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Maio 2012 ›› GILBERTO PRADO
O futebol mudou. Finalmente assumiu a sua real identidade como uma competição lógica. Saiu do empirismo - doutrina que se baseia na experiência, exclusivamente, como única ou principal fonte de conhecimentos - passando para o terreno cientÃfico.
Atualmente
fundamenta-se na ocupação do campo de jogo através de espaços geométricas
figurados por triângulos equiláteros, triângulos isósceles e quadriláteros. Tem
a Ciência Exata como referência. Os posicionamentos acompanham duas teorias do
fÃsico inglês Isaac Newton.
Uma delas ampara-se no "PrincÃpio da Impenetrabilidade" cujo mote
indicado pela chamada Lei de Newton I determina que "dois corpos não podem
ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo". Daà a solidez defensiva
dos elencos orientados por treinadores atualizados.
Do alicerce defensivo estabelecido inicia-se a organização dos ataques e contra
ataques. Dessa feita inspirada na Lei de Newton III. "à toda ação há
sempre uma reação oposta e de igual intensidade"...Surge assim a
semelhança da prática do futebol com o basquetebol. Ataque e defesa em bloco.
Isso com espaço bem mais amplo, possibilitando maior movimentação.
Em cima desse novo alicerce do futebol, abre-se um imenso horizonte teórico
para profissionais em busca da perfeição. Não apenas por parte dos atletas, mas
também pelos seus orientadores, envolvendo outras Ciências e filosofias. O
sucesso é a soma do planejamento com a execução. Nenhum valor tem um time de
craques sem uma orientação atualizada.
à embrionária essa nova fase, resultando em nivelamento, independente de
valores. Força uma constante concentração no meio campo. Defesas bem postadas
impedem a aproximação da bola à meta adversária e estimulam criatividade para
chegar ao objetivo principal. As barreiras humanas e geométricas reduzem o
número de gols assim como favoritismo das equipes mais fortes em número de
valores.
Jogar em seu próprio terreno ou fora dele, dependendo do comportamento, passa a
ser vantagem ou desvantagem. Há casos de clubes, em boa fase, ganharem mais
"fora de casa" do que "em casa". O número de empates com
poucos gols é comum e mais constante.
Não está sem razão quem julgar prolixo o texto acima. IncompreensÃvel até para
alguns, reconheço, dependendo do grau de instrução. Mas, no caso especÃfico,
necessário o repasse. à parte da "bÃblia do futebol". Verdade
absoluta. Axioma. Importante para o objetivo deste comentário.
Vem o outro lado.
O futebol tem relevância na atual história do Brasil. Não é apenas uma
atividade lúdica, ou seja, uma diversão. à fator importante de equilÃbrio
social. Gera emprego e renda. Tira uma imensa quantidade de jovens da
marginalidade, afastando-a das drogas e até mesmo da pobreza familiar. Corrige
parte do descaso criminoso com a Educação do PaÃs.
Essa importância, no entanto, não vem sendo respeitada totalmente. Necessita de
reparo imediato. Através de um consenso ou mesmo medidas mais drástica,
partindo por quem de direito. Governos Executivo ou Legislativo. A questão
envolve uma outra parte também dependente da modalidade. O jornalismo esportivo
em geral. Jornal, rádio, televisão ou mesmo redes sociais; blogues, portais,
etc.
Ora, se é exigido o conhecimento da "cartilha" publicada acima por
parte de seus praticantes e gestores, necessário os crÃticos saberem tanto
quanto eles e mais alguma coisa. Evitando distorções gritantes atingindo de
forma agressiva profissionais honestos "amordaçados" pelo prestÃgio
de formadores de opinião.
Urge o estabelecimento de critérios corretos para admissão de profissionais de
imprensa ligados ao futebol. Os atuais, em maioria, estão obsoletos.
Ter boa dicção e explorar um "carioquês" ridÃculo não é o suficiente
para narrar e fazer comentários no rádio sobre futebol. Beleza pessoal é
atributo para galã de novela e não comentarista de TV. Humorista está mais para
palhaço do que no trato de um assunto tão sério. O fato de ter jogado futebol
em tempo no qual se "amarrava cachorro com linguiça", é pouco para
julgar profissionais atualizados. Junte-se isso aos profissionais de bom
textos, nos jornais, sem entender da matéria.
DaÃ, o desastre.
Diariamente, em um lado profissionais competentes expondo seus trabalhos, numa
tentativa de encontrar soluções ante teoremas (soma de axiomas) imposto pela
fÃsica do futebol. No outro lado, profissionais negligentes, alguns famosos mas
sem escolaridade, totalmente alheios aos fundamentos do futebol, criticando o
que não sabem.
Vence sempre a força do mal. Não deixa de ser uma subversão.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
Há quanto tempo estamos escrevendo que o futebol não precisa de torcidas organizadas? São dezenas de artigos publicados que perderam-se no tempo e no espaço.
Os verdadeiros torcedores são os que chamamos d desorganizados, que usam as camisas dos seus clubes, os acompanham em seus jogos, muitos viajando para outros Estados.
As chamadas organizadas são as responsáveis pela violência dentro e fora dos estádios. Quantas mortes já foram produzidas por essas? O tempo correu e nada mudou, e o poder dos guerrilheiros do asfaltou aumenta cada vez mais.
A nova moda é o da invasão aos Centros de Treinamentos dos clubes para realizarem os seus protestos e sobretudo proclamarem as suas ameaças. São violentos, intolerantes, ignorantes e virulentos. Foram criados e incentivados nos próprios clubes, para agirem como seguranças dos dirigentes, com o objetivo d intimidação aos opositores.
O que aconteceu no CT do Palmeiras foi um absurdo e sobretudo criminoso. Na verdade é a criatura se virando contra o criador que o alimenta há muitos anos.
A ameaça de morte ao técnico Luiz Felipe Scolari é grave e merecia algo maior do que uma simples nota de repúdio tÃmida e covarde.
O Palmeiras é uma entidade que tem uma rica história no futebol brasileiro e mundial, mas sua diretoria é promÃscua no trato com a Mancha Verde a sua maior organizada. Tem membros dessa no Conselho Deliberativo, dentro de sua vida administrativa e polÃtica.
A patrocinadora Crefisa joga muito dinheiro nessa organizada para a sua Escola de Samba desfilar no carnaval, e com uma forte ligação com os seus membros.
Comportamentos como esse do último sábado já vimos em outras ocasiões, com resultados trágicos. Não existe espaço no futebol para atitudes como essa.
Em 2012, o próprio Luiz Felipe Scolari e o presidente do alviverde, Arnaldo Tirone, passaram pelas mesmas ameaças dessa organizada, inclusive de morte.
Infelizmente os dirigentes dos clubes que criaram e alimentaram tal monstro continuam aceitando essas interferências, se fazendo de surdos e mudos, cegos na maioria das vezes para não melindrarem aqueles que lhes dão suporte.
Na verdade, os torcedores organizados fazem ameaças de morte de forma escancarada, e as providências não são tomadas.
O futebol brasileiro agoniza, e um dos seus maiores problemas estão incrustados nesses segmentos.
O futebol inglês se transformou no maior do mundo, após o fim dos hoolingans.
Um exemplo a ser acolhido por nossas autoridades.
CLAUDEMIR GOMES
Não é fácil quebrar paradigmas no conservador futebol brasileiro. Os cinco tÃtulos de Copas do Mundo inflaram os egos de torcedores, dirigentes, jogadores e cronistas esportivos. E todos passaram a acreditar que a transitória condição de melhor do mundo, cujo prazo de validade é de quatro anos, até que chegue a outra edição do Mundial, é eterna.
O ufanismo da verbalização não condiz com a prática. Não vamos cometer o exagero e afirmar que nosso mundo desmoronou e tudo correu por água abaixo. O Brasil segue sendo o celeiro de grandes jogadores. Nossas jazidas não entraram em colapso. O que precisamos é de um ajuste no nosso modelo de gestão, fora e dentro das quatro linhas.
O desafio é enorme, mas somente com grandes mudanças é que conseguiremos entrar em sintonia com o novo século. Afinal, após a conquista de 2002 tudo travou. A distância que nos separa do futebol europeu só aumenta. São quase 20 anos de estagnação.
De certo que evolução não se mede apenas com conquistas de tÃtulos. Entretanto, a falta de conquistas, assim como a ausência em decisões, atesta o enfraquecimento do trabalho desenvolvido. Nos últimos 15 anos o futebol brasileiro de apequenou de forma assustadora.
Embora defenda que, dentro das necessidades nossa prioridade seja uma revolução administrativa, os passos que estão sendo dados na busca de uma evolução tática, explorando a qualidade técnica da nossa matéria prima, podem nos recolocar no caminho do crescimento.
Eis a razão pela qual torço muito pelo sucesso dos técnicos, Jorge Sampaoli, argentino que vem fazendo um trabalho espetacular a frente do Santos; Jorge Jesus, português que está no comando do Flamengo, e muito mais pela sueca, Pia Sundhage, contratada para assumir a Seleção Brasileira de Futebol Feminino.
O primeiro desafio desses profissionais, cujos currÃculos lhes credenciam a trabalhos exitosos, é vencer a resistência do cronista esportivo, que se posiciona sempre como crÃtico mordaz. Não dão tempo para o trabalho fluir e se baseiam apenas nos resultados iniciais para formar a opinião. Sampaoli, que lidera o Campeonato Brasileiro com o Santos, parece ter superado o primeiro desafio. Jorge Jesus ainda se encontra em fogo cruzado. Pia chegou esperançosa em realizar um grande trabalho na seleção feminina, mas seu sucesso está condicionado a uma mudança de filosofia.
A evolução do futebol europeu, e do futebol dos paÃses asiáticos, começou pela gestão administrativa para depois chegar ao campo. Ao que tudo indica, estamos buscando melhoras no sentido inverso.
Não deixa de ser um fato novo que alimenta o otimismo por dias melhores.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
Nesse final de semana as chuvas nos empurraram para a televisão, e por conta disso uma overdose de jogos das mais diversas divisões. Muitas partidas e pouco futebol, com o VAR e sem o VAR, com bola e sem bola, times alternativos sem o menor apreço pela competição, no caso da Série A, alguns narradores de rodeios e comentaristas de desfile de Escolas de Samba. Um sofrimento.
Os livros foram a nossa salvação.
Nos lembramos, na ocasião, de algumas frases do jornalista Carlos Siqueira, que era o responsável pelo blog Sanatório da NotÃcia, que tratava e assuntos polÃticos, e também enveredava pelo futebol. Separamos as mais interessantes.
Começa com uma pergunta:
"O brasileiro perdeu o jogo de cintura? Não! Perdeu a alegria de jogar futebol? Não! Há alguém no mundo que tenha tanta várzea e tanto peladeiro como o Brasil? Não! A Reforma Agrária não foi e nunca será feita, bolas. Tem campo de sobra pra qualquer brasileiro trocar os pés pelas mãos".
O jornalista faz uma outra pergunta, e também responde:
"Então o que há com o peru do futebol brasileiro? Ora, meus egrégios experts do mágico mundo da bola, o que há é cartolas demais.
Há procuradores e empresários demais. Há comentaristas demais, Há apitadores apitando demais. Há patrocinadores demais. Há redes de rádios e jornais demais. Há gestores demais. Há técnicos demais. E torcedores de menos.
Cada vez o torcedor brasileiro assiste mais ao futebol espanhol, ao futebol que fala alemão, inglês, francês, italiano... E cada vez há torcedores de menos no futebol brasileiro. E os que fazem parte da esmagadora minoria de entendidos não são ouvidos e respeitados. Isso tudo inibe o futebol espontâneo e moleque do brasileiro.
à mais uma ditadura que prende, que aprisiona, que comprime, plastifica e encaixota o jeito fácil e inimitável de jogar bola como ninguém que o brasileiro tem, e já não deixam mostrar".
Sobre os técnicos, Siqueira focou a realidade quando textualizou:
"O mal é que, sobre o jugo dos técnicos que servem a cartolagem, e aos interesses das redes de comunicação social, os craques brasileiros jogam reprimidos, com o medo de perder os seus empregos por não garantirem o emprego de seus treinadores.
Jogam para trás na hora do drible para frente; ai deles que não atrasem a bola para o zagueiro, que, sem saber sair jogando, toda a bola para o lado mais próximo transferindo a responsabilidade ao invés de contra-atacar, ainda que já defasado em tempo e ousadia.
Pergunto e respondo, mais uma vez: quantas atrasadas de bola Pelé deu na carreira dele. Nenhuma. Em que paÃs do mundo, um árbitro apita perigo de gol, ou dá sinal amarelo por simulação? Nenhum. Em que estádio do planeta Terra a torcida organizada manda na diretoria do clube? Nenhum".
As colocações são antológicas, desnudam o atual futebol brasileiro que vivenciamos, e não os dos sonhos que são vendidos por alguns ilusionistas de plantão.
CLAUDEMIR GOMES
A tabela do Brasileiro da Série B, pós Copa América, impõe uma mudança de hábito à torcida do Sport. Os leoninos que este ano ficaram impossibilitados de verem o time jogar aos domingos, pois não há espaço para jogos da Segunda Divisão na grade da TV, passaram a ter as noites das segundas-feiras como o momento de entretenimento. O Leão jogou no dia 8 de julho, no dia 15, joga hoje a noite e também na próxima semana abrindo mais uma rodada.
A maluquice da tabela nos leva a dedução de que não foi contestada pelos dirigentes do clube, nem da Federação Pernambucana de Futebol que deveria ter advogado em favor do filiado. Os "Inocentes do Rosarinho" irão dizer que tanto faz jogar na segunda-feira como na terça, na quarta, na quinta, na sexta ou no sábado. Ledo engano. Numa disputa equilibrada, parelha, como está sendo a desta edição da Série B, quem abre a rodada se posiciona como "caça".
Algum "sábio" pode contra-argumentar afirmando que, "se o time faz a parte dele, não importa jogar no abre ou no fecha da rodada". O futebol tem seus mistérios, e nem sempre a simplicidade da teoria é seguida na prática. O impacto psicológico produzido pelos resultados nesta disputa acirrada por posições na tabela de classificação reflete no rendimento do grupo.
Vejamos: Este confronto com o Brasil de Pelotas, nesta segunda-feira, na Ilha do Retiro, coloca o Sport, pela terceira vez consecutiva, como a "locomotiva" da rodada. O rubro-negro pernambucano, que é um dos cotados ao acesso, joga primeiro que seus concorrentes. Semana passada, após o empate com o Cuiabá (1x1), o time comandado por Guto Ferreira passou a integrar o G4, fato que deixou a torcida leonina em estado de graça. Ao final da rodada o Sport passou a ocupar o oitavo lugar, caiu quatro casas na tabela.
Futebol não é uma ciência exata como a matemática. Portanto, neste jogo onde todos acreditam em sorte e azar, a ordem dos fatores altera o produto. Caso isto não fosse uma realidade, as semifinais e finais das grandes competições, não aconteceriam no mesmo horário. Sempre que possÃvel é tudo junto e misturado.
Não é por acaso que nas decisões por pênaltis, a ordem de quem começa as cobranças é definida na moedinha, ou seja, no cara ou coroa. A era digital não interfere na pressão psicológica. Tem coisas que são imutáveis, e acontecem desde que a bola começou a rolar, na China, na Inglaterra, na Jamaica e até na minha Carpina, onde existia uma rivalidade danada entre o Santa Cruz e o Colonial.
O VAR ainda não foi apresentado a Série B, fato que nos leva a conviver com erros grotescos de arbitragem. Erros que não são corrigidos, o que é pior. As aberrações de tabela merecem, no mÃnimo, alguns brados de contestações. Não nos dias dos jogos, mas tão logo a ordem das partidas é divulgada.
O amigo, Pedro LuÃs, mudou o dia do desfile do seu bloco carnavalesco em Olinda - o SEGURUCU - para a terça-feira sob o argumento de que, "segunda-feira até a de carnaval é morgada!".