Histórico
Sport
A dor da esperança
postado em 05 de outubro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Com mais de cinquenta anos vividos no futebol, o professor, Adelson Vanderlei, nos assegura que o pior adversário que um time pode enfrentar é a "pressão por resultados". Um inimigo oculto capaz de desarticular qualquer trabalho. Por conta dele a ansiedade atinge níveis estratosféricos, levando jogadores de bom nível técnico a protagonizarem momentos dignos dos piores pernas de pau. Jogadas bizarras que levam os próprios autores a duvidarem de tais façanhas. É quando o jogo passa a ser jogado no psicológico de cada um.

E haja tons de cinza. O mundo escurece.

Com Santa Cruz e Náutico ociosos, sem nenhuma atividade nos quatro últimos meses do ano, as atenções do futebol pernambucano se voltam para o Sport, que faz uma campanha trágica no Brasileiro da Série A, fato que torna iminente a sua queda para a Série B.

Chega a ser comovente o esforço do torcedor leonino para se manter otimista diante do pragmatismo dos números. Mesmo com os sites especializados apontando um percentual acima de 90%, de probabilidade de rebaixamento, o torcedor do Sport vive a buscar um fio de esperança que possa vir livrar seu clube do coração desta morte anunciada.

E mesmo não estando dentro das quatro linhas, o torcedor rubro=negro se sente torturado pela pressão por resultados.

Há alguns dias, o cartunista, Humberto Araújo, um dos maiores amantes do clube da Ilha do Retiro, na atualidade, mesmo consciente da impossibilidade de reação do time agora comandado por Milton Mendes, arriscou com o seu ilimitado otimismo: "Se conseguirmos vencer o Palmeiras e o Internacional criamos a possibilidade de escaparmos do rebaixamento".

As palavras de Humberto soaram como a mais fiel tradução da dor da esperança.

A derrota para o Palmeiras deixou claro que não convém sonhar com o que não é factível. O time do Sport está assustado com o fantasma do rebaixamento. A degola lhe bateu a porta em 2016 e 2017. Este ano, a soma dos erros cometidos pela diretoria, que foi de uma incompetência imperdoável, asfaltou o caminho para a Série B.

A primavera rubro=negra não aconteceu na temporada 2018, fato que levou o torcedor do Sport a conviver com a dor da esperança.

Eis o que oferece um time atormentado pela pressão por resultados, o implacável inimigo oculto.   

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Futebol Brasileiro
Gestão de Atletas
postado em 03 de outubro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Os anos vão passando, o Século XXI está próximo de completar 19 primaveras, e o futebol brasileiro continua estagnado, clubes com problemas financeiros, jogadores sem apego as camisas, jovens talentos fugindo para o exterior, e sem craques no gramado.

O ano de 2018, que está chegando na reta final, foi trágico, com o futebol sendo tragado pela mediocridade em todos os seus segmentos. Isso é o testamento desses quase 19 anos do novo século. O mais grave é que tudo isso acontece, e nada se faz para que a situação seja revertida.

Qualquer estudiosos sabe muito bem que todos os problemas que afetam o futebol nacional, além dos péssimos gestores, estão relacionados a falta de uma melhor regulamentação na legislação esportiva que forneça uma segurança aos clubes formadores.

O fim do passe foi sem dúvida um avanço, mas o golpe foi dado quando a legislação deixou de proteger o trabalho de base, e os clubes que o fazem, ou seja, deu o pontapé inicial para a atuação dos empresários que passaram a dominar o setor.

O jogador formado poderia ir para um outro clube, desde que o direito de ir e vir faz parte da democracia, mas as cláusulas penais deveriam ser maiores garantidoras para os clubes de origem.

As ações dos empresários de futebol têm vários tentáculos. São os responsáveis por transferências nacionais, internacionais milionárias e se apossam dos jovens talentos desde a infância. Os jogadores se transformaram em simples mercadorias nas suas mãos, enquanto os clubes são sucateados.

Entidades com problemas são mais frágeis, e o poder do dinheiro atua com intensidade, e hoje são reféns do poder econômico, que está nas mãos do novo personagem do futebol. Esse é o atual modelo.

Conhecemos de perto alguns fatos que mostram a realidade de tais atuações. Muitas vezes jovens são reprovados pelos clubes nas peneiras e posteriormente se apresentam na companhia de um empresário que já é dono do seu passe. Assinam contratos, aparecem no mercado, e no final aqueles que os apresentaram ao mundo do futebol (clubes), recebem uma pequena fatia pela hospedagem.

O jogador que seria uma descoberta no clube foi terceirizado por um agente de plantão. O lucro final muitas vezes é dividido com dirigentes dos clubes, que fazem parte do esquema.

A decadência do futebol brasileiro se deve em muito pela falta de um trabalho de base, que vem sendo feito apenas para atender os empresários, que substituíram os clubes como donos dos atletas, e por conta disso seus ativos despencaram, enquanto os passivos foram incrementados com os gastos do futebol.

Hoje não temos clubes, e sim times de futebol montados por um ano, desmontados no final pelos verdadeiros donos.

Na realidade faltam cabeças pensantes para que possam debater esse tema. Estamos em pela "Era da Burrice".

Existe uma promiscuidade nessa atual relação, visto que vários interesses estão em jogo. Uma das soluções seria a da criação de um órgão gestor de carreiras, administrado pelo próprio clube sem a interferência de terceiros que daria um grande passo para a reestruturação do futebol.

Do jeito que estamos caminhando o futuro é incerto, e a falência do futebol será decretada enquanto as diversas contas bancárias dos agentes estarão cada vez mais recheadas.

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Futebol Pernambucano
A conscientização de que é preciso mudar
postado em 02 de outubro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Sim! Nós somos formadores.

Foi com esta consciência que todos que participaram do 1º Congresso do Futebol Pernambucano, voltaram para casa após um dia de debates e trocas de experiência. Evidente que ninguém estava em busca da descoberta da pólvora, tampouco se tratava de um encontro para se fazer um "caça as bruxas", buscando culpados pela debacle do futebol pernambucano.

A consciência de que o evento não vai mudar o atual cenário foi outro ponto importante, assim como, o reconhecimento de que, todos os setores envolvidos precisam ser repensados, inclusive o comportamento adotado por alguns profissionais da imprensa.

Representantes do Fortaleza, e do CSA de Alagoas, revelaram as receitas que levaram os trabalhos, ora desenvolvidos nos dois clubes, ao sucesso.

Mais importante do que a formatação de um documento sobre o que aconteceu no 1º CFUT/PE, é sair da verbalização para a prática. Eis o grande desafio.

A negligência dos clubes com o trabalho de base; as cobranças e a falta de atenção da imprensa com este trabalho; o equívoco na definição de prioridades; a falta de investimento na formação e capacitação de profissionais (técnicos, fisicultores...).

De repente, todos que foram convidados e se fizeram presentes, se surpreenderam com a realidade do que vivenciam em debate.

O que fazer para mudar?

Evidente que nada acontece como num passe de mágica, num piscar de olhos.

O primeiro passo é se conscientizar de que é preciso mudar de comportamento. A quebra de paradigmas é fundamental.

A semente foi plantada. É preciso regar a planta da esperança. Afinal, sem encarar os problemas de frente, nada de positivo pode acontecer. É isto que estamos assistindo nos últimos anos.

Todos com a boca aberta esperando a morte chegar.

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Acontece
Congresso do Futebol
postado em 30 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O amigo, Dado Cavalcanti, me convidou para participar do Primeiro Congresso do Futebol Pernambucano, que acontece nesta segunda=feira, primeiro dia do mês de outubro. O momento é mais que propício para se abrir uma discussão sobre o futebol local, que tem se apequenado nos últimos anos e, equivocadamente, os dirigentes atribuem o fracasso, a extinção do programa do governo, Todos com a Nota.

Os temas escolhidos para serem debatidos foram:

* FUTEBOL DE BASE E CLUBES INTERMEDIÁRIOS

* PERFIL E IDENTIDADE DO CLUBE MODELO

* IMPRENSA E MARKETING

* GESTÕES E CALENDÁRIOS

As duas últimas décadas do Século XX nos premiou com mudanças que foram impostas pela chegada da internet. O mundo mudou, e muitos setores da sociedade sentem dificuldade para se adaptarem às mudanças e transformações.

Entrar em sintonia com o Século XXI não é fácil. Não estamos falando apenas em avanços tecnológicos, mas em mudanças de hábitos e comportamentos. Para ser contemporâneo do novo século, da era digital, é necessário ter sensibilidade e percepção, assim como, se adequar as novas tendências.

A incompetência da CBF em gerir o futebol brasileiro, provocou um movimento dos grandes clubes do País, que culminou com a criação do Clube dos 13. A época, a Confederação aceitou em ficar responsável apenas pela Seleção, repassando para o Clube dos 13 o gerenciamento do Campeonato Brasileiro.

Teoricamente este seria o princípio da nacionalização do futebol brasileiro. As dificuldades para se chegar a um modelo racional, para um campeonato num país continental, fizeram com que os gestores dos clubes e da CBF, assim como os formadores de opinião, que não atentaram para o que se passava na Europa, continente formado, em sua maioria por países do chamado, Primeiro Mundo. Esta "venda" que estava sobre os nossos olhos nos impossibilitou de enxergar a chegada da internacionalização do futebol, que nos foi trazida pela internet e consolidada nessas duas primeiras décadas do Século XXI.

A internacionalização atropelou a nacionalização do futebol brasileiro.

Hoje temos uma infinidade de perguntas sem respostas, o que é bastante natural em um país que trata o futebol feminino como um subproduto e tem uma jogadora escolhida, pela sexta vez, a melhor do mundo. Esta é apenas uma das muitas discrepâncias que temos no futebol verde e amarelo.

"Coisas do futebol brasileiro", diria o saudoso, Edvaldo Moraes.

Espero que, no Primeiro Congresso do Futebol Pernambucano não se perca tempo discutindo o sexo dos anjos, tampouco a tribuna seja usada para se contar causos e histórias pessoais.

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Acontece
O ovo dentro da galinha
postado em 27 de setembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O futebol brasileiro se programa contando com o ovo ainda dentro da galinha, quando não sabe se este está estragado e já vendeu no mercado. O planejamento é uma piada, os orçamentos são fictícios e não são obedecidos, a gastança é bem maior do que o Caixa é capaz de cobrir.

Esse exemplo se dá em 92% dos clubes brasileiros que gastam mais do que as suas receitas, e no final terminam com salários atrasados, os compromissos não pagos, e os resultados negativos.

Nada acontece por acaso, e sim por conta dos erros e acertos de uma gestão. Não se pode programar um orçamento anual com um sistema aleatório, do chute, do ovo dentro da galinha. Se a projeção de arrecadação é X, tem que se gastar menos, deixando uma reserva para as necessidades prementes.

Dirigir um clube de futebol não é uma brincadeira de criança, desde que mexe com milhões de pessoas que cobram os resultados, e por conta disso existe a necessidade da participação de profissionais.

Os cartolas querem promoção, querem as páginas de jornais, querem as telinhas das televisões, e para se projetarem entram numa roda viva e partem para as gastanças. São capazes de desfilarem nas ruas com uma melancia pendurada no pescoço.

Já cansamos de mostrar que existe um binômio importante para ser cumprido por uma gestão, o da receita e despesa, que deve ser respeitado. Todo dirigente deveria ter uma placa em sua mesa com essas duas palavras, para que possam se lembrar da realidade.

Com raras exceções os clubes brasileiros estão tecnicamente falidos por conta das insanidades dos seus dirigentes. Se tem um projeto, esse não é cumprido. Hoje as suas notícias estão relacionadas aos seus débitos, seus problemas, do que algo com sucesso.

Obvio que o dinheiro é bom, mas não é tudo, e os exemplos estão bem latentes. Uma agremiação bem planejada, mesmo com recursos menores pode ter uma melhor vida do que aquelas com maiores, e para tal basta uma boa aplicação.

Viver com empréstimos bancários com altos juros, muitas vezes sem condições de paga=los é um crime financeiro. Mais grave ainda são as antecipações de receitas. No final da gestão alguns cartolas saem execrados, e os clubes sem perspectivas de algo melhor.

O futebol é como o Brasil, que afundou por conta de uma política errônea e sobretudo corrupta.

O sócio de uma agremiação, quando do processo eleitoral, não deveria votar por amizade, e sim por aquele que mostra que tem condições de dirigi=lo.

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