Histórico
Artigos
Homenagem e Homenagem
postado em 08 de maro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Segunda-feira, 8 de março de 2021. Acordei mais cedo do que de costume, neste Dia Internacional da Mulher. A sensação era de que estava descendo a Ladeira da Preguiça. Liguei o rádio e me entreguei a madorna. Desperto com uma frase que teve o efeito de um freio de arrumação:

"Você foi na minha vida, a pior inquilina". De imediato pedi licença a Xand Avião e busquei outra rádio. A locutora, quase aos berros, anuncia o "Crítico do BBB". Com essa fui obrigado a me levantar da cama. O sol começava a dar o ar de sua graça e resolvi ir até a praia.

Aquele "deserto" com o som das águas era por demais acolhedor. A solidão foi interrompida com a chegada de Nem, uma comerciante que com mais de 30 anos de praia, que logo foi reclamando do lockdown que a impossibilitou de montar sua barraca no final de semana.

Apesar das queixas, Nem não perdeu seu bom humor. Ao liberar uma gargalhada que deixou a mostra sua boca desdentada, ela disparou: "Foi a única coisa que interrompeu o duelo entre Rita e Letícia". Fiquei sem entender, e ela explicou:

"Rita e Letícia são os maiores sucessos do momento. O pessoal vai a loucura e tem dois vendedores que ficam disputando a audiência. Colocam seus sons possantes nas alturas. Um tocando Rita e o outro tocando Letícia.

"Rita! Sua ausência tá fazendo mais estrago que a sua traição", grita Tierry de uma lado. A poucos metros, Zé Vaqueiro faz seu apelo: "Letícia, Letícia! Pra onde você vai com aquele mototaxista? Eu só saio do bar com você ou com a polícia".

Foi inevitável brindar as "pérolas" acompanhando Nem com a risada mais gostosa.

Aproveito o sussurro das ondas para refletir, e mais uma vez, constatar o quanto Deus foi generoso comigo colocando tantas mulheres fantásticas em minha vida. Fui presenteado com um mundo feminino, do qual não seria nada fora do seu intramuros.

Com todo o respeito aos trabalhos de Xand, Tierry e Zé Vaqueiro, sigo com o "velho" Cartola: "As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam, o perfume que roubam de ti".

Te amo Áurea Regina!

leia mais ...

Artigos
ÁGUAS TURVAS
postado em 05 de maro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

De repente passei a ter medo das águas de março, que sempre foram tão alvissareiras. A sensação é de que, ano passado, o Covid-19 veio surfando em suas ondas e não respeitou nem São José.

A chuva cai, mas não me enche de esperança, embora no mundo inteiro exista uma proliferação de vacinas. Acredito que nesta pandemia - onde quem mais sabe, não sabe de nada - um número recorde de profissionais buscam antídotos que consigam conter o mal universal. As vacinas falam idiomas diferentes, mas a "terceira guerra mundial", segue deixando doutores e gestores batendo cabeça.

As notícias, quando verdadeiras, são óbvias. Quando fakes, servem para alimentar o debate dos imbecis nas redes sociais, que tem causado danos irreparáveis na sociedade. O "ser ou não ser" é a questão mais relevante do momento.

A coisa está tão complicada neste início do mês de março, que o apelo mais contundente, e racional, com repercussão fantástica, viralizou em tudo quanto é rede social, foi proferido por um cara conhecido por: Lisca Doido (atual técnico do América Mineiro, que se posicionou contra a realização de competições nacionais no futebol brasileiro, no momento em que é crescente o número de vitimas da pandemia).

Acordo de madrugada com a zoada dos pingos de chuva batendo na janela do quarto. É a chuva do milho! Pensei cá comigo. Afinal, ouvi essa frase durante toda a minha infância, em Carpina. Época em que as águas de março eram recebidas como bom presságio.

O serviço de meteorologia prevê que, este ano teremos menos chuva que ano passado, no Interior Pernambucano. A notícia não é boa para os plantadores de milho e de feijão. Pior para aqueles que, assim como eu, tinha a esperança de que as águas de março lavassem a arrogância, a maldade e o egoísmo que hoje norteiam a sociedade.

Ah! Segundo o artigo do Dr. Sérgio Gondim - A fobia social normal - publicado na edição desta sexta-feira, no Jornal do Commercio, estou apto para ser atestado como "de boa saúde mental".

leia mais ...

Campeonato Pernambucano
Sem nenhum atrativo
postado em 24 de fevereiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

A edição 2021 do Campeonato Pernambucano de Futebol começa a ser disputada nesta quarta-feira. Dez clubes - Sport, Náutico, Santa Cruz, Central, Sete de Setembro, Vitória, Vera Cruz, Salgueiro, Afogados e Retrô - estarão representando sete cidades neste "duelo" entre Capital e Interior, pela hegemonia do futebol estadual.

Acompanho a história desta competição há 45 anos na condição de cronista esportivo. A evolução do futebol como um dos negócios mais rentáveis do mundo, tem provocado a morte lenta do que chamamos de "futebol raiz". As competições domésticas não entraram em sintonia com a nova ordem do Século XXI, fato determinante para a autofagia de um futebol que perdeu suas referências.

Durante anos se defendeu a ocorrência de um fato novo como uma plataforma que proporcionasse um salto de crescimento no futebol pernambucano. O Salgueiro conseguiu tal feito ano passado, mas não soube potencializar à conquista, e a migração do título, da Capital para o Interior, não agregou nada ao futebol estadual.

É certo que a travessia pandêmica contribuiu, de forma efetiva, para o surgimento de inúmeras dificuldades, entretanto, tal fenômeno foi um elemento comum em todos os seguimentos da sociedade, não sendo uma exclusividade do futebol.

A decadência do futebol pernambucano vem sendo observada há décadas. Nos anos 90, no século passado, o fato novo que surgiu como um fio de esperança, foi a transmissão, ao vivo, dos jogos do Estadual. Uma iniciativa do jornalista e empresário, Luciano do Valle. O sucesso da iniciativa foi tamanho que, a Rede Globo Nordeste investiu na compra dos direitos de transmissão dos jogos da competição doméstica. A edição 2021 do Pernambucano marca o final do vínculo com a emissora. A renovação de contrato é uma incógnita.

A ausência de público nos estádios era outro sintoma que  atestava a deterioração do produto. A época, o governador, Miguel Arraes, se mostrou sensível e adotou o programa - Todos com a Nota - dando suporte financeiro e sobrevida aos clubes do Interior. Ao longo dos anos o programa sofreu várias distorções, passou a ser utilizado com fins eleitoreiros e foi extinto pelo governador, Paulo Câmara.

O atual cenário não nos leva a bons sentimentos em relação a edição do Pernambucano que se inicia nesta quarta-feira. A falta de tempo para uma melhor preparação, e de recursos para investimentos, passando pela falta de estádios e a ausência de público (imposição da pandemia), tudo parece conspirar para que tenhamos uma das piores edições do já combalido estadual.

No final de semana acontece a rodada de abertura da Copa do Nordeste, competição regional, com premiação mais atrativa e jogos de nível técnico mais elevado. Por imposição do calendário nacional, as competições regional e estadual são disputadas paralelamente. Os números atestam que, a longo prazo, se não houver uma revisão e alteração no atual modelo, faltará oxigênio para a sobrevivência de uma, ou outra.

Para se ter uma idéia, telefonei para dez amigos, que gostam de futebol, apenas um sabia o nome de todos os clubes que participarão do Pernambucano 2021.

Sinais dos tempos.

leia mais ...

Sport
Eleição sem nomes
postado em 18 de fevereiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Pelo Sport, tudo!

O mantra do torcedor do Sport Club do Recife é a tradução fiel do que é permitido no universo da paixão clubística. Coisa de louco. Quando a "nação" grita "cazá, cazá, pelo Sport, tudo!", saia de baixo porque tudo pode acontecer, até eleição de candidatos sem nomes.

No final da temporada 2020, em plena travessia da pandemia, o piloto sumiu e a nave rubro-negra ficou sem rumo. O co-piloto, que sempre teve a ambição de assumir o comando, desistiu de sentar na cadeira. Era chegado o momento de se eleger um novo comandante.

A alucinação tomou conta de alguns "leões", todos sem a juba necessária para assumir o protagonismo que a situação impõe.

"O momento é atípico, vamos investir nos padrinhos", sugeriu um marqueteiro, que logo foi seguido pelos colegas. Tímido, um dos postulantes que havia levantado a voz afirmando que participaria do pleito como candidato, desistiu ao perceber que não tinha embocadura para tocar instrumento de notas tão difíceis, e também não tinha nenhum padrinho que topasse a "briga". Resultado: retirou o time de campo.

O velejador, que foi aprovado como comodoro, foi encorajado pelo seu padrinho para conhecer os ventos da Ilha do Retiro. Ligou o GPS do carro e inscreveu seu nome como candidato. Ninguém lhe conhece na Toca do Leão, mas o padrinho é forte.

O advogado, que tem cara de estafeta mal humorado, e já ocupou alguns cargos diretivos no clube, aposta no número de colegas que são sócios e conselheiros do Sport. Afinal, num passado recente, teve um presidente que levou tantos advogados para o Conselho Deliberativo do Sport, que parecia mais uma sucursal da OAB. Nas reuniões era um tal de "Vossa Excelência" e "Data Venia" que por pouco não saiu um tratado de judicialização do futebol.

Tido por alguns como uma liderança, o construtor se achou na obrigação de lançar um afilhado. O perfil tinha que ser de uma pessoa leve, com conhecimento e história dentro do clube. E todos do seu grupo indicaram o gordinho. Simpático, rubro-negro raiz, família com serviços prestados ao clube, é o cara. Com padrinho forte, o gordinho passou a ser um candidato forte.

Apesar de ter largado o comando da nave, o comandante não virou as costas para os seus comandados. Ao ouvir o brado do "Cavaleiro de Cervantes", com seu imponente bigode: "Chegou a minha vez de ser presidente", hipotecou sua solidariedade, assumiu a responsabilidade de padrinho e está disposto a ir para a rampa da sede, no dia da eleição: 5 de março.

Entenderam o processo?

Pelo Sport, tudo!

leia mais ...

Artigos
Gol dos Memes
postado em 11 de fevereiro de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Os novos tempos, e as imposições de uma pandemia, transformaram os memes na alegria do futebol. A gréia que começava nas arquibancadas e ganhava às ruas, os bares, as escolas, as barbearias, agora, se propaga numa velocidade impressionante através das redes sociais. O importante é que o humor prevalece, e de certa forma, empana uma realidade cruel. Afinal, nossa alegria e êxtase são resultantes de um livramento de fracasso, e não de uma conquista.

"Esta é a nossa realidade!". Afirma, com boa dose de resignação, o rubro-negro Humberto Araújo. Pergunto: E não pode melhorar?

Nossos cabelos já ficaram brancos; amigos ficaram carecas, mas os argumentos para o fracasso dos nossos clubes são os mesmos. O pior: não vemos luz no fim do túnel.

O Náutico brindou como se tivesse conquistado um título nacional seu livramento de queda para a Série C. Logo em seguida se envolve numa obscura negociação com o Salgueiro, com a anuência da Federação Pernambucana de Futebol, em busca de espaço nas Copas do Brasil e do Nordeste. A grita dos torcedores do time sertanejo impediu que a excrescência se concretizasse.

O fato se tornou mais assustador diante do ensurdecedor silêncio dos cronistas esportivos, que parecem mais interessados nos memes.

Os elencos de candidatos a presidentes do Santa Cruz, cuja combalida eleição acontece nesta quinta-feira, e do Sport, que tem o pleito programado para o início de março, não levam otimismo aos torcedores dos dois clubes mais populares do Estado.

Em tempos de memes podemos dizer que Pernambuco esportivo é tão forte quanto o São Paulo industrial. Afinal, aqui também temos o nosso A,B,C - Sport, Náutico e Santa Cruz.

Os memes explodem nas redes sociais. Ninguém se preocupa com a qualidade do futebol. O interesse é pela criatividade no humor. Sinais dos tempos do BBB. O futebol está em sintonia com a nova ordem.     

leia mais ...