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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Pelo Sport tudo!
Até a maldade dos homens.
Cheguei a tal conclusão ao contornar todo o complexo socioesportivo do Sport Club do Recife, na Ilha do Retiro. O valioso patrimônio, soerguido num pedaço de chão super cobiçado pelas grandes empresas imobiliárias do Estado, se encontra em completo abandono, tomado pelo mato, fato que deu ao valioso equipamento, o aspecto de um terreno baldio.
Um terreno baldio a espera de um corpo estranho para ocupá-lo!
Eis o sentimento do sócio rubro-negro, em relação a eleição, para escolha do presidente executivo do Sport Club do Recife, programada para esta quinta-feira. Os candidatos: José Valadares e Leonardo Lopes, em condições normais de temperatura e pressão, jamais teriam seus nomes indicados para o cargo, e estão aÃ, expostos ao escrutÃnio dos sócios, por obra e graça do caos causado pelo ex-presidente, Milton Bivar.
O ex-presidente, Homero Lacerda, foi cirúrgico ao analisar o atua quadro polÃtico do clube leonino e resumiu tudo com uma frase lapidar: "Não basta ter projeto. à preciso ter capacidade para executá-lo".
Na realidade nenhum dos dois candidatos tem um projeto pronto para o soerguimento do clube em todos os seus seguimentos e setores. Ambos estavam a deriva e tomaram este norte empurrados pela tormenta causada com a renúncia do presidente em exercÃcio.
Não existe projeto exequÃvel em nenhuma das chapas concorrentes. As "campanhas relâmpagos" foram em cima de discursos vazios que tinham como rótulos a "honestidade" e a "modernidade". Não sei qual dos dois apelos irá reverberar mais entre os sócios leoninos. De uma coisa temos certeza: o grande desafio dos futuros gestores será promover a unidade que é tida como vital para a retomada do crescimento.
Tirar o clube da mesmice é a palavra de ordem. Só que ninguém sabe como. Este foi o motivo do vácuo criado pelo ex-presidente, Milton Bivar, que renunciou ao cargo, após ganhar uma eleição, fazendo alianças com Deus e o diabo, quando tinha a certeza de que não era mais a locomotiva ideal para puxar um comboio tão pesado.
O futuro presidente ainda terá contra si, além dos inúmeros desafios administrativos, um "Conselho Deliberativo" que não foi de sua indicação e escolha, e que pode vir a ser mais um "Presente de Grego".
O mato grande e as ervas daninhas que ora enfeiam a Ilha do Retiro, necessitam de um bom jardineiro, que tenha tempo e habilidade para separar o joio do trigo.
Pelo Sport Tudo!
CLAUDEMIR GOMES
Ao reler algumas crônicas do mestre, Nelson Rodrigues - A Cabra Vadia -, me chamou a atenção, a observação feita pelo autor em "Solidão Negra", publicada no Globo, em 28/08/69: "Há um momento, porém, em que o futebol passa a ser a paixão unânime. à quando está em cena o escrete. Mesmo os que nunca viram uma bola entendem que o escrete é a pátria em calções e chuteiras, a dar botinadas em todas as direções".
Evidente que, Nelson se refere a uma realidade com mais de meio século. O mundo mudou, e nossa pátria já não se mostra tão embriagada pelas alegres chuteiras coloridas. A constatação é feita pela forma, quase despercebida, desta pandêmica edição da Copa América, cuja final põe em confronto, neste sábado, as duas forças do continente Sul-Americano: Brasil e Argentina.
Alexandre Malta me envia uma mensagem na qual externa sua preocupação sobre "um futuro tenebroso" do futebol brasileiro. E cita algumas causas que, no seu entendimento, são vitais para o desaparecimento da "pátria de chuteiras".
O mestre, Arthur Carvalho, no seu artigo - Professores e Cultura - com muita sapiência, traça um paralelo entre o atual futebol europeu e o brasileiro, e ressalta a falta de educação dos profissionais que habitam os campos verdes e amarelos, como um fator dilacerante do espetáculo. As agressões aos árbitros feitas por jogadores, treinadores e membros de comissões técnicas que sentam no banco dos reservas; simulações, pantomimas, enfim, uma série de atitudes e ações que só servem para denegrir o futebol.
Durante a partida - Inglaterra 2x1 Dinamarca - uma das semifinais da Eurocopa, o comentarista, Paulo VinÃcius Coelho (PVC), destacou o bom futebol apresentado pelo time inglês, como sendo o produto de "trinta anos de Premier League, onde se observa a maior miscigenação do futebol mundial".
Vários fatores contribuem para a supremacia da Europa sobre a América do Sul, continente com o qual sempre rivalizou no futebol. O poder econômico é um dos principais. As grandes potências européias importam os melhores jogadores de todos os continentes, formam elencos que dão inveja a maioria das seleções de dezenas de paÃses. A gestão, a forma de tratar o futebol como um grande negócio, preservando a qualidade do espetáculo, para atrair público e investidores, está anos a nossa frente.
O futebol brasileiro segue com seu solo fértil, mas os bons frutos, de imediato são importados. A seleção da Itália, uma das finalistas da Eurocopa, tem três brasileiros em seu elenco. Os grandes clubes europeus são recheados de jogadores brasileiros. Há 50 anos, época da "Pátria de Chuteiras" todos os jogadores do escrete atuavam em clubes brasileiros. O inverso do momento atual. Nenhum jogador evolui jogando ao lado de companheiros de nÃvel técnico inferior. Eis o segredo da evolução do futebol.
Com muitos anos de atraso, e com relativa timidez, os clubes brasileiros deram inÃcio a um processo de importação de talentos: jogadores e treinadores. Na maioria sul-americanos, mas representa o primeiro passo para se sair da mesmice. O futebol também precisa acatar as imposições da nova ordem.
Se nada acontece vamos ficar observando o crescimento desta distância, que já é abissal, entre Eurocopa e Copa América.
CLAUDEMIR GOMES
O Sport não faz boa campanha no Brasileiro! Isto é fato. Contabilizou seis pontos em vinte e sete disputados, tem o pior ataque da competição; um saldo negativo de quatro gols e um aproveitamento de 22,2% que lhe deixa na iminência de entrar na zona de rebaixamento.
O rubro-negro avesso a criticas, toma como alento as campanhas do São Paulo, e do Grêmio, clubes com conquistas continentais e tÃtulos mundiais em seus currÃculos, e que se encontram na rabeira da tabela de classificação, sem terem contabilizado, sequer, uma vitória, até o momento. O fiasco dos tricolores, paulista e gaúcho, não atenua a fragilidade da campanha do Leão.
O final de semana dos leoninos se prolongou até o encerramento da nona rodada do Brasileiro da Série A. Após verem o time amargar uma derrota diante do Palmeiras, os torcedores do Sport ligaram o "secador" e ficaram a espera do tropeço do São Paulo no confronto com o lÃder Bragantino. Afinal, esta era a alternativa que restava para evitar a entrada do rubro-negro pernambucano na zona de degola.
Escapamos! Exclamou o leonino, Bebel Neto, através de um zap que me enviou de Palmares. Ele e o grupo de amigos passaram momentos de aflição acompanhando os jogos da rodada, cujos resultados poderiam promover uma mudança no indesejado Z4, grupo dos quatro clubes que cairão para a Série B no final da disputa.
Com vinte e nove rodadas a serem disputadas, a zona de rebaixamento ainda não aterroriza os clubes, mas ela tem um efeito psicológico devastador para os times que têm como meta a sobrevivência na competição. Com regozijo observamos três equipes nordestinas - Fortaleza, Bahia e Ceará - posicionadas na parte de cima da tabela, uma vez que, historicamente, os clubes da região lutam acirradamente para se livrarem da degola.
O temor dos torcedores do Sport é no sentido de que, o campeonato transcorra todo neste clima de sofreguidão para o time da Ilha do Retiro. à cedo para se fazer projeções, e definir o futuro dos clubes, embora alguns cronistas se posicionem como se fossem videntes - O Astro - ou mesmo um Pai de Santo sem muita credibilidade.
A julgar pelo que vimos, até o momento, a tendência é que o Sport lute contra o rebaixamento até a trigésima-oitava rodada. Mas futebol não é ciência exata, e em competições de tiro longo as surpresas acontecem com frequência.
A meta da vez é não entrar na zona de rebaixamento, o que psicologicamente seria um baque. Eis o porque do Leão se assustar tanto no final de semana.
CLAUDEMIR GOMES
Segue o lÃder!
A palavra de ordem passou a ser corrente entre todos os alvirrubros, que estão se deliciando com a campanha irretocável que o Náutico vem descrevendo neste inÃcio de Série B.
Garantia de acesso? Evidente que não, mas é um bom presságio. Afinal, o assunto em pauta é um campeonato de tiro longo, de pontos corridos, e a contabilidade do time dos Aflitos está perfeita. Com um futebol envolvente, e objetivo, os comandados de Hélio dos Anjos adicionaram todos os pontos que disputaram a sua conta, estão fazendo caixa, poupando para alguma eventualidade que possa surgir no percurso desta longa disputa. E quando chegar o momento de, passar a régua e fechar a conta, ter saldo positivo para "adquirir" o direito de disputar a Série A, no próximo ano.
A contabilidade é simples, uma vez que requer eficiência em apenas uma operação: a soma. Mas muitos treinadores se perdem nesta equação. Por ser um técnico raiz, Hélio dos Anjos, permanece fiel a alguns princÃpios que são fundamentais para fortalecer e manter o grupo coeso e focado. Avesso ao modismo, ele abomina o "futebol reativo", tão apregoado pelos cronistas da moda.
O futebol tem seus mistérios, mas é fácil de entender, como nos ensinou Enio Andrade e Evaristo de Macedo. O desafio dos treinadores é estabelecer o equilÃbrio entre os setores e ter a força ofensiva como ponto de desequilÃbrio.
O torcedor alvirrubro que vivenciou as emoções da campanha do hexa, que após cinquenta anos segue sendo um luxo no futebol pernambucano, quando relembra aquele time poderoso, a primeira menção que faz é ao quarteto ofensivo da época: "Nado, Bita, Nino e Lala". Era pra deixar qualquer adversário em pavorosa. Mas o time ainda contava com Lula Monstrinho, Gena, Clóves, Fraga, Ivan, Salomão...
Quando se fala do Santos de Pelé, logo é ressaltado o trio: Coutinho, Pelé e Pepe. E que tal o Flamengo com: AdÃlio, Zico, Nunes e Tita? Não vamos esquecer o Santa Cruz de Fumanchu, Nunes e Joãozinho. São dezenas de ataques históricos por este Brasil afora, emoldurando os melhores momentos de centenas de clubes
Estamos na quarta rodada do Brasileiro da Série B, mas todos, torcedores e adversários, já carregam, na ponta da lÃngua, a formação do quarteto ofensivo do Náutico: Erick, Kieza, Jean Carlo e VinÃcius. Um ataque avassalador que é respaldado pelo excelente futebol de Rhaldney, pelos promissores, Hereda e Bryan e por uma zaga que "deu liga": Wagner e Camutanga.
Os méritos do comandante Hélio dos Anjos: Estuda as teorias do presente, mas não abre mão dos conhecimentos somados na prática. Hélio sabe que o cheiro da comida é mais embriagador que a composição literária das receitas.
O matreiro treinador alvirrubros respeita as preferências religiosas dos seus comandados, mas não abre mão dos seus credos: o banho de sal grosso no vestiário e o uso de defumadores ajudam na "limpeza". Superstição? Quem não as tem? Alguns cenários permanecerão no nosso futebol enquanto as raÃzes forem preservadas.
A receita do sucesso continua fiel aos princÃpios de cinquenta anos atrás: time equilibrado com ataque avassalador.
Eis o Náutico de Hélio dos Anjos.
Sigam o lÃder!
CLADEMIR GOMES
A notÃcia ecoou como uma BOMBA, hoje à tarde, na Ilha do Retiro: "O presidente executivo, Milton Bivar, enviou uma carta renúncia ao Conselho Deliberativo do Sport".
Como baratas tontas, os pares do presidente leonino tentaram esconder o fato. ImpossÃvel. Seria a mesma coisa dos Estados Unidos querer esconder do mundo, a bomba atômica que jogou na Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial.
Incrédulos, e com o gosto amargo de uma "traição", alguns conselheiros tentaram recolher os estilhaços da "bomba" cujos efeitos podem vir a ser devastadores para o clube rubro-negro.
"Quem não pode com o pote não segura a rodilha!"
Lembrou um experiente Leão, de garras afiadas e juba frondosa, recapitulando a série de equÃvocos cometidos pelo presidente durante o processo sucessório no clube da Ilha do Retiro, que culminou com sua reeleição.
A pretensa renúncia do presidente executivo foi tão surpreendente que os gestores do Conselho Deliberativo solicitaram tempo. De imediato o assunto foi repassado para um grupo de juristas que se debruçaram sobre o fato para buscar uma saÃda que não venha ferir os interesses dos que estão no comando do Executivo.
O pedido de licença evitaria a realização de uma nova eleição. Entretanto, se o vice-presidente também renunciar, tem que haver um novo pleito.
Vale lembrar que, antes de ser deflagrado o processo de sucessão, o presidente, Milton Bivar, estava licenciado. Depois reassumiu o cargo para concorrer a eleição, fato que surpreendeu a época, pois havia revelado que não iria encarar a reeleição. O candidato da situação seria Fred Domingos. Neste vai e fica, Milton anunciou que disputaria a eleição. Fred saiu do páreo, e sequer foi convidado para ser o seu vice.
Reeleito com o apoio da Torcida Jovem, uma temida organizada, o presidente comeu o peixe e bebeu o vinho da páscoa no cargo que não lhe parece mais confortável. E é longe dele que espera comer a pamonha do São João.
Não há Leão que durma com um barulho desse!