Histórico
Campeonato Pernambucano
VAR define destino do título
postado em 23 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Náutico Campeão!

Palmas para o VAR, que lá de longe, do Rio de Janeiro, conseguiu detectar uma infração do goleiro do Sport que havia passado despercebida pelo trio de arbitragem. O erro foi corrigido. Um lance capital que, em fração de segundo levou os alvirrubros a fazerem uma viagem do inferno ao céu.

Antes de a bola rolar, o técnico do Náutico, Hélio dos Anjos, grande personagem da decisão do Pernambucano 2021, envolvendo os arquirrivais Sport e Náutico, ao ser indagado sobre o momento, foi cirúrgico, verdadeiro e visionário.

"Decisão é uma construção. Vimos construindo isso desde fevereiro, chegamos à decisão e vencerá o melhor time", comentou observando toda a atmosfera em torno do Estádio dos Aflitos, onde os prédios foram transformados em camarotes de luxo.

E venceu o melhor time: o que ao longo da competição descreveu a melhor campanha; apresentou o melhor futebol e foi soberbo nas duas partidas da final, quando apresentou um melhor futebol. Como prêmio, além do merecido título, teve no atacante Kieza o artilheiro da competição.

Em tempo de pandemia, a decisão aconteceu sem público no estádio. A tecnologia foi toda colocada a serviço do Clássico dos Clássicos: torcedores de Náutico e Sport assistiram o jogo pela televisão, que transmitiu ao vivo; a decisão do lance capital que garantiu o título veio do VAR e as gozações foram via redes sociais.

É a nova ordem.

Algumas coisas no Clássico dos Clássicos parecem imutáveis. As emoções, por exemplo. Nesta decisão pandêmica, o Náutico jogou melhor, mandou duas bolas na trave, aproveitou um erro primário cometido pelo adversário para abrir o placar, mas deu um vacilo e sofreu o gol de empate.

Tem que ser no sofrimento! Disseram os torcedores a beira de um ataque de nervos. E vieram os pênaltis.

Estava tudo igual, até que, na terceira cobrança, Giovanny, displicentemente, "atrasou" a bola para o goleiro Mailson que segurou sem dificuldade. Mas o defensor leonino havia dado um passo à frente, que não foi visto pelo árbitro, Rodolfo Toski. Naquele momento o torcedor alvirrubro sentiu seu corpo arder no mármore do inferno.

O script do campeonato não poderia ter um final tão infernal para o Náutico, o melhor time da competição. As cobranças voltaram. Giovanny se redimiu do erro anterior. Pelo lado do Sport, Marquinhos mandou a bola por cima do gol. Na sequência, todos os jogadores do Náutico converteram seus chutes em gols. Coube a Kieza a última cobrança, a que levou o time dos Aflitos às alturas.

E a torcida alvirrubra comemora um título que quebrou tabus e rasgou escritas.

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Artigos
É A VIDA!
postado em 20 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

A travessia pandêmica nos traz notícias tristes com uma frequência assustadora. Ontem, ao dar uma surfada pelo whatsapp, tomei conhecimento da morte prematura do filho de Rivaldo Oliveira (o gordo da Urb). Júnior havia completado 29 anos no dia 3 de maio. Minutos antes de ligar o computador refletia sobre o artigo publicado pelo mestre, Arthur Carvalho, cujo título era: O que é a vida?

Arthur encerra sua crônica com uma citação de Ary Barroso: "A vida é essa, é um segundo que se esvai depressa".

O tempo passa, somamos conhecimentos, as experiências nos ensinam a encarar tudo com naturalidade, mas, nossos lombos, por mais cascudos que estejam, ainda são sensíveis, e a dor de algumas pancadas são inevitáveis.

As situações, os fatos, provocam perguntas que ficam sem respostas. Até para mensurar este "segundo" de que o Ary Barroso se referiu ao definir a vida, é complicado. O tempo de cada um parece ser um desses segredos que só serão revelados na vida eterna.

Bom! A condição de "eterna" nos leva a crer que, nossa segunda vida não tem prazo de validade, ou seja, não se esvai num segundo.

Desde que nos conhecemos, há algumas décadas, no dia 3 de maio Rivaldo me liga para me parabenizar. E sempre lembrava: "Hoje também é o aniversário do meu filho Junior". Este ano, o Gordo me parecia mais alegre: postou um vídeo da casa de campo que construiu e revelou vários planos que tinha para por em prática quando a pandemia passar.

O que é a vida?

As pessoas se perdem nas respostas. Filosofam, tentam consertar, buscam outras explicações convincentes, mas ninguém consegue uma resposta plausível. Até parece que estamos falando da teoria da relatividade.

E neste sopro que é a vida ainda existe espaço para o bem e o mal. Mas tudo passa na velocidade de um segundo que as vezes parece durar uma eternidade.

No momento, o silêncio está sendo ensurdecedor para o amigo Rivaldo, mas logo o mesmo silêncio vai acalmar o seu espírito.

É a vida!

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Campeonato Pernambucano
Decisão e Homofobia
postado em 14 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

O ataque homofóbico feito por um conselheiro do Sport a Gil do Vigor, personagem ilustre da edição 2021 do Big Brother Brasil, que foi transformado numa celebridade da Nova Roma, foi a pimenta malagueta que faltava para o molho da decisão do Pernambucano 21, até então, mais insossa que cardápio de hipertenso.

O inábil rubro-negro acabou elegendo um personagem que estava totalmente fora do contexto, e atraiu para si os holofotes que poderiam estar direcionados para o assustador ataque do Náutico; a segura defesa do Sport, ou para o técnico, Hélio dos Anjos, que por sua história, e o vínculo criado com o futebol pernambucano, merece uma atenção especial nesta decisão de título estadual.

E os leoninos que estão acostumados a tirar o maior "sarro" com a torcida do Náutico, a quem chamam de "Barbie", viram o "jogo da gréia" ser empatado porque o porta bandeira do Leão é um gay.

E as gozações ganharam as redes sociais de forma avassaladora. Tudo o que foi postado sobre o assunto viralizou. Até a nota oficial publicada pelo Sport assinada pelos presidentes do Executivo e do Deliberativo.

E passou a ser oficial: No momento Gil do Vigor é o grande representante do Sport Club do Recife.

No final da tarde passei no Mercado da Encruzilhada, onde havia uma reunião de cinco tricolores. Quando me viram, foram logo sugerindo um novo nome para o clássico entre alvirrubros e rubro-negros: "Clássico dos Meninos Alegres; Barbie x Gil do Vigor".

Fico a imaginar se "um gol contra" como este fosse marcado na época em que José Neves Filho era presidente do Santa Cruz. A gréia ia ser absurda.

Mas vamos ver a coisa pelo lado positivo: a inaceitável e descabida agressão homofóbica feita contra Gil do Vigor, um leão que enalteceu o nome do Sport nacional e internacionalmente, como ressalta a nota divulgada pelo clube, serviu para agitar a final inédita entre os dois clubes, sem público no estádio.

Gil, que virou torcedor símbolo do Sport, se mostrou abalado com o ataque homofóbico, mas tudo isso passará rápido se o seu clube tiver vigor suficiente para ser campeão.

Tudo seria muito cômico se não fosse tão trágico.  

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Artigos
OBITUÁRIO
postado em 12 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

A internet impôs uma dinâmica de mudanças impressionante: mudança de comportamento, mudança de hábito... E, recentemente, com a chegada no mercado deste novo profissional chamado digitador influencer, as pessoas mudam de opinião num piscar de olhos. Entretanto, para os homens de algumas gerações (os mais velhos e experientes), a fidelidade ao barbeiro é uma coisa imexível.

Após um hiato de três meses sem ir ao salão do amigo Arnaldo, fui surpreendido na chegada. Bom de conversa, quando me viu entrar, parou momentaneamente de cortar o cabelo do rapaz que estava sentado na cadeira, e disparou com a sinceridade de uma criança: "Bom lhe ver! Pensei que havia recebido a visita do Covid".

Em tempo de pandemia não podemos nem classificar sua frase como humor negro. Sinais dos tempos. Enquanto aguardava minha vez para cortar o cabelo, tentei contabilizar quantos amigos o Covid subtraiu de minha vida em pouco mais de um ano. Confesso que, se fosse escrever o obituário de todos editaria um livro.

Quando comecei a trabalhar no Diário de Pernambuco, em 1975, havia uma coluna de obituário. Sem falar no grande número de anúncios fúnebres que eram publicados diariamente. Quem não tinha dinheiro para bancar o anúncio de forma destacada, em página ímpar de preferência, solicitava para que a "perda" fosse anunciada na coluna obituária. A coluna de obituário do New York Time é tão famosa que inspirou "O livro das Vidas", que reúne vários textos publicados na coluna contanto a vida de pessoas comuns.

Recentemente a amiga, Teresa Maria Cisneiros Ramos, ao se referir à morte de um amigo comum, escreveu: "O inesperado tem sido muito doloroso".

Em conversa com o mestre, Arthur Carvalho, que anda muito recluso, falávamos sobre a subtração de amigos e ele simplificou tudo com uma frase do grande Manoel Bandeira: "A gente começa a morrer quando os amigos começam a morrer". A finitude é real, verdadeira, mas é difícil lhe aceitar.

Fábio Gondim, que na busca de uma melhor qualidade de vida foi morar em Gravatá, fez uma lista dos amigos que já morreram, selecionou outro tanto tomando por base a idade, e criou uma ordem cronológica de despedida. Resultado: ninguém quer figurar no seu caderninho de obituário.

O comunicador, Geraldo Freire, um dos campeões de audiência do rádio pernambucano, bate o ponto em todos os velórios de amigos. E tem por hábito fazer a previsão sobre de quem será o próximo enterro. Ele fica abalado com algumas despedidas, mas encontrou uma forma de encarar as perdas com naturalidade.

A pandemia tem ensinado a cada família escrever o seu obituário.

Neste tempo onde o inesperado nos maltrata, o certo é evocar a grande compositora chilena, Violeta Parra:

"Gratidão à vida, que tanto tem me dado

Deu-me o riso e deu-me o pranto".

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Campeonato Pernambucano
De volta ao normal
postado em 11 de maio de 2021

CLAUDEMIR GOMES

 

Não podemos afirmar que, a final do Pernambucano 2021, tendo Náutico e Sport como protagonistas, estava escrita nas estrelas, embora os números da primeira fase da competição mostrassem as probabilidades para tal desfecho. Mas como futebol não é ciência, Santa Cruz e Salgueiro, sempre tidos como coadjuvantes, poderiam roubar a cena nas semifinais, fato que não ocorreu. Sendo assim, tudo segue o seu curso normal.

E tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes.

A rivalidade é sempre um molho especial nas decisões envolvendo alvirrubros e rubro-negros. Entretanto, com a ausência de público nos estádios,imposta pela pandemia, e o futebol de baixa qualidade técnica exibido pelas duas equipes, nos leva a crer que, teremos mais uma festa triste do futebol, dentre as tantas que testemunhamos desde que o mundo começou a ser atormentado pelo Covid.

O futebol pernambucano não vive um bom momento. Isto é fato. E a competição doméstica, que já foi a ameixa do pudim, hoje não passa de um daqueles ingredientes que nós tratamos como "embuchante", serve apenas para o bucho crescer e mais nada.

Náutico e Sport já velam suas armar visando a conquista do único título viável para ambos nesta temporada. O campeão vai enriquecer seu currículo caseiro que servirá de mote para a farra nas redes sociais. Em tempo de confinamento social a gréia vem em forma de memes.

Acho que agora vocês entendem quando digo que o campeão terá uma festa triste. No momento, só quem causa frisson é a turma do Big Brother. O pernambucano Gil do Vigor foi recebido com um festão no Janga (Paulista/PE), desfilou em carro aberto e recebeu a maior honraria do município da Região Metropolitana do Recife. Dizem até que será recebido pelo governador, Paulo Câmara. Um show!

Enquanto isso, só quem viu a vitória do Sport (1x0) sobre o Salgueiro, um verdadeiro "festival de horrores do time leonino", foi quem pagou caro pela assinatura do "Premier". Os pobres mortais se contentaram com o radinho de pilha. O esforço dos profissionais da latinha em tentar repassar uma beleza que não existiu foi louvável. Para os privilegiados que têm "Premier", restou o apelo angustiante: "Uma jogada boa pelo amor de Deus!".

Bom! Vamos a Grande Final porque oito dias depois começa a via crucis do Brasileiro.

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