JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O futebol não é um fato isolado, que poderá viver
apenas com o talento dos seus jogadores e a participação de torcedores, quando a
sua estrutura passa por um processo de ¨cupinização¨ que vem minando as suas
estruturas.
O que acontece no segmento futebol passa ao largo, desde que o formador de opinião deixa de lado o senso crÃtico quando a bola começa a rolar, para virar um torcedor apaixonado.
O maior exemplo dessa alienação se deu no caso de Ricardo Teixeira, que comandou o futebol brasileiro por mais de duas décadas, com procedimentos ilegais que todos sabiam, mas não eram objetos de análises e crÃticas, e só perdeu o seu espaço por conta de um jornalista estrangeiro.
Ignorar os desmandos, a organização de campeonatos, os procedimentos dos dirigentes é sem dúvidas um comportamento fora da realidade, e que muitas vezes revela as paixões clubÃsticas que não deveriam acontecer, para que a opinião possa ser livre de tais grilhões.
Como poucas exceções, os programas esportivos levados pelas emissoras de televisão são piores do que as torcidas organizadas. Há pouco assistimos, em um desses, ao apresentador dá uma tapa no rosto de um dos participantes, numa brincadeira bizarra, demonstrando a sua baixa qualidade. Humor é para os humoristas.
O formador de opinião não é assessor de imprensa, e sim um ser livre que possa emitir as suas análises para um maior entendimento da sociedade que o acompanha.
O acompanhamento aos clubes tornou-se uma banalidade, uma vez que as mazelas não são divulgadas, e os torcedores recebem água de cheiro, no lugar em que muitas vezes a lama abunda.
O futebol brasileiro implodiu e assumiu a sua decadência principalmente pela ausência de opiniões que levantassem o que estava acontecendo por um perÃdo já longo, e com isso suscitando um debate mais positivo sobre o assunto.
A importância do formador de opinião em todos os segmentos da sociedade, é sem dúvidas de alta relevância, principalmente pelo poder que tem em suas mãos ou vozes de levar aos consumidores o que de real acontece, e o que poderia ser feito para que o status quo fosse modificado.
Sem bons formadores de opinião não teremos um esporte de qualidade, em especial, o futebol. Estes têm que assumir a liderança do processo, e as suas contribuições fazem parte de um dos pontos mais importantes para a seriedade e desenvolvimento do setor.
Mamão com açúcar é bom no café da manhã, mas em nossos noticiários essa iguaria certamente não é bem recebida.
Estamos atravessando um dos piores momentos da história do futebol brasileiro, quando o público misturou-se com o privado, e sem os bons formadores de opinião a luta para que isso seja modificado certamente ficará muita mais tortuosa.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








