Histórico
Campeonato Pernambucano
Óbvio x Improvável
postado em 05 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A grande mídia utiliza o mote de - Capital x Interior - para divulgar os jogos das semifinais do Pernambucano. Um esforço para azeitar uma competição insossa cuja média de público é a menor da história. Você muda o rótulo mas os insumos do xarope continuam os mesmos. Portanto, prefiro dizer que o que temos é um confronto do óbvio com o improvável.

Apesar da evolução do Salgueiro, único clube do Interior que por vários anos se mantém no calendário nacional, deixando de um time sazonal, ainda existe uma distância muito grande que o separa dos tradicionais clubes da Capital, os donos de todos os títulos estaduais: Sport, Santa Cruz e Náutico. O Central, que este ano entra para o grupo dos centenários, apesar dos esforços, não consegue dar o salto de qualificação que lhe colocaria em um outro patamar.

No confronto entre Náutico e Afogados, vitória do óbvio. O limitado time do Afogados ainda teve contra si uma desastrosa arbitragem, como bem definiu o presidente da FPF, Evandro Carvalho. O mandatário disse o que todo mundo viu ao vivo e a cores, mas não precisava carregar nas tintas. Soou como demagogia sua afirmativa de que torce para ver um clube do Interior ser campeão.

A necessidade de turbinar as bilheterias nas finais do Estadual é imperiosa. Portanto, só existe um meio de casa cheia no primeiro e no segundo jogo: o clássico entre Sport e Náutico. Quem falar outra coisa é porque está querendo jogar conversa fora.

A expectativa agora é com relação ao jogo do Sport com o Salgueiro, domingo, na Ilha do Retiro. O Carcará, vez por outra, dá uma beliscada no Leão, mas isso acontece, principalmente quando joga em casa, no Sertão. O mando de campo sempre faz a diferença. Na Ilha do Retiro, com o apoio substancial de sua torcida, que passou a acreditar no time pós chegada de Guto Ferreira, o Sport é franco favorito. Obviamente que favoritismo não é sinônimo de vitória. É apenas crédito.

O presidente, Milton Bivar, declarou esta semana que o "título do Pernambucano é prioridade para o Sport". Valorizaram tanto a declaração que para mim ele estivesse se referindo a um título brasileiro. Evidente que, disputando apenas uma competição no momento, o clube não tem outra prioridade. Na Série B, competição que começa a disputar no final do mês de abril, onde a meta é o acesso. O título funciona como um plus a exitosa campanha que porventura seja desenvolvida.

No atual cenário do futebol pernambucano, e no futebol o que conta é o momento, Sport x Salgueiro, a segunda semifinal do Pernambucano 2019, não é outra coisa senão o confronto do Óbvio com o Improvável.

E a FPF torcendo por casa cheia.

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Acontece
Amadores e profissionais
postado em 03 de abril de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

O nosso futebol tem momentos de profissionalismo ao mesmo tempo que envereda para o amadorismo.

O maior exemplo dessa metamorfose se retrata na forma como o seu maior torneio é programado. As datas mudam ao sabor dos ventos.

Os clubes que disputam outras competições têm seus jogos remarcados. De repente, alguns estão em uma certa rodada, enquanto outros estão com jogos atrasados. Na tabela de classificação aparece o asterisco.

O futebol europeu vende com antecedência de quase um ano os ingressos para toda a temporada. Lá se tem o conhecimento real que o jogo Chelsea x Manchester United será realizado em tal data, e isso realmente acontece. No Brasil, algumas partidas que estão marcadas para determinadas datas, são realizadas quase um mês depois.

Como poderemos vender ingressos antecipados, se não cumprimos com o calendário dos jogos. Os cartolas acham mais conveniente o modelo grotesco que é adotado na aquisição dos bilhetes em nosso futebol. São raros os clubes que adotam a internet como veículo de vendas.

Começa a competição, e os jogos são programados para 21 horas do sábado. Como não acontece a boa demanda de público nem a audiência para a televisão, modificam e colocam para 18 horas, sem consultar os maiores interessados: os consumidores.

Por outro lado, o futebol brasileiro passou a fazer parte da grade de televisão, e por conta desse fato os jogos do meio da semana são programados para 21h30.

O futebol é tratado como um produto de segunda qualidade, desde que depende da novela, e as partidas só começam após o seu final, Um torcedor noturno chega em casa de madrugada, e obvio que irá optar pela televisão, reduzindo a demanda do jogo e apequenando as receitas. Por isso a média de público do Brasileiro é menor do que a do Campeonato da Segunda Divisão da Inglaterra.

Retrato de uma realidade existente com dirigentes sem a altivez para o combate de tais procedimentos. Os recursos distribuídos por conta dos direitos de transmissão calam as suas bocas.

O problema maior é que somos um futebol dito profissional, dirigido por amadores, e em alguns casos por espertalhões.

O esporte da chuteira no Brasil se apequenou, com os atletas muito mais preocupados com os seus cabelos, com as suas tatuagens, recebendo para isso o apoio de uma mídia juvenil, e esquecem o fundamental, que é o de jogar futebol.

 O Brasileiro está bem próximo do seu chute inicial, e esperamos que os amadores o olhem como um verdadeiro esporte profissional, e não uma brincadeira de João e Maria.

São coisas do Brasil.

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Campeonato Pernambucano
Semifinais partidas
postado em 01 de abril de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O princípio do "manda quem paga", é o que rege o futebol brasileiro. Neste primeiro semestre, onde temos um festival de competições, uma por dentro da outra, simultaneamente, não é fácil atender a interesses e necessidades. No final, vale o que fica determinado pelos investidores. A regra ficou bem ressaltada com a divisão dos jogos das semifinais do Pernambucano, cujo único beneficiado foi a televisão.

Náutico e Afogados jogam nesta quarta-feira enquanto o Sport fica de molho, até domingo, quando receberá o Salgueiro, na Ilha do Retiro. Nesta forma de "Pingadinho", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, o time leonino passará 15 dias sem pegar na bola, pois a última vez que entrou em campo para cumprir a agenda do Estadual foi no dia 24 de março, quando goleou o Petrolina (4x0), na Ilha do Retiro, jogo válido pelas quartas de final.

O técnico do Sport, Guto Ferreira, numa conversa que tivemos recentemente, alertava para o fato destes hiatos que acontecem na tabela do Pernambucano. Como o clube rubro-negro está disputando apenas o Estadual, a distância entre os jogos se torna prejudicial porque o grupo fica sem ritmo de jogo. Partindo deste princípio, ou seja, raciocinando pela ótima do treinador, o confronto com o Salgueiro, próximo domingo, na Ilha do Retiro, pode ser considerado de alto risco para o Sport.

A divisão dos jogos das semifinais do Pernambucano tem como argumento o fato de a Polícia Militar vetar duas partidas, no mesmo dia, na mesma cidade.

Fico a observar o quanto o futebol está refém da violência. Um jogo as 19h30 nos Aflitos, e outro as 21h30 na Ilha do Retiro, abre possibilidades de confrontos entre torcidas.

O poeta, Carlos Drummond de Andrade, certa vez disse: "O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho".

Drummond morreu em 1987, e parece ter levado com ele sonhos e ilusões do futebol.

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Campeonato Pernambucano
O Herói do Sertão
postado em 28 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A bola esbarra na trave várias vezes, mas um dia vai entrar. O futebol nos mostra isso há mais de cem anos. Tem quem não acredite, e siga dando bolas pro azar. Os poucos torcedores que foram ao Arruda, ontem à noite, com a certeza de que testemunhariam a classificação do Santa Cruz para as semifinais do Pernambucano, se renderam a uma verdade imutável.

Quem acompanhou, com atenção, o desempenho do Tricolor do Arruda nas suas últimas apresentações, observou que o time do técnico Leston Júnior caminhava com a lanterna dos afogados nas mãos.

Confesso que lembrei do Skank:

"Ô pacato cidadão, te chamei a atenção

Não foi à toa, não...".

 Vamos louvar a quem merece ser louvado! Portanto, o momento é do técnico do Afogados, Pedro Manta.

Viva Manta! Palmas pra Manta!

Lembro de quando ele trabalhava na Federação Pernambucana de Futebol, como um dos assistentes técnicos do José Joaquim Pinto de Azevedo, e falava sempre da necessidade de as equipes intermediárias terem uma "pegada forte no meio campo".

O tempo passou, Pedro Manta abandonou o serviço burocrático e foi fazer o que mais gosta: trabalhar no campo, onde coloca em prática os seus conhecimentos, com lisura, seriedade e honestidade.

Manta aprendeu a lidar com dificuldades e limitações, com estruturas deficitárias, e sob a pressão natural, constante e permanente da superação pela sobrevivência. Esta é a realidade dos clubes do Interior cuja fragilidade das estruturas é incontestável.

Dentro de sua realidade, Pedro Manta já podia ser coroado como o "melhor treinador do Pernambucano 2019", ao levar o time de Afogados da Ingazeira a conquistar uma vaga no Brasileiro da Série D de 2020. Fato inédito na história do clube sertanejo.

Foi além da meta: conquistou uma vaga para as semifinais do Estadual, medindo forças com o Santa Cruz, no Arruda.

A alquimia utilizada por Manta foi a da pegada forte, aprimorada com uma ousadia que surpreendeu o adversário no primeiro tempo de jogo.

Bom! Depois de bons trabalhos desenvolvidos em Serra Talhada, em Petrolina e agora em Afogados da Ingazeira, só me resta saudá-lo como "Herói do Sertão".

"Ô pacato cidadão, te chamei a atenção

Não foi à toa, não...".

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Seleção Brasileira
Para deixar de patinar
postado em 26 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Aguardo, com relativa ansiedade, o amistoso que a Seleção Brasileira fará hoje a tarde, com a República Checa, em Praga. O adversário foi goleado, semana passada pela Inglaterra, jogo válido pelas Eliminatórias da Eurocopa. Por outro lado, o Brasil deu vexame no amistoso com a frágil seleção do Panamá, quando amargou um empate de 1x1. Naturalmente que, diante de tal cenário não estou vivendo a expectativa de um jogão de bola, quero apenas ver se o Brasil se desvencilhou da letargia que foi o seu grande adversário no sábado.

Esta data FIFA em curso, nos permitiu fazer uma avaliação de algumas seleções, sem muito aprofundamento, evidentemente, mas o suficiente para chegar a conclusão de que o grupo comandado pele técnico Tite segue patinando, sem sair do lugar.

Vimos apresentações da Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda e França, fato que nos proporcionou traçar um paralelo entre o time brasileiro e os conjuntos citados. Mesmo considerando o grande desfalque de Neymar, não é possível alimentar bons sentimentos sobre o futuro do futebol verde e amarelo. O Brasil continua sendo um grande celeiro, mas não tem conseguido evoluir, dar o salto necessário para deixar a condição de país formador.

Em junho vamos ter mais uma edição da Copa América. As seleções estarão recheadas de jogadores que são titulares em seus respectivos clubes europeus. Contudo, a sensação que fica é de que os "craques" regridem quando vestem as camisas das seleções sulamericanas.  Messi não consegue o mesmo protagonismo que tem no Barcelona quando veste a camisa da seleção argentina. Firmino, no amistoso do Brasil com o Panamá sequer foi um caricato do atacante que é quando vai a campo defender o seu clube, o Liverpool. Numa linguagem popular podemos afirmar que, "as seleções sulamericanas não estão dando liga".

Fazer uma comparação técnica entre uma edição da Eurocopa, competição que reúne 24 seleções, e uma edição da Copa América, vamos observar que existe uma distância abissal, fato que torna as seleções européias, cada vez mais favoritas aos futuros títulos mundiais.

A jovem seleção francesa, atual campeã do mundo, tem envolvido seus adversários com um futebol arte e uma objetividade impressionante. A harmonia e a força do conjunto deixam evidenciada a conscientização dos jogadores em relação a importância do coletivo. O talento individual se sobressai de forma natural, contudo, a responsabilidade da vitória é do grupo que possui vários pontos de desequilíbrio.  

Semana passada, numa dessas mesas redondas que a televisão nos oferece, vi uma discussão entre Júnior, Tite, Caio, Murici, Róger... sobre a qualidade dos times brasileiros.

"Não podemos comparar os times brasileiros com os europeus porque lá eles têm seleções", observou Júnior em dado momento. De pronto foi compreendido e apoiado por todos. Mas a qualidade dos jogadores foi reconhecida.

Entendemos que, os outros países também têm jogadores de qualidade, talentos inquestionáveis. O que não se conseguiu na América do Sul foi enxergar fora da caixa quando o quesito é tático. A movimentação das seleções da Bélgica, França e Inglaterra impressionam. Outras estão no processo de reformulação, para seguir com a evolução. É isto que não vimos nos selecionados do nosso continente.

Bom! Nos resta alimentar a esperança na dinâmica do futebol e numa metamorfose que mude todo o cenário. O que é pouco provável.

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