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o "DÉMODÉ"
postado em 04 de novembro de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

No início, o futebol tinha o paredro, que deu o lugar ao cartola que por sua vez terá que ser substituído pelo profissional de gestão.

Sem dúvidas a profissionalização dos clubes é fundamental para as suas evoluções, inclusive com o clube empresa. A época do dirigente abnegado, sofredor, já faz parte do passado na maioria dos esportes, sobretudo no futebol mundial.

O cartola hoje é uma figura "démodé", traduzida do francês para o português como fora de moda.

Aos poucos o futebol brasileiro vem descobrindo, ainda de forma tímida, um novo modelo de administração, quando começa a deixar nas prateleiras figuras dos antigos cartolas, que eram apaixonados por seus clubes, substituindo-os por novos gestores profissionais.

Na verdade ainda não chegamos ao patamar maior nesse setor, embora os nossos clubes que participam das duas maiores divisões do Brasileiro já contam com esse trabalho profissional, mas ainda pecam por manterem muito poder nas mãos dos seus diretores.

O bom executivo é aquele que tem vôo próprio, com capacidade de assumir decisões sem a presença do dirigente ao seu lado. O que acontece na maioria dos clubes, é que alguns desses ainda dependem de influência para tomarem as providências necessárias  para a administração do futebol.

Sabemos das dificuldades que são enfrentadas pelos dirigentes, ao abdicarem de entrevistas coletivas, de serem protagonistas, para darem os seus lugares aos executores de tarefas, que irão participar do processo com mais intensidade.

O papel do novo cartola é o de acompanhar e cobrar a realização do que foi planejado, e não ditar ordens quando tem alguém que possa fazer.

O bom executivo resolve e não é apenas um cumpridor de ordens. Deve ter conhecimento de planejamento estratégico, de governança coorporativa, que entrelaça os setores do clube, saber preparar um relatório, e sobretudo ter a visão do marcado de jogadores com um banco de dados, que possa ajudar nas contratações.

O futebol a cada dia movimenta grandes recursos, e certamente necessita de um bom gestor que possa gerencia=lo com competência, como se faz numa empresa, e não apenas elaborar um contrato e enviar um registro, ou organizar viagens e locais de treinamentos.

Os cartolas são hoje figuras "démodé", e começam a fazer parte do mundo antigo do futebol mundial, e no futuro serão sem duvidas, objeto de estudos da história desse esporte. Como os paredros, também deram a sua contribuição e devem ser respeitados.

O importante na contratação de um desses profissionais é que se possa discernir o executivo "executor", do executivo "repassador de ordens".

Essa é a questão, a do Ser ou Não Ser, para que possa dar certo.    

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Sport
Novembro Azul
postado em 03 de novembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O Novembro Azul vai decidir a sorte dos clubes que brigam pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Serão seis rodadas no espaço de 27 dias, o que significa que, a cada quatro dias e meio os times entram em campo. A 32ª rodada foi fechada com cinco empates, fato que revela o equilíbrio que marcará os jogos nesta reta final. Dos cinco primeiros colocados na tabela de classificação, apenas o Coritiba venceu na última rodada. Ao alcançar a marca dos 62 pontos, o Bragantino basicamente alcançou o seu objetivo. Agora, é manter a vantagem e ir buscar o título.

Torcedores de Sport, Coritiba, Atlético/GO e América/MG seguem fazendo contas e estudando as probabilidades. As aproximações são reais, e quem consegue uma sequência de duas vitórias estará dando um passo decisivo em busca da meta que é o acesso. O Coritiba superou o Botafogo/SP (1x0) na rodada passada e vai tentar repetir o feito diante do Sport, nesta segunda-feira, jogando na condição de mandante.

Dentre os quatro clubes que hoje brigam por três vagas, Atlético/GO e Sport foram os que mais empataram: 15 e 14 jogos, respectivamente. A esta altura do campeonato, a depender das circunstâncias, a igualdade pode ser assimilada como um grande resultado. O rubro-negro pernambucano tem um confronto direto com o Coritiba, amanhã, no Couto Pereira, casa do adversário, e a soma de um ponto é para ser comemorada. Neste caso, o empate será ruim para o Coxa Branca, que correrá o risco de perder a terceira posição para o Atlético/GO, e ter o América/MG no seu encalço.

Mais que nunca, nesta reta final onde as equipes se mostram cheias de avarias, o mando de campo é tido como ponto de desequilíbrio. Sendo assim, a consolidação do acesso do Sport se dará, hipoteticamente, nos confrontos com o Criciúma, Vila Nova e Ponte Preta, na Ilha do Retiro. Como diz o amigo e jornalista, José Gustavo, "são vitórias que colocamos na conta do Leão".  Afinal, Criciúma e Vila Nova são clubes que estão brigando contra o rebaixamento, enquanto a Ponte Preta não tem como ir além de uma campanha de manutenção.

Trabalhar com cálculos e mutações não é fácil, principalmente no futebol onde o componente emoção mede forças com o pragmatismo. Sendo assim, para simplificar, o torcedor do Sport deve torcer para os comandados de Guto Ferreira fecharem a campanha com 17 vitórias. Resumindo: as três vitórias nos jogos que serão disputados na Ilha do Retiro representam a aprovação no Novembro Azul.

Depois, é relaxar, comprar panetone e vinho para confraternização ao som do "cazá, cazá....Primeira Divisão", que para tricolores e alvirrubros deverá ser mais cavernoso do que ir ao shopping no final do ano, e em todas as lojas ficar ouvindo a voz da Simone: "Então é Natal...".

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Náutico
O tempo de Edno e Diógenes
postado em 31 de outubro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A relatividade se faz presente quando o assunto em pauta é gestão em clubes de futebol. Não sei quem estabeleceu o período de dois anos, mas o fato é que virou "regra". Quem quiser mudar tem que mexer no Estatuto, como bem fez o Santa Cruz. Embora divida opiniões, o tempo (dois anos), é muito relativo: se a gestão for boa, tal espaço de tempo é considerado curto para a sua consolidação. Por outro lado, se a gestão for classificada como ruim, seu tempo de duração vai parecer uma eternidade.

Minha aproximação com o Clube Náutico Capibaribe se iniciou no final dos anos 60, no século passado, quando quatro amigos conterrâneos - Jairo (goleiro), Edvaldo (lateral esquerdo), Zé Leite (volante) e Wilson (ponteiro esquerdo) - vieram, por indicação do técnico Cido, defender a equipe juvenil do clube alvirrubro. E passaram a morar na concentração que ficava sob o setor de cadeiras. Me tornei frequentador assíduo do clube. Várias vezes acompanhei os amigos no jantar, que era na concentração dos profissionais, na rua Santo Elias. Anos depois, na década de 70, passei a frequentar os Aflitos numa condição profissional, como repórter do DIÁRIO DE PERNAMBUCO.

Dentre idas e vindas, aproximações e distanciamentos, colecionamos amigos, estreitamos os laços de amizades, testemunhamos bons e maus momentos. Nos deliciamos com o malabarismo de alguns virtuosos que vestiram a camisa alvirrubra; nos decepcionamos com promessas que não corresponderam às expectativas, e aprendemos que no jogo da vida a bola corre para os dois lados. O importante é ter o equilíbrio para manter a posse o maior tempo possível, e ter a sabedoria para lhe buscar quando ela estiver do outro lado.

Olho para o roupeiro , ARAPONGA, e o vejo como um pilar de sustentação de toda essa história que vivenciei de forma direta e indireta. O velho ARA é aquele soldado que conhece todos os segredos da caserna. Muitas vezes me mostrou o caminho das pedras para chegar a "notícia".

A tergiversada foi legal, como diria o amigo, José Teles, mas vamos ao que importa: o momento político do Náutico.

Muitas vezes, nesses 50 anos de idas e vindas pelos Aflitos, discordei da intransigente defesa de alguns alvirrubros em o clube ter apenas um candidato nas eleições. Existem momentos e momentos. Em algumas situações achava que o bate chapa seria salutar, em outras não. O problema é que, por várias vezes, testemunhei presidentes amargando a solidão do cargo.

Ontem, com muita alegria, os alvirrubros lançaram a chapa "PRA CIMA NÁUTICO", encabeçada por Edno Melo, atual presidente, e Diógenes Braga. Uma dupla que aprovou, e para a qual, o tempo de dois anos foi curto, diante do acerto da gestão, que precisa avançar para se consolidar, fortalecendo o alicerce que dará sustentação a retomada de crescimento do clube da Rosa e Silva.

Há dois anos os desafios eram maiores, mas os jovens dirigentes agiram diferente, pensaram fora da redoma que aprisionou os alvirrubros durante tantos anos, e mostraram o caminho para colocar o Náutico em sintonia com o Século XXI.

Diz o dito popular: "            QUEM FAZ UM CESTO FAZ UM CENTO, QUESTÃO DE CIPÓ E TEMPO".

Edno e Diógenes precisam de mais um tempo para concluir o projeto do novo Náutico. Sempre fui acessível as mudanças, mas convenhamos, no momento, a manutenção da dupla é imperativa.  

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Sport
Presidente revela caos financeiro
postado em 28 de outubro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Com o Sport na iminência de consolidar seu acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, meta prioritária na temporada 2019, o presidente, Milton Bivar, se sentiu a vontade para revelar alguns números que traduzem a dificuldade financeira com que vem administrando o clube rubro-negro pernambucano.

A exposição foi feita durante programa na Rádio Jornal. Uma revelação que, para muitos, chega com dez meses de atraso, contudo, o sucesso obtido no futebol, que é o que faz o coração do clube pulsar, nos leva ao reconhecimento de que aconteceu no tempo certo e na medida exata. Caso contrário corria o risco de parecer chororô, ou caça às bruxas.

Alguns dos números expostos já haviam sido divulgados, mas se fazia necessário uma confirmação oficial, o que foi feito através das revelações do presidente executivo. Outros, embutidos em dívidas e acordos, nos surpreendem e revelam o quanto as gestões anteriores foram danosas e estão a obstacular a retomada de crescimento, como por exemplo, o acordo feito com a Rede Globo, quando se processou um adiantamento de receitas e o Sport ficará sem receber cotas por vários anos por conta do débito contraído junto a empresa de comunicação. E o que falar de um débito internacional junto ao Sporting de Lisboa? Dívida que está sendo cobrada via FIFA.

O inchaço das folhas de pagamento é outro crime financeiro brutal cometido pelos gestores que não sabiam a diferença entre apurado e lucro, detalhe básico e fundamental para a sobrevivência até das bodegas de ponta de rua.

Nos últimos três dias (sábado, domingo e hoje), o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, prestou um grande serviço aos clubes pernambucanos ao publicar uma série de artigos sobre a importância do planejamento. Uma verdadeira aula para quem trata o futebol com seriedade e quer somar conhecimentos.

Em qualquer lugar do mundo é notória a diferença entre Grande Clube e Clube Grande. Recentemente estive em Portugal e deu para observar a distância que separa Benfica e Porto do Sporting, e testemunhar a rivalidade existente entre as cidades de Braga e Guimarães por conta do esforço dos seus respectivos clubes em serem considerados a quarta força do futebol luso.

Os gestores que antecederam Milton Bivar no comando do Sport foram derrotados pelo ilusionismo. Se sentiram os reis da cocada preta, mas não perceberam que ficaram nus quando deram um passo maior que as pernas. Como tudo na vida tem um preço, o Sport está pagando um alto tributo pelos pecados cometidos por aqueles que se embriagaram com o poder.

O leonino que vai a Ilha do Retiro, com frequência ou de forma esporádica, percebe que a reconstrução do Sport vai demandar um bom tempo. O patrimônio do clube está dilapidado, e a saúde financeira na UTI, como bem revelou o presidente Milton Bivar.

Por sorte, o futebol do time rubro-negro dá mostra de acerto na busca pela meta maior que é o acesso à Série A. Único caminho que aponta a salvação do Leão.    

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Futebol Brasileiro
E Jesus redescobriu o Brasil
postado em 25 de outubro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, recentemente, sempre me falava das maravilhas de Portugal. Minha última passagem por Lisboa foi na década de 90. Muito tempo. Defini a terra dos patrícios como destino para um descanso de 12 dias. Viagem fantástica. Acabei por conhecer um país fascinante que passou a ser disputado por turistas do mundo inteiro.

A formação de jornalista esportivo me levou a algumas incursões pelo mundo da bola. O que mais me chamou a atenção foi o fato de, o assunto dominante lá é o mesmo que domina cá: o Flamengo. Incrível como os portugueses estão destacando o bom momento do rubro-negro carioca que é treinado por Jorge Jesus. Evidente que o trabalho do treinador é apontado como o grande motivo de ter elevado o time brasileiro a um patamar dos melhores times europeus da atualidade.

O Flamengo deixou de ser um fenômeno nacional de popularidade, passou a ocupar espaços antes nunca ocupado por uma equipe brasileira no noticiário esportivo internacional. Jesus é quem opera este milagre da multiplicação. A goleada que o time carioca aplicou no Grêmio (5x0), foi transmitida ao vivo, na madrugada da sexta-feira. O resultado do jogo foi repercutido em todos os telejornais.

José Joaquim, inclusive, nas suas postagens desta sexta-feira, faz alusão ao crescimento do clube carioca, mostrando que há espaço para o crescimento do futebol brasileiro. Também me chamou a atenção um comentário feito por Galvão Bueno que comparou o futebol do Mengo ao Carrossel Holandês dos anos 70.

O ufanismo é que difere os elogios daqui com os elogios de lá.

Tive a oportunidade de assistir ao confronto do Benfica com o Lyon, com a vitória (2x1) para o time português. Vitória sofrida com um placar que não traduziu, com fidelidade, a história do jogo. O Benfica fez um segundo tempo lastimável, e os analistas lusos não pouparam críticas. Eis uma diferença brutal. Aqui no Brasil, quando um time vence ninguém enxerga defeitos.

Confesso que não vi este "encantamento" de repórteres com treinadores, coisa que passou a fazer parte do cenário do futebol brasileiro de uns tempos pra cá.

Bom!

Há muito que se fala da necessidade de se importar bons treinadores para o futebol brasileiro poder dar um salto de qualidade. Jorge de Jesus, por conta do excelente trabalho que vem desenvolvendo no Flamengo passou a ser uma unanimidade nacional, ou internacional, como queiram.

Agora, é acordar para outras necessidades, como por exemplo, a modificação do calendário para que possamos caminhar, em paralelo, com os europeus. Uma medida que será uma contribuição efetiva para a melhora das gestões nos clubes.

E viva Jesus que redescobriu o futebol brasileiro.

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