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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
Os analistas do futebol brasileiro precisam entender as mudanças que aconteceram nesse esporte quando a paixão abriu espaço para a razão. O amadorismo do passado cedeu o lugar a uma participação maior na indústria que mais cresce no mundo: a do entretenimento, que necessita de novos mecanismos.
Um clube de futebol não pode se mais um brinquedinho de alguns dirigentes, ou mesmo uma entidade representada por um pedaço de papel, e cuja documentação vive debaixo do braço de seu dono.
Para que se tenha um time TOP 10, de linha disputando os tÃtulos, mesmo em perÃodos de vacas magras os custos são bem elevados.
Quem os pagam? Os seus consumidores, de forma direta ou indireta, quando se associam, pagam os ingressos para os jogos, compram camisas e demais produtos licenciados.
As agremiações que não conseguem receitas compatÃveis montam equipes mais frágeis, participam de competições estaduais e divisões menores, e quando ascendem tem dificuldades de manutenção. Os exemplos são latentes.
Todo o sistema existente bate com a lógica do mercado. Quanto mais torcedores e quanto mais recursos eles tiverem, mais receitas que o clube absorverá, e o ciclo continua com maiores investimentos, que produz uma melhor qualidade, e os seus produtos e serviços podem ser cobrados com preços mais elevados.
O futebol precisa de pensadores que entendam desse processo, para observar uma simples analogia, desde que com a maior quantidade de consumidores pagantes, mais receitas o clube terá para investir e competir com outros no mercado.
Com uma boa equipe, as participações nos eventos são melhores, e com isso estimula o patrocinador para estampar a marca em suas camisas, com a relação custo x benefÃcio, e o retorno do aumento de suas vendas.
O maior número de torcedores está relacionado às cotas da televisão e ao sistema de pay-per-view. Quanto maior, mais dinheiro, sendo esta realidade do que acontece hoje no segmento, que atua com um membro ativo do mercado.
Quem atua é o potencial de mercado e isso faz que um clube de um estado de maior população tenha maiores condições de competição do que os de menor.
Esses são os desafios do mercado que estudamos profundamente, e que obrigam a clubes emergentes como os nossos, com demandas mais reduzidas, a se organizarem, trabalharem no incremento maior dos consumidores, e assim dentro de suas capacidades financeiras formatarem equipes que possam se manter na divisão maior, e chegar pelo to TOP 5, que sem dúvida será um grande feito.
No final o futebol de hoje, com o mundo transformado em plano, é mais um componente do mercado de consumo, e para sobreviver tem que entendê-lo, necessitando de uma estrutura que não seja debaixo do braço como um violão do antigo boêmio.
CLAUDEMIR GOMES
A surpreendente vitória do Náutico (1x0) sobre o Ferroviário/CE, lÃder do Grupo A, em Fortaleza, não apenas recolocou o alvirrubro pernambucano na briga por uma vaga de acesso a próxima fase do Brasileiro da Série C, como serviu para ressaltar as dificuldades que o Santa Cruz terá pela frente para conseguir a cobiçada classificação. A seis rodadas do final da primeira fase, o Tricolor do Arruda precisa ter um aproveitamento de 60%, fato pouco provável visto que, nas doze partidas disputadas teve apenas 47%.
Os números conspiram contra o time comandado por Milton Mendes. Nos seis jogos restantes desta fase de classificação, o Santa Cruz fará quatro apresentações na condição de visitante, detalhe que torna o desafio maior, visto que, nas cinco partidas que disputou fora do Arruda contabilizou apenas uma vitória. O momento se torna mais dramático porque nas cinco últimas rodadas, dentre os clubes que almejam classificação, o Tricolor do Arruda foi o que teve o pior aproveitamento: duas derrotas, dois empates e apenas uma vitória, campanha similar a do Botafogo/PB, que também vem em queda livre.
Para tornar o cenário ainda mais cinzento, a última rodada da fase de classificação põe em confronto os dois representantes pernambucanos. A esta altura do campeonato a tabela se apresenta como um carrasco para um dos dois clubes. Como futebol não é ciência exata, existe a possibilidade dos dois escaparem, assim como, a de ambos não passarem para a próxima fase. Entretanto, o cenário do momento credita o Náutico à classificação. O site, Chance de Gol, aponta o Náutico com 60% de chance de passar para a próxima fase, e o Santa Cruz com 24%.
A torcida tricolor está dividida: os que seguem cegos pela paixão apostam numa reação do time nesta reta final, onde 18 pontos serão disputados. Para os que defendem a tese de que o futebol tem lógica, a permanência do Santa Cruz na Série C é fato consumado.
E surge a pergunta: "Qual a justificativa para um clube de massa, com um potencial tão grande como o Santa Cruz, viver patinando na escuridão por tanto tempo?".
A pessoa mais indicada para responder tal indagação seria o próprio presidente do clube, Constantino Júnior, que conhece, como poucos, os corredores, os labirintos e os fantasmas do Arruda. Mas que é apontado como um dos personagens central da crise tão duradoura.
Constantino Júnior chegou ao futebol do Santa Cruz em 2006, quando o clube tricolor ascendeu à Série A. De lá pra cá - 14 anos - o time coral disputou duas edições de Série A (2006 e 2016); quatro edições de Série B (2007, 2014, 2015 e 2017); cinco edições da Série C (2008, 2012, 2013, 2018 e 2019) e três edições de Série D (2009, 2010 e 2011). No momento, a probabilidade maior é de que em 2020 o clube siga na Série C.
A debacle do Santa Cruz começou na década de 90, quando a nacionalização se consolidou no futebol brasileiro, passando os estaduais e os regionais para um segundo plano. Faltou planejamento, O clube seguiu com o seu perfil doméstico e foi se apequenando. A resultante dos equÃvocos administrativos, e da falta de pensadores, foi a transformação daquele "gigante" que era referência no cenário nacional na década de 70, em um nanico que sente dificuldade até para se consolidar como clube de Série B. Os números atestam tal realidade.
A retomada do crescimento exige que o clube seja repensado e reconstruÃdo. Somente assim será possÃvel colocá-lo em sintonia com o Século XXI.
CLAUDEMIR GOMES
"Me ajuda a te ajudar!". A expressão que se tornou bastante usual, é uma forma de ressaltar que determinado atleta precisa melhorar seu desempenho para obter melhor projeção na mÃdia. Ela se encaixa como uma luva nas análises das campanhas de Náutico e Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro. A disputa, que este ano tem um viés regional bem acentuado, nos surpreende pelo equilÃbrio de forças, fato que deixa abertas muitas possibilidades na reta final da fase de classificação.
No Grupo A, onde figuram os dois representantes do futebol pernambucano - Náutico e Santa Cruz - temos seis clubes brigando por três vagas no G4. O único que se desgarrou foi o Ferroviário/CE, que se apresenta numa situação confortável na condição de lÃder, com cinco pontos a frente do seguidor mais próximo. No Grupo B a situação é mais complexa, visto que, apenas três pontos separam o lÃder do sexto colocado. Com tamanho equilÃbrio, fica difÃcil até para as previsões de Mãe Diná e Pai Léo sobre o cenário final.
Estamos a sete rodadas da conclusão da fase de classificação. No momento Santa Cruz e Náutico estão fora do G4, mas com chances reais de classificação. O mesmo acontece com o lÃder Ferroviário/CE; Confiança/SE; Sampaio Correa/MA; Botafogo/PB e Imperatriz/MA. O emparelhamento impõe uma valorização maior aos detalhes. Existe uma regra oriunda das arquibancadas que é bastante antiga no futebol: "Clássicos e decisões se ganha nos detalhes". Por conta da expressa igualdade de forças, os sete jogos restantes da fase de classificação serão de caráter decisivo.
Quando passamos a elencar os detalhes, o primeiro que se apresenta é o mando de campo. E é nesta vibe que o bicho pega para os pernambucanos. Tricolores e alvirrubros estão longe de alcançarem boas notas no dever de casa. Isto é o que nos mostra a análise de rendimento nas onze rodadas disputadas até agora. A fase de classificação é projetada e montada em dezoito rodadas. Portanto, já se foram mais de 50% dos jogos.
Nos seis jogos que disputou no Arruda o Santa Cruz perdeu 7 pontos, ou seja, teve uma perda de 40%, percentual que lhe puxou para fora do G4. Nos sete jogos que irá disputar, o Tricolor do Arruda fará três apresentações como mandante: contra o Botafogo/PB, que no momento figura no G4; com o Imperatriz, que também está na briga por uma vaga, e com o Globo/RN.
A campanha do Náutico, até o momento, ainda foi mais deficitária que a do Santa Cruz, nas onze rodadas disputadas. O time alvirrubro perdeu 7 pontos jogando nos Aflitos, atingindo um percentual de 46% de perdas. Os números deixam o cenário do clube da Rosa e Silva em preto e branco. Para mudar a coloração e alimentar o otimismo da torcida alvirrubra será necessário uma melhora acentuada de aproveitamento nos quatro jogos que fará como mandante contra Treze/PB, Confiança/SE, Sampaio Correa/MA e Santa Cruz.
A julgar pelo peso das camisas, teoricamente as classificações dos dois representantes pernambucanos eram tidas como favas contadas. Contudo, a igualdade de forças nos mostra que, dentro das quatro linhas a realidade é outra. Passado e tradição não asseguram sucesso. O ufanismo da mÃdia também não determina vitórias.
Sendo assim, "me ajuda a te ajudar".
CLAUDEMIR GOMES
Acabaram as Copas!
Durante o mês de junho as atenções estiveram voltadas para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na França, e a Copa América, disputada em solo brasileiro, cujo tÃtulo foi conquistado pela Seleção Brasileira. A competição continental teve uma das edições de menor brilho da história, fato notório através da pouca empolgação do torcedor brasileiro. O sentimento foi bem observado pela mÃdia internacional, mas pouco comentado nos nossos meios de comunicação.
Bom! Voltemos as nossas coisas. Vamos viver nossa realidade porque Copas e Seleções são nuvens passageiras que não retratam o nosso cotidiano. O aroma de perfume francês deixa as arquibancadas que voltam a ser marcadas pelo cheiro do povo. à o futebol raiz na sua luta para sobreviver diante de tantos equÃvocos.
Na volta ao nosso dia-a-dia, a segunda-feira nos traz uma agenda por demais interessante com o Sport voltando a campo, após uma intertemporada de quase um mês na Série B; e o Náutico fechando a décima-primeira rodada da Série C. Ambos jogam na condição de visitante.
Tudo o que se falar, em relação ao desempenho futuro dos vinte participantes da Série B, neste retorno da competição é no pressuposto. Não existe análise com base em clarividência. O técnico do Sport, Guto Ferreira, considerou a intertemporada positiva para o grupo. Uma oportunidade de recuperação fÃsica e de atenuar a pressão psicológica que leva alguns profissionais a um nÃvel de stress insuportável, prejudicial.
Nos oito primeiros jogos disputados o Sport apresentou um equilÃbrio por demais positivo, alcançando um percentual de mais de 60% de rendimento, faixa que lhe rende o crédito de brigar pelo acesso. O desafio agora é manter, e melhorar tal rendimento. A tendência natural é que o cenário da competição seja alterado, com a reação de alguns clubes e a queda de produção de outros. A parada de quase 30 dias funcionará como um tiro no escuro para todos os clubes, razão da expectativa dos torcedores, e da ansiedade dos jogadores nesta primeira rodada que marca o retorno da disputa.
Os números creditam total favoritismo ao Sport neste confronto com o São Bento de Sorocaba. Os rubro-negros somaram, até o momento, mais que o sobro dos pontos contabilizados pelo adversário. O mando de campo é o trunfo maior do time do Interior Paulista para equilibrar as forças. Dentre todos os confrontos que marcam o recomeço da Série B, o Sport é um dos clubes que se encontra em situação de maior conforto.
O mando de campo se torna mais determinante no jogo do Náutico com o Imperatriz, válido pela Série C. Os dois times descrevem campanhas bem parecidas, com o alvirrubro pernambucano tendo apenas três pontos de vantagem sobre o adversário maranhense. O Imperatriz tem um ataque mais positivo, por outro lado o Náutico apresenta uma defesa menos vulnerável. Ambos têm o mesmo saldo de gols.
Se contabilizar os três pontos em disputa o Náutico dá um salto na tabela de classificação e retorna ao G4. Caso contrario, se a vitória pertencer ao Imperatriz, o time maranhense se iguala ao alvirrubro pernambucano na soma de pontos, mas passa a ter um melhor saldo de gols. Em suma: este é o famoso jogo de seis pontos.
Nesta fase de subtração de oportunidades na Série C, uma vez que a disputa em grupos caminha para o final, os jogos passam a ser disputados num clima de dramaticidade, onde é imperativo ter o mando de campo como ponto de desequilÃbrio.
A noite da segunda-feira promete. E assim voltamos a nossa realidade.
CLAUDEMIR GOMES
Certa vez, numa conversa com Emerson Leão, ele me falava da dificuldade de um jogador bem sucedido em sua carreira, sair do foco dos holofotes. Mas o tempo é imperativo para todos, e a aposentadoria é inevitável na meteórica carreira de atleta. Alguns profissionais chegam a recorrer a ajuda de psicólogos para superar a torturante escuridão do anonimato. Não é fácil, para quem já teve tanto brilho, se tornar "invisÃvel".
Há alguns anos as aposentadorias de Magrão e Durval, dois jogadores que eram referências no elenco do Sport, Ãdolos da torcida rubro-negra, se tornaram iminentes. A oxidação no corpo dos dois profissionais era notória através da queda de rendimento. Mas a exaltação ao passado impedia uma visão clara sobre o futuro, fato que dividiu a opinião dos torcedores; levou os profissionais a se equivocarem quando ao momento certo de pendurar as chuteiras, e fez os dirigentes cometerem uma série de erros por não serem pragmáticos e planejarem o inevitável, ou seja, a despedida.
Quando o discurso não condiz com a prática, o que era para ser mingau vira angu de caroço. Foi o que aconteceu com a litigiosa saÃda do goleiro Magrão, sem dúvida, o maior Ãdolo da torcida leonina nas primeiras décadas do Século XXI.
A história nos mostra que Magrão é merecedor de todas as honrarias reservadas aos grandes Ãdolos. E chegou a se falar em jogo de despedida, estátua para o grande goleiro... Nada aconteceu porque a palavra planejamento soa como uma praga dentro dos clubes. Ao invés de afagos, que seriam os reconhecimentos aos memoráveis feitos do atleta quando esteve defendendo as cores do clube, vieram os atrasos de salários; a falta de recolhimento do FGTS, do INSS e a torturante condição de RESERVA, que para quem sempre foi louvado como o número um, ardia mais que o fogo do inferno.
E o "Paredão" se transformou numa duna de areia que fatalmente será dragada pelo tempo. Os erros da diretoria podem ser traduzidos pela falta de compostura do presidente do Sport que chegou a insinuar, num programa de rádio, que havia repórteres ganhando dinheiro para falar bem do goleiro.
Lamentável !
E nos turbulentos bastidores rubro-negros surge a notÃcia da aposentadoria de Durval, outro profissional que escreveu uma bela página a rica história do Sport Club do Recife. A discrição sempre foi uma de suas marcas registradas, embora dentro das quatro linhas tenha se consagrado como um "gigante". Dessa forma, ele deixa o clube sem ouvir aquele couro unÃssono que ecoava na arquibancada: "... é o melhor zagueiro do Brasil!".
Leão falou com propriedade: "A hora do adeus é dolorosa".