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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O jornalista, Gustavo Luchessi, me pediu para escalar a Seleção Pernambucana de Todos os Tempos. Não podia me refutar a uma solicitação vinda de Guga, que refuto como um dos melhores cronistas esportivos das nova geração. Antemão lhe falei que se tratava de uma missão hercúlia, e qualquer um que se atrevesse a encará-la, cometeria injustiças.
Certa vez, Sérgio Moury Fernandes convidou um grupo de desportistas e jornalistas, para que, cada um selecionasse os 20 melhores jogadores que vestiram as camisas do Sport, do Náutico e do Santa Cruz. Dentre os convidados, Rodolfo Aguiar, considerado, sem nenhum questionamento, um dos maiores dirigentes da história do Tricolor do Arruda. Com a propriedade de quem, como poucos conhece a história do seu clube, ele fez a seguinte observação:
"O Santa Cruz, assim como o Náutico e o Sport, são clubes centenários. Selecionar 20 jogadores de cada um é cometer injustiça com muitos outros que também tiveram brilho intenso em épocas distintas".
Não veio nenhum critério, para ser seguido, anexo ao pedido de Luchessi. São jogadores que passaram pelos clubes pernambucanos. A seleção não seria formada, necessariamente por filhos da terra. A partir daà surge um turbilhão de interrogações. Afinal, temos aqueles craques que brilharam intensamente no futebol pernambucano, mas não fazem parte da constelação de estrelas que brilharam no cenário nacional. Por outro lado, há um grupo cujo brilho no nosso Estado não foi tão intenso, mas que foi louvado nacional e internacionalmente.
Qual foi o maior técnico?
Gentil Cardoso, Rubens Minelli, Orlando Fantoni, Duque, Evaristo de Macedo, Abel Braga, Emerson Leão, Ãnio Andrade, Carlos Alberto Silva... O Odorico Paraguassu nos lembra que: "Patrasmente desses aÃ, tem comandantes que merecem ser lembrados". Portanto, o desafio da tarefa começa com a escolha do treinador.
Escolher o goleiro é muito difÃcil porque a tendência é o cidadão indicar quem ele viu jogar. Basta colocar alguns nomes para a interrogação se tornar gigantesca: Manga, Manoelzinho, Wendell, Barbosa, Detinho, Lula Monstrinho, PaÃs, Magrão, Leão, Bosco, Birigui, LuÃs Neto...
Se escolher um goleiro fica difÃcil imaginem formar uma dupla de zagueiros: Ricardo Rocha, Lula, Levir, Paranhos, Ailton, Beliato, Durval, Wagner BasÃlio, Mauro, Caiçara... Façam suas escolhas.
Na lateral direita o nome de Gena é quase uma unanimidade, mas a habilidade de Betão o coloca entre os fora de série. Carlos Alberto Barbosa também é um nome muito lembrado entre os muitos outros pré-selecionados.
A lista dos candidatos a ocupar a lateral esquerda começa por Rildo, que saiu do Sport para o Batafogo/RJ e defendeu a Seleção Brasileira na Copa de 66, mas existem nomes como o de Pedro Nepomuceno, Dutra, Clóvis, Macaé...
Estamos tentando montar uma seleção com jogadores que defenderam clubes centenários, fato que se torna ainda mais difÃcil em virtude das variações táticas, razão pela qual colocamos a disposição alguns nomes para que o leitor forme o seu meio-campo:
Zito, Luciano, Givanildo, Vadinho, Assis ParaÃba, Ivan Brondi, Zé do Carmo, Jorge Mendonça, Mazinho, Vasconcelos, Edson, Ivanildo Espingardinha, Zequinha, Juninho Pernambucano, Rivaldo, Bita, Raúl Betancor, Diego Souza, Ribamar... Evidente que, a lista é bem mais intensa. O pelotão acima citado é apenas uma mostra dos craques que deram uma contribuição efetiva para o crescimento do futebol pernambucano atuando como meio-campistas dos nossos clubes.
Quando chegamos ao ataque o desafio se torna maior, então vejamos: Nado, Dario, Tará, Ramon, Nunes, Robertinho, Eder, Joãozinho, Leonardo, Mirandinha, Ademir Menezes, Baiano, Kuki, Roberto Coração de Leão, Marlon, Nino...
Ah! Para encerrar vem a pergunta mais difÃcil:
Quem foi o melhor de todos?
CLAUDEMIR GOMES
"De grão em grão a galinha enche o papo!"
Foi-se o tempo em que o dito popular era regra no futebol. Em 1995, por determinação da FIFA, toda competição passou a adotar a pontuação de 3 pontos por vitória e 1 ponto por empate. Até 1994, cada vitória valia 2 pontos. A valorização das vitórias tornou o futebol mais atrativo, as equipes passaram a adotar esquemas ofensivos desprezando os corriqueiros "ferrolhos" que lhes asseguravam um "grão" de bonificação, caso o placar terminasse igual.
Ontem à noite, na Ilha do Retiro, Sport cravou o décimo-primeiro empate nesta edição do Brasileiro da Série A, imposto pela igualdade do placar - 1x1 - no confronto com o Ceará. O rubro-negro pernambucano, no momento, é o clube que mais contabilizou empates na competição: 11. Soma-se a esse marca passo, 14 derrotas e apenas 2 vitórias, números que o emparedam na lanterna.
Quando foram definidos os 20 clubes que disputariam a edição 2025 do Brasileiro da Série A, comemoramos a presença de cinco equipes do Nordeste: Ceará, Fortaleza, Bahia, Sport e Vitória. SabÃamos que, dificilmente o percentual de 25% das vagas seria mantido para a região. A dez rodadas do final temos Vitória, Fortaleza e Sport sob a mira da caetana, sendo que a queda do Leão do Recife já é cantada em prosa e verso.
A mudança na pontuação do futebol não alterou a regra do jogo, mas teve influência nas propostas táticas. A revisão de conceitos imposta aos técnicos provocou uma série de mudanças em relação ao posicionamento e variações que acontecem com a bola rolando. O grande diferencial dos times que praticam, ou buscam, um futebol de excelência é a dinâmica, a intensidade que impõem ao jogo, que aliada a qualidade técnica do grupo, faz toda a diferença.
O elenco que o Sport montou, visando a temporada 2025, com raras exceções, não tem qualidade para sobreviver numa Série A. Na queda-de-braço com o Ceará, na Ilha do Retiro, mais uma vez, ficaram ressaltadas as limitações individuais e coletivas do time comandado por Daniel Paulista. Oportunidades incrÃveis de gols foram desperdiçadas; o ganho da segunda bola no meio de campo por parte do adversário, foram alguns dos itens observados que levaram a torcida a se dar por satisfeita com a igualdade em mais um jogo disputado pelo Leão como mandante.
Nas três últimas rodadas (26ª, 27ª e 28ª) o Sport somou três empates, sendo dois na Ilha do Retiro - Fluminense e Ceará - e o outro com o Cruzeiro, em Belo Horizonte. O próximo compromisso dos leoninos será domingo, quando medirá forças com o Internacional, na Arena Beira Rio, em Porto Alegre.
Seria prudente alguém avisar na Ilha do Retiro que: de grão em grão se enche o papo da galinha, mas a receita também mata leão.
CLAUDEMIR GOMES
Os dois amistosos disputados pela Seleção Brasileira contra adversários da escola asiática, Coreia do Sul e Japão, respectivamente, podem ser contextualizados como um choque de realidade. A goleada - 5x0 - aplicada na equipe coreana, e a derrota - 3x2 - de virada, para o Japão, deixaram evidente a necessidade de uma revisão de conceitos por parte do técnico Carlo Ancelotti.
O amasso dado por VinÃcius Jr. e companhia na limitada seleção coreana, nos brindou com uma seleção identificada com a proposta de jogo definida pelo treinador, e uma harmonia de conjunto que até então não havia sido apresentada desde que o italiano assumiu o comando do time brasileiro. A chuva de gols (5) levou a maioria dos analistas a um ufanismo exacerbado, como se a Seleção Brasileira já estivesse praticando o melhor futebol do mundo.
As escolas africanas e asiáticas foram as que mais evoluÃram nas últimas décadas, em face da migração de jogadores para o futebol europeu. Tal fenômeno também é observado em outros continentes. A evolução não estabelece uma igualdade. Portanto, existem diferenças de qualidade em todos os lugares onde a bola rola. Os dois amistosos deixaram ressaltados os diferentes nÃveis técnicos do Japão e da Coreia do Sul.
A Copa do Mundo de 2026 traz muitas novidades na sua embalagem. A começar pelo número de seleções participantes: 48. Evidente que, tal inchaço vai incorrer num impacto negativo em relação ao nÃvel técnico da competição. Uma seleção, para chegar ao tÃtulo de campeã, disputará o mesmo número de jogos das campeãs em edições passadas: 7. Embora assistiremos uma quantidade de partidas que levarão as equipes do nada a lugar algum. A ordem é faturar, transformar o futebol, cada vez mais, num dos negócios mais rentáveis do planeta.
O exemplo mais recente de tal realidade foi o lançamento mundial da bola que será usada na Copa promovida conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá. Coisa de cinema! Efeitos especiais, imagens de craques e dos objetos de desejo, marca registrada de outras edições da Copa do Mundo. Numa jogada de marketing perfeita, a nova bola chegou as lojas, de todos os paÃses, na mesma data, para o encantamento de milhões de torcedores.
No dia 5 de dezembro, numa megacerimônia, com representantes das delegações das 48 seleções classificadas, será realizado o sorteio dos grupos. A partir daà tudo será festa. Fabricantes de materiais esportivos farão sucessivos lançamentos dos uniformes, chuteiras e outros acessórios que servirão para colorir o mundo da bola, e alimentar, ainda mais, a vaidade dos jogadores, que, dento da nova ordem vivem a dualidade de atleta/manequim.
A Corea do Sul está no grupo dos figurantes, assim como o debutante selecionado de Cabo Verde. O Japão já figura como um complicador, ou seja, aquele time que ainda não tem qualidade para chegar a uma decisão, mas pode ser uma pedra no caminho de uma seleção credenciada a brigar pelo tÃtulo. A definição dos grupos segue esse roteiro: bom, mediano e franco. Quando acontece a coincidência de duas seleções fortes no mesmo grupo é uma mera contingência do sorteio.
Mesmo sem conhecer os futuros adversários, podemos afirmar que o Brasil, na fase de grupos, medirá forças com seleções fracas, medianas e possivelmente uma de boa qualidade técnica. Eis a razão pela qual os amistosos com as duas seleções asiáticas foram proveitosos.
Ancelotti, assim como todos os torcedores brasileiros, viram que, no momento o técnico dispõe de um time. Seu desafio é definir o grupo que levará para disputar o Mundial. Existem mais de 70 jogadores pré-selecionados para serem observados. Um exagero. Alguns atletas não estão atravessando um bom momento, fato que nos leva a questionar suas convocações. A derrota para o Japão foi uma tradução fiel de tal realidade.
Não é regra, também não consta em nenhum manual, entretanto, é comum se afirmar que, uma seleção está pronta para brigar pelo tÃtulo de uma Copa do Mundo quando a torcida do PaÃs tem sua formação na ponta da lÃngua.
No momento, nem Ancelotti sabe qual é o seu time titular.
CLAUDEMIR GOMES
A definição do Grupo C - Ponte Preta, Náutico, Guarani e Brusque - para a disputa do quadrangular decisivo que asseguraria o acesso de dois clubes no Brasileiro da Série C, deixou a maioria dos torcedores dos times envolvidos, com a quase certeza de que Náutico e Ponte Preta alcançariam seus objetivos, razão pela qual, ontem, após os dois times consolidarem as conquistas, frases do tipo - Estava escrito nas estrelas; eu já sabia; estava claro desde o inÃcio - foram repetidas em profusão.
A distância que separa a teoria da prática guarda uma história dramática, com um viés de incerteza gigantesco. O drama dividido em seis atos, vivenciado pelos clubes, levou todos, com exceção da equipe alvinegra de Campinas/SP, que descreveu uma trajetória linear, a piques de agonia e êxtase. O epÃlogo da peça, marcado pela explosão dos torcedores alvirrubros no gramado dos Aflitos, se esbaldando num carnaval de esperança, fez com que todos se detivessem apenas no fim.
Torcedor é isso: pura emoção.
E é justamente ele, que chora, blasfêmia, endeusa, pula obstáculos e se arrasta pelo chão pagando promessas, que tira o futebol do lugar comum.
Antes do jogo, o amigo Marco Paiva, me envia uma mensagem perguntando o que o achava do confronto do Náutico com o Brusque, pois seu neto de quatro anos queria ir para os Aflitos. Mais tarde, já em comemoração, me envia outra mensagem: "Você é mestre!".
Embora o Náutico tivesse chegado ao último ato na quarta posição, o ponto de interrogação sobre a conquista do acesso era em relação a teoria da conspiração que se ventilou com um possÃvel arrumadinho no jogo entre Ponte Preta e Guarani.
Momentos antes de a bola rolar, o mestre José Joaquim Pinto de Azevedo me informa de que a Ponte mandaria a campo o time titular. Estava afastado o fantasma do "mondé".
O Náutico foi bem no primeiro ato quando venceu o Brusque em Santa Catarina. Em seguida, duas quedas inesperadas em casa, contra Guarani e Ponte Preta, resultados que dificultou sobremaneira sua jornada. A redenção veio com dois empates nas partidas disputadas em Campinas/SP. Por fim, alimentado pela matemática, tinha a vantagem de definir seu futuro jogando em casa, sob o clamor da torcida.
O favoritismo dos alvirrubros era real, mas o script da peça definia um roteiro dramático antes da explosão de alegria. Simplificando: tinha que ser agonia e êxtase. Exatamente assim. Alegria que explodiu na abertura do placar, que logo foi empanada com um gol contra que dava vantagem ao adversário. A cinco minutos do final, o pênalti que levou todos a colocarem o coração nas mãos lembrando da fatÃdica "Batalha dos Aflitos" ocorrida há vinte anos.
Silêncio sepulcral nos Aflitos.
Dos céus se ouviu o refrão de uma das canções mais bonitas entoadas pelos católicos:
"E ainda se vier noites traiçoeiras
E a cruz pesada for, Cristo estará contigo
O mundo pode até te fazer você chorar
Mas Deus te quer sorrindo...".
Gol do Náutico! Explosão alvirrubra.
Salve Hélio dos Anjos! O messias que conduziu o clube de volta a Série B.
"Vencer é o céu!".
CLAUDEMIR GOMES
Nada mais fascinante no futebol do que o clima de decisão. A batalha - Sim x Não - se agiganta no imaginário do torcedor, e todos os profissionais que estão vivenciando o momento mágico caminham sobre a linha da incerteza numa travessia cuja duração é de noventa minutos. Um ponto de interrogação funciona como o marco da chegada. Por mais óbvio que pareça, ninguém sabe o que vai acontecer.
Até os jogadores mais experientes simplificam o momento, cujos sentimentos e ações nem Freud conseguiria explicar, com o clichê: "um friozinho na barriga".
- O que você acha?
A indagação me foi feita pelo alvirrubro Roberto Moraes, torcedor raiz do Náutico que durante toda a semana foi torturado pela aflição de ver seu clube do coração envolvido numa decisão, onde a concretização do sonho do acesso depende de uma combinação de resultados.
Ponte Preta (10 pontos); Guarani (7); Brusque (6) e Náutico (5). Essa a pontuação que os times que formam o Grupo C chegam na última rodada do quadrangular que classificará os dois primeiros colocados para a Série B do brasileiro em 2026.
Os números dimensionam o desafio de cada um. A Ponte Preta é o único clube que atingiu uma pontuação que lhe assegura uma vaga de acesso, independente de qualquer resultado que venha ser registrado no clássico que disputará com o arquirrival Guarani. A histórica rivalidade entre os dois clubes de Campinas/SP pode ser atenuada pelo interesse da Federação Paulista, uma das mais fortes do futebol brasileiro, em promover o acesso de dois filiados.
A tensão aumenta na proporção das incertezas quando a decisão extrapola os limites das quatro linhas, e alcança os corredores e gabinetes do poder. O que não é visto pelo torcedor, como o jogo jogado no campo, é conduzido por manobras que não são capitadas, tampouco reveladas pelo VAR. Neste cenário obscuro tudo acontece, inclusive nada.
Ao Náutico não resta outra coisa senão fazer sua parte, ou seja, vencer o Brusque, seu adversário da vez. Uma vitória alvirrubra não só coloca o time de Hélio dos Anjos numa disputa direta com o Guarani, como frustra o sonho da equipe de Santa Catarina.
Os dois jogos - Guarani x Ponte Preta e Náutico x Brusque - estão programados para o mesmo horário: 17 horas. O pacote de emoções está sendo "vendido" como três em um: são três clubes brigando por uma vaga. Todos acalentam o sonho do sucesso, mas se veem atormentados pelo fantasma do insucesso. Coisa de decisão!
Discordo da tese de que o ufanismo é um mal necessário ao futebol, mas respeito quem age no sentido de agradar a torcida. Entendo que, quem parte para a luta com autoconhecimento dos seus limites e potenciais, o mesmo acontecendo em relação ao adversário, tem maiores chances de sucesso.
Bom! Até as 17h cada qual vai conviver com o seu qual. Domar medos e explorar os limites da adrenalina é a liturgia das decisões. Quem não cumpre paga a penitência que cabe aos fracassados.