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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Com o inÃcio das disputas das semifinais da Copa do Brasil 2022, hoje à noite, envolvendo dois clubes do Rio de Janeiro, e dois clubes de São Paulo - Flamengo, Fluminense, São Paulo e Corinthians -, teremos a oportunidade de testemunhar mais um capÃtulo da maior rivalidade do futebol brasileiro: cariocas x paulistas.
Tudo começou no inÃcio do século passado, quando o Brasil se preparava para disputar a primeira edição da Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai. A época, a Associação Paulista de Esportes Atléticos - Apae - fez uma reivindicação a Confederação Brasileira de Desportos - CBD - para que um de seus membros fosse nomeado para integrar a comissão da entidade nacional. Como não teve seu pleito atendido, a entidade paulista tomou a decisão de não ceder jogadores para formar o selecionado brasileiro que iria disputar o Mundial em Montevidéu.
A guerra, que em alguns momentos atingiu temperaturas altÃssimas dentro de campo, segue até os dias de hoje camuflada nos bastidores, bem ao estilo "guerra fria", protagonizada pelos Estados Unidos e União Soviética. O fato é que, apesar de estarmos no Século XXI, sempre que temos times cariocas e paulistas envolvidos numa decisão, o caldo entorna.
Assim, Fluminense x Corinthians e São Paulo x Flamengo, têm todos os ingredientes para serem jogos apimentados, daqueles que, nem sempre o melhor conjunto, o mais técnico, leva vantagem. Nestes confrontos, pegando uma carona em recente declaração do atacante Gabigol (Gabriel Barbosa), podemos afirmar que: "Os estádios viram um inferno".
A rivalidade que nasceu na época em que dirigente de futebol era chamado de "paredro" (protetor), já fez muitas vÃtimas ao longo dos quase cem anos. Tudo com a anuência e respaldo das mÃdias carioca e paulista, principais responsáveis pela alimentação do bairrismo que teve seus momentos de extremismo.
O fato de a CBD, hoje CBF, ser sediada no Rio de Janeiro, proporcionou alguns privilégios aos clubes cariocas, principalmente quando o foco era a Seleção Brasileira, que, pelo sim, ou pelo não, foi o estopim da primeira crise da história do selecionado verde e amarelo, quando aconteceu o não dos paulistas.
Apesar de Rio de Janeiro e São Paulo serem estados vizinhos, as "escolas" carioca e paulista adotaram estilos diferentes, fato que serviu para alimentar a grande rivalidade existente entre ambos.
Qual dos dois Estados tem o melhor futebol?
A pergunta em voga há quase cem anos sempre dividiu opiniões, e num dos melhores momentos da história da Seleção Brasileira, dois times - Santos e Botafogo - um paulista, e outro carioca, serviam de base para o escrete nacional.
Nos dias de hoje, fato reconhecido por todos os treinadores, o Flamengo tem o melhor elenco do futebol brasileiro, mas isto não lhe assegura a conquista de nenhum tÃtulo, principalmente numa decisão mata, mata, como a da Copa do Brasil. Ao jovem elenco do São Paulo resta a missão de buscar a surpresa nos dois confrontos.
Fluminense e Corinthians serão protagonistas de uma queda de braço onde as forças são parelhas. Neste caso, a participação efetiva da torcida pode funcionar como ponto de desequilÃbrio.
Quem passa?
Pouco importa. Vejamos o que a rivalidade tem a nos oferecer como "prato do dia". Afinal, decisão entre cariocas e paulistas é igual a gol de placa.
CLAUDEMIR GOMES
Nome/apelido: Val
Sobrenome: Torcedor do Santa Cruz
Profissão: Taxista
Isto é tudo que sei a respeito de um cidadão comum, amante fiel e anônimo do Santa Cruz Futebol Clube. Todos os dias ele para o seu taxi na rua Henrique Capitulino, esquina com a Av. Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, onde passa a maior parte do tempo papeando com os amigos de sempre, pessoas simples como ele, de sonhos palpáveis, que se contentam com o pouco. Um pouco que mais das vezes não chega.
Pois bem! Na minha rotineira ida à padaria, mais das vezes, encontro Val. Se estiver ao celular, navegando pelas redes sociais, faz uma pausa para me cumprimentar. Quando está embalado numa prosa com os amigos, dá um trago daqueles que embriaga até a alma, e logo arremessa uma frase que tem como mote o seu querido Santa Cruz.
Hoje foi o primeiro dia que encontrei Val pós desclassificação do Santa Cruz na Série D. Sua frase parece que foi tirada daquele livrinho de bolso - Minutos de Sabedoria - tamanha lição de resignação, sabedoria e resiliência:
"Ano que vem tem mais!", exclamou.
Não atirou pedras em ninguém. Não buscou culpados. Claro que dentro do seu peito tem um coração magoado, choroso, mas que não perde a esperança por dias melhores.
Como isso vai acontecer?
Naturalmente que Val não tem a resposta. Acredito que aqueles mais de quarenta mil torcedores que há dez dias estiveram no Arruda, dando uma demonstração inconteste de que o Tricolor do Arruda é um dos clubes mais queridos do futebol brasileiro, também não saibam qual o caminho para colocar o Santinha em sintonia com o novo tempo.
Neste Século XXI, o Santa Cruz, passou de passagem, três vezes pela Série A: 2001; 2006 e 2016. Disputou quatro edições da Série B: 2007; 2014; 2015 e 2017. Esteve presente seis anos na Série C: 2012; 2013; 2018; 2019; 2020; 2021, e no próximo ano vai para sua quinta passagem na Série D: 2009; 2010; 2011; 2022 e 2023.
Sintetizando: tudo o que foi construÃdo nas décadas de 70 e 80 do Século XX, quando o Clube do Arruda chegou a ser apontado como referência de crescimento no futebol brasileiro, foi enterrado com a chegada da nova ordem. O "Gigante" não percebeu que estamos na era do smartfone, e seus dirigentes seguem com um fax em cima da mesa.
Ontem - segunda-feira - o amigo e publicitário, Antônio Batista, me enviou, via WhatsApp, alguns memes sobre o atual momento do Santa Cruz. Hoje, quando busquei as mensagens, do mesmo Toinho, recebi a canção - Smile - do inesquecÃvel Nat King Cole.
Não me perguntem os culpados pela derrocada do Santa Cruz no Século XXI. Todos pecaram por pensamentos, palavras, atos ou omissão.
Parodiando Nat King Cole, no icônico Smile, podemos afirmar que: "Quando há nuvens no céu o Santa Cruz sobreviverá".
Assim pensa Val.
Assim pensa uma multidão de amantes do Tricolor do Arruda.
CLAUDEMIR GOMES
Não gosto de ufanismo. Aliás, este é um defeito que a maioria dos radialistas e jornalistas esportivos brasileiros carrega consigo. Isso de achar que o futebol brasileiro é o mais, mais, é uma herança dos anos 50, 60 e 70, do século passado, quando os craques brotavam nos nossos campos feito banana, de cacho. Mas os tempos mudaram, e não é mais assim que a banda toca.
Apesar da cautela, e partindo do princÃpio de que o "futebol também segue uma lógica", podemos nos arvorar, e afirmar, diante da formatação das semifinais, que o tÃtulo em disputa da Libertadores da América é coisa nossa. O desempenho dos times nas quartas de final nos leva a tal sentimento.
O argentino, Vélez Sarsfield, o estranho no ninho entre os brasileiros, Flamengo, Palmeiras e Atlético Paranaense, está pronto para roubar a cena. A equipe do técnico, Alexander Medina, que começou a temporada dirigindo o Internacional, de Porto Alegre, segue a "velha" receita da Escola Portenha, que tem a garra como elemento primordial para alcançar o sucesso. Seu time em campo parece ter sangue nos olhos. O time de Buenos Aires será o adversário do Flamengo nas semifinais. Se passar dará um salto gigantesco para pôr as mãos na taça.
O Flamengo de Dorival Júnior, dentre os quatro semifinalistas, é o que vive o melhor momento. Detalhe: possui o grupo mais homogêneo, e de melhor qualidade no futebol sul-americano. Depois de um semestre inteiro de desencontros, o rubro-negro carioca voltou a dar liga nas mãos de um treinador que parecia pouco provável a levar o time a se reencontrar dentro das quatro linhas. Pode-se dizer que o acerto veio por linhas tortas. O fato é que o Flamengo está nas quartas de final da Copa do Brasil; contabilizou cinco vitórias nas últimas rodadas do Brasileiro, e passou com moral (duas vitórias), pelo CorÃnthians, para chegas as semifinais da competição continental. Pelo elenco que possui, e a harmonia que tem apresentado em campo, é o time mais credenciado para levantar o tÃtulo.
Palmeiras e Atlético Paranaense medirão forças no outro duelo das semifinais da Libertadores. O time paulista foi o único dos semifinalistas que não venceu nas quartas de final. Empatou os dois jogos com o Atlético Mineiro e avançou na competição numa disputa por pênaltis onde venceu por 6x5. à notória a saturação no elenco do Palmeiras. Diria que são os efeitos de um calendário maluco, e até desumano. Apesar da fadiga, o time paulista está mais credenciado para ir a uma final com o Flamengo. Evidentemente que, isto acontecerá se a "lógica" não for contrariada.
O Atlético Paranaense, do técnico Felipão, corre por fora como um grande "azarão". No confronto com o Estudiantes de La Plata, nas quartas de final, marcou o gol da vitória nos acréscimos do segundo tempo. O Atlético/PR está disputando as quartas de final da Copa do Brasil com o Flamengo; luta para se manter entre os quatro primeiros colocados na tabela do Brasileirão e se classificou para as semifinais da Libertadores. Pode se perder pelo caminho por conta da carência de um maior, e melhor, elenco. O time de Felipão tem como marca registrada uma pegada forte, mas precisa ser mais eficiente nas finalizações.
"O futebol tem certa lógica", como nos ensina o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, mas não aguenta desaforos provocados pelo ufanismo.
CLAUDEMIR GOMES
O dia começou chato.
A notÃcia sobre a morte do espetacular Jô Soares, enviada por um amigo pelo WhatsApp, soou como uma piada de mau gosto. Mas, segundo a Lei de Murphy, "o que começa ruim pode piorar". De BrasÃlia vem a notÃcia: a "Comissão do Esporte na Câmara dos Deputados aprovou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a preparação da Seleção Brasileira que vai disputar a Copa do Catar".
De imediato me veio a lembrança de uma das frases geniais do Jô:
"Nunca faça graça de graça. Você é humorista, não polÃtico".
A proposta de tal deboche foi de autoria do baiano, José Rocha, deputado federal vinculado ao partido União Brasil. Acredito que, com esta podemos afirmar: o Brasil deixou de ser o PaÃs do Futebol, e passou a ser o PaÃs da Piada Pronta.
O pior é que os caras não estão fazendo nada de graça. Tudo é com o meu, o seu, o nosso dinheiro. E viva a Pátria Amada.
Mas na proposta diz que ninguém viajará para ver treinos e jogos no Catar.
"Me engana que eu gosto".
Sebe aquela estória da cabecinha?
Pois é! Quando passa, passa tudo. Estão mostrando linha e anzol para pescar piaba, mas no final todos exibirão um robalo.
Acho até que o José Rocha deu uma passada na Baixa do Sapateiro, em Salvador, para comprar um par de chuteiras. Não sei qual a cor que escolheu. Bom! Com ele, e seus pares, respaldando o trabalho de Tite, podemos fazer fé no sucesso de Neymar e seus coadjuvantes.
Como o futebol é um esporte coletivo, no grupo, ou grupos a serem formados, haverá representantes de todos os partidos polÃticos. Só assim os jogadores vão aprender a compartilhar a bola.
à um show!
Já tem gente solfejando aquela modinha: "Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil, salve a seleção".
Como a discussão do momento, no futebol brasileiro, é sobre a capacidade dos nossos treinadores, acredito que, no futuro, não se tocará neste assunto. Estou convicto de que, deste grupo de parlamentares surgirão vários "professores". Afinal, a sementinha foi plantada no Planalto Central.
ImpossÃvel não lembrar o personagem criado pelo Jô Soares - Sebastião codinome Pierre - no programa Viva o Gordo: "Você não quer que eu volte!".
CLAUDEMIR GOMES
O repórter, Iranildo Silva, ex-presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP - me envia mensagem informando que, a CBF só permitia o acesso de repórteres para fazer cobertura dos jogos, se a empresa para a qual ele presta serviço tivesse adquirido os direitos de transmissão da competição.
Isto acontece em Copa do Mundo. E aqui, no "PaÃs do Futebol", tem gerado uma grande discussão. Afinal, o grande meio de comunicação que impulsionou o crescimento do futebol brasileiro, até os anos 60 do Século XX, foi o rádio. A primeira edição do Mundial de Futebol transmitida, ao vivo, via satélite, para o Brasil, foi a de 1970, no México, quando Pelé e companhia conquistaram o tricampeonato. Antes, os jogos das Copas de 58, 62 e 66 foram apresentados em VT.
Enfim, até mais da metade do Século XX, quem deu sustentação ao esporte mais popular do Brasil foi o rádio. Do Oiapoque ao Chuà clubes nasceram e cresceram nas ondas do rádio. Grandes jogadores surgiram, mas seus nomes só reverberaram através do rádio, que os transformaram em Ãdolos nacionais. Poucos tinham o privilégio de testemunhar a maestria dos gênios do futebol, mas o rádio narrava os feitos e a história. Era o suficiente para os profissionais se agigantarem no imaginário do torcedor.
Graças ao rádio o futebol se transformou num grande negócio, cobiçado por gregos e troianos. Jogadores e dirigentes se projetavam, ganhavam visibilidade, seus negócios prosperavam por conta de uma popularidade que lhe fora dada pelo veÃculo de comunicação que era a locomotiva do futebol.
Nos anos 60 do século passado, a FIFA começou a negociar os direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo. Vale ressaltar que o Mundial sempre funcionou como um protótipo. O encantamento vai muito além das quatro linhas. Cada seguimento concentra as atenções nos sinais das futuras tendências que ditarão as novas ordens num ciclo de quatro anos.
Televisão, rádio e jornal passaram a pagar um preço alto para degustar o cobiçado bolo do futebol. A chegada da internet quebrou paradigmas. A partir da Copa de 94, nos Estados Unidos, quando o Brasil conquistou seu quarto tÃtulo Mundial, as emissoras de rádio, cujo número havia crescido assustadoramente, basicamente foram alijadas dos estádios. Foi criado em Dallas, o centro de transmissão. Uma grande arena, com um telão espetacular, e dezenas de cabines onde os profissionais das emissoras de rádio, do mundo inteiro, se concentravam para transmitir os jogos que lhes interessassem. Tal modelo está em voga até os dias de hoje.
Os lugares nos estádios ficaram reservados para os jornais e as emissoras de televisão. Apesar do "tubão", as rádios seguem pagando uma fábula para adquirirem os direitos de transmissão dos jogos do Mundial.
A era do smartfone baniu o radinho de pilha dos estádios de futebol. Aliás, este que já foi o acessório mais cobiçado por nove entre dez torcedores brasileiros, desapareceu até das prateleiras das lojas. Nos dias de hoje, torcedor ouvinte de rádio é espécie em extinção.
Muitos são os motivos e as razões para o apequenamento do mundo do rádio. Começa pela falta de criatividade, quem faz rádio dormiu em berço esplêndido. Seguiu abraçado com um modelo criado há mais de 50 anos, com poucas variantes e inovações. O avanço tecnológico que tirou do veÃculo de comunicação o que lhe era mais valioso: o imediatismo. Hoje, o domÃnio do aqui, agora, ao vivo e em cores, pertence ao smartfone. Detalhe: todo mundo é repórter nas redes sociais.
Para nós profissionais o rádio continua instigante. Entretanto, na vertente esportiva, ele sofre um achatamento que fatalmente lhe levará a "morte".
Existem deputados trabalhando em cima de projeto de lei, para limitar o espaço livre do rádio esportivo. Os "nobres" parlamentares estão brincando de chutar cachorro morto. Se tal iniciativa tivesse acontecido nos anos 50, 60, 70 do século passado, com certeza estes "inimigos públicos" seriam executados em praça pública.
Aqui no Brasil, cobrar do rádio a transmissão do futebol, é pior que deixar pai e mãe morrerem de fome.