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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A expressão - "Virada de Chave" - tem sido bastante usual, nos programas esportivos, para viabilizar o entendimento do torcedor do Sport, a maratona de jogos que o time rubro-negro enfrentará até o dia 3 de maio, cumprindo tabela em quatro competições: Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste; Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro Série B.
Detalhe: com exceção do Brasileiro, onde a equipe leonina da Ilha do Retiro, ficará de fora das duas primeiras rodadas - os jogos serão remanejados Deus sabe pra quando - todas as outras partidas, num total de seis, são de caráter decisivo. Dentro deste contexto, o empate com o Coritiba (3x3), no Couto Pereira, que marcou a estreia do Sport na Copa do Brasil, ficou de bom tamanho.
Se para o torcedor, a "Virada de Chave", não é uma coisa de fácil entendimento, para o grupo de jogadores é tão desafiador quanto resolver o Teorema de Pitágoras. Afinal, embora as partidas sejam de caráter decisivo, cada competição tem suas peculiaridades. O desafio do treinador consiste em posicionar todas num mesmo patamar, mesmo existindo a imposição natural, oriunda da diferença técnica dos adversários.
O Sport disputou a semifinal do Pernambucano na Sexta-feira Santa. Depois encarou uma viagem até o Paraná para enfrentar o Coritiba. No retorno do Sul do PaÃs vai enfrentar o Retrô, sábado, no primeiro jogo da final do Estadual. Em seguida viaja até Fortaleza para medir forças com o Ceará no primeiro confronto válido pela decisão do tÃtulo da Copa do Nordeste. Quando regressar ao Recife, fará o jogo final do Pernambucano com o Retrô, dia 22 de abril, na Ilha do Retiro. Na quarta-feira, dia 26, recebe o Coritiba no jogo de volta da terceira fase da Copa do Brasil. Em seguida viaja para São Paulo, onde no domingo 30, enfrenta o Novorizontino, em partida válida pela terceira rodada da Série B. De volta pra casa, no dia 3 de maio, recebe o Ceará na Ilha do Retiro, no jogo final da edição de 2023 da Copa do Nordeste. Doravante, não haverá mais "Virada de Chave", e o leão concentrará toda a sua atenção na Série B.
Na receita deste angu de caroço existem pitadas e doses cavalares de ansiedade, cansaço, otimismo, pessimismo, amargura, nervosismo, stress..., enfim, um conjunto de fatores atuando simultaneamente no grupo onde as reações diferem de indivÃduo para indivÃduo. Eis a razão pela qual, o comandante que tem bom conhecimento da disciplina motivacional agrega bastante numa decisão. Fome de bola todos têm. Fome de vitória poucos demonstram ter.
As constantes "Viradas de Chave", dão nó na cabeça de muita gente, mas no futebol existem coisas que são imutáveis, como a qualidade técnica individual dos jogadores, e a harmonia do conjunto. A capacidade de superação de toda equipe tem seu limite.
O primeiro confronto do Sport
com o Coritiba, deixou evidente que, nos momentos em que a equipe pernambucana
alinhou qualidade com fome de vitória, envolveu o adversário. Quando não conseguiu
tal conjunção, se viu obrigada a "chupar" uma manga azeda.
CLAUDEMIR GOMES
Alvirrubros e tricolores estão vivenciando uma autêntica via crucis nesta Semana Santa. A ressureição de ambos está sendo esperada no Campeonato Brasileiro. Vejamos o que acontecerá com o Sport no jogo com o Petrolina, programado para a Sexta-feira Santa.
Segundo os preceitos da Igreja Católica Apostólica Roma, a Sexta-feira Santa é um dia santo de guarda, ou seja, tem que ser respeitado. Aliás, a julgar pelos ensinamentos que me foram repassados, se trata do momento mais sublime. O Papa Francisco sabe disso. O que ele desconhece é que, quando milhões de fiéis estiverem, nesta sexta-feira - 7/4/2023 - acompanhando a procissão do Senhor Morto, a bola vai estar rolando na Ilha do Retiro.
Coisa de fariseu!
Por conta de um calendário maluco, e até desumano, os dirigentes do futebol acham que pode tudo. Antigamente, um jogo de futebol profissional na Sexta-feira Santa seria classificado como "pecado mortal. Mas, como os tempos mudaram, o que antes era, um grave desrespeito a religião, hoje não passa de um pecadinho esportivo.
Aliás, a FPF abriu um precedente em 2016, quando na Sexta-feira Santa daquele ano, a Seleção Brasileira, comandada pelo técnico Dunga, enfrentou o Uruguaio, na Arena Pernambuco, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa da Rússia. O castigo foi imediato: o Brasil construiu uma vantagem de 2x0, com relativa facilidade, mas o Uruguai empatou o jogo que terminou em 2x2. Por cometer o pecado de jogar num dia santo de guarda, a Seleção Brasileira ainda não acertou o pé. Os dirigentes não sabem o que fazer para a remissão de tal pecado.
Padre Petronilo; Padre Leitão; Padre Genaro e Padre Rolim foram os párocos que me repassaram muitos ensinamentos religiosos em Carpina. Após a Missa do Lava Pés, que é celebrada na quinta-feira, e representa a última ceia de Cristo com os apóstolos, era decretado o feriado santo que se estendia até a sexta-feira. Neste espaço de tempo os padres diziam que, nem pelada a gente podia jogar. Acredito que era por conta dos palavrões que afloram de forma natural num "rasga".
Estava conversando cá, com meus botões, traçando um paralelo de suas situações que serão vivenciadas no mesmo horário, no Recife, nesta Sexta-feira Santa: enquanto milhares de católicos praticantes acompanham a procissão pelas ruas do centro da Capital Pernambucana cantando, "Avé, Avé, Avé Maria..."; a alguns quilômetros, no estádio da Ilha do Retiro, milhares de leoninos estarão gritando: "Juiz fdp; VAR de merda; vai tomar... Pelo Sport tudo!".
Sinais dos tempos!
Não podemos parar no tempo. A própria Igreja Católica se moderniza para entrar em sintonia com a nova ordem, contudo, algumas coisas deveriam ser imexÃveis por conta de uma coisa fundamental a toda famÃlia, a toda sociedade: o respeito.
A Páscoa representa a passagem de uma vida, para outra melhor. Através dela passamos a entender os ensinamentos da Igreja Católica de que não existe um ponto final em nossas vidas.
Promover jogo na Sexta-feira Santa é um pecado cabeludo. Não sei quem vai carregar este fardo para o outro "lado".
CLAUDEMIR GOMES
Em artigo publicado na edição desta quarta-feira (29/03/2023) %u2013 Sacudindo a sobrecasaca %u2013 o mestre, Arthur Carvalho, nos repassa alguns ensinamentos sobre a crônica, este gênero literário bastante discutido. Citou a definição dada pelo escritor, Gustavo Corção: "A crônica brasileira é uma maneira leve de tratar as coisas graves, e uma maneira grave de tratar as coisas leves". Genial!
Durante todo o dia de hoje, fiquei atento, as reações das pessoas sobre a espetacular vitória do Ãbis - 3x1 - sobre o Santa Cruz, em jogo válido pelo Campeonato Pernambucano. Um resultado desastroso, que pode trazer consequências sem precedentes para o Tricolor do Arruda.
Por se tratar de um clube de massa, podemos afirmar que, o Clube do Povo, também tem uma legião imensurável de torcedores do contra, fato que explica a enxurrada de memes nas redes sociais, e a gréia que rolou solta nos quatro cantos do Estado, para deleite dos que não são tricolores.
No futebol tem disso: o que da pra rir, da pra chorar.
A classe social mais baixa sempre foi jogada para a periferia das cidades. Comunidades que convivem com todos os tipos de problemas sociais, e que têm no futebol sua válvula de escape. Esta a realidade de quinhentos anos. Pois bem! Por ter fincado suas raÃzes no bairro do Arruda, região pobre, na área norte do Recife, o Santa Cruz passou a ser conhecido também como "o time da poeira". Apelido imortalizado num frevo dos Irmãos Valença:
"Quem é que quando joga, a poeira se levanta? à o Santa, é o Santa". O apelido "poeira" foi porque os torcedores tricolores saiam as ruas, de chão batido, sem calçamento e asfalto, para comemorar as vitórias do Tricolor do Arruda. Os festejos levantavam poeira.
Não é por acaso que se diz "ser a torcida o maior patrimônio do Santa Cruz".
O tempo passou, e nos dias de hoje, não existe mais poeira para frevar ao som dos acordes do Mastro Forró. Na década de 70 o Santa Cruz foi exemplo de progresso e crescimento no futebol brasileiro. Mas a vaidade dos homens que se digladiavam por cargos diretivos criou vários canais de segregação.
O complexo esportivo do Estádio José do Rego Maciel foi negligenciado. A antiga sede social foi a leilão. A "poeira" parecia resistir a tudo com seu amor incondicional, demonstrado através de atitudes. Palavras vãs de pseudos amantes já não ecoam. Estanhos se apoderaram do ninho das cobras. Sem conhecimento da matéria futebol, corroeram o que antes parecia de uma solidez inquebrantável.
Evocando um passado de glória, sempre haverá um "salvador da pátria", mas a realidade é bem outra.
"O Santa Cruz não vai acabar!". Sentenciou Val, um torcedor tricolor de dentro do seu taxi, para rebater as gozações dos amigos no local onde faz ponto, em Boa Viagem.
"Não se faz futebol sem dinheiro", disse o professor de Educação FÃsica, Haroldo Cruz, como se estivesse apontando a causa do caos.
As palavras de Haroldo fizeram Val cair na real. Buscou no YouTube a canção - O Fim - do saudoso, Altemar Dutra, aumentou o som do carro, ascendeu um cigarro, deu um super trago e se perdeu em devaneios:
"Por onde tu andares
Na certa encontrarás
Em tudo uma lembrança
Do que ficou pra traz
De um amor, que era lindo
E a vida fez morrer
E agora só nos resta
Lembrar, nada mais...".
Como era bom o tempo em que a poeira era colÃrio para os olhos da multidão.
CLAUDEMIR GOMES
O futebol me apresentou o mundo. O futebol explica o meu mundo. As imagens do ontem, e do hoje, me confundem. A memória me faz sentir grande ao rever fatos sublimes. Fatos do presente me deixam estarrecidos com a escalada da violência em espaços pensados para alegria e comemorações. O que vi, o que aprendi ao longo de mais de sessenta anos, não pode ser empanado por uma imagem. Aquilo é apenas a constatação de que as (bestas" existem desde os primórdios do mundo. E existirão sempre.
IMAGEM 1: Meu pai (Jaime Gomes), me leva pela primeira vez para assistir a uma partida de futebol. O jogo foi no Campo do Enchimento de João Vermelho: terra batida, traves quadradas, sem muros e sem alambrado. Me põe em cima da carroceria de um caminhão para que eu tivesse uma melhor visão do campo do jogo. E para me resguardar de algum imprevisto, que por um acaso, viesse a acontecer. Fato registrado no inÃcio dos anos 60, em Carpina, no século passado.
IMAGEM 2: Torcedor, com criança no colo, invade o campo de jogo, no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre, para agredir os jogadores do Caxias, time que tirou o Internacional da decisão do Campeonato Gaúcho. Ao analisar a estultÃcia do torcedor colorado, observamos que ele veste uma bermuda da Torcida Jovem, do Sport, uma das organizadas mais violentas do futebol brasileiro.
As imagens do bem, implantadas pelo meu pai, não foram deletadas do meu subconsciente. Assim como, no futuro, aquele garoto, que ontem fora carregado como um fardo pesado, por um pai ensandecido em busca de uma briga no estádio, deverá ter seus valores pautados nos exemplos dados pelo seu "educador". O garoto não nasceu perverso, mas caiu nos braços de um agente do mal.
Cresci com meu pai me levando aos estádios. Era o futebol me ensinando a conviver com as multidões. A aceitar o contraditório como um fato normal no nosso cotidiano. A bola me mostrava que a vida, tal como ela, não era reta, nem plana. Os gols podem acontecer em qualquer barra. Afinal, no jogo jogado, a esfera de maior magia, e cobiçada do planeta terra, a bola de futebol, rola para os dois lados.
O futebol faz parte da liturgia do domingo: ir a missa e assistir a um jogo de futebol. Parece até ensinamento da igreja católica. Em 1969, no Ãlbum Tudo Passará, o pequeno gigante, Nelson Ned, assegurou que, "domingo é um dia tão triste para quem vive sozinho". A letra da música, Domingo a Tarde, era um testemunho de que o futebol une, agrega, alimenta o amor.
Em 1975 passei a integrar a equipe de esportes do Diário de Pernambuco, comandada pelo mestre, Adonias de Moura. O futebol era tudo para nós. E nós passamos a abdicar do convÃvio da famÃlia nos dias de domingo. Imposição do trabalho. Um trabalho prazeroso, que nos abria as portas do mundo através da alegria do esporte mais popular do planeta.
O futebol parecia surfar nas ondas de todas as revoluções iniciadas nos anos 60. Apesar das imposições ortodoxas vindas dos bastidores, a voz que se levantava das arquibancadas nos dava a sensação de liberdade. Amores diferentes, cores diferentes, mas todos juntos e misturados. Não havia segregação nos estádios. As ocupações em diferentes lugares nas praças de esportes, tinham como grande objetivo, ressaltar o espetáculo das bandeiras que pareciam bailar no ritmo das charangas.
Em junho de 1989, fui escalado, junto com o fotógrafo, Edvaldo Rodrigues, para cobrir um amistoso da Seleção Brasileira com a Dinamarca, em Copenhague. A partida fazia parte dos festejos do centenário da Federação Dinamarquesa de Futebol. O Brasil se preparava para disputar a Copa da Itália. Os dinamarqueses golearam - 4x0 - o time do técnico Sebastião Lazaroni. Nas arquibancadas, a cada gol da Dinamarca comandada pelo craque Michael Laudrup, a torcida alvirrubra entoava a canção dos Beatles: Yellow Submerine. Uma demonstração de civilidade inesquecÃvel.
Após a queda das barreiras impostas pela internet, o bem e o mal passaram a ser protagonistas do maior clássico já existente na história do futebol. A bola rola para os dois lados, mas é triste testemunhar a vitória do mal em alguns confrontos. Na aldeia brasileira, estádios são fechados para torcedores; jogos são restritos às torcidas mandantes, mas nada parece conter as hordas do mal.
Como foi bom, e bonito, assistir a um jogo de futebol em cima da carroceria de um caminhão, chupando rolete de cana caiana.
CLAUDEMIR GOMES
Em qualquer competição do mundo, os jogos de caráter decisivo são mais atraentes. Eis a razão pela qual as quartas de final da Copa do Nordeste, que começam a ser disputadas neste final de semana, estão em destaque, na pauta do dia, do torcedor pernambucano. Afinal, nosso futebol têm dois representantes - Sport e Náutico - nesta "corrida ao ouro", com chances reais de colocarem a mão na taça.
"Agora, vamos ver quem tem garrafa pra vender!".
Costuma alardear o narrador, Bartolomeu Fernando, da Rádio Clube, considerado um dos melhores do rádio esportivo brasileiro, em momentos de decisão. à a forma simples, e direta, de informar ao torcedor que, em decisões, as cortinas são descerradas, e observamos as diferenças entre os fortes, e os fracos. Enfim, quem não tem competência, não se estabelece. à quando caem as máscaras dos pipoqueiros.
O viés regional da Copa do Nordeste deixou ressaltado, na fase de grupos, o mando de campo como ponto de desequilÃbrio. Nos 64 jogos disputados, foram registradas 35 vitórias dos clubes mandantes; 18 empates e 11 vitórias dos clubes visitantes.
Sport e Náutico descreveram campanhas equilibradas. Os rubro-negros, que terminaram a fase de grupos como lÃderes da Chave A, contabilizaram 6 vitórias, sendo 3 na condição de mandantes, e 3 como visitantes. Por outro lado, os alvirrubros dos Aflitos, somaram 2 vitórias como mandantes, e 2 como visitantes.
O ABC, que será o adversário do Náutico, nas quartas de final, é o tÃpico do "canário abarrancado": somou 4 vitórias nas 8 partidas que disputou. Todas na condição de mandante. O mesmo se pode dizer do CRB, adversário do Sport. O representante alagoano somou 3 vitórias na fase de grupos. Todas em jogos disputados no Rei Pelé.
Os números nos dão o norte, apontam tendências, mas não vamos entrar no pelotão dos "idiotas da objetividade", como diria o mestre, Nelson Rodrigues.
A qualidade técnica faz a diferenças, mas em jogos decisivo, principalmente quando se tem uma única chance de vitória, a entrega, a garra e a superação fazem a diferença.
A formatação das quartas de final desenhou um cenário onde Sport e Fortaleza, aparecem como grandes favoritos ao tÃtulo desta edição da Copa do Nordeste. O crédito vem a partir das campanhas descritas pelos dois times na fase de grupos, e reforçado pelo mando de campo, conquistado como bônus para a segunda fase da competição.
Dentre as várias probabilidades existentes, a de que tenhamos um confronto entre o futebol pernambucano, e o futebol cearense, a partir das semifinais. O Ceará esteve representado nas últimas quatro decisões da Copa do Nordeste, tendo contabilizado três tÃtulos.
Sport, Fortaleza e Ceará correm em busca de aumentar seus acervos de conquistas. Náutico, CRB, Ferroviário, ABC e Sergipe tentam entrar no seleto grupo dos campeões regionais, numa competição criada a partir de 1994.
E todos apostam no 12º elemento como fator de desequilÃbrio: o torcedor.