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Folha de Pernambuco - 12/04/2013
postado em 12 de abril de 2013

QUEDA - A Seleção Brasileira caiu mais uma posição no ranking da FIFA. Nem mesmo a insignificante vitória sobre a Bolívia, no amistoso mais descabido da história, evitou a queda para o décimo-nono lugar.

Em defesa do indefensável

Aos poucos os arquivos dos anos de chumbo, como era chamado o período em que o Brasil viveu sob o regime militar, vão sendo abertos, e a cada dia cai o pano revelando a personalidade do presidente da CBF, José Maria Marin, que também é presidente do Comitê Organizador Local - COL - da Copa de 2014. O UOL começou a publicar, ontem, uma série de reportagem revelando que "Marin foi ligado à ala radical da ditadura". O desgaste do dirigente tornou irreversível o processo para tirá-lo da presidência do COL. Até os aliados mais próximos, como o ex-jogador Ronaldo, que é um dos diretores do COL, já advoga a favor da sua saída. Apesar de todas as evidências, inclusive com gravações comprometedoras que vazaram na Internet, o presidente da FPF, Evandro Carvalho, tentou criar um movimento em defesa de um cidadão indefensável. Evandro elaborou o - Manifesto de Desagravo ao Presidente da CBF José Maria Marin - documento que foi enviado para as federações do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte. A iniciativa não encontrou eco, e o documento foi parar nas mãos do jornalista, Ricardo Perrone, que o publicou, na íntegra, com papel timbrado da FPF, tal como fora enviado para as federações. Respaldar um comandante como Marin a frente do futebol brasileiro já é um absurdo, e defender um dos maiores aliados da ditadura é um crime contra a cidadania.

ENVOLVIDOS - Não sei se os presidentes dos clubes filiados a FPF foram ouvidos sobre o Manifesto de Desagravo, mas no documento consta que a Federação - em nome próprio e dos seus clubes filiados - formulou a peça que transforma santos em demônios, numa inconteste inversão de valores.

Coveiros

No Manifesto de Desagravo ao Presidente da CBF José Maria Marin, elaborado pela FPF, para desencadear um movimento de apoio ao sucessor de Ricardo Teixeira, as pessoas que têm se manifestado a favor da saída do dirigente do comando do futebol brasileiro são tratadas como "atores travestidos de coveiros do futebol brasileiro". O jornalista, Vladimir Herzog, deve estar estribuchando no seu túmulo.

Ética e honestidade

Na peça criada pela FPF, os críticos do presidente da CBF são tratados como pessoas e grupos que têm %u201Cdesapego e desprezo com a ética e honestidade de princípio%u201D. Falar de honestidade e ética em defesa de um cidadão que foi flagrado roubando uma medalha de um jogador no pódio é complicado.

Expressão

O Manifesto criado pela FPF não foi enviado para nenhuma das federações cujos Estados abrigam os maiores clubes do futebol brasileiro: São Paulo, Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Nem entre os nanicos o documentou ecoou.

Pressão

Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, "o governo federal não pode intervir na CBF, mas a Câmara dos Deputados pode". A pressão aumenta e a situação de Marin se complica como aconteceu com seu antecessor.

CURTAS

HISTÓRIA I - O ex-presidente da FPF, o saudoso Rubem Moreira, tinha um grande relacionamento com o presidente da extinta CBD, João Havelange. Foi, inclusive, um dos responsáveis pela chegada de Havelange a presidência da FIFA. Um competente cabo-eleitoral na América do Sul.

HISTÓRIA II - Quando esteve na presidência da FPF, Fred Oliveira, liderou as federações do Norte e Nordeste na eleição que culminou com a vitória de Otávio Pinto Guimarães sobre seu opositor, Medrado Dias.

HISTÓRIA III - Fred também foi um dos escudeiros de Ricardo Teixeira. O seu irmão, Carlos Alberto Oliveira, chegou a disputar uma eleição na CBF, tendo sido %u201Cmassacrado%u201D por Teixeira.

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