Brasileiro Série B
Sob Pressão
postado em 06 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Não é fácil jogar sob pressão. Ontem, na penúltima rodada das Eliminatórias Sul=Americanas tivemos um exemplo bem significante que foi o confronto entre as seleções da Argentina e do Peru, emoldurado por uma dramaticidade que poderia servir de inspiração para um grande tango. Em outro jogo, o Brasil, já com seu passaporte carimbado para a Copa da Rússia, mediu forças com a limitada Bolívia, e teve que se contentar com o placar em branco graças as espetaculares defesas do goleiro Lampe. A classificação antecipada fez com que Neymar e companhia fossem a campo livres de qualquer pressão, fato que fez o time brasileiro jogar em ritmo de samba. Só lhe faltou precisão nos acordes finais, falha detectada e ressaltada pelo técnico Tite na coletiva de imprensa.

Hoje, Náutico e Goiás, ambos sob pressão, se enfrentam em jogo válido pela 28ª rodada do Brasileiro da Série B. Antes de a bola rolar, as previsões eram de que, a esta altura do campeonato os dois times estivessem brigando por uma vaga de acesso. Mas o acúmulo de erros tem um preço alto, e levou os dois times a um passivo quase que irresgatável. Bom! Só a vitória interessa a Náutico e Goiás, e os técnicos, Roberto Fernandes e Hélio dos Anjos usarão de todos os artifícios para levar vantagem, inclusive da pressão por resultados.

O mando de campo é um fator determinante de resultados. Os três primeiros jogos na abertura da rodada registraram vitórias dos mandantes. Partindo desse princípio o favoritismo é creditado ao time comandado por Hélio dos Anjos, mas quando uma equipe está sob pressão, jogar em casa pode ser mais difícil devido a cobrança da torcida, caso a disputa se mostre parelha.

O Náutico contabilizou apenas duas vitórias como visitante ao longo da competição. Na condição de penúltimo colocado na tabela de classificação, o time alvirrubro precisa vencer cinco jogos como mandante e dois na casa dos adversários. A pressão induz ao erro.  Evidente que tal situação foi criada pela falta de qualidade do elenco. O número elevado de jogadores recrutados pelo clube, a troca exagerada de treinadores, e até duas mudanças de diretoria servem para explicar o porque da situação vexatória que o clube passa nessa reta final da competição.

Hélio dos Anjos e Roberto Fernandes são treinadores irrequietos. Com certeza, se não acontecer um gol durante os 90 minutos, se a partida caminhar para um zero a zero, teremos dois técnicos a beira de um ataque de nervos.    

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Brasileiro Série B
Radiografia e probabilidades
postado em 03 de outubro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

A Série B entrou na reta final faltando apenas 11 rodadas para o seu encerramento. Os resultados dos jogos da 27ª rodada deixaram, de forma clara, que cinco clubes disputarão as três vagas que restam para o acesso ao Brasileirão 2018. As chances do Oeste são remotas.

O Internacional, embora não esteja ainda garantido, de forma virtual já está nessa divisão maior, e o América/MG, que teve uma queda no returno, hoje sente a pressão de três clubes que poderão ultrapassa=lo, embora as chances ainda sejam bem elevadas. O cenário mudou um pouco para o clube mineiro. A diferença do sexto colocado, o Juventude, para o Coelho é de três pontos.

Na realidade teremos boas emoções até a chegada ao photochart. A maior luta será aquele a contra o rebaixamento, e com exceção do ABC que já está degolado, e do Náutico que tem percentuais remotos de escapar da queda. Do 11º colocado, o Brasil de Pelotas, ao 18º, o Santa Cruz, são oito clubes que poderão estar entre aqueles que irão participar da Série C de 2018. As diferenças entre esses são reduzidas.

O Goiás que é o primeiro fora dessa zona perigosa, tem a mesma pontuação da Luverdense (31 pontos), dois a mais que o Santa Cruz (29). O time de Lucas do Rio Verde, 17º colocado, dista do Brasil de Pelotas, 11º colocado com apenas três pontos, o número real de uma vitória.

A situação dos clubes pernambucanos é preocupante. O Santa Cruz necessita ganhar 15 pontos em 33 a serem disputados, aproveitamento de 45%, quando tem no returno um percentual de 25%, quase a metade dessa necessidade. O Tricolor do Arruda terá seis jogos como mandante, mais um que poderá ser a foice do carrasco para um dos dois disputantes que é o clássico com o Náutico. Um confronto que poderá se transformar no abraço dos afogados

Enquanto isso o Náutico tem a necessidade de conquistar 20 pontos, dos 33 que disputará, que representa 52% de aproveitamento, bem longe do atual geral que é de 28%. No returno o aproveitamento do Timbu é de 37,50%. O Náutico tem apenas cinco jogos como mandante, o que reduz sua capacidade de somar mais pontos.

Contra números não existem argumentos, e as estatísticas ajudam a entender a situação e projeta as previsões, e no momento temos um grau razoável de que os dois clubes locais poderão ser rebaixados, e com 100% para que um já esteja garantido na Série C do próximo ano.

De acordo com as projeções efetuadas. Levando=se em consideração vários critérios tais como jogos em casa e fora; confrontos diretos e os atuais percentuais, após a 27ª rodada os resultados obtidos são os seguintes:

ACESSO: INTERNACIONAL, 99,4%; AMÉRICA/MG, 81%; PARANÁ, 79%; CEARÁ, 37%; JUVENTUDE, 35%; VILA NOVA, 34% e OESTE, 12%.

DESCENSO: BRASIL DE PELOTAS, 14%; GUARANI, 13%; PAYSANDU, 12%; LUVERDENSE, 21%; GOIÁS 23%; FIGUEIRENSE, 38%; CRB, 40%; SANTA CRUZ, 63%; NÁUTICO, 90% e ABC, 99,9%.  

Um fato bem interessante está relacionado ao número de vitórias necessárias para escapar da degola na Série B. Na era dos pontos corridos com vinte participantes, a partir do ano de 2006, somente em três campeonatos os clubes conseguiram escapar com menos de 13 vitórias. Nos demais, quem não alcançou esse patamar foi degolado.

Em 2013 o Atlético/GO passou raspando com 12 vitórias e 8 empates. Em 2015 o Oeste escapou com apenas 10 vitórias, mas houve uma compensação com 14 empates. O mesmo fato foi repetido em 2016, quando o rubro=negro de Barueri só conseguiu 8 vitórias e escapou por conta de 17 empates, perfazendo um total de 41 pontos. Na atual competição  o ponto de corte continua sendo 44 pontos, com sério risco de desempate pelos critérios técnicos.

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Brasileiro Série A
O empacotamento de dez clubes
postado em 02 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A derrota (1x0) do Sport para o São Paulo aumentou o saldo negativo do rubro=negro pernambucano no Brasileiro da Série A. Há mais de 60 dias que o time comandado por Vanderlei Luxemburgo não sente o doce sabor de uma vitória. Em nove partidas disputadas durante os meses de agosto e setembro foram registradas seis derrotas e três empates. Nesta sequência o time sofreu 16 gols e marcou apenas 4. Uma equação que lhe deixa com um saldo no vermelho de 12 gols. A soma de 30 pontos é a mesma do Avaí, clube que abre a zona de rebaixamento. O Sport corre o risco de entrar na zona de degola nesta 26ª rodada, que será fechada com o confronto entre a Ponte Preta e o Flamengo, hoje a noite. Se a Macaca vencer, o que não é muito provável, o Leão cai mais uma casa na tabela de classificação.

Apesar da queda vertiginosa na tabela, o representante pernambucano está a 3 pontos do Vasco, décimo colocado. Para os que alimentam um otimismo exacerbado, não levando em conta outras variantes, a reabilitação é simplificada com uma frase: "Uma vitória recoloca o Sport na parte de cima da tabela". Tal possibilidade existe em decorrência do empacotamento que aconteceu com os oito clubes que estão posicionados entre a 10ª e a 17ª colocação: Vasco, Vitória, Chapecoense, Bahia, São Paulo, Fluminense, Sport e Avaí. Estão juntos e misturados com o mesmo propósito: se livrar do rebaixamento. O Atlético/MG estava nesse bolo, mas a vitória (2x0) sobre o Atlético/PR, ontem a noite, lhe levou para grupo do Top 10.

A paridade faz com que a soma de dois ou mais resultados negativos leve um clube a perder várias posições. Na cinco últimas rodadas Sport e Fluminense somaram um empate e quatro derrotas. Foram os dois clubes com pior performance neste ciclo. O empacotamento também proporciona uma reação rápida. O São Paulo que vinha patinando na zona de rebaixamento, somou 4 pontos ao empatar com o Corinthians e vencer o Sport, resultados que lhes levaram a dar um saldo de três casas na tabela, e respirar aliviado. Ao vencer o Botafogo na 26ª rodada, o Vitória subiu cinco casas na tabela de classificação Nas cinco últimas apresentações o leão baiano somou três vitórias, um empate e uma derrota.

O empacotamento está ligado diretamente ao baixo nível técnico da competição. São Paulo e Sport protagonizaram um espetáculo com uma pobreza técnica absurda, ontem a tarde, no Morumbi. Tal fato foi traduzido no exagerado número de passes errados de ambos os times. Vanderlei Luxemburgo tem batido muito na tecla de que vai transformar o Sport num time competitivo. Nas duas últimas apresentações, contra Vasco e São Paulo, respectivamente, a equipe leonina tirou boa nota no quesito competitividade, mas foi reprovada na qualidade. Isto o técnico não pode criar, é inerente ao talento de cada jogador, e o grupo tem uma qualidade sofrível, fato que levou o treinador cair da real e diminuir o tom de sua verbalização.

O fato é que, ao final da 26ª rodada, por falta de uma melhor qualidade técnica, dez clubes não sabem quais suas possibilidades na reta final do brasileiro.       

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Futebol Pernambucano
O Náutico e o Grand Canyon
postado em 29 de setembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Há um bom tempo que estamos alertando os alvirrubros sobre o destino do seu clube. Ano após ano, a sua situação vai se deteriorando, e pelo andar da carruagem o Náutico está se afundando no abismo profundo do Grand Canyon, quase impossível de conseguir uma saída.

O mais recente episódio envolvendo a agremiação com o seu time sub17 é, nada mais, nada menos, do que a aceleração do processo de apequenamento que tomou conta do Clube da Rosa e Silva.

O fato mais grave que deve ser destacado, é que os alvirrubros parecem que não percebem o que vem acontecendo na vida do clube, e não sentiram os problemas que estão advindo que com certeza o levarão por um caminho tortuoso sem volta.

A vergonha na Copa do Brasil Sub17 em não colocar um time com número legal para iniciar a partida demonstra como anda a sua gestão.

Embora longe do Recife, recebemos bem cedo a notícia através do amigo jornalista, Claudemir Gomes, que nos enviou a Nota Oficial publicada pela diretoria executiva, que na verdade não justificou o injustificável, desde que se não tivessem atletas para a competição, deveriam com antecedência solicitar a sua saída, e não protagonizar algo que deslustrou mais a sua história, e na presença do adversário, o Atlético/MG.

Qual a imagem do Náutico que o time mineiro levou?

O futebol de Pernambuco que já está na UTI há um bom tempo, teve mais um fato constrangedor que irá piorar a sua doença, que segundo os médicos é terminal.

Jogar a culpa na diretroria anterior serviu apenas para encobrir o erro crasso e grotesco que foi cometido, ou seja, o de tentar registrar jogadores para a competição sem o devido tempo hábil. Qualquer gestor esportivo que conheça a burocracia que existe para tal fim, saberia que isso não iria acontecer, e deu no que deu.

Na Nota Oficial a diretoria alvirrubra afirma que o clube voltará a ser formador e revelador de talentos e ocupará o seu espaço. Trata=se de algo correto e que representa o futuro de qualquer agremiação, mas demandará um longo tempo, e até lá ninguém poderá dizer qual o seu destino final.

O Náutico perdeu uma geração de possíveis torcedores, que estavam iniciando a sua escolha por um time de futebol à partir dos 10 anos, que buscaram aqueles rivais que estavam em maior evidência, e tal fato é uma perda irreparável, e que abalou a sua vida financeira.

Os torcedores desapareceram, no atual Brasileiro da Série B é o 13º colocado no ranking de bilheteria, com uma média de 3.612 por jogo.

Poder=se=ia dizer que isso só está acontecendo por conta da péssima campanha que o time está realizando, mas o São Paulo desmente essa teoria, quando está na segunda colocação nesse segmento no Brasileirão, colado no Corinthians que é o líder da competição, enquanto esse continua na zona de degola.

Na realidade desde 2004 que o alvirrubro não ganha um título, mesmo o estadual, e sem vitórias, sem troféus, serão menos simpatizantes, que produzem um efeito cascata que bate em suas finanças, e finalmente chegou ao Grand Canyon quando está na beira do rebaixamento para a Série C.

O problema do clube é a sua divisão autofágica, onde os grupos se digladiam enquanto esse sofre.

Ou os alvirrubros se unem, ou teremos em pouco tempo um novo América que na década de 50 era um dos nossos grandes clubes, e que hoje sobrevive através dos herdeiros da família Moreira, e conta apenas com uma torcida que não chega a 100 pessoas nos estádios. Ou todos acordam, ou então o Timbu vai para o abismo, e com ele uma rica história do futebol de Pernambuco.

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Náutico
À espera do milagre
postado em 27 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

"À espera de um milagre" é um filme norte=americano lançado em 1999 que tem o ator, Tom Hanks, como protagonista. O filme, que recebeu quatro indicações para o Oscar, narra a história de um agente penitenciário do corredor da morte. A trama nos mostra que aquele é um lugar que aponta para uma única direção: o fim.

Ontem a noite, após a derrota (3x0) do Náutico para o Paraná, jogo válido pela 26ª rodada do Brasileiro da Série B, foi inevitável a analogia do filme com o atual momento do alvirrubro pernambucano na competição. Esbarramos na indagação: "A vida copia a arte, ou a arte copia a vida?". O fato é que, tanto na obra hollywoodiana, como na trajetória real do Timbu na Série B, a morte é o fim anunciado, e somente um "milagre" seria capaz de mudar o rumo das coisas.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que curte dias de dolce far niente em Lisboa, nos alerta sempre para o norte que é dado pelos números. A tendência do Náutico ao rebaixamento foi definida ainda no primeiro turno da competição, e referendada com a fraca campanha no returno, em que pese o ensaio de reação que aconteceu de forma discreta em determinado momento. É louvável o esforço do técnico Roberto Fernandes em repassar fios de esperança, mas já existe sinais de resignação com a iminente queda em suas declarações. Basta ficar atento aos sinais para perceber tal realidade.

Com o tropeço de ontem, o Náutico chegou a marca de 16 derrotas. A conta é a mesma para o acesso e para o descenso: 19 vitórias e 8 empates para subir, e 19 derrotas e 8 empates para descer. A esta altura do campeonato o time dos Aflitos contabilizou 16 derrotas e 5 empates. Em 26 rodadas somou apenas 5 vitórias. Para escapar da degola precisaria somar 8 vitórias nos 12 jogos que disputará. E torcer para que a combinação dos resultados lhes favoreça em todas as rodadas restantes. Com a derrota para o Paraná a chance de queda do Náutico passou para 94%.

O saudoso Ênio Andrade nos ensinou que, quando se usa muito a expressão, "matematicamente ainda tem chance" é porque em campo o time não tem mais força para reagir.

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