo e orgulho. Afinal, a visibilidade era um fato inquestionável.

Por não ter sido um direito conquistado em campo, produto de uma classificação, e sim por ser resultante de um regulamento esdrúxulo, a disputa da Copa Sul-Americana não constava no planejamento do Leão para a temporada 2013, onde a meta maior do clube é o acesso à Série A.

A derrota - 2x0 - para o Libertad do Paraguai, no primeiro confronto que aconteceu em Assunção, aliada a dificuldade que o clube vem encontrando para se manter no G4 da Série B, abriu uma discussão sobre o óbvio: Qual a prioridade do Sport, o acesso ou a Sul-Americana?

Os profissionais envolvidos com o futebol utilizaram o bom senso ressaltando a importância de manter o foco na busca do objetivo no Brasileiro. Os homens de marketing tentam incentivar o torcedor rubro-negro a marcar presença no jogo desta quarta-feira com o Libertad na Arena Pernambucano. O técnico Geninho, preocupado com um problema que aflige todo grande clube brasileiro, o excesso de jogos a que são submetidos os jogadores por conta de um calendário irracional, admitiu mandar a campo uma equipe mista.

O elenco do Sport pode até ser numeroso, mas não é de boa qualidade técnica. Os testes realizados pelos fisiologistas indicam que alguns atletas estão atuando no limite, com risco de sofrerem lesões.

Muita gente tem se perdido em elucubrações para saber se é correto priorizar uma das competições. O pior cego é o que não quer enxergar. A Sul-Americana é um Presente de Grego que o Sport deve repassar para o Libertad.

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O calendário do futebol brasileiro
postado em 21 de outubro de 2013

Por Lindberg Júnior


O Bom Senso F.C. é um movimento composto por mais de 300 jogadores profissionais dos principais clubes do futebol brasileiro e quer mudanças urgentes no calendário de 2014, divulgado recentemente pela CBF. Fazem parte desse movimento nomes de peso como os de Rogério Ceni (São Paulo), Paulo André (Corinthians), Alex (Coritiba), Dida (Grêmio), Juninho Pernambucano (Vasco), entre outros, o que demonstra a importância da iniciativa.

Para o bem do espetáculo e do fortalecimento do futebol brasileiro, os atletas querem reduzir o número de jogos na temporada, respeitar o período de férias e ter tempo para uma pré-temporada adequada. Além disso - mais importante de tudo -  reivindicam participação nos conselhos técnicos das competições e entidades.

A partir de 2003, o calendário do futebol brasileiro avançou bastante, especialmente após a adoção do campeonato brasileiro em pontos corridos e a redução na duração dos estaduais. Naquela ocasião, CBF, clubes, federações, TV Globo e o Ministério do Esporte participaram dessas decisões.

Os atletas ficaram de fora da discussão naquele momento. Por isso, aspectos fundamentais para a melhoria da qualidade do futebol, como a redução do número de jogos, férias e pré-temporada ficaram em segundo plano. Até que os atletas deram o grito - e nasceu o Bom Senso F.C.

O diagnóstico está feito no dossiê elaborado pelo movimento. A solução é que é complexa.

Sabemos que o debate sobre o calendário é um %u201Cestica e puxa%u201D de interesses, uma verdadeira %u201Cbatalha%u201D por datas, envolvendo CBF, clubes, federações, TV, patrocinadores e, a partir de agora, os atletas.

Se o calendário atendesse aos interesses de todos esses atores, incluindo a recente proposta do Bom Senso F.C., as datas seriam assim distribuídas: Brasileiro (38), Estaduais (21), Copa do Brasil (20), Sul-Americana (10), Libertadores (17), Datas FIFA (7), Copa do Mundo (10), Superclássico das Américas (2), Mundial de Clubes (4), Férias (9) e Pré-Temporada (8). Ao todo, são 146 datas.

Só que o ano tem 52 fins e 52 meios de semana, um total de 104 datas disponíveis. A CBF resolveu esse problema para 2014 usando datas simultâneas: Sul-Americana com Copa do Brasil; Datas FIFA e Superclássico das Américas com Brasileiro e estaduais; e, pior de tudo, substituindo a pré-temporada pelos estaduais. Além do que, durante a Copa do Mundo, o futebol brasileiro vai ficar sem atividade. Dessa forma, espremeu o calendário.

E aí vem a complexidade dessa discussão. Onde cortar datas? Reduzir os estaduais? O Brasileiro? Iniciar a temporada em julho para que as férias coincidam com o período de Copa do Mundo? Negociar a Libertadores e a Sul-Americana com a Conmebol? Ou deixar tudo como está? Como realizar a transição do calendário atual para o próximo?

A solução tem que vir pela discussão entre todos esses interessados. De preferência, num fórum aberto, formal, transparente. Até para mostrar que decisões importantes no futebol brasileiro não podem continuar ser tomadas apenas nos bastidores e sem a presença do principal ator do espetáculo: os atletas.

Lindberg Júnior é servidor público e autor da dissertação de mestrado "O calendário do futebol brasileiro: um caso de processo decisório interorganizacional", defendida em 2005, na Universidade de Brasília.

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