Histórico
Futebol Brasileiro
Calendário muda em 2015
postado em 29 de outubro de 2013

SÉRGIO RANGEL - FOLHA DE SÃO PAULO


"Tudo certo e nada resolvido". Foi dessa forma que Alex, meia do Coritiba, definiu a reunião de ontem dos integrantes do movimento Bom Senso F.C. com o presidente da CBF, José Maria Marin.

O encontro contou também com representantes dos clubes, federações, sindicato dos atletas e emissoras de TV na sede da entidade.

Com a alegação da CBF de que a Copa tornou atípico o calendário de 2014, Marin anunciou mudanças apenas para 2015, quando os atletas ganharão um mês de pré-temporada após 30 dias de férias.

Para o próximo ano, o presidente da CBF manteve o período curto de pré-temporada, em alguns casos de apenas quatro dias, e proibiu os times de realizar excursões no exterior durante a disputa do Campeonato Brasileiro.

"O importante é que abrimos o diálogo. Até então, nunca tínhamos sido ouvidos", afirmou o meia, um dos líderes do Bom Senso F.C., movimento formado por cerca de mil atletas das Série A e B do Brasileiro que pretende discutir a programação dos próximos calendários.

Além de Alex, o lateral corintiano Alessandro, o goleiro palmeirense Fernando Prass, o zagueiro colorado Juan, o meia botafoguense Seedorf e o zagueiro corintiano Paulo André também participaram do encontro.

"É covardia falar em 2014 com a paralisação de 45 dias para a disputa da Copa do Mundo. Em 2015, não haverá futebol em janeiro e os Estaduais serão reduzidos para que sejam mais rentáveis e atrativos. Está definido", afirmou o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil.

Na reunião de ontem, a CBF se comprometeu a estudar a adoção do "fair play financeiro", com os clubes comprovando capacidade de pagamento dos salários, e estabelecer um número máximo de partidas mensais.

O movimento formado pelos jogadores também quer que comissões de atletas, treinadores e executivos dos clubes de futebol façam parte do conselho técnico de todas as competições nacionais.

Esta foi a segunda reunião da diretoria da CBF com os integrantes do Bom Senso.

O gesto de Marin é uma tentativa de esvaziar seus opositores na eleição da CBF, que acontecerá em abril.

As reivindicações do Bom Senso F.C. já haviam sido aceitas pelos presidentes das federações "rebeldes" --MG, RJ e RS, acompanhadas depois por SP, da situação--, que tentam viabilizar uma candidatura de oposição no pleito do próximo ano.

Na ocasião, os cartolas da oposição anunciaram que os jogadores dos seus Estados teriam uma pré-temporada com mais uma semana, além dos quatro dias previstos.

"Estou feliz que pela primeira vez estamos discutindo futebol com todos envolvidos e todos estão abertos para fazer o futebol brasileiro melhor. Não tem como sair com tudo definido, essa é uma primeira reunião. Sozinhos, nós jogadores não temos como mudar as coisas. Somos um ponto importante, mas não único", disse o lateral direito Alessandro.

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Acontece
Contra-senso: futebol ruim e goleada
postado em 27 de outubro de 2013

CLAUDEMIR GOMES

 

O Sport não apresentou um bom futebol, mas goleou o ASA de Arapiraca por 4x2. Esta é a regra no futebol de resultados, onde a qualidade é posta em segundo plano. O resultado mantém o rubro-negro no G4 quando começa a se definir a tendência dos ocupantes das duas vagas restantes para o acesso à Série A, uma vez que, as subidas de Palmeiras e Chapecoense estão consolidadas.

Louvável a atitude do técnico Geninho em reconhecer que seus comandados não apresentaram um bom futebol na vitória sobre o time alagoano. Patético o esforço do diretor de comunicação do clube leonino, José Alves, que tentou roubar a cena na coletiva de imprensa, após o jogo, na tentativa de desviar o foco das análises, querendo culpar o árbitro por punir os jogadores em faltas cometidas. Um jogo de cena que não causou nenhum eco.

É um contra-senso afirmar que um time jogou mal e construiu um bom resultado. Mas tudo se resume na eficiência. O primeiro gol leonino aconteceu aos 9 minutos, e foi fruto de um presente do lateral do ASA, que numa saída de jogo passou a bola para Marcos Aurélio que serviu de bandeja para Neto Baiano fazer as pazes com o gol. Até os 40 minutos o time alagoano se posicionou melhor em campo, criou algumas oportunidades, mas não foi eficiente no aproveitamento dos erros do Sport. Em duas jogadas com participação destacada do lateral Patric, o time leonino marcou dois gols e três minutos, e construiu uma vantagem substancial para administrar no tempo final.

Os comandados de Geninho se equivocaram, e acabaram trocando o verbo administrar, que poderia ser traduzido por valorização da posse de bola e gastar o tempo, com o verbo negligenciar, e acabaram afrouxando a marcação, permitindo ao adversário marcar dois gols, fato que levou a torcida ao pânico por sentir o risco do registro daquilo que seria uma catástrofe em relação aos planos do clube nesta reta final de campeonato. Mas aos 43 minutos o imperador, Marcos Aurélio, com maestria, assinalou o quarto gol leonino. E dessa forma, a fiel torcida rubro-negra, que compareceu em bom número à Arena Pernambuco - 23 mil espectadores - vivenciou mais um daqueles momentos de agonia e êxtase, coisa comum no futebol de resultados.

A derrota do Ceará - 1x0 - para o América/RN e do Paraná - 1x0 - para o Joinville, foram resultados bons para o Sport que passou a ter menos clubes colados no seu encalço.

Como era anunciado pela sua campanha, o Palmeiras assegurou a vaga de acesso com seis rodadas de antecedência do final da competição.

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Não existe mudanças sem rupturas
postado em 27 de outubro de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, NÃO EXISTEM MUDANÇAS SEM RUPTURAS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Nada melhor do que a História para nos mostrar que as mudanças só poderão ser feitas com rupturas. 

Acompanhamos as movimentações de alguns setores da sociedade futebolística na tentativa de mudanças, inclusive do BOM SENSO F.C., que, embora seja uma boa iniciativa, contém uma boa dose de romantismo, que é lindo, entretanto não resolve.

Como se pode transformar algo em conjunto com os donos de um poder que levou o esporte ao fundo do poço?

Na verdade são setores enraizados há décadas, que não desejam largar as benesses oferecidas pelos cargos que ocupam, e o dialogo oferecido serve apenas para protelar algo que já deveria ter sido procedido, ou seja, uma ruptura total da parte da sociedade que deseja transformações sem arranjos.

Quando o sistema apodrece, nenhum remendo poderá consertá-lo. Não existe cola para a incompetência, esperteza e mesmo corrupção, que é um cupim que devasta as estruturas de nossa nação.

Como mudar um calendário, quando os donos do futebol o aproveitam para a manutenção do status quo.

O esgotamento de um sistema motiva uma reação e uma ruptura, e essa só poderá ser conseguida através de ações, como de uma greve de jogadores, ou de um pacto de torcedores a não frequentarem os estádios, que seriam instrumentos pacíficos de pressão e com um grande conteúdo social.

O poder é inebriante e ninguém deseja largá-lo, e isso acontece em todos os segmentos, inclusive o esportivo, e para mantê-lo, os que estão com esse nas mãos, utilizarão de todos os procedimentos, inclusive concessões pontuais, como um presentinho oferecido aqueles que tentam algo de novo para o setor.

Grandes revoluções foram feitas de forma inteligente e sem violência. A independêcia da Índia, com Ghandi, foi uma delas. A queda da segregação racial nos Estados Unidos, embora tenha havido vítimas, mas o fundamental que abalou os alicerces foi o boicote aos brancos, através da negativa de compras em seus estabelecimentos.

Na Índia deixaram de comprar produtos britânicos, refletindo nos bolsos dos ingleses, que recuaram e concederam o que a sociedade desse país desejava, a liberação do colonialismo e do domínio da Inglaterra.

A ditadura militar brasileira foi derrubada com a participação do povo, que desejava romper com os grilhões que o aprisionavam, e mostraram isso nas ruas com ¨Diretas Já¨.

Os nossos analistas que se comovem com a atitude dos atletas do futebol brasileiro, deveriam se aprofundar um pouco na ciência da História, que nos mostra que não existe a compatibilidade entre os que desejam mudar, com os donos do poder que não serve a sociedade.

O voto é a arma da democracia e bem exercido pode romper com o poder dominante, mas no futebol esse instrumento é manobrado pelo sistema vigente, só atende o poder dominante, que continua e irá continuar dominando por ainda muitos anos o esporte nacional.

Por que não boicotar a Copa do Mundo, deixando-a apenas para os estrangeiros? Por que continuar a ir aos estádios prestigiando os erros e massacrando os profissionais? Por que não existe um movimento para não comprar nenhum produto dos patrocinadores da CBF?

Esses entre outros são movimentos de ruptura com o sistema, mas a sociedade do futebol em grande parte é alienada, apaixonada e pouco se importa se esse está afundando por conta de gestões desastradas.

A reunião marcada como BOM SENSO é mais uma perfumaria entre as que encontramos em nosso futebol, e o raposismo dos cartolas mais uma vez irá prevalecer, oferecendo um pouco para a continuidade no poder.

Nada se transforma com acordos entre aqueles que desejam mudar e os que estão no poder de forma equivocada, e só uma ruptura será capaz de fazê-lo.

O resto é manteiga no focinho de gato, e de uma sociedade anestesiada, que basta um pouco de circo e um pãozinho fica contente, mesmo sofrendo nas portas dos hospitais, com as escolas depedradas e inúteis, enquanto os donos do poder se locupletam desse com total apetite.

Mudar é uma necessidade, mas no Brasil esportivo isso é um sonho.

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Fair Play financeiro à brasileira
postado em 26 de outubro de 2013
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, FAIR PLAY FINANCEIRO À BRASILEIRA


Por Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria.


Após anos de estagnação e desmandos, o futebol brasileiro se mobiliza para a transformação. Finalmente os clubes estão sentando na mesma mesa para discutir propostas para alguns dos principais problemas, como questões do Calendário e das dívidas fiscais e tributárias.

Não há dúvidas de que as dívidas de boa parte dos clubes atingiu um nível ingovernável, comprometendo seriamente a qualidade do futebol brasileiro. Pois bem enterrada a absurda proposta de anistia, caminhamos para um parcelamento desta dívida, tendo como contrapartida o compromisso da manutenção dos pagamentos de impostos e salários em dia. Na proposta, o clube que não cumprir o acordado sofrerá punições com perda de pontos.

A isso estamos chamando de Fair Play Financeiro. A iniciativa é louvável, mas é preciso alguns cuidados adicionais, sob o risco de estarmos criando um Fair Play Financeiro à Brasileira. Como garantir que a rotina de prejuízos não voltará a ocorrer?

Concretamente, o que nos garante que o futuro será diferente? A palavra dos dirigentes? É fato que temos hoje alguns novos, bem preparados, mas e no futuro, como será? Por isso é preciso GARANTIR que novos e sucessivos  prejuízos não voltem a acontecer.

Vejam, salários e impostos (os alvos da medida) representam 36% do endividamento geral dos clubes, que são entidades com uma extensa cadeia de negócios. Os 64% restantes se referem a empréstimos, financiamentos, funcionários, fornecedores e prestadores de serviços, etc. Ou seja, não podemos fechar a porta e deixar outras duas abertas.

Portanto, é fundamental que uma proposta de Fair Play Financeiro considere:

1- Definir claramente o que é ¨Salário¨. Estamos falando de salários direito de imagem premiação qualquer outra forma de remuneração fixa ou variável. Sem a definição clara e ampla, fica fácil bonificações, premiações, participações de outros direitos, etc, de forma a escapar da limitação. Também é importante deixar claro se a punição esportiva ocorrerá aos clubes que atrasarem os salários de todos os funcionários, ou apenas os dos jogadores. Se for só dos jogadores, imagine o que correrá com os demais funcionários;

2- Garantir o cumprimento de todos os compromissos. Além de apresentar CND para comprovar que estão com os impostos em dia, os clubes precisam estar OK com órgãos e registros de proteção ao crédito, como Serasa, SPC, CADIN, etc. Não estando devem ser punidos esportivamente. Se esse tipo de restrição vale para pessoas físicas e jurídicas, por que não deveria valer para clubes?

3- Limitar os prejuízos e/ou relação entre receitas e despesas, implantar coeficientes de alavancagem, algo que limite perdas e impeça que nova escalada de endividamento comece.

Lembrando, os clubes atrasam salários porque acumularam déficits e dívidas. Se não limitarmos isso, o problema volta, talvez com outra face (outro tipo de endividamento), mas volta.

É preciso evitar o Fair Play financeiro à Brasileira.

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Uma pedra no caminho
postado em 26 de outubro de 2013

EDGARD ALVES - FOLHA DE SÃO PAULO


A decisão tomada pelo governo de Cuba de aumentar salários de seus esportistas e liberá-los para que possam assinar contratos no exterior é um avanço para aquele país e para o mundo dos esportes.

As novas medidas, que devem vigorar a partir do ano que vem, servirão como alavanca para que a ilha caribenha tenha alguma chance de recuperar seu prestígio no campo esportivo, ou pelo menos parte dele, já nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.

Bom para Cuba e uma pedra no caminho do Comitê Olímpico Brasileiro, que vislumbra, como representação do organizador dos Jogos, completar a competição com uma performance histórica, figurando entre os dez países com maior número de medalhas. Os cubanos, que na última Olimpíada já ficaram atrás dos brasileiros (14 a 17 no total de medalhas), ganham fôlego para uma reação com a nova regulamentação.

O momento é de espera para ver como a nova política esportiva de Cuba vai funcionar, se é que vai funcionar. Pouco depois da vitoriosa revolução comandada por Fidel Castro, em 1959, o profissionalismo nos esportes foi banido na ilha.

O regime, em contrapartida, passou a incentivar e a patrocinar amplamente a prática esportiva como um princípio da revolução sob o lema "El Deporte Derecho del Pueblo".

Funcionou, pois o movimento olímpico internacional se empenhava em defesa do amadorismo, vetando completamente o profissionalismo. Dessa forma, o desempenho cubano nas décadas seguintes nos eventos esportivos internacionais arrebatou manchetes de glória, mas começou a cair com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país após o desmantelamento, no despertar da década de 90, da União Soviética, que respaldava o regime castrista, e com o isolamento político.

O êxito cubano teve seu pico em Barcelona-1992, quando o país ficou em quinto lugar, com 31 medalhas, das quais 14 de ouro. Coincidentemente, aqueles Jogos marcaram o advento do profissionalismo, que passara a ser permitido nos Jogos. Aos poucos, enquanto outros países evoluíam com o profissionalismo e o patrocínio galopante nos esportes, Cuba estagnou.

A crise piorou com o crescimento no número de fugas de atletas cubanos de delegações em viagem ao exterior, seduzidos por promessas de sucesso financeiro e profissional. Esse assédio virou trauma para Cuba.

Assim, em Pequim-2008, com apenas dois pódios de ouro e o total de 24 medalhas, Cuba despencou para o 28º posto, aqui também com a classificação seguindo o padrão olímpico, definindo a posição pelas conquistas de ouro.

No ano passado, em Londres, foram 14 medalhas, cinco delas de ouro, e o 16º posto. O Brasil ficou em 22º, com 17 (três de ouro), mas já um passo à frente dos cubanos. O duelo entre os dois pelas medalhas é inevitável, alimentando a apreensão por esse desafio que vai apontar o mais destacado latino-americano na Olimpíada.

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