Histórico
Náutico
Bela tarde de domingo
postado em 07 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Por tradição o domingo sempre foi um dia reservado ao futebol. As tardes dos domingos eram alegradas pela bola. A semana inteira era marcada por uma contagem regressiva. E todos, em todas as camadas sociais, aguardavam o domingo ansiosos por conta do futebol. Foi quando o Brasil passou a ser chamado de "O País da Bola". Também disseram que o "futebol é o ópio do povo brasileiro". Evidente que tal cenário faz parte do passado.

Hoje, temos jogos todos os dias em diferentes horários. E nós que pensávamos que dentro das quatro linhas se falava o idioma brasileiro, com nossos professores repassando uma arte peculiar somente exibida por nossos boleiros, constatamos que dentro da nova ordem o idioma é internacional.

Nos últimos dias assistimos a várias partidas das Eliminatórias da Eurocopa, disputa que viabilizou ver em campo as seleções da Itália, Espanha, Alemanha, Holanda, Inglaterra... também vimos o amistoso entre as seleções do Brasil e Colômbia (2x2). Constatamos que nada será como antes.

Quem está com a bola é o Velho Continente.

Voltemos a tarde do domingo. Afinal, vamos ter jogo decisivo nos Aflitos. Festa alvirrubra. Como antigamente. Tudo indica que o romântico e aconchegante estádio será palco de mais um momento memorável. O Náutico vai decidir sua sorte com o Paysandu. Não estamos falando de título, e sim, em definição de destino, o que na atual conjuntura do futebol é mais importante que o título do Brasileiro da Série C.

Envolto por este clima de decisão é inevitável não traçar um paralelo com decisões e grandes jogos vivenciados no passado, no Estádio Eládio de Barros Carvalho. A época, década de 60, quem ficava aflita era a torcida adversária, pois o Náutico jogando no seu estádio era quase imbatível. A diferença comportamental dos alvirrubros é que tem me chamado a atenção nos últimos dias.

A aflição tomou conta da turma do vermelho e branco. Digo isto porque todos os amigos alvirrubros, sem exceção, e olha que são muitos, se comportaram da mesma forma, utilizando as mesmas indagações: "Será que passa? O que você acha?". E ficavam aguardando aquela resposta que alimentaria a esperança de cada um: "Passa sim, o mando de campo fará a diferença".

Foi-se o tempo em que o torcedor alvirrubro aguardava a tarde do domingo com a certeza de uma matinê festiva nos Aflitos.

Bom! Torço para neste domingo testemunhar a retomada do crescimento.

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Náutico
Torcida tem que ser a diferença
postado em 03 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O Náutico desembarcou, no seu retorno de Belém do Pará, no terminal norte do aeroporto dos Guararapes numa calmaria impressionante. A falta de torcedores ruidosos para recepcionar os alvirrubros, que se saíram ilesos do primeiro confronto com o Paysandu, no mata, mata que vai decidir o acesso de um dos dois clubes a Série B em 2020, nos mostra o quanto está em aberto a decisão. Não tenho dúvidas de que, caso tivesse acontecido uma vitória do time pernambucano, e a vantagem para o segundo jogo fosse efetiva, a recepção aos jogadores teria sido bem calorosa.

Torcedor é louco por vantagens!

Coisa da paixão.

Mas vale lembrar que as vantagens aproximam do sucesso, mas não chegam a ser uma garantia de que a meta será alcançada.

O mando de campo será o ponto de desequilíbrio a ser explorado pelo time comandado por Gilmar Dal Pozzo. Decidir a sorte na casa do adversário, se não chega a assustar, ao menos intimida. Com o respaldo da torcida o grupo se sente seguro, encorajado, e passa a ser mais aguerrido e ousado.

Em nove partidas que o Náutico disputou, até o momento, nesta edição da Série C, como mandante, contabilizou sete vitórias, um empate e uma derrota, obtendo um aproveitamento de mais de 70%. Números de campeão. Não tem porque não apostar na receita caseira.

Por outro lado, o Paysandu do técnico Hélio dos Anjos, é um visitante enjoado: nas nove vezes que saiu para atuar na casa dos adversários contabilizou apenas uma derrota. Somou quatro vitórias e quatro empates. Uma campanha imperativa, que exige respeito.

Não sei qual o coelho que Dal Pozzo irá tirar da cartola para surpreender o Paysandu, assim como desconheço qual a carta que Hélio dos Anjos trará na manga para tentar um Royal Straight Flush. Numa decisão tão equilibrada, fica difícil antever os fatos. Até porque desde cedo aprendi com o saudoso, Rubem Moreira, que "repórter reporta". Adivinhar é outra estória.

Tudo nos leva a crer que a decisão será marcada por um jogo travado, estudado, com os dois times abusando da cautela. Ninguém vai querer arriscar. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de um dos dois times tomar a iniciativa do jogo logo de saída para tentar surpreender o adversário. Em decisão tudo acontece. E ainda tem aquela possibilidade de um gol no início da partida. Quando isso acontece bagunça todo o planejamento tático dos professores.

Decisão é coisa de louco! Principalmente dessa qualidade que não define um campeão, mas decide o futuro do clube.

Pois bem!

Sabe aquela expressão, "faltou um cabelinho de sapo!". Nem isso pode faltar ao Náutico no próximo domingo.

Portanto, caro torcedor que não se habilitou a ir ao aeroporto dar seu apoio e externar seu carinho com os jogadores alvirrubros, que cumpriram bem o papel em Belém do Pará, sua presença nos Aflitos, para este "jogo do ano", pode ser o ponto de desequilíbrio que vai mexer com o fiel da balança.

Afinal, necessariamente o fator determinante não está dentro das quatro linhas.

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Acontece
É preciso entender as mudanças!
postado em 30 de agosto de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O mundo está muito plano e o futebol nos mostra isso. É preciso entender as mudanças para não ficar remando contra a maré. A mais recente demonstração sobre tal realidade foi observada em coisas simples do cotidiano. A rotina dos atos era a mesma, contudo, o teor da discussão, ou seja, o mote da prosa é que viera de lá longe, importado da Europa. E deu conversa pra mais de uma légua.

Os homens de minha geração gostam de frequentar padaria, mercado público e barbearia. São lugares onde a conversa flora com muita naturalidade, a sabedoria popular impera e as histórias são fortalecidas pelo imaginário de  cada um. Evidente que futebol e política sempre ocuparam lugar de destaque nestes celeiros de pródigos analistas.

Pois bem! Chego na padaria para ouvir dos rubro-negros as análises do primeiro balanço do Sport na Série B, e avaliar a ansiedade dos alvirrubros com relação ao jogo com o Paysandu, em Belém, neste final de semana, válido pelo mata, mata que irá classificar, uma das duas equipes para a Série B em 2020. Um confronto para o qual cabe o rótulo de "jogo do ano", como a turma do rádio gosta de chamar. Para minha surpresa, o assunto dominante era o sorte dos grupos da Liga dos Campeões da Europa, que seria realizado em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, na França.

Entre uma mordida e outra no pão francês, um gole no café com leite, e tome falação sobre o mais atrativo campeonato interclubes do mundo. Impressionante o número de informações que a turma carrega sobre equipes, jogadores, transferências... Parecia mais que o assunto dominante era o Campeonato Pernambucano dos velhos tempos, tamanha a familiarização com os fatos.

Passei 45 minutos - marcados no relógio -, sem prorrogação até porque não houve parada para o VAR. Numa conversa animada daquela não há impedimento, nem ninguém entra de sola para fazer um pênalti. Todos querem apenas exibir o talento, ou seja, o conhecimento. No entra e sai para o café da manhã, como se fosse uma troca de jogadores, a conversa ganhava uma maior dinâmica com novos analistas ávidos em revelar seus conhecimentos.

É preciso entender as mudanças!

Ouvi esta frase de uma mulher que viera dar uma palestra a um grupo de empresários aqui no Recife. Ela estava sendo entrevistada no Bom Dia Pernambuco, na Globo Nordeste. Como estava passando de passagem pela sala, apenas ouvi a frase. Foi o suficiente para me levar a uma revisão nos conceitos.

Lembre os "gritos de alerta" que são dados pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, em seus artigos. Esta planície na qual o mundo se transformou trouxe a Europa para dentro de nossas casas.

Para constatar outras verdades me senti instigado a ouvir um monte de resenhas. Foi inevitável fazer uma comparação das conversas ouvidas na padaria com o teor do noticiário esportivo apresentado pelas rádios. Mundos díspares. Confesso que fiquei sem entender o "buraco negro" que estava provocando aquela falta de sintonia entre a imprensa especializada em futebol e o público consumidor. De imediato a frase começou a martelar minha cabeça:

É preciso entender as mudanças!

Eis a imposição da nova ordem.

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Acontece
De cabeça para baixo
postado em 26 de agosto de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

Assistimos nesse final de semana vários jogos, tanto os do Brasil, como os do Velho Continente, e ficamos convictos de que aconteceu uma bruta regressão, quando  começamos a perder espaços para os maiores centros europeus.

Uma variedade de jogos de todas as divisões, e raros de uma boa qualidade, com a bola sendo mal tratada.

Para que se tenha uma idéia do poderio do nosso futebol, na década de 60, quando o mundo ainda era redondo, existia um clássico mundial que ganhava as manchetes do planeta, envolvendo Santos e Benfica, e o confronto entre Pelé e Eusébio.

O que temos hoje? Uma entidade que comanda o futebol que não consegue obter credibilidade por conta das últimas três gestões, com um único projeto, a sua seleção. Para essa os clubes não valem nada.

Como podemos admitir que a maioria desses são sazonais. Jogam pouco e passam um longo tempo nas cavernas. O maior exemplo vem das séries nacionais C e D, que vão largando no caminho os seus participantes.

No dia de ontem, com os jogos do Grupo B da Terceira Divisão, 12 clubes subiram às serras para hibernação. Isso é um sistema autofágico.

O Brasil era cantado em prosa e verso como futebol arte. Conquistou cinco Copas do Mundo, seus jogadores eram idolatrados e com amplo mercado no exterior. De repente o planeta virou de cabeça para baixo, dando lugar a um novo modelo que passou a vir da Inglaterra, Espanha e Alemanha.

A tática de valorização da bola em um jogo que hoje é adotada no Velho Continente, foi pescada no Brasil antigo que a relegou, dando lugar ao bumba-meu-boi e de defensores brucutus.

Em nosso país a parte física sobrepujou a técnica. Quem corre é o jogador e não a bola como deveria ser. Os jogadores são preparados para provas de atletismo e não para fazer a pelota correr no mais diversos gramados.

O Calendário é de pura indecência, mas não existe uma viva alma para contestá-lo. O medo de represálias toma conta da cartolagem. Todo o trabalho realizado em nosso futebol é de curto prazo. O longo é uma palavra retirada do dicionário dos cartolas.

Na Europa o treinador é longevo, no Brasil é totalmente descartável na brincadeira da dança das cadeiras. A formação ainda é precária e pouco aproveitada.

Em nosso país existe a cultura do aeroporto, quando a maior alegria de um dirigente é de ir buscar um novo contratado. A regressão é latente e ficamos satisfeitos.

Os dois melhores técnicos do atual futebol nacional são estrangeiros, Jorge Sampaoli e Jorge Jesus, enquanto os nossos não aceitam por empáfia as novas metodologias, sempre com a mesma filosofia de botequim de estrada, de que o Brasil não tem nada a aprender.

Na verdade vivemos em um país em que a sociedade adoeceu, sem contar com um remédio para curá-la.

Viramos de cabeça ara baixo.

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Santa Cruz
Produto de terceira categoria
postado em 25 de agosto de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Por mais aguardado que seja, o desfecho de uma "tragédia" é sempre muito doloroso. O cenário, pós derrota do Santa Cruz para o Náutico (3x1), ontem à noite, nos Aflitos, foi desolador do lado dos tricolores. Por outro lado, os alvirrubros comemoravam como sendo a vitória da dignidade, pois o pré-jogo foi marcado por uma série de equívocos e insinuações que não cabiam no contexto de uma decisão tão importante para o futebol pernambucano.

Bola prá frente!

Sei muito bem que o "Day After" para os perdedores é algo intragável. Contudo, é vida que segue. E por maior que seja a dor dos tricolores, o clube precisa ser repensado e recriado já. Afinal, o Santa Cruz vai para a sexta temporada na Série C nos últimos 16 anos. Isso mesmo, já estou contando com o próximo ano, ou seja, 2020.

Série A: 2006 e 2016;

Série B: 2007, 2014, 2015 e 2017;

Série C: 2008, 2012, 2013, 2018, 2019 e 2020;

Série D: 2009, 2010 e 2011.

Muitos estão falando sobre as cinco ou seis folhas de pagamento que virão sem o clube disputar competições até meados de janeiro, quando começa o Campeonato Pernambucano. Vou mais além. Minha preocupação é com a depreciação da imagem. A partir de 2008 até 2020 serão nove temporadas entre as Séries C e D. Será que ninguém no Arruda enxerga a queda livre que o clube embarcou?

Tudo muda o tempo todo, mas nas Repúblicas Independentes do Arruda a ordem é gerir o clube como se fosse uma capitania hereditária. Nada de planejamento. Se as questões forem ligadas ao patrimônio, é só aquecer as vendas de bolo de rolo e ovos de galinha de capoeira que tudo se resolve. Se os salários estiverem atrasados, ou precisar de "bicho extra", a saída é promover um jantar por adesão. Se for necessário mais dinheiro, o vice-presidente, Tonico Araújo tem uma receita infalível: acionar o grupo  de empresários que são sugados, extorquidos  há mais de uma década e não conseguem ver o clube em sintonia com o novo século.

Não é justo fulanizar uma queda gradativa que perdura 20 anos. A crise pertence a todos. O desafio é fazer o "mea culpa". É enxergar a incapacidade desses amantes de gerir o clube. Não estou questionando o amor que todos sentem pelo Santa Cruz. Isto é fato inquestionável. O problema é que o amor muitas vezes inviabiliza o pragmatismo que é essencial para o sucesso do negócio futebol.

É preciso mudar o paradigma. O modelo está vencido e ninguém percebe. O Santa Cruz segue sendo tratado como produto doméstico. Uma comida caseira que não é servida no banquete maior do futebol brasileiro: a Série A. Quando exposta, retiram logo da mesa. O clube se contenta com títulos do combalido Campeonato Pernambucano.

Perder um clássico é coisa normal no futebol. O irremediável é a perda da qualidade. O Santa Cruz começa a ser avaliado como produto de terceira categoria. Esta é a ótica das empresas que investem no futebol. Afinal, os números atestam isso. Lamentável.

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