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Os Figurantes
postado em 10 de dezembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Os clubes nordestinos mais uma vez não fizeram uma boa campanha no Brasileirinho. Dos quatro participantes dois dançaram, Sport e Vitória, o Ceará escapou da Caetana na bacia das almas, e o Bahia com uma campanha de mediana para baixo.

Somos meros figurantes, sem direito à fala durante o filme. Os times jogam para a manutenção, sem nenhuma perspectiva de algo mais, e isso influência na captação de investimentos, que os deixam na linha da pobreza.

O prazer que o torcedor sente numa competição é de masoquismo, desde que vão aos jogos para torcerem contra uma queda, nunca pela conquista de um resultado maior. Além das diferenças de receitas, sofremos com péssimas gestões que ensejaram uma queda na qualidade do futebol regional.

Na verdade fingimos que temos futebol, quando somos apenas figurantes que trabalham de graça em busca de uma pontinha, para serem descobertos pelos agentes.

Quando olhamos para a parte mais alta do mapa do país, a região Norte, no período dos pontos corridos só teve três participações na maior divisão, nos anos de 2003, 2004 e 2005, que foi o último ano. São 14 temporadas sem uma única presença de um clube do Pará, que é um estado com uma boa demanda.

No Nordeste, nenhum clube da Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão. Do Rio Grande do Norte apenas em 2007 com o América/RN, rebaixado no mesmo ano. Dai em diante o estado foi riscado do mapa maior do futebol nacional. Na Bahia, Vitória e Bahia se reversam, algumas vezes participando juntos. Nos anos de 2005, 2006 e 2007, o estado não teve representantes.

A situação pernambucana se agravou no Século XXI. Nos anos de 2003, 2004, 2005, 2010 e 2011, o estado não teve nenhum representante, fato que voltará a ocorrer na próxima temporada.

O Santa Cruz no período dos pontos corridos jogou apenas por duas vezes na Série A (2006 e 2013), sendo rebaixado nos mesmos anos. O Náutico tem apenas cinco presenças.

O Sport teve o seu melhor momento entre 2014 e 2018 quando participou na maior divisão. Em 17 temporadas (incluindo 2019), tem 9 participações na elite nacional.

O mais preocupante com relação a esse tema, é que os dirigentes dessas regiões não acordaram, e continuam sendo submissos ao atual sistema medieval implantado pelo Circo do Futebol, que não vislumbrou a demanda dessas regiões, e continua trabalhando para o Sudeste.

Norte e Nordeste não existem, e quando participam de uma festa maior é para divertimento sem maiores pretensões, resultante de uma péssima distribuição de renda e de uma cartolagem sem a menor noção do que seja uma gestão esportiva.

Quando assistimos no último domingo o sofrimento do torcedor do Sport que acreditava no impossível de que o clube iria fugir da Caetana, ficamos na certeza de chegamos ao fundo do poço.  

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Sport
Eleição só para os oposicionistas
postado em 04 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

A desistência do candidato da situação, Augusto Carrera, em disputar as eleições presidenciais do Sport, gerou um fato novo na centenária história do Clube da Ilha do Retiro: um pleito apenas com concorrentes de oposição. Mais ainda: abriu espaço para o aumento de especulações sobre a real "saúde" financeira do Leão.

Bom! Para se mensurar o tamanho do buraco negro em que se encontra o clube, não há outra alternativa senão uma auditoria fiscal e contábil. É a forma de abrir a "caixa preta" que vem sendo guardada a sete chaves.

Embora alguns integrantes da atual diretoria assegurem que, pelo fato de o Sport ter disputado o Brasileiro da Série A era obrigado a divulgar um balancete trimestralmente, as queixas de que faltou transparência na administração do presidente, Arnaldo Barros, são muitas, e acontecem há muito tempo.

Quando acontece um acirramento entre situação e oposição, em eleições de clubes, e os oposicionistas vencem o pleito, fatalmente acontece a famosa, e temida, "caça as bruxas". No cenário do momento, na Ilha do Retiro, onde a situação retirou o seu barco da raia, é possível observar uma sutil troca de farpas entre os grupos liderados por Milton Bivar, apontado como grande favorito na corrida presidencial, e Eduardo Carvalho, que desde o início procura fortalecer sua musculatura como candidato alternativo, tentando pregar o rótulo do "novo."

Os nomes das duas chapas chegam a confundir o eleitor leonino: "SPORT DE TODOS" e "SPORT DO POVO". Como não se tem uma leitura real do passivo do clube, muito menos do que ele tem a receber, a dedução lógica é de que o futuro presidente somente conseguirá êxito em sua gestão se houver um trabalho coletivo de forma efetiva. Portanto, esse apoio verbal que vem sendo hipotecado por ex=dirigentes, serve apenas para aumentar a contabilidade dos votos. O importante é que todos repassem, aos futuros gestores, um pouco de suas experiências exitosas, quando ocuparam cargos no clube.

Quem transita pelos corredores da Ilha do Retiro há muitos anos, deve ter ouvido, muitas vezes, a máxima de que: "O Sport unido jamais será vencido".

A formação de novos grupos, nas últimas duas décadas, na Ilha do Retiro, deixou o Sport dividido em frações. O discurso da modernidade, e da necessidade de adequar o clube a nova ordem, provocou um acirramento maior na disputa interna pelo poder. E nesta briga de leões contra leões, foram cometidos equívocos, que no decorrer do tempo, se mostraram danosos ao clube, como a agressiva mudança nos Estatutos, elaborada com um viés ditatorial capaz de fazer inveja a qualquer déspota.

Como não há mal que dure para sempre, nem bem que se eternize, surge um novo sol no horizonte da Ilha do Retiro.

Que venha um novo tempo.

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Brasileiro Série A
A última refeição
postado em 01 de dezembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Enganam=se aqueles que afirmam ser a edição de 2018 a mais insossa da história do Campeonato Brasileiro, desde que a competição passou a ser disputada pelo sistema de pontos corridos.

É bem verdade que ninguém fala mais na conquista do Palmeiras, campeão por antecipação. A campanha linear do clube paulista tornou o título tão óbvio que a magia do futebol parece ter sido sufoca por uma burocracia lógica e sem graça.

Daquilo que aprendi em mais de 40 anos trabalhando como cronista esportivo, nem tudo me deu clareza. É fundamentado neste principio que passei a buscar os sinais, e descobri que os encantos estão na outra extremidade da tabela, onde cinco clubes: Sport, América/MG, Chapecoense, Vasco e Fluminense, chegam a última rodada lutando desesperadamente contra o rebaixamento.

Escapar da "Caetana", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, a esta altura do campeonato, é tão prazeroso quanto a conquista do título. Esqueçam a qualidade do futebol, os ganhos financeiros e sigam apenas o viés da emoção, célula que leva o futebol a ser diferente de todos os outros esportes.

De repente, milhões de torcedores, de diferentes camisas, vivenciam momentos de ansiedade que tornaram angustiantes os dias que antecedem o domingo, segundo dia do mês de dezembro: Dia do Juízo Final para os cinco times que tentam escapar do fantasma da degola.

A dramaticidade pode, e normalmente está, na ponta de cima da tabela, com os clubes disputando o título, fato que enaltece, alegra, emociona e leva torcedores ao êxtase. Mas também é observada na luta desesperada pela sobrevivência. Emoções diferentes, reais, dentro daquele conceito de que, "o que dá pra rir, dá pra chorar".

Se vivo estivesse, o francês, Victor Hugo, aproveitaria o mote desta edição do Campeonato Brasileiro para dar uma nova roupagem a sua imortal obra: "Os Miseráveis". A contextualização é a emoção encontrada no sofrimento das torcidas diante da incerteza dos resultados que poderão levar seus clubes ao céu, ou ao inferno.

Nenhum outro esporte seria capaz de criar tantas possibilidades numa rodada final de campeonato como o futebol. Evidente que, o fato de toda essa emoção estar concentrada na parte de baixo da tabela, com os clubes lutando contra o rebaixamento, é o maior atestado do baixo nível técnico da competição, contudo, o caráter decisivo, eliminatório, apesar da inversão de valores, tornou o último ato bem atrativo, embora já se saiba quem é o campeão.

É como se estivéssemos assistindo a um espetáculo da Paixão de Cristo e a platéia aguardasse com mais expectativa o enforcamento do Judas, do que a ressurreição de Jesus Cristo.

Como futebol é pura emoção, neste domingo as atenções estarão voltadas para o "vale da morte", onde tudo pode acontecer, inclusive nada. Coisas de uma decisão envolvendo cinco clubes.

Pimenta é o que não falta nesta última refeição.      

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Acontece
Motivos do descrédito do futebol brasileiro
postado em 30 de novembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O mais importante para qualquer segmento, inclusive para o ser humano, é a credibilidade. Quando se perde esse atributo, o fundo do poço se aproxima.

Acompanhamos de perto o futebol brasileiro há muitas décadas, inclusive participando do sistema como um dos seus dirigentes, e sentimos que existe um desânimo com o setor, por conta da perda de sua credibilidade e em especial dos seus gestores.

O futebol brasileiro encalhou por perda de crédito. Está endividado e sem as condições para  captar financiadores que possam retira=lo do buraco onde se encontra. Poucos clubes irão escapar da queda profunda que se aproxima.

Nada mais parecido com o que acontece no Brasil, país negativado pelas agências de risco, por falta de credibilidade em suas ações.

Como podemos acreditar numa entidade cujos ex=presidentes foram expulsos do sistema por conta das suspeitas de corrupção? Um está preso nos Estados Unidos.

Como podemos acreditar no setor de arbitragem que a cada rodada, com seus erros grotescos, modificam os resultados dos jogos?

Como podemos acreditar em segmentos das mídias esportivas, que são passivos perante as mazelas que acontecem, sem cobranças, como se tudo estivesse correndo as mil maravilhas? Vivem na Ilha da Fantasia.

Como podemos acreditar em competições que os seus regulamentos são alterados ao bel prazer dos cartolas, ferindo os interesses dos torcedores.

Como podemos acreditar nas entidades esportivas que são dirigidas pelos mesmos cartolas há décadas, como verdadeiros feudos, sem transparência, e com muitas caixas pretas a serem abertas?

Como podemos acreditar em um esporte onde a Confederação é milionária, as Federações ricas, e a maioria dos clubes rotos e esfarrapados?

Como podemos acreditar em um futebol com os seus clubes falidos, devedores de milhões, com salários atrasados, e que vivem no mundo da fantasia como se nada estivesse acontecendo?

Como podemos acreditar em um esporte onde mais de 400 clubes são sazonais, e mais de 12 mil profissionais são desempregados no terceiro mês do ano?

Poderíamos fazer um tratado com fatos que mostram a perda da credibilidade do esporte da chuteira do Brasil, e gostaríamos de citar mais um: as negociatas que muitas vezes acontecem na venda de jogadores, que representam também o lado maligno desse esporte.

A falta de credibilidade fez com que o futebol perdesse a vergonha, por tratar o fato como uma banalidade, aliás, procedimentos que acontecem no país que perdeu também esse sentimento, com tantas roubalheiras sendo escancaradas.

Na verdade, no mundo atual, tem=se vergonha de sentir vergonha.

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Sport
Começa a corrida pelo voto
postado em 27 de novembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Augusto Carreras (Chapa 1); Milton Bivar (Chapa 2) e Eduardo Carvalho (Chapa 3). Estes os candidatos oficiais a presidente executivo do Sport. As inscrições das chapas aconteceram na tarde desta terça-feira. A eleição está programada para o dia 18 de dezembro. Portanto, os candidatos terão 20 dias para intensificarem as campanhas na busca pelo voto do sócio leonino. Quem souber explorar, de forma mais efetiva, as redes sociais, fatalmente fará a diferença.

No cenário atual, Milton Bivar aparece como o grande favorito neste início de corrida sucessória. Na realidade foi o primeiro a colocar o nome nas ruas, e fez um trabalho silencioso nos bastidores que veio a lhe fortalecer, e inviabilizou o lançamento de um quarto nome, que seria o terceiro de oposição. A conquista do apoio de vários ex=presidentes também lhe respalda. Mas o que faz a diferença mesmo é o seu escudo: o título de Campeão da Copa do Brasil conquistado em 2008, um dos maiores da história do clube da Ilha do Retiro. Afinal, estamos falando de um clube cujo coração pulsa pelo futebol.

O outro candidato de oposição, Eduardo Carvalho, promete fazer uma campanha propositiva, e pela montagem do seu grupo, é o mais credenciado a levantar a bandeira da renovação. Carvalho já ocupou cargos diretivos no clube, inclusive na gestão de Milton Bivar, fato que o leva a ter ciência do desafio que será suceder Arnaldo Barros no executivo do Sport.

As chances de sucesso do candidato da situação, Augusto Carreras, nesta corrida sucessória, estão ligadas diretamente a permanência do Sport na Série A. O destino do time leonino na competição será decidido domingo, quando da disputa da última rodada do Brasileiro. Além disso, Carreras, embora seja o candidato da situação, vai ter que mostrar ao sócio do Sport, que tem propostas para uma gestão exitosa, bem diferente da atual, capitaneada por Arnaldo Barros.

Bom! A sorte foi lançada para o GP do dia 18 de dezembro.

Façam suas apostas.

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