Histórico
Campeonato Pernambucano
A Bronca da Rodada
postado em 24 de janeiro de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

O saudoso comentarista, José Santana, um dos melhores dentre os que passaram pelo futebol pernambucano, por muito tempo foi titular absoluto do Escrete de Ouro, a época comandado pelo extraordinário Ivan Lima. Aproveitando a estupenda audiência do rádio, Santana criou o quadro - Os Destaques da Rodada - que ele apresentava, como nenhum outro conseguiu apresentar, na resenha do meio-dia.

O Recife parava para ouvir Os Destaques da Rodada: o craque; a seleção dos melhores; o artilheiro; o gol da rodada; o apito de ouro; o apito de barro; a bronca da rodada; a decepção da rodada; o dirigente... O restante do dia era para se comentar sobre os escolhidos como melhores, e zoar com aqueles que figuraram no outro lado da moeda, ou seja, esteve entre os piores.

Pois bem! A bola sequer havia rolado na primeira rodada do Pernambucano 2022, e já tínhamos conhecimento da bronca da rodada: o adiamento do jogo do Santa Cruz com o Afogados (time de Afogados da Ingazeira, cidade do Sertão Pernambucano). Motivo: o Tricolor do Arruda não entregou, em tempo, os laudos exigidos pelo Corpo de Bombeiros.

O ilustre tricolor, João Caixero de Vasconcelos Neto, que faleceu há pouco tempo, por pouco não ressurgiu das cinzas com tamanho barulho.

Enquanto alguns tricolores apontam culpados utilizando argumentos patéticos, num esforço de politizar, ou judicializar o fato, prefiro ressaltar o festival de lambanças que traz à tona falhas cometidas pela Federação, e pelo Santa Cruz, na preparação para a rodada de estreia do Pernambucano, única competição organizada pela FPF envolvendo a elite estadual. Por outro lado, os dirigentes do Santa Cruz negligenciaram uma documentação que é exigida todos os anos aos clubes que possuem estádios.

O amigo, Amaury Veloso, fez uma postagem no facebook com o título: "Que falta faz o José Joaquim". Na matéria relembra o zelo que o ex-diretor de competições e ex-vice-presidente da entidade da Rua Dom Bosco, tinha com o Pernambucano. Eram meses de um trabalho contínuo, ininterrupto, fazendo vistoria nos estádios. Visitava um por um, várias vezes. Se mostrava atento e implacável na cobrança aos clubes pela documentação exigida.

Pelo visto, hoje a coisa corre frouxa. Ou não tem gente capacitada para executar tal trabalho na Federação.

Em meio a este turbilhão de lambanças, e com muitos dedos apontando para pretensos culpados, temos aí a primeira Bronca da Rodada, como diria nosso querido e saudoso, José Santana.

A julgar pela amostra, muitas estão por vir.

"Coisas do futebol pernambucano!". Diria Tião (Edvaldo Morais), outro craque do Escrete de Ouro.

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Campeonato Pernambucano
A hora dos Pequenos
postado em 20 de janeiro de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

A história do Campeonato Pernambucano nos mostra que, em temporadas passadas, quando a competição doméstica ocupava grande espaço no calendário, as primeiras rodadas foram pontuadas por resultados que contrariavam a lógica, ou seja, os tradicionais postulantes ao título - Sport, Náutico e Santa Cruz - empatavam, ou amargavam derrotas para os times considerados "pequenos", da Capital e do Interior.

O título sempre foi decidido pelo Trio de Ferro do Recife, mas em todos os scripts havia o drama da inesperada perda de pontos. Os famosos "tropeços" obrigavam os clubes que aspiravam o título a buscarem reação nos clássicos. A nacionalização e internacionalização do futebol provocou um inchaço no calendário, por conseguinte, as disputas estaduais passaram a ser tratadas como subprodutos, apêndices que são utilizados como laboratórios de pré-temporadas.

O achatamento e a desvalorização dos Estaduais levaram os grandes clubes a perderem o interesse pela competição. Naturalmente que, para Sport, Náutico e Santa Cruz adicionar mais um título doméstico ao seu acervo de conquistas é auspicioso na corrida em busca da grande meta que é o acesso a Série A (Sport e Náutico) e Série C (Santa Cruz), do Campeonato Brasileiro.

A nova ordem do futebol provocou o surgimento de um fato novo e inédito em 2020: a conquista do título pelo Salgueiro. Pela primeira vez na história um clube do Interior se sagrou Campeão Pernambucano da Primeira Divisão. O momento - travessia pandêmica - contribuiu para que o fato não reverberasse. Sem eco, o título do Carcará nada agregou ao futebol da aldeia.

Com mais tempo para realizarem uma boa pré-temporada, montar equipes fortes, mas sem recursos, e alguns até sem estádios, as "surpresas" do Pernambucano 2022 devem ficar restritas aos confrontos dos considerados "grandes" - Sport, Náutico e Santa Cruz - com Salgueiro, Retrô e Afogados. As novidades são o novato, Caruaru City (confesso que não entendo este City), e o tradicionalíssimo Íbis, cuja alcunha é: "Pior Time do Mundo".

A cereja deste bolo mal confeitado, que será servido num banquete cujo cardápio não é de boa qualidade, será, sem dúvida, as duas partidas finais, que devem colocar em confronto dois times do Recife. Se o Carcará (Salgueiro), voltar a ser uma ave de rapina, o caldo pode entornar. Os outros adversários não são rios caudalosos que possam dificultar as travessias de Náutico e Sport.

Vale o alerta sobre as "surpresas" nas cinco primeiras rodadas. É a hora e a vez dos "pequenos" colocarem os "grandes" para dançar.

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Artigos
Pernambucano 2022
postado em 17 de janeiro de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

No próximo final de semana teremos uma agenda cheia no futebol da aldeia, com o início das disputas das edições de 2022 do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. É tudo junto e misturado, com vários clubes participando das duas competições, fato que ressalta a bagunça que é o calendário do futebol nacional.

Plagiando Maquiavel podemos dizer que, um futebol cujas instituições, em boa parte estão corrompidas, não tem futuro. Só tem passado. O atual cenário do futebol pentacampeão do mundo é a resultante do que foi plantado por um pelotão de gestores que estavam mais preocupados em encherem suas burras de dinheiro, do que com o futuro dos clubes.

A última convocação da Seleção Brasileira, feita pelo técnico Tite, contemplou apenas três jogadores que atuam em clubes nacionais. Isto é apenas um dos danos colaterais provocados por ultrapassados cartolas, que bem poderiam ser chamados de urubus.

O efeito mais nocivo do não entendimento da nacionalização do futebol, e da internacionalização, que veio logo a seguir, foi a diluição e desvalorização dos estaduais e regionais. O ex-presidente da FPF, Carlos Alberto Oliveira, que gostava de ressaltar a sabedoria popular, costuma dizer que: "Um pano quando se esgarça não tem mais conserto". Pronto! Os estaduais se esgarçaram. Servem apenas para as nocivas torcidas organizadas alimentarem rivalidades com uma violência que aterroriza a população.

Sem sofrimento! Alerta o rubro-negro, Humberto Araújo, que acompanha, com bom humor o epílogo de uma disputa que teve edições inesquecíveis quando lhes ofereciam tempo e bons times recheados de jogadores de qualidades.

Acho patético alguns radialistas já aposentados, quando têm a oportunidade de tirar o pijama e participar de algum programa ao qual é convidado, começa a traçar um paralelo do passado com o presente citando até a época do festejado Torneio Início. "Velhos tempos, belos dias", como diria o poeta. Nada mais que isso.

O desafio do futebol brasileiro, principalmente o da região, é entrar em sintonia com a nova ordem. É disto que o futebol necessita com grande urgência.

O trabalho de base realizado pelos grandes clubes recifenses é uma lástima. Aliás, a base sempre foi tratada como um subproduto. Evidentemente surgirão aqueles que irão discordar de tal afirmativa, mas esta é a verdade patente.

A presença do Íbis, nesta edição do Pernambucano que se inicia sábado, e que foi ressaltada pela mídia como um grande acontecimento, é um mergulho no passado que nada agrega para uma retomada de crescimento do futebol estadual. Até porque o Pássaro Preto sempre foi sinônimo de fracasso, ao ponto de receber a alcunha de "Pior time do mundo". Um rótulo que serviu para desenvolver uma campanha de marketing e vender camisas. Nada mais.

A maioria dos clubes brasileiros tem foco direcionado para as competições nacionais. Os estaduais deixaram de ser prioridades. Não servem mais como parâmetros. Nem mesmo aqueles que, tradicionalmente eram tidos como os mais importantes. Os grandes clubes poupam os melhores jogadores para as disputas do Brasileiro, Copa do Brasil e as competições continentais.

"É a nossa realidade", volta a alertar o sábio Humberto Araújo.

Pois é! A força dos nossos clubes, no momento, só permite levantar o "caneco" do Estadual. Sendo assim, vamos a ele.

A Copa do Nordeste é um regional para o qual não existe espaço no calendário nacional. Eis o porquê da invasão nas datas dos estaduais. Tal fato contraria uma lei da física que diz: "Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo".

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Artigos
Para homenagear o amigo
postado em 12 de janeiro de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

Hoje é aniversário de Alexandre Ferrer, presidente da Pitú!

Na costumeira navegada pelas redes sociais, observei que esta foi a notícia mais propagada nesta manhã de quarta-feira - 12/01/2022. Como nos ensina o mestre, Lair Ribeiro: "Nada acontece por acaso".

Dia desses, num bate-papo com um grupo de amigos, falávamos de algumas marcas que se sobrepõem aos produtos, como também, daquelas que mais se identificam com o nosso Estado. A Pitú foi unanimidade nas duas vertentes da "discussão".

Naturalmente que, esta história quase centenária, que começou em 1938 com Joel Cândido Carneiro; José Ferrer de Moraes e Severino Ferrer de Moraes, tem muitos protagonistas, aos quais são distribuídos os louros do sucesso da empresa que, nos dias de hoje, em sintonia com a nova ordem, tem Alexandre Ferrer como grande comandante.

Há muito que os amigos não se reuniam. Para regar a conversa sugeri um litro de Pitú Golden, com o que de imediato concordou Pedro Luís (Pedrão). O grupo era formado por nove pessoas, mas os dois primeiros votos foram suficientes para o garçom aparecer logo com o litro sugerindo os petiscos que mais harmonizavam com a bebida.

A travessia pandêmica tem nos privados de muitas coisas, dentre elas as festas populares: Carnaval, São João...

- Para quem não sabe, Alexandre Ferrer é um grande folião. O interessante é que ele gosta de participar dos blocos no meio do povo. Sobe nos trios só para se refrescar. É assim no desfile da Girafa, em Vitória de Santo Antão; Galo da Madrugada; nos Amantes da Glória; no Bulindo no Caldinho, enfim, em todas as prévias que marca presença, ele faz questão de estar junto e misturado com o povo.

Esta minha observação foi o pontapé inicial para a turma relembrar fatos e contar inúmeras histórias ressaltando este dom nato de comunicação que é uma das marcas registradas de Alexandre Ferrer.

- A Pitú é a empresa que mais exporta cachaça no País. Observou Pedrão, após a segunda dose respaldada por um prato de camarão.

Antes de assumir a presidência da empresa, Alexandre Ferrer, se destacou como diretor comercial. Um desafio gigantesco devido ao impulso da globalização com o domínio das redes sociais. As empresas de comunicação se adaptando a nova ordem; o mercado adquirindo novos hábitos para atender as tendências da moda, enfim, ele teve um desempenho exitoso num momento de grandes mudanças, e porque não dizer, de turbulência.

Mais do que visão empresarial, feeling, pragmatismo, Alexandre Ferrer tem uma sensibilidade diferenciada como pessoa humana. Esta sua sensibilidade é a "ameixa do pudim".

"O sucesso não acontece por acaso".

Feliz Aniversário Amigo!

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Joca é imortal
postado em 07 de janeiro de 2022

CLAUDEMIR GOMES

 

A primeira notícia encontrada, quando iniciei a rotineira navegação pelas redes sociais, foi sobre a morte de João Caixero de Vasconcelos Neto, um dos maiores amantes do Santa Cruz Futebol Clube.

Cá pensei: os amigos estão equivocados. Joca é imortal!

Em silêncio comecei a recordar como nossa amizade foi construída e consolidada. Uma lágrima escorre pelo meu rosto numa advertência de que a emoção precisa ser controlada.

Caixero não costumava ir ao sepultamento dos amigos. Um hábito adquirido de uns anos pra cá. Acredito que, por orientação médica. Também não irei ao seu meu velho! É duro demais lhe dizer adeus.

Grandes acontecimentos não são apagados de nossas memórias. No longínquo 1976, o mestre, Adonias de Moura, me chama na redação do Diário de Pernambuco e fala como se estivesse me repassando uma pauta: "Quando fecharmos o caderno vamos fazer uma visita para eu lhe apresentar a alguns amigos".

A visita foi a sede da Comissão Patrimonial do Santa Cruz, cujo domicílio a época era na Av. Dantas Barreto, no Edifício AIP. Fomos recebidos por João Caixero de Vasconcelos Neto, que na condição de bom mestre de cerimônia me apresentou a Aristófanes de Andrade, Marco Antônio Maciel, Rodolfo Aguiar, Henóque Coutinho, André de Paula, Vanildo Aires, Humberto Ribeiro... Ali estava a elite coral. Eram os pensadores que fizeram o Tricolor do Arruda apresentar os maiores índices de crescimento do futebol brasileiro nos anos 70.

A partir daquele dia Joca passou a ser um amigo, um consultor. Nossa amizade foi se estreitando, e ele me ensinou como separar o profissionalismo do pessoal. O exemplo prático era seu relacionamento com o então presidente da FPF, Rubem Moreira. Pareciam inimigos ferrenhos. Sempre que me alimentava de dados para fazer matérias criticando a política da Federação, fazia questão de ressaltar: "Rubem merece todo o nosso respeito. A briga aqui é FPF x Santa Cruz. Ele defende os interesses da entidade, e eu o do clube. Nada pessoal".

Mais de uma vez lhe perguntei: Você ama mais a sua família ou o Santa Cruz?

Entre risos ele respondia: "Deixe de ser FDP".

De uma coisa tenho certeza: Joca daria a vida por Lourdinha, sua mulher; pelas filhas e pelos netos. Assim como deu a vida pelo Santa Cruz Futebol Clube, agremiação a qual se dedicou por mais de meio século. Sempre procurou fazer o bem, dando o melhor de si para o Clube das Multidões. Mas se fosse necessário também faria o mal. Afinal, poucos dirigentes foram tão ardilosos e matreiros quanto ele.

Caixero se revelava através dos gestos. Nunca virou as costas para nenhum presidente do Santinha, embora tenha sido injustiçado e terrivelmente magoado pelos atuais gestores, mágoa que ele leva consigo para o tumulo.

Falar de João Caixero seria escrever uma nova edição do SANTA CRUZ DE CORPO E ALMA, obra literária que ele comandou por mais de 20 anos, e que tive o privilégio de concluir junto com os amigos, Lenivaldo Aragão, Humberto Araújo, José Neves Cabral e Deusdedith Antônio.

Por tudo que fez, e que nenhum outro será capaz de fazer, João Caixero de Vasconcelos Neto - Joca - é imortal nas Repúblicas Independentes do Arruda.

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