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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"Comissão de Ãtica da CBF afasta o presidente, Rogério Caboclo, do cargo, por um perÃodo de 30 dias. A medida é para que ele possa se defender das acusações de assédio sexual, feito por uma funcionária da entidade".
A notÃcia repercutiu, nos meios esportivos, como uma morte anunciada. A surpresa fica por conta do acordar desta Comissão de Ãtica, que durante décadas se mostrou passiva, ao ficar inerte ante tantas crises morais que macularam a entidade que comanda o futebol brasileiro.
Tudo começou lá atrás, no ano de 1986, quando da eleição para escolha do sucessor do então presidente, Giulite Coutinho. Os candidatos: Medrado Dias, da situação, e Nabi Abi Chedid da oposição. Foi como se tivessem colocado lenha na fogueira para esquentar a histórica disputa entre paulistas e cariocas pela hegemonia do futebol verde e amarelo. Nunca na história da CBF se viu uma eleição tão equilibrada. O jogo foi pesado. A eleição foi decidida por um voto, mas havia a suspeita de que o pleito terminasse empatado. Sendo assim, assumiria o candidato mais velho, como constava no Estatuto da entidade. Tal fato levou os oposicionistas, no dia da eleição, a trocarem Nabi Chedid por Otávio Pinto Guimarães, que durante muitos anos havia comandado o futebol do Rio de Janeiro. E todos brindaram a vitória de Otávio Guimarães.
Nos bastidores desta eleição, rolou de tudo, até "sequestro" de presidente de Federação, no Norte do PaÃs. O poder não tinha preço.
O presidente de direito era Otávio Guimarães, mas de fato, quem mandava no futebol era Nabi Abi Chedid. Contra ele, mil acusações. O desgaste foi inevitável, abrindo espaço para o surgimento de Ricardo Teixeira, a época, apresentado como genro de João Havelange, presidente da FIFA.
Teixeira transformou a Seleção Brasileira na sua "Galinha dos Ovos de Ouro". Foi o presidente que mais conquistou tÃtulos para o futebol brasileiro. As conquistas serviam para empanar negócios escusos. Enquanto a bola rolava nos gramados, um mar de lama invadia os bastidores da entidade, com o aval de polÃticos que transformaram uma CPI em pizza, e de boa parte da mÃdia que se locupletava de favores. Os escândalos foram denunciados por um jornalista estrangeiro e Teixeira só foi afastado do futebol por conta da pressão da Justiça dos Estados Unidos.
Seu sucessor, José Maria Marim, que fazia parte do grupo de Nabi Abi Chedid, nos anos 80 do século passado, não teve a mesma sorte, e acabou preso na SuÃça, de onde foi extraditado para os Estados Unidos.
A podridão era tremenda, mas em nome de uma Copa do Mundo, o Governo Brasileiro fazia vista grossa, o mesmo acontecendo com governadores e deputados. Afinal, se tratava de uma oportunidade para provar dos ovos de ouro de uma "galinha" chamada futebol.
A Comissão de Ãtica dormia o sono da Bela Adormecida.
O sucessor de Marim foi o advogado, Marco Polo Del Nero, cujas primeiras manchetes foram sobre suas belas namoradas. Nos corredores da CBF, a lama só aumentava. Del Nero não se segurou no cargo, e, para surpresa geral, quem assumiu o comando do futebol brasileiro, foi Rogério Caboclo, até então um mero carregador de pasta de Del Nero.
Caboclo foi seguir seu mentor, mas não tinha gabarito para ser conquistador. Dizem que foi cantar a namorada de Del Nero (fofoca de bastidores). A moça não gostou. As gravações são estarrecedoras. Tão grosseiras que acordaram os senhores da Comissão de Ãtica.
Ela existe e não consta só no papel. Resta saber se, com este "despertar" vamos ter o inÃcio de um novo tempo no futebol brasileiro.
CLAUDEMIR GOMES
A primeira rodada do Brasileiro Série A nos trouxe um cenário inusitado na história da disputa que este ano chega ao cinquentenário: a presença de três clubes do Nordeste entre os quatro que ocupam os primeiros postos na tabela de classificação. Se vivo estivesse, o comunicador, Mané Queiroz, um dos melhores plantonistas da história do rádio esportivo pernambucano, teria concluÃdo sua jornada de trabalho da seguinte forma:
"Se o Campeonato Brasileiro terminasse hoje, Bahia, Fortaleza e Ceará iriam disputar a Libertadores da América. O Sport, que empatou com o Internacional, e está na oitava colocação, vai disputar a Copa Sul-Americana".
Mané seguia o princÃpio de que futebol é o momento. Sendo assim, a ordem é viver, com intensidade, os bons momentos do seu clube. Numa competição de tiro longo como o Brasileiro, onde os times vão a campo trinta e oito vezes, para a disputa de 380 jogos, as mudanças de cenários são corriqueiras.
A rodada de abertura do Brasileiro 2021 foi alvissareira para os clubes da região - Bahia, Fortaleza, Ceará e Sport - porque nenhum deles amargou derrota em suas respectivas estréias. Historicamente, por uma série de fatores, dentre eles uma injusta divisão de cota de patrocÃnio, os times nordestinos figuram na parte de baixo da tabela, onde travam "brigas homéricas", para fugirem do rebaixamento.
O saudoso plantonista da Rádio Jornal - Mané Queiroz - não se perdia em elucubrações, tampouco se arriscava em projeções. Como bom analista, se detinha aos fatos. Por ser fiel aos princÃpios do bom jornalismo, criou a frase que se tornou sua marca registrada: "Se o campeonato terminasse hoje...". Para ele pouco importava se a disputa estava no principio, ou no fim. O jargão era o mesmo.
Não vamos nos iludir com o canto da sereia, mas esta arrancada dos times nordestinos é histórica. As torcidas do Bahia, Fortaleza, Ceará e Sport receberam o "bonus" de uma semana para zoarem com os outros clubes. Até sábado, quando começam as disputas da segunda rodada, os nordestinos estão voando em Céu de Brigadeiro, sem nenhuma turbulência.
Como estarão na quinta, na décima, na vigésima ou na trigésima-oitava rodada? Ninguém é vidente para responder. O importante nestes primeiros dias de junho é:
"Se o Brasileiro terminasse hoje terÃamos três nordestinos na Libertadores".
à verdade Mané!
CLAUDEMIR GOMES
No final do ano passado, o amigo, Givanildo Guedes(Gil), me surpreendeu com a notÃcia de que, o vereador, Ricardo José Bezerra de Freitas(Kakai), pretendia me homenagear com a MEDALHA DE HONRA AO MÃRITO DA CIDADE DO CARPINA, maior homenagem que a Câmara Municipal do Carpina presta aos filhos da terra.
Fiquei bastante lisonjeado. Guardei a boa nova como se guarda um segredo a sete chaves. No aguardar dos fatos, vez por outra, me surpreendia pensando na grande homenagem. Foram muitos mergulhos num passado enriquecido por boas e saudosas lembranças.
Na manhã desta terça-feira (01/06/2021), recebo uma mensagem, via whatsapp, de Wanessa, filha de Kakai, me informando que, o requerimento do seu pai havia sido aprovado, por unanimidade, por todos os vereadores que cumprem mandato na Casa Dr. Murilo Silva.
Confesso que fiquei emocionado com o presente do amigo Kakai. A generosidade da bancada me deixou envaidecido. Minha mulher, conhecedora de todas as minhas reações, foi cirúrgica: "Dentre todas as homenagens recebidas por você, até hoje, está foi a que mais tocou seu coração".
Verdade!
Repassei a notÃcia para os filhos, minha irmã Carolina, meus sobrinhos e alguns amigos carpinenses, evidentemente. A cada reação expressa por eles, me sentia traÃdo pela emoção. Lembrei de uma frase dita pelo meu tio, Ramilton Albuquerque, quando certa vez fui lhe buscar no Hospital do Câncer para passar o final de semana em casa. Encabulado por não ter conseguido segurar as lágrimas provocadas pela emoção, revelou: "A gente quando fica velho, fica frouxo também. Chora por besteira".
O amigo, Carlos Lapa, tem toda razão quando afirma que, "quem bebeu da água do Sr. Bione, não perde o vÃnculo, nem o amor por Carpina".
Há horas que "viajo" no passado. Lembro dos amigos de infância e da juventude. As lembranças vão descortinando um mundo vivido por MIMO e que nunca fora enterrado pela realidade de um outro mundo vivenciado por Claudemir Gomes. à como se eu tivesse duas vidas. Nada se compara a pureza e a simplicidade da minha Carpina, onde a felicidade estava em cada esquina. O tempo passou, e mesmo a distância, posso assegurar que o amor por minha terra não oxidou.
ImpossÃvel descrever a satisfação quando alguém, em qualquer lugar, me chama de MIMO. à a marca registrada da terra que me ensinou tudo, inclusive, a ser grato.
Obrigado Carpina!.
CLAUDEMIR GOMES
No Brasil das polêmicas, a oferta do dia foi a Copa América. A Conmebol sugeriu que o torneio continental de seleções fosse realizado no Brasil. Após consulta ao Governo Federal, a CBF se propôs a ser anfitriã da disputa que fora rejeitada por outros paÃses.
O tempo fechou! Parece até que colocaram pimenta no palanque do pastoril. Isso mesmo. O Brasil da pandemia foi dividido no cordão encarnado, e no cordão azul. Neste pastoril, o véio das pastoras não manda em nada. E a Diana, que era para carregar no seu vestido as duas cores, toma partido a toda hora. Resultado: o pastoril vira uma zona com um show de hipocrisia.
Certa vez, quando menino, numa das visitas a casa do meu avô, Pedro Amaro, em Limoeiro, um dos assuntos levantados numa prosa foi uma frase do Cel. Chico Heráclito: "O eleitor da Capital é a favor do contra".
Vamos trazer para os dias atuais: Os polÃticos brasileiros são a favor do contra.
Certo que nem dentadura de bode!
Ser contra, ou a favor, é natural. Acho até que, para tudo tem que haver um contraponto. O que não pode faltar é coerência. O que não pode haver é esta hipocrisia doentia. Ser a favor do contra é irracional.
Vejamos: Em todos os Estados brasileiros foram disputados campeonatos de futebol; copas regionais; Copa do Brasil e começou, no final de semana, o Brasileiro das Séries A, B, C e D. Aconteceram competições de futebol feminino; Brasileiros Sub20 e Sub17... Mas a Copa América não pode.
O PaÃs está aberto para receber jogos da Copa Sul-Americana, Libertadores da América e das Eliminatórias do Mundial 2022, mas não pode da Copa América.
Hipocrisia pura!
Explicação? Fidelidade ao lema: A favor do contra.
Hoje eu fui na padaria e pedi um bolo de bacia. A moça me serviu, mas disse que a iguaria se chamava murphy. Pedi um pão francês e ela disse que era italiano. Perguntei se tinha pão criolo, ela fez um ar de riso e alertou: cuidado com o racismo.
Fiquei sem saber se estou no PaÃs do Contra ou na Era da Imbecilidade.
CLAUDEMIR GOMES
As disputas do Campeonato Brasileiro Série B começam nesta sexta-feira, quando o Náutico fará sua estréia enfrentando o CSA, no estádio dos Aflitos. Escudados no tÃtulo pernambucano, conquistado domingo passado, os alvirrubros irão a campo com esperanças renovadas de que, este ano conseguirão o acesso à Série A. Afinal, o inÃcio da temporada 2021 foi auspicioso para o clube dos Aflitos, que além do tÃtulo estadual, conquistou o direito de participação nas Copas do Brasil e do Nordeste em 2022.
As presenças de clubes de grande tradição no futebol brasileiro, detentores de tÃtulos conquistados na Primeira Divisão - Cruzeiro(1966, 2003, 2013 e 2014); Vasco(1974,1989, 1997 e 2000); Botafogo(1968 e 1995);Coritiba(1985) e Guarani(1978) - dão mais visibilidade à competição e elevam o nÃvel de dificuldade da disputa. Mas, vale lembrar que, tradição, por si só, não chega a ser uma garantia de sucesso num campeonato que tem segredos e armadilhas peculiares, fato que leva alguns "favoritos" a se perderem em seus caminhos.
Alguns clubes têm em seus currÃculos tÃtulos conquistados na Série B - Coritiba(2007 e 2010); Goiás(1999 e 2012); Guarani(1981); Vasco(2009); Botafogo(2015); Sampaio Corrêa(1972) e Londrina(1980) - prova inconteste da expertise na competição, que deve ser traduzida num aumento de dificuldades.
A exemplo do que aconteceu em edições anteriores, com diferentes cenários, analistas, técnicos, jogadores, dirigentes..., antes de a bola rolar, fazem inúmeras projeções, criam possibilidades e analisam o que ainda está por vir, como se no futebol as coisas fossem previsÃveis como uma equação aritmética.
A única coisa que temos certeza é que: para assegurar o seu acesso, um time precisa contabilizar 19 vitórias e 8 empates, que lhes dará um total de 65 pontos, margem que assegura o êxito de sua campanha. Quem busca alcançar tal marca precisa colocar os jogos como mandante na sua conta. Eis a necessidade imperiosa do Náutico vencer o CSA, hoje a noite.
O mestre, Hélio dos Anjos, conhece todos os atalhos da Série B. Sabe como asfaltar a estrada, pois conhece os caminhos de pedregulhos e onde tem areia movediça. Ano passado livrou o Náutico do afogamento. Agora, com o time jogando ao seu jeito, é possÃvel perseguir o sonho da Série A.