Histórico
Náutico
Dal Pozzo pronto para os cortes
postado em 13 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O mestre, Adonias de Moura, sempre nos dizia que, "escrever também é cortar palavras". O enxugamento de um texto não é tarefa fácil porque passa pela subtração de palavras, frases e até de períodos. A subtração, seja ela qual for, é sempre difícil numa cultura onde a soma é imperativa. Somos criados, educados para somar, conquistar. Afinal, desde cedo ouvimos dizer que o mundo pertence aos vencedores.

A convite do jornalista e amigo, Roberto Nascimento, participei da gravação do programa Bate Papo na Internet, cujo convidado central foi o técnico do Náutico, Gilmar Dal Pozzo. Também presente na mesa, o parceiro/irmão, Beto Lago. Um bom programa onde ficou ressaltada a simplicidade e transparência do protagonista que viabilizou para a torcida alvirrubra a exorcização de vários fantasmas.

Dal Pozzo em momento algum se fez de rogado. Embora reconheça que a definição do destino do Náutico, com o acesso à Série B, se sobreponha a importância do título da Série C, foi taxativo: "Quero este título sim. Quero por a estrela no peito de campeão brasileiro". Nada mais justo e compreensível. Afinal, o título é a chancela do bom trabalho que vem desenvolvendo no clube.

Em determinado momento lhe indaguei sobre a dificuldade de um treinador que, após uma conquista encara a dura realidade de ter que fazer subtrações no grupo. Alguns não conseguem executar tal tarefa com sucesso em virtude de uma coisa chamada gratidão. Mas no futebol o pragmatismo é imprescindível para se obter êxito a frente de um trabalho.

"Confesso que não é uma tarefa fácil, mas sei como executar. Sigo a vertente da meritocracia. A conquista não é um mérito de todos que estão no grupo. Vamos separar os que têm méritos para compor o grupo que irá disputar a Série B, e os que não corresponderam as expectativas", assegurou o treinador alvirrubro.

Gilmar Dal Pozzo, mesmo levando o Náutico ao almejado acesso, não sabe se continuará no comando do time dos Aflitos, mas assumiu a responsabilidade de dar início a reformulação do elenco. Limpeza é uma tarefa que poucos gostam de executar, principalmente de material humano. Muitas vezes o componente emoção induz técnicos e dirigentes a cometerem equívocos que prejudicam o clube mais na frente.

O amigo, Edson Nogueira, cuja experiência no futebol é inquestionável, costuma dizer que, "o ruim de você manter uma peça sem qualidade no grupo é que um dia será obrigado a utilizar". Eis o Q da questão! Encarar uma Série B com jogadores de perfil de Série C é dar um tiro no próprio pé.

Dal Pozzo vem escrevendo uma bonita história no Náutico e espera pontuar o capítulo da Série C com a conquista do título. Depois, ele sabe que precisará cortar palavras para poder se encaixar, com sucesso, na contextualização da Série B.

leia mais ...

Artigos
A ladeira do futebol pernambucano
postado em 12 de setembro de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  = blogdejjpazevedo.com

 

O retrovisor do futebol pernambucano mostra de forma bem clara que esse rolou numa ladeira íngreme, cuja velocidade não permite um freio. Continua rolando.

Para que possa servir de espelho para uma análise mais profunda, resolvemos pesquisar todo o período da Primeira Divisão Brasileira partindo do ano de 1971, que foi o seu primeiro ano.

Começamos a participação do Sport.

De 1971 a 1980, o rubro=negro disputou nove edições ficando de fora apenas em 1972. De 1981 a 1990 foram oito participações na divisão maior, e apenas duas na Série B: 1984 e 1990.

De 1991 a 2000 foram nove participações na Série A, e uma na Copa João Havelange, em 2000. Em três décadas o clube participou por 26 da elite nacional (86%), e apenas três temporadas na Segunda Divisão e um na Copa João Havelange, no grupo considerado como Primeira Divisão.

No novo Século, ou seja, de 2001 em diante, até 2019, exatamente 19 anos, o time da Ilha do Retiro esteve no grupo maior por dez anos (52%), e na Segundona por nove anos (48%), números bem reduzidos se compararmos com o percentual das três décadas anteriores.

Com relação ao Náutico, os números são interessantes. Na década de 70, o alvirrubro participou de nove campeonatos da principal divisão, e um na Série B (1971). De 1981 a 1990 foram oito as suas atuações na A, e apenas duas na B.

De 1991 a 2000 começou a queda do time alvirrubro, quando esteve em quatro campeonatos da maior divisão, cinco na Segunda Divisão e um na Série C, em 1999. Nestas três décadas foram 21 presenças entre a elite do futebol nacional (70%), oito na Segunda Divisão e um na terceira.

De 2001 a 2019 o Náutico disputou apenas cinco edições do Brasileirão (26%), doze da Série B e duas da Série C, uma queda vertiginosa.

Com relação ao Santa Cruz, o espelho é mais cruel, quando apresenta uma curva descendente que levou o clube, no Século XXI, a última divisão do Brasileiro.

Na década de 70 o Tricolor do Arruda disputou as dez edições do Brasileiro da Série A. Na década de 80 o clube começou a dar os primeiros sinais de queda, com cinco participações no grupo da elite nacional, uma em um dos módulos da Copa União em 1987, e quatro na Série B.

Daí em diante começou a rolar de ladeira abaixo, desde que, no período de 1991 a 2000, a presença do Santa Cruz na elite nacional foi desaparecendo, com apenas um ano de disputa na Série A (1993) e na Copa João Havelange em 2000, e oito vezes na Série B.

No Século XXI o Tricolor do Arruda só esteve na Série A em três edições: 2001, 2006 e 2016. O clube do Arruda passou oito anos na Série B; cinco na Série C e três na Série D.

Somando=se os dados observamos que o Tricolor, nas três últimas décadas do século passado, esteve na Série A  em 16 edições; doze na Série B, uma na Copa União e outra na Copa João Havelange.

Nos 19 anos do Século XXI, período de 2001 a 2019, participou da elite por três vezes, ficando 16 anos nas divisões menores.

Contra fatos não existem argumentos, e esses retratam muito bem que já estivemos em um patamar muito melhor, mas nos últimos anos, o futebol do nosso Estado reduziu o seu tamanho por conta das péssimas gestões.    

leia mais ...

Brasileiro da Série C
Vuaden: herói ou vilão?
postado em 08 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

"O que dá pra rir dá pra chorar.
Questão só de peso e medida.
Problema de hora e lugar,
Mas tudo são coisas da vida.
O que dá pra rir dá pra chorar.
O que dá pra rir dá pra chora."

O verso acima é da música CANTO CHORADO, moldura perfeita para a decisão vivida por Náutico e Paysandu, neste domingo, no estádio dos Aflitos, jogo que terminou empatado em 2x2, e o Náutico assegurou o acesso à Série B na decisão por pênaltis: 5x3.

A história deste confronto está sendo contada com choro e risos, tendo como grande protagonista o árbitro, Leandro Pedro Vuaden, que aos 49 minutos do segundo tempo, num erro crasso, marcou um pênalti a favor do time pernambucano, lance que mudou o destino dos dois clubes.

"Palmas para Vuaden!".

Gritavam os torcedores do Náutico com a conivência da imprensa pernambucana que encontrou argumentos mil para justificar o erro do apitador.

"Joguem bosta no Vuaden!".

Retrucou a torcida do Paysandu inconformada com o erro de um apitador que durante todo o jogo deu mostras da falta de compromisso com a decisão e parecia estar cagando e andando para o que viesse acontecer pela frente. Aconteceu. E a turma do Papão da Curuzu jamais esquecerá o seu nome.

A euforia dos alvirrubros é mais que louvável. O acesso do Náutico é tido como a retomada do crescimento do clube alvirrubro, fato que representa muito para o futebol pernambucano. Por muitas outras razões e motivos o "pecado mortal" do senhor Vuaden, talvez seja considerado irrelevante pelos narradores, comentaristas e repórteres que estiveram trabalhando na noite deste domingo, nos Aflitos. A conquista estadual se não se sobrepõe a verdade, no mínimo, levou os analistas ao pecado da omissão ao serem coniventes com a equivocada interpretação do árbitro.

Nos dias de hoje buscar isenção no jornalismo brasileiro é complicado. No futebol então, a turma fala o que a torcida quer ouvir. É a briga pela audiência.

Depois de ver e rever, várias vezes, o lance que o árbitro marcou o pênalti salvador para o Náutico, procurei sintonizar várias rádios. Precisava ouvir outras opiniões. Como tudo era festa, ninguém falava sobre o lance mais importante do jogo, passei a me sentir a mais estranha das criaturas. Afinal, só eu estava enxergando o erro do apitador.

Para não ficar com a consciência tão pesada, liguei para Wilson Souza, que durante muito tempo foi árbitro FIFA, e conhece, como poucos, as regras, e tudo o mais do que acontece de certo e errado dentro das quatro linhas. Wilson foi taxativo: "Não foi pênalti. Vuaden errou. Ele fez uma péssima arbitragem".

Não me dei por conformado e liguei imediatamente para o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, um analista acima de qualquer suspeita, e que não tem medo de falar a verdade. Nunca foi desses que procura sempre jogar para a torcida. Para Azevedo, a verdade tem que vir em primeiro lugar, doa em quem doer. Ele foi claro: "Vi o lance várias vezes e não foi pênalti".

Bom! Não existe duas verdades. Existe apenas duas formas de se contar a história: uma é com Vuaden sendo o herói, a outra é com ele sendo o vilão.

Como dizia o saudoso Edvaldo Morais: "Coisas do futebol brasileiro!".    

leia mais ...

Náutico
Bela tarde de domingo
postado em 07 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Por tradição o domingo sempre foi um dia reservado ao futebol. As tardes dos domingos eram alegradas pela bola. A semana inteira era marcada por uma contagem regressiva. E todos, em todas as camadas sociais, aguardavam o domingo ansiosos por conta do futebol. Foi quando o Brasil passou a ser chamado de "O País da Bola". Também disseram que o "futebol é o ópio do povo brasileiro". Evidente que tal cenário faz parte do passado.

Hoje, temos jogos todos os dias em diferentes horários. E nós que pensávamos que dentro das quatro linhas se falava o idioma brasileiro, com nossos professores repassando uma arte peculiar somente exibida por nossos boleiros, constatamos que dentro da nova ordem o idioma é internacional.

Nos últimos dias assistimos a várias partidas das Eliminatórias da Eurocopa, disputa que viabilizou ver em campo as seleções da Itália, Espanha, Alemanha, Holanda, Inglaterra... também vimos o amistoso entre as seleções do Brasil e Colômbia (2x2). Constatamos que nada será como antes.

Quem está com a bola é o Velho Continente.

Voltemos a tarde do domingo. Afinal, vamos ter jogo decisivo nos Aflitos. Festa alvirrubra. Como antigamente. Tudo indica que o romântico e aconchegante estádio será palco de mais um momento memorável. O Náutico vai decidir sua sorte com o Paysandu. Não estamos falando de título, e sim, em definição de destino, o que na atual conjuntura do futebol é mais importante que o título do Brasileiro da Série C.

Envolto por este clima de decisão é inevitável não traçar um paralelo com decisões e grandes jogos vivenciados no passado, no Estádio Eládio de Barros Carvalho. A época, década de 60, quem ficava aflita era a torcida adversária, pois o Náutico jogando no seu estádio era quase imbatível. A diferença comportamental dos alvirrubros é que tem me chamado a atenção nos últimos dias.

A aflição tomou conta da turma do vermelho e branco. Digo isto porque todos os amigos alvirrubros, sem exceção, e olha que são muitos, se comportaram da mesma forma, utilizando as mesmas indagações: "Será que passa? O que você acha?". E ficavam aguardando aquela resposta que alimentaria a esperança de cada um: "Passa sim, o mando de campo fará a diferença".

Foi-se o tempo em que o torcedor alvirrubro aguardava a tarde do domingo com a certeza de uma matinê festiva nos Aflitos.

Bom! Torço para neste domingo testemunhar a retomada do crescimento.

leia mais ...

Náutico
Torcida tem que ser a diferença
postado em 03 de setembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O Náutico desembarcou, no seu retorno de Belém do Pará, no terminal norte do aeroporto dos Guararapes numa calmaria impressionante. A falta de torcedores ruidosos para recepcionar os alvirrubros, que se saíram ilesos do primeiro confronto com o Paysandu, no mata, mata que vai decidir o acesso de um dos dois clubes a Série B em 2020, nos mostra o quanto está em aberto a decisão. Não tenho dúvidas de que, caso tivesse acontecido uma vitória do time pernambucano, e a vantagem para o segundo jogo fosse efetiva, a recepção aos jogadores teria sido bem calorosa.

Torcedor é louco por vantagens!

Coisa da paixão.

Mas vale lembrar que as vantagens aproximam do sucesso, mas não chegam a ser uma garantia de que a meta será alcançada.

O mando de campo será o ponto de desequilíbrio a ser explorado pelo time comandado por Gilmar Dal Pozzo. Decidir a sorte na casa do adversário, se não chega a assustar, ao menos intimida. Com o respaldo da torcida o grupo se sente seguro, encorajado, e passa a ser mais aguerrido e ousado.

Em nove partidas que o Náutico disputou, até o momento, nesta edição da Série C, como mandante, contabilizou sete vitórias, um empate e uma derrota, obtendo um aproveitamento de mais de 70%. Números de campeão. Não tem porque não apostar na receita caseira.

Por outro lado, o Paysandu do técnico Hélio dos Anjos, é um visitante enjoado: nas nove vezes que saiu para atuar na casa dos adversários contabilizou apenas uma derrota. Somou quatro vitórias e quatro empates. Uma campanha imperativa, que exige respeito.

Não sei qual o coelho que Dal Pozzo irá tirar da cartola para surpreender o Paysandu, assim como desconheço qual a carta que Hélio dos Anjos trará na manga para tentar um Royal Straight Flush. Numa decisão tão equilibrada, fica difícil antever os fatos. Até porque desde cedo aprendi com o saudoso, Rubem Moreira, que "repórter reporta". Adivinhar é outra estória.

Tudo nos leva a crer que a decisão será marcada por um jogo travado, estudado, com os dois times abusando da cautela. Ninguém vai querer arriscar. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de um dos dois times tomar a iniciativa do jogo logo de saída para tentar surpreender o adversário. Em decisão tudo acontece. E ainda tem aquela possibilidade de um gol no início da partida. Quando isso acontece bagunça todo o planejamento tático dos professores.

Decisão é coisa de louco! Principalmente dessa qualidade que não define um campeão, mas decide o futuro do clube.

Pois bem!

Sabe aquela expressão, "faltou um cabelinho de sapo!". Nem isso pode faltar ao Náutico no próximo domingo.

Portanto, caro torcedor que não se habilitou a ir ao aeroporto dar seu apoio e externar seu carinho com os jogadores alvirrubros, que cumpriram bem o papel em Belém do Pará, sua presença nos Aflitos, para este "jogo do ano", pode ser o ponto de desequilíbrio que vai mexer com o fiel da balança.

Afinal, necessariamente o fator determinante não está dentro das quatro linhas.

leia mais ...