Histórico
Olimpíada
O soldo de cada um
postado em 08 de agosto de 2012

EDGARD ALVES - FOLHA DE SÃO PAULO


Levei um susto quando soube que o ouro inédito na Olimpíada pode valer até R$ 180 mil para cada jogador da seleção brasileira de futebol. Interrompi a leitura para fazer um rápido cálculo sobre a premiação para os 18 atletas -esse é o número de inscritos. O montante atinge R$ 3,24 milhões. Acrescentando a comissão técnica e profissionais de apoio, a soma sobe pelo menos mais R$ 1 milhão, ou seja, vai para R$ 4,24 milhões. Oferta generosa ou abusiva?

Ontem, acompanhando a vitória do Brasil sobre a Coreia do Sul, voltei a refletir sobre esses números. Não consegui acabar com a dúvida. No Brasil, cada confederação estipula o valor do incentivo. E a CBF é rica, tem dinheiro em abundância, bancada por patrocinadores privados. O que falar?

Ainda mais levando em conta que do outro lado do campo estava a Coreia, que oferecia a seus jogadores um incentivo peculiar, mas com um forte apelo: a medalha valeria a dispensa do serviço militar, que lá dura dois anos e costuma colocar o soldado na fronteira com a Coreia do Norte, área de muita tensão.

Dar o título ao país, ou em outras palavras, ser "patriota" de chuteiras, em contraponto a não ser "patriota" em armas. Como avaliar essa oferta? Não que eu tenha esse conceito sobre uma mera disputa esportiva. Mas parece ser o teor da proposta colocada.

O prêmio da CBF é extremamente generoso, levando-se em conta os oferecidos aos integrantes dos times dos demais esportes da delegação brasileira. A medalhista Sarah Menezes, por exemplo, ouro no judô, iria ganhar R$ 50 mil, mas a confederação da modalidade decidiu dobrar a premiação.

O esporte de alto rendimento hoje, em geral, é profissional. Algumas modalidades são profissionais em um país e amadoras em outros. As Olimpíadas modernas, iniciadas em 1896, vetavam o profissionalismo de forma radical. Qualquer prêmio, incentivo ou salário valia exclusão do atleta. Mas isso mudou há cerca de três décadas.Por isso, já surgem discussões sobre se os atletas devem ou não ser remunerados para atuar na Olimpíada. Os Jogos alavancam a venda de produtos, de camisetas a cartão de crédito, e o COI fatura alto com patrocinadores e venda de direitos de imagem. Especialistas da área teorizam sobre o valor de mercado de uma medalha de ouro, que varia de esporte para esporte e de país para país, mas pode se traduzir em patrocínio de milhões de dólares.

Enfim, com essas ideias na cabeça, continuei confuso sobre o "bicho" da seleção, mas feliz ao final do jogo. Não com os três gols do Brasil, mas com um telefonema do estádio Old Trafford, em Manchester. Era a minha filha: "Pai, demais esse jogo!".

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Olimpíada
Argolas de Ouro
postado em 07 de agosto de 2012

EDGARD ALVES - FOLHA DE SÃO PAULO


A conquista da inédita medalha de ouro pelo Brasil na ginástica é uma façanha numa especialidade -a argola- que rivaliza com o cavalo com alça como a de maior dificuldade na modalidade. Mais surpreendente ainda, com um atleta, Arthur Zanetti, que nunca competira em Olimpíada. Não é um milagre, e sim fruto de um trabalho intenso, aprimorado há algum tempo.

No Mundial-11, Zanetti foi prata, atrás apenas do chinês Chen Yibing, agora prata, que despontava novamente como favorito.

A atração da ginástica do Brasil sempre foi a equipe feminina, principalmente com Daiane dos Santos, Daniele Hypólito e Jade Barbosa. Na atualidade, no entanto, o time luta com crises e vaidades, e renovar parece a única via de escape.

Nos últimos tempos, Diego Hypólito parecia pronto para abalar o reinado das meninas, mas apenas raspou. Sofreu quedas que provocaram desgaste e funcionaram como uma espécie de camuflagem, escondendo o alto nível técnico que o jovem conseguiu alcançar.

Já Arthur Zanetti, o campeão de Londres, trocou o solo pela argola e vem numa escalada, usando as competições internacionais para aprimoramento técnico e físico. Ouvi isso de gente que acompanha a modalidade. E também tem um diferencial, que mostrou na arena North Greenwich e que o coloca no patamar dos astros da modalidade: é perfeito nas paradas, quando fica com o corpo na horizontal e com os braços esticados, não deixando as argolas se mexerem.

Nas eliminatórias, Zanetti e seu treinador, que sabiam das chances de pódio mais do que ninguém, esconderam o jogo até dos favoritos. Os movimentos que vinha treinando desde março, deixou apenas para a decisão. Ou seja, soube esperar o momento certo para mostrar tudo o que sabe, sem perder o controle da classificação.

Outra virtude que Zanetti mostrou no seu desempenho foi o controle emocional. Também havia treinado para isso. Sua apresentação foi, disparada, a mais aplaudida, mas ele não ouviu nada. Estava totalmente concentrado na prova.

Zanetti vira a atração, mas o time nacional tem base. Conta com a experiência de Diego Hypólito e de outro ginasta em ascensão, Sergio Sasaki, décimo colocado na disputa do individual geral em Londres. Há ainda duas promessas, Petrix Barbosa e Francisco Barreto.

Até agora, pouco ou quase nada se falava da equipe masculina de ginástica. Isso vai mudar. A principal expectativa do campeão é que a modalidade deixe de ser vista como um esporte de menina. Não que exista preconceito. É que o sucesso da equipe feminina marcou a última década, ofuscando o masculino, que já desponta como a esperança para os Jogos do Rio, em 2016.

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Olimpíada
O penúltimo passo
postado em 07 de agosto de 2012

CLAUDEMIR GOMES

A pobreza técnica do torneio de futebol das Olimpíadas de Londres é impressionante. Nem mesmo o Brasil capitaneado por Neymar conseguiu empolgar, a exceção da convincente vitória - 3x0 - sobre a Nova Zelândia, mas os comandados de Mano Menezes não deram sequência ao bom futebol na partida com Honduras. Nas Olimpíadas quase não há tempo para recuperação. E neste futebol de resultados os retrospectos das campanhas são comparados e os números tidos como determinantes.

O Brasil marcou 12 gols em 4 partidas, tendo uma média de 3 gols por jogo. A pragmática Coréia do Sul chegou a condição de semifinalista com 3 empates e uma magra vitória por 2x1. Seu ataque marcou apenas 3 gols, menos de um por jogo. Mesmo se tratando de futebol, onde o imponderável se faz presente com relativa frequência, é quase impossível não raciocinar com lógica.

O pragmatismo é uma característica dos times orientais. A Coréia do Sul tem consciência de suas limitações e vai jogar na espera. Deixará que o Brasil tome a iniciativa do jogo, e com sua disciplina tática buscará, pacientemente, um espaço para tentar surpreender.

A posse de bola será determinante porque o desequilíbrio deverá acontecer por conta da qualidade técnica de alguns jogadores: uma jogada genial de Neymar, um passe milimétrico de Oscar ou uma chegada fulminante de Leandro Damião. O exército coreano não possui armas desse calibre. O penúltimo passo da caminhada do ouro não chega a assustar.


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Brasileiro Série A
Visão analítica sobre o rebaixamento
postado em 07 de agosto de 2012
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UMA VISÃO ANALÍTICA SOBRE O REBAIXAMENTO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O Brasileirão já teve 14 rodadas realizadas, representando 74% da primeira fase e 37% do total.

Tomando-se por base a equipe do Santos, que é a primeira acima da zona de rebaixamento, o ponto de corte atual seria de 35 pontos. Mas se levarmos em conta as estatísticas das últimas cinco competições tal situação irá evoluir para 46 pontos.

Quando verificamos a tabela de classificação do Brasileirão, constatamos que até o 8º colocado (Cruzeiro), estão os clubes que disputarão o título e a vaga para a Libertadores.

Os demais irão certamente lutar contra a degola, desde que ainda não atingiram os índices da fórmula 9 x 12 (nove jogos e 12 pontos ganhos), cujo teto até a 18ª rodada é de 24 pontos.

Faltam quatro rodadas para completar a segunda fase do sistema, que totaliza 12 pontos a serem disputados.

Ponte-Preta- 19 pontos-  - Necessidade: 5 pontos.

Corinthians- 17 pontos- Necessidade: 7 pontos.

Náutico- 16 pontos- Necessidade: 8 pontos.

Portuguesa- 16 pontos- Mesma situação do Náutico.

Flamengo -  16 pontos (Falta um jogo, e assim sendo tem a disputar 15 pontos)- Precisa de 08 pontos, igual ao Náutico e Portuguesa, mas em compensação tem um jogo a menos.

Coritiba- 15 pontos- necessidade: 9 pontos.

Sport - 14 pontos- necessidade: 10 pontos.

Santos- 13 pontos- necessidade: 11 pontos

Bahia- 12 pontos- necessidade: 12 pontos

Palmeiras- 10 pontos- necessidade: 14 pontos

Atlético-GO- 9 pontos- necessidade- 15 pontos

Figueirense- 8 pontos- necessidade- 16 pontos.

Mesmo com o sistema aos seus lados, Santos e Palmeiras são sérios candidatos ao rebaixamento. O clube santista para cumprir a sua meta teria que ter quase 100% de aproveitamento (hoje é de 33%). Com relação ao alvi-verde, mesmo ganhando todos os 12 pontos, ainda ficaria em débito de 2.

O mesmo acontece com Atlético-GO, precisando de 15 pontos e só tem 12 à disputar, e o Figueirense, de 16, o que também não poderá acontecer.

No atual contexto, Coritiba, Sport, Santos, Bahia, Palmeiras, Atlético-GO e Figueirense são os mais sérios candidatos a degola, e correm anda com o risco da influência da CBF   para ajudar Santos e Palmeiras. Numa zona intermediária, com menos turbulência estão o Náutico e Portuguesa, que não estão livres desse problema.

Desses clubes quem se descuidar certamente sofrerá as penas do rebaixamento.

Que os nossos visitantes façam as suas projeções.

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Artigos
As lições olímpicas
postado em 06 de agosto de 2012
Alfredo Bertini (*)

No meu discreto acompanhamento dos Jogos Olímpicos tenho sido costumeiramente questionado pelos familiares e amigos, em função do tom crítico que tenho exercido sobre os "resultados". Assim mesmo, entre aspas, para aqui dar uma conotação mais ampla. Ou seja, não apenas os obtidos no espaço físico de cada modalidade, mas dentro uma macro-perspectiva, que entenda o sentido do que pode ser compreendido como uma "política pública para o esporte". Afinal de contas, tentar entender as razões de qualquer fracasso é um exercício mais consistente do que criticar por criticar. Mesmo que a gente se sinta às vezes como um ser isolado, ao meio de tantas manifestações ufanas.
     Nesses ambientes que não nos permite uma abstração sobre a realidade, pensava que estava apenas reforçando meu papel questionador, daquele que tudo critica, bem comum quando a curva da idade já emite os sinais da impaciência. Acontece que, do ufanismo exagerado dos jornalistas que acompanham a cobertura dos Jogos, até as pífias conquistas obtidas até o presente, há um distanciamento enorme. Algo mesmo abismal. No entanto, para meu consolo, alguns textos e opiniões presentes nas redes sociais, deram-me o alento que tanto precisava, daquele tipo que faz a gente não se sentir só e remando contra a maré. Nesse sentido, pelo menos dois aspectos mereceram mesmo algum nível de questionamento, apesar dos últimos dias que restam de esperança nacional. Num primeiro plano, é de chamar atenção a falta de um jornalismo investigativo, que traga à tona as razões de tanto fiasco.  Em seguida, merece também uma análise o dilema "quantidade X qualidade", quando se leva em conta o peso da delegação brasileira, algo capaz de aferir até onde o "turismo olímpico" faz sentido ou não

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