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Folha de Pernambuco - 05/04/2013
postado em 05 de abril de 2013

SEGUNDA - Ao traçar um paralelo entre os jogos da Liga dos Campeões da Europa e da Libertadores da América, chegamos rápido a conclusão de que a competição sul-americana é de segunda categoria. Lamentável, mas é.

A oferta e o efeito

A agenda de futebol na quarta-feira, pela televisão, foi maior que a do domingo. Foram jogos de todas as categorias, e para todos os gostos. A oferta é um dos efeitos da globalização, e nos permite analisar o futebol por diversos ângulos. Evidentemente que, se não for induzido pela paixão, o torcedor opta pelo melhor jogo, aquele onde há uma concentração maior de jogadores de nível técnico superior. Com o controle na mão foi possível nos transportar do Rio de Janeiro para a Europa, passar por Belém do Pará, ir a Vitória da Conquista, ao Juazeiro do Ceará, sem sair da poltrona. Coisa do progresso tecnológico. Um fato me chamou a atenção: no jogo - Remo 0x1 Flamengo - em Belém/PA, a torcida do clube carioca presente ao Mangueirão era maior que a do clube paraense. Por coincidência, ontem a Pluri Consultoria publicou o primeiro relatório sobre o tamanho das torcidas brasileiras, começando pela Região Norte. Para a nossa surpresa, o carioca Flamengo é o clube de maior torcida no Norte do País, seguido por Corinthians e Vasco. O Paysandu é o quarto colocado e o Remo aparece na sexta colocação. Entre os dez clubes com as maiores torcidas na Região Norte, apenas os dois paraenses, os demais são do eixo Rio-São Paulo. A morte do futebol da região era prevista desde a implantação do modelo vigente do futebol brasileiro. A causa da devastação pode ser pesquisada no final da década de 80. O efeito, como era previsto, apareceu logo no Norte, que passou a ser um mercado consumidor dos %u201Cprodutos%u201D do Sudeste.

CAUSAS - São muitos os fatores que contribuem para o êxodo dos torcedores dos estádios brasileiros. Entretanto, uma das causas mais fortes é sem dúvida a grande oferta de jogos na televisão. Através deste item observamos que a qualidade, em longo prazo, suplanta a paixão. É o efeito da massificação das camisas.

Doce veneno

O Dr. Ailton Alfredo de Souza, mestre em Direito Desportivo, nos alerta sempre que "não há soluções fáceis para problemas difíceis". O que os mentores deste modelo do futebol brasileiro não previam, é que nos dias de hoje, em menor escala, evidentemente, o futebol do Sul e do Sudeste fosse perder tanto espaço para o futebol europeu. Enfim, começam a experimentar o "doce veneno", que um dia derramaram no Norte.

Torcidas organizadas

As antenas parabólicas imperam em mais da metade dos municípios pernambucanos, fato que leva os telespectadores a assistirem aos jogos dos clubes do Sudeste. O efeito de tal visibilidade é o surgimento de torcidas organizadas de clubes como Flamengo, Corinthians, e outros, no Estado.

Ausentes

As ausências de clubes paraibanos, alagoanos, sergipanos... no Brasileiro das Séries A e B, levam muitos clubes a serem esquecidos no cenário nacional. Em muitos Estados os produtos oferecidos e consumidos na televisão são enlatados.

Concorrência

Os grandes clubes do Rio e de São Paulo, embora vejam suas torcidas aumentarem em vários Estados, começam a sofrer a concorrência do Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Milan... É a lei da oferta e da procura.

CURTAS

RANKING - No estudo apresentado pela Pluri Consultoria sobre as maiores torcidas do futebol brasileiro, o Sport é o clube do Nordeste melhor posicionado, ocupando a décima-terceira posição. O Santa Cruz é o décimo-sexto colocado, atrás de Bahia e Vitória, e o Náutico está na décima-oitava posição.

MERCADO I - Sport e Santa Cruz, donos das maiores torcidas de Pernambuco, perdem muito mercado por não se afirmarem como clubes da Série A. De 2002 a 2013 o Sport disputou apenas quatro edições da Primeira Divisão.  

MERCADO II - A situação do Tricolor do Arruda é mais agravante: nesses doze anos, o clube disputou apenas uma edição da Série A, em 2006.

 

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