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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"Há males que vem para o bem!".
Não poderia haver melhor interpretação para a convincente vitória (2x0) do Sport sobre o Guarani, na noite do domingo, em jogo válido pela quinta rodada do Brasileiro da Série B. A partida foi disputada, sem público, na Ilha do Retiro. Os portões do estádio estavam fechados para os torcedores, como pena pelas arruaças registradas num confronto com o Vasco, ano passado.
Em condições normais, a justa penalidade imposta pela CBF, seria motivo para grandes lamentações. Contudo, como o Sport vinha de uma frustrante perda de tÃtulo - Copa do Nordeste - para o Ceará, o silêncio vindo das arquibancadas neste domingo, levou o time a navegar num suave ruÃdo que levou o conjunto leonino a não perder a harmonia.
Como bem afirma o rubro-negro, Manoel Costa - Costinha: "Vencer é o céu".
Normalmente, a presença do torcedor leonino, na Ilha do Retiro, funciona como um ponto de desequilÃbrio. O Estádio Adelmar da Costa Carvalho cheio é desconfortável para qualquer adversário. Isto é fato. Mas, pontualmente, neste confronto com o Guarani, o que mais Luciano Juba e seus companheiros necessitavam era de calmaria. Ficar longe de qualquer tipo de cobrança. Sendo assim, as arquibancadas desertas conspiraram para que o Leão não errasse o passo, e mantivesse o compasso.
O ufanismo tem tomado conta de alguns cronistas esportivos, que passaram a se comportar como autênticos mestres de futurologia. Esta edição da Série B tem como marca registrada o equilÃbrio de forças. No final das disputas do primeiro turno é que começarão a se desenhar as tendências. Começar bem é sempre positivo, mas o desafio é manter a pegada ao longo de trinta e oito rodadas.
O Sport disputou duas partidas, contabilizou dois resultados positivos, e a julgar pelo bom futebol que apresentou diante do Guarani, principalmente no primeiro tempo do jogo, está creditado a dar sequência ao ritmo da boa largada. Mas é preciso olhar para o time e ter ciência do seu tamanho. A mesma advertência serve para o Vitória, Criciúma, Vila Nova, e outros clubes que também largaram de forma positiva. Muitos times ainda estão sendo ajustados, e devem render bem mais no transcorrer das disputas. Ou não, afinal, no futebol tudo é muito relativo.
Nas Séries B, C, e D, as vitórias como mandante asseguram uma manutenção, mas o clube que tem pretensões mais ousadas, também precisa vencer na condição de visitante. O jornalista, José Gustavo, que sempre faz boas leituras do desempenho dos clubes nas competições nacionais, tem por hábito dizer que, "jogo em casa tem que estar na conta do mandante". Esta regra criada por ele é imprescindÃvel para o sucesso.
Existem coisas que sabemos de cór. Quanto mais baixo o nÃvel técnico da competição, piores são as condições de jogo. Portanto, não concordo com reclamações sobre o estado do gramado em determinado estádio da Série C, da Série D... Primeiro é primeiro, segundo é segundo e terceiro é terceiro em qualquer lugar do mundo. E olha que a regra vale desde que o mundo é mundo. Portanto, algumas queixas não passam de mi, mi, mi.
Se o jogo é em casa, "põe na conta", como aconselha José Gustavo.
Vale lembrar que o "lucro" está lá fora, na casa dos outros. à preciso ter competência para ir buscar.
O bom é que agora, todas as atenções estão voltadas só para o Brasileiro.
CLAUDEMIR GOMES
O Náutico estreia, nesta terça-feira - 02/05/2023 -, no Brasileiro da Série C, enfrentando o Manaus, na Arena Amazonas. Apesar da pouca visibilidade da competição, trata-se do campeonato mais importante dentre todos em que o clube alvirrubro esteve presente nesta temporada. Ascender a Série B é uma questão vital para o time dos Aflitos.
Há dez anos longe da Série A, categoria que reúne os 20 melhores clubes do futebol brasileiro do momento, última participação foi na edição de 2013, o Náutico começa a perder visibilidade no retrovisor dos investidores do futebol brasileiro. Ao deixar de figurar na "elite nacional", o clube passa a ser tratado como um subproduto.
Dentro da nova ordem mundial, onde não existem mais barreiras, os clubes brasileiros passaram a disputar espaço com os grandes clubes europeus e mundiais, isso porque, as competições de lá, ocupam espaços cá. O cardápio oferecido aos torcedores traz opções variadas com futebol de alto rendimento.
Em qualquer lugar do mundo, primeiro é primeiro e terceiro é terceiro. Sendo assim, fica difÃcil, por mais apaixonado que seja o torcedor, assistir a um jogo do Real Madri com o Barcelona, e em seguida, ver uma partida entre Náutico e CSA, ou outro qualquer confronto da Terceira Divisão Nacional. Questão de qualidade.
Dentro deste contexto, o tÃtulo brasileiro conquistado pelo Náutico em 2019 - Campeão Brasileiro da Série C - de pouco valeu para o clube dos Aflitos, além de massagear o ego do torcedor alvirrubro momentaneamente.
Dar um salto de qualidade, que seria traduzido com o acesso a Série B, é fundamental para o futuro do Náutico. O torcedor alvirrubro fez esta leitura quando foi tolerante, e não fez grandes cobranças diante dos insucessos somados no Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil. Ele entendeu que o time avançou nas respectivas competições dentro de suas possibilidades.
A diretoria do Clube dos Aflitos bancou o técnico Dado Cavalcanti. O treinador alvirrubro faz parte de um grupo de profissionais que ficou a dever o plus que se esperava após surgimento promissor. Dado, como tantos outros, não conseguiu ultrapassar a linha dos técnicos medianos. Sabemos que o treinador de futebol é um dos profissionais mais sacrificados, e injustiçados, no futebol brasileiro. Isto é fato. Portanto, não basta dar um salto de qualidade, o desafio é se manter no patamar alcançado.
A vida segue sempre pra frente. O que anda para trás é a alma, levada por lembranças. Sendo assim, não adianta ficar falando de sucessos do passado, tem que ser vencedor no presente. Esta é a lei do futebol.
Dado trabalha com este grupo desde o ano passado. Já disputou várias competições. Não logrou êxito em nenhuma. Portanto, está na hora de retribuir o crédito que lhe fora depositado com a conquista de uma vaga de acesso. Feito imprescindÃvel para o futuro do Náutico, e para a carreira do treinador.
A reconquista da visibilidade não tem preço, mas desaparecer do retrovisor dos investidores é morte lenta na certa.
CLAUDEMIR GOMES
O torcedor do Sport ainda comemora o tÃtulo de Campeão Pernambucano, conquistado pelo time rubro-negro, na tarde do último sábado (22/04/2023), sendo esta, a 43ª conquista doméstica que o Leão adiciona ao seu acervo. Evidentemente, no registro histórico não constará, mas este foi, sem dúvidas, um dos tÃtulos estaduais mais fáceis a ser levantado pelo Clube da Ilha do Retiro.
O Retrô, adversário da decisão, foi brioso. Nada mais que isso. Costumo dizer que: clube sem torcida é um ser mutilado. Sem garganta. O que ele faz não provoca eco. Os números explicam o meu pensamento: no primeiro confronto decisivo, na arena Pernambuco, o público foi de 7.090 pagantes. Na segunda partida, na Ilha do Retiro, casa do Sport, o público ultrapassou a casa dos 26 mil torcedores. Todos os ingressos colocados à disposição dos rubro-negros foram adquiridos.
O rubro-negro, Humberto Araújo, que normalmente assiste aos jogos das cadeiras cativas, ou dos camarotes, optou pela arquibancada. Queria estar lado a lado com o povão, sentir a força daquele movimento popular. Quando o time do Sport entrou em campo, e aquele coro unÃssono de mais de 26 mil pessoas, sob o comando do locutor oficial do clube, fez ecoar o gripo de "Cazá, cazá, pelo Sport tudo!", ele suspirou: "Isto é o Sport!".
O espetáculo rubro-negro, protagonizado pela torcida, sábado, na Ilha do Retiro, estava mais para uma festa privada, do que para uma decisão de tÃtulos. à como se todos já soubessem o desfecho final. Só faltava o placar. O Retrô não estava capacitado para suportar a pressão que seria imposta pelo dono da casa, que possui um conjunto, reconhecidamente, de melhor qualidade técnica. Vale ressaltar que, Sport e Retrô se enfrentaram três vezes no Estadual, com três vitórias da equipe leonina. Para facilitar as coisas para Love e companhia, o treinador, e o melhor jogador do Retrô, foram expulsos.
Diferentemente do que se viu na partida anterior, disputada na arena Pernambuco, no jogo de sábado, a Ilha do Retiro tinha corpo e alma, fato observado na presença de torcedores de várias gerações. Era o Sport de todas e de todos, sem barreiras, sem preconceitos, sem confrontos. Uma autêntica casa de festejos com portas fechadas para uma festa privada.
Faltou o molho da rivalidade na decisão do Pernambucano 2023. Náutico e Santa Cruz, os outros clubes de massa da Capital Pernambucana, ficaram no meio do caminho, na corrida pelo tÃtulo estadual. Não resta dúvidas de que, com alvirrubros, ou tricolores, envolvidos numa decisão com os rubro-negros, a banda toca de outro jeito. Coisa da rivalidade que alimenta e dá sustentação ao futebol.
Os pequenos, Davi e Gabriel Miranda, 7 anos, vieram de Palmares, com o pai, Bebel Miranda. A julgar pelo comportamento dos dois, jamais vão esquecer a emoção de testemunhar, pela primeira vez, no estádio, seu time do coração conquistar um tÃtulo. Davi tirou a camisa, seguiu todo o ritual da galera, e ainda disse ao pai: "No próximo jogo a gente vai para o meio da Torcida Jovem".
Mais adiante, Guilherme Medeiros, 12 anos, experimentava ao lado do avô, Francisco Medeiros, 82 anos, a alegria de comemorar, pela primeira vez, uma conquista do Sport na Ilha do Retiro. Com a faixa de campeão no peito, o adolescente se deliciava com a felicidade estampada no sorriso mais alegre do avô.
Mães com crianças no colo, casais enamorados trocando beijos brindando a conquista da forma mais terna possÃvel.
Com certeza não foi a mais emocionante das 43 conquistas estaduais do Sport, mas por ter sido de forma invicta, sem nenhum arranhão, fechada com um adversário de pouca resistência, se pode afirmar que foi a festa que toda a famÃlia rubro-negra desejava.
CLAUDEMIR GOMES
A torcida do Sport, cega pela paixão, e embalada por uma sequência de bons resultados, contabilizados, a maioria, em cima de adversários de baixa qualidade técnica, chegou a pensar que o grupo capitaneado pelo experiente, Vágner Love, fosse imbatÃvel. Eis a razão pela qual os leoninos acordaram, nesta quinta-feira, com aquele sentimento de "meu mundo caiu", após amargar a derrota (2x1) para o Ceará, na noite da quarta-feira, em Fortaleza, no primeiro jogo válido pela decisão do tÃtulo da Copa do Nordeste, edição 2023.
Até um desavisado comentarista afirmou, com toda empolgação, que "o Sport tem o melhor ataque do Brasil". O jovem ufanista esqueceu de avaliar o nÃvel dos adversários com os quais o Leão mediu forças no Pernambucano; o mesmo acontecendo com algumas equipes que enfrentou na fase de grupos da Copa do Nordeste.
Houve uma época em que os grandes clubes do Recife - Sport, Náutico e Santa Cruz - massacravam seus adversários, no Campeonato Pernambucano, com goleadas acima de dez gols, e ninguém, em sã consciência, dizia que eles possuÃam os melhores ataques do futebol brasileiro.
à sempre bom esclarecer e lembrar: o Sport está envolvido em três decisões simultaneas, fato que provoca um desgaste em qualquer grupo. Decisões com adversários de nÃveis diferentes: Retrô (Série D); Ceará (Série B) e Coritiba, com quem mede forças na Copa do Brasil, disputa a Série A do Brasileiro. Bom! Com nÃveis de dificuldades diferentes, é pouco provável que o Leão apresente o mesmo desempenho em todas as apresentações. Afinal, primeiro é primeiro, e segundo é segundo, em qualquer lugar do mundo.
Como bem diria o mestre, Nelson Rodrigues, o "Sobrenatural de Almeida" entrou em campo várias vezes, na "estranha" noite de quarta-feira, no Castelão. Fez acontecer um gol relâmpago, a favor do Ceará, aos 30 segundos de jogo. Na história do futebol, nunca se ouviu dizer que, um time estava pronto para sofrer, e assimilar, de forma natural, um gol no primeiro minuto da partida. O golaço de Guilherme Castillo fez cair o véu da noiva, e o Leão ficou atordoado em campo, facilitando o segundo gol do time cearense.
Mas o "Sobrenatural de Almeida" foi justo, e atuou para os dois lados. Como praga vinda do além, no último lance da partida, Luciano Juba chuta forte para a defesa parcial do goleiro Richard. A bola foi cair no meio do amontoado de jogadores, na "confusão", como se diz no popular, e David Ricardo acabou marcando contra, um gol que os torcedores do Sport estão afirmando ser "o gol do tÃtulo", plagiando o "vidente", Carlinhos Bala, quando da decisão do tÃtulo da Copa do Brasil, em 2008.
E o jovem ufanista bradou no seu comentário: "Na Ilha do Retiro o Sport sempre venceu seus adversários com uma diferença de dois gols ou mais".
"Vou consultar o Pai Zé!", disse o rubro-negro Humberto Araújo, como se estivesse se precavendo contra o sopro de algum fantasma. Pois, nem com um bom conhecimento da vida como ela é, se aceita, de forma natural, que um atacante com a experiência de Love, vivendo um bom momento em sua carreira, desperdice, num jogo decisivo, uma chance de gol como aconteceu na aziaga noite da quarta-feira.
Maio é mês de aniversário do Sport.
Que o Ceará não venha com nenhum presente de grego.
CLAUDEMIR GOMES
à CAMPEÃO!
Para o torcedor, seja lá de qual time for, independente de qualquer competição, liberar este grito preso em sua garganta, não tem preço. O mestre, Nelson Rodrigues, diria que, só quem acha o contrário são os "idiotas da objetividade". E é apostando na força da emoção, que Sport e Retrô dão inÃcio, neste sábado, a decisão do Campeonato Pernambucano de 2023.
Um tÃtulo cujo registro histórico será o maior legado.
Motivo: O sucesso da Copa do Nordeste, competição que é disputada simultaneamente com os Estaduais, ganhou a preferência de oito dos nove estados nordestinos. O presidente da FPF, Evandro Carvalho, é o único defensor da disputa doméstica. Como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, a tendência natural é que o Pernambucano seja dragado pela copa regional, o mesmo acontecendo com os demais campeonatos dos estados nordestinos.
Diria que tal cenário é uma espécie de morte anunciada. Aliás, a inclusão desenfreada de disputas no calendário do futebol brasileiro, foi um tema bastante analisado, e criticado, pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que nos mostrava, através de incontestáveis números, que o "ano só tem 365 dias, e o calendário do futebol vai ultrapassar esta marca".
O inchaço trouxe como resultado 16 datas para as realizações da Copa do Nordeste e dos Estaduais. A medida não satisfaz nem a gregos, nem a troianos. A saÃda não é outra senão, deletar do calendário uma das duas competições. Tal realidade nos deixa com a quase certeza de que, o Campeonato Pernambucano está com o prazo de validade estabelecido.
O amigo, Amaury Veloso, o maior caçador de notÃcias da história do jornalismo esportivo pernambucano, gosta de usar a expressão: "Estamos vivendo os últimos dias de Pompéia".
O Pernambucano é o único estadual do Nordeste bancado pela televisão. O fato é um atestado de que as disputas domésticas dão prejuÃzo.
A primeira edição do Campeonato Pernambucano foi disputada em 1915, tendo o Flamengo como campeão invicto. Em 1916 o Sport conquistou o seu primeiro tÃtulo. A partir daÃ, o clube leonino passou a ter sua grandeza traduzida através de conquistas. Em 1944, o América levantou a taça do estadual pela sexta vez. Em 1943 o Sport já havia contabilizado 11 tÃtulos. Em 1945 o Náutico comemorou sua terceira conquista do Estadual. No ano seguinte, 1946, o Santa Cruz se igualava ao América com 6 tÃtulos.
A edição de 1975 do Pernambucano, foi um marco de crescimento para o Sport. O clube da Ilha do Retiro alcançou a marca de 20 conquistas, contra 15 do Náutico e 14 do Santa Cruz. Os rubro-negros fecharam o Século XX com um total de 33 tÃtulos estaduais. O Santa Cruz com 23 e o Náutico com 18. Em 25 anos de disputa, ou seja, de 1976 a 2000, o Náutico conquistou apenas 3 tÃtulos estaduais.
A chegada do Século XXI estabeleceu um equilÃbrio de forças entre os tradicionais clubes recifenses. Em 22 edições do Pernambucano, o Sport conquistou 9 tÃtulos, contra 6 do Santa Cruz e 6 do Náutico. O fato novo foi o Salgueiro que, pela primeira vez na história, levou o tÃtulo estadual para o Interior, fato ocorrido na edição de 2020.
Por serem finalistas da edição 2023 do Pernambucano, Sport e Salgueiro têm vagas asseguradas nas Copas do Nordeste e do Brasil, em 2024.
Portanto, o grande legado do campeão estadual será escrever seu nome nesta página de uma história, cujo ponto final, está na iminência de ser colocado.
O Retrô busca o seu primeiro tÃtulo. O Sport, o quadragésimo-terceiro.