JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A
repercussão da tragédia de Santa Maria deverá servir de reflexão para todos os
segmentos que atuam na área de cultura e lazer em nosso paÃs, e nesse último
devemos incluir o futebol.
O atual sistema brasileiro é baseado na transferência de responsabilidades e, no final, nunca sabemos quais são os culpados.
As mortes deixaram famÃlias chocadas, e de roldão a sociedade brasileira. Ninguém questiona que vivemos no mundo do faz de conta, onde esses equipamentos de lazer e diversão funcionam muitas vezes sem alvarás, e quando os têm são, em vários casos, por conta de propinas entregues aos entes públicos, e sem nenhuma fiscalização.
Se fornece uma liberação, não a fiscaliza.
Com relação aos nossos estádios, certamente se houvesse uma vistoria dura, poucos sobreviveriam. São aprovados sempre com restrições e essas nunca são cumpridas.
Quantos já renovaram os estudos sobre as suas estruturas, que sofrem desgastes ano a ano, sem nenhum trabalho de recuperação?
Nos lembramos de uma luminária caindo na cabeça de um torcedor em um jogo no estádio do Sport Club do Recife, por falta de manutenção dos seus equipamentos.
Lembramos, ainda, da tragédia do jogo Vasco x São Cateano pelo Brasileirão, com vÃtimas, e o dirigente vascaÃno com uma única preocupação, a de continuar o jogo. Os que estavam sofrendo de nada valiam, pois eram menores do que a vitória do seu clube.
Por conta desse acidente, foi aprovado o Estatuto do Torcedor, que pouco é cumprido.
Ainda em Pernambuco, um muro que desabou no Ademir Cunha, liberado sem condições, e que ocasioniou ferimentos graves em muitas pessoas.
Ninguém foi responsabilizado, e os culpados certamente foram os acidentados.
Recordamos uma vistoria feita no José do Rego Maciel, para o jogo da seleção da CBF, e encontramos um poste de iluminação totalmente danificado e que poderia cair e ocasionar uma grande tragédia. Foi trocado, assim como os outros foram totalmente recuperados.
A capacidade dos estádios é dimensionada, sem o menor estudo técnico, e ao bel prazer dos dirigentes. No final, existem setores que não comportam o número de torcedores, e que podem ocasionar riscos com a lotação acima da realidade.
Assistimos, há pouco, a um jogo pelo Campeonato Carioca, entre Madureira x Flamengo, e vimos a irresponsabilidade da federação local em dar condições de jogo ao campo do primeiro, que não apresentava a mÃnima condição legal de sediar uma partida de futebol.
Quantos estádios têm portas de emergência em diversos locais, para que possam servir as eventualidades? Alguém fiscaliza normalmente se funcionam?
Quantas vezes são fiscalizados os refletores de nossos estádios? E a sua parte elétrica?
São pontos que vivemos em nosso cotidiano, e que só são vislumbrados quando uma tragédia dessa dimensão acontece e, neste momento, todos começam a discuti-la, procurando os culpados, quando na realidade só existe um, o poder público que deixa correr tudo ao bel prazer.
Como tudo que acontece em nosso paÃs, as portas só são fechadas após serem arrombadas, e deixando um rastro de dor.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







