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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O renomado cronista esportivo pernambucano, Aderval Barros, costuma postar, nas redes sociais, registros de sua exitosa carreira profissional, com a seguinte frase: "Feliz quem tem história para contar". Verdade. Pego carona no seu pensamento e acrescento: "Feliz aquele que é testemunha da história".
Amanhã começam as disputas da Copa do Mundo de Futebol Feminino da Austrália e Nova Zelândia. A Seleção Brasileira, que já foi protagonista numa disputa de tÃtulo, mais uma vez, chega no torneio credenciada para ser uma das finalistas.
Pertenço a uma privilegiada geração de brasileiros que, testemunhou o surgimento e o crescimento desta prática esportiva no PaÃs do Futebol. Tudo poderia ser simplificado numa única frase: Agonia e êxtase! Como se fosse o tÃtulo de um filme, ou de um livro, que narrasse uma história de luta, insistência, persistência, perseverança para vencer preconceitos, quebrar barreiras e superar a resistência de um, aparentemente intransponÃvel, universo machista.
Acompanho os noticiários do Mundial Feminino pelo rádio, televisão, edições on-line dos jornais, revistas, e é inevitável constatar a viagem da alma, que anda para trás, até chegar o final dos anos 70 e inÃcio dos anos 80, no século passado.
As lembranças se detêm ao trabalho dos abnegados, e abnegadas, que encamparam uma cruzada em busca de espaço no futebol pernambucano. Não foi fácil colocar sementes em solo tão árido. Mas surgiu a primeira flor do deserto de nome - Maria Edilene - na arbitragem pernambucana. Uma quebra se paradigma no mundo dos machões. As equipes de esportes das rádios, jornais e televisão começaram a ser marcadas pela presença feminina. Eram sinais de que a resistência estava sendo vencida. Mas o futebol feminino seguia sobrevivendo como subproduto.
Os grandes clubes recifenses - Sport, Náutico e Santa Cruz - abriram suas portas para entrar em sintonia com uma realidade incontestável. Entretanto, tudo era muito amador, insipiente. Não havia boa vontade dos dirigentes. CBF e Federações pouco se lixavam para o que não tinha mais volta. As rádios, que sempre tiveram voz altiva no futebol, desconheciam, por completo, as ações das equipes de resistência que lutavam pela implantação do futebol feminino no Estado.
Em 1991 a FIFA realizou a primeira edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, tendo a China como sede do evento. Um evento tão marcante quanto a Tomada da Bastilha na Revolução Francesa. Era o inÃcio de um novo tempo para o universo feminino.
A chegada do Século XXI trouxe consigo a dinâmica da internet. Tudo passou a girar em nova rotação, inclusive o crescimento do futebol feminino, que passou a ter visibilidade, com as conquistas do ouro do Panamericano nas edições de 2003 e 2007, sendo esta, no Rio de Janeiro, fato que contribuiu de forma efetiva para colocar as meninas na vitrine. A Seleção Brasileira conquistou outro ouro no Pan de 2015.
Em Pernambuco, Paulo Roberto, presidente da Desportiva Vitória, clube da cidade de Vitória de Santo Antão, optou pelo futebol feminino para fazer grandes investimentos, e por conseguinte, dar visibilidade ao time e a cidade. Importou do Santos, o ex-presidente, Modesto Roma, e o supervisor, Paulo Maieda. O projeto implantado apresentou excelente resposta, mas os grandes clubes recifenses não acompanharam a trajetória da equipe da Terra da Pitú.
O que falta ao futebol feminino é visibilidade.
As coisas acontecem, mas o grande público não ver, não ouve, não participa deste carnaval.
Nos últimos anos, a televisão passou a expor mais a presença feminina no futebol. Comentaristas, narradoras, repórteres... Apresentação de jogos, campeonatos, mas ainda não atingiu o objetivo de massificar o futebol feminino.
O Brasil conhece Marta, Formiga, Cristiane... Contudo, poucos sabem quais as jogadoras convocadas por Pia Sundhage para tentar o tÃtulo na Austrália.
Por tudo que testemunhei nesta história de dramas e superações, seja lá qual for a posição da Seleção Brasileira no final desta edição de Copa do Mundo, digo sempre que as meninas são VENCEDORAS.
Vale ressaltar que: Marta foi eleita a melhor jogadora do mundo seis vezes, feito que nenhum craque masculino conseguiu; Cristiane é a maior artilheira numa Copa, superando todos os goleadores masculinos, e Pia Sundhage é uma treinadora estrangeira no banco brasileiro, coisa que nunca aconteceu com o escrete masculino.
Portanto, nunca duvide do empoderamento feminino no futebol.
CLAUDEMIR GOMES
Definitivamente, o Campeonato Brasileiro não é para os fracos. Não é preciso ser nenhum expert sobre o assunto para chegar a tal conclusão. Basta observar "a dança das cadeiras", para entender porque a maioria dos treinadores, está a beira de um ataque de nervos, e a disputa sequer chegou a metade.
Como todo cronista esportivo acha que tem uma resposta pronta para tudo, me aventuro a dizer que, no futebol pentacampeão do mundo, o julgamento, e a sentença dos técnicos, vêm da arquibancada. Cientes de tal poder, e cegos pela paixão, as violentas torcidas organizadas, transformaram o terrorismo numa coisa banal, e utilizam, como instrumento de intimidação sempre que os resultados em campo não correspondem as expectativas.
Enderson Moreira, técnico do Sport, em que pese ter três acessos à Série A em seu currÃculo, tem revelado uma instabilidade emocional, diante de cobranças pacÃficas feitas por torcedores, após alguns jogos, nos quais o time leonino não apresentou um bom futebol. Como consequência, amargou resultados nada satisfatórios para os torcedores rubro-negros.
Com uma arrogância que não condiz com um profissional que foi dispensado por seis clubes, na última temporada, o treinador do Sport usa o contra-ataque como defesa, mas deixa evidenciada sua inquietação com os gritos de alerta emitidos pelos torcedores.
O Sport descreve uma campanha elogiável. Isto é fato. Mas não chega a ser uma garantia de sucesso. O que assegura o acesso dos clubes que alcançam o G4 é a regularidade. A Série B está a três rodadas do fechamento da primeira fase, ou primeiro turno (jogos de ida), momento em que começam a ser definidas as tendências. A partir do inÃcio da disputa do returno, as mutações se tornam decisivas, vitais, para a proposta de cada equipe. Eis a importância de investir em qualidade, nesta janela que segue aberta até o inÃcio do próximo mês, para melhorar o DNA dos times.
Plagiando o genial, Dom Helder Câmara, podemos dizer: "Você pensa que o torcedor não pensa, o torcedor pensa!". E faz comparações, traça paralelos e analisa as campanhas de outros times candidatos ao acesso.
MOMENTO DE REFLEXÃO
A duas rodadas do final da fase de grupos da Série B, o Santa Cruz dispensa o técnico Felipe Conceição. A dose extra que fez o caldo entornar foi a derrota (2x0) para o Campinense.
A verdade é que o profissional foi o pode expiatório de um projeto que não deu liga nem dentro, nem fora de campo. As Repúblicas Independentes do Arruda foram transformadas num ninho de vespas. Sendo assim, o grande mal do Tricolor passou a ser os tricolores.
O momento é imperativo!
Fazer uma reflexão, se despir das vaidades, e por fim a uma série de arremedos, dando inÃcio a um projeto exequÃvel, com começo, meio e fim, para dotar o clube, novamente, de uma estrutura profissional, é mais que necessário para tirar o Santa Cruz deste processo de insolvência.
CLAUDEMIR GOMES
O projeto de criação de Ligas avança no futebol brasileiro. Tudo deve estar em perfeito funcionamento em 2025, quando não haverá mais contratos vigentes com a Rede Globo, para transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro das Séries A e B.
O que surpreende, e difere o futebol brasileiro de centros mais adiantados, onde as Ligas existem, e funcionam a contento, há anos, é que aqui se fala no plural: as Ligas. Temos, em curso, a formação da LIGA DO FUTEBOL BRASILEIRO (LIBRA), e da LIGA FORTE FUTEBOL (LFF).
A criação de Liga no futebol brasileiro é sonho antigo. Um sonho que, para a CBF e Federações filiadas, era mais que um pesadelo, visto que, toda estrutura arcaica, e viciada, que perdura até os dias de hoje, passaria a ter um prazo de vencimento no seu código de barra, fato que não interessava aos "podres poderes".
No ano 2000, o deputado federal, Luciano Bivar, era um dos que levantaram a bandeira para criação de uma Liga no futebol brasileiro, e bateu de frente com o presidente da FPF, a época, Carlos Alberto Oliveira.
Vivenciei um episódio marcante: Num determinado final de semana, o presidente, Carlos Alberto Oliveira, estava fora de controle. João Caixero de Vasconcelos me liga falar sobre o assunto. Ele havia conversado com o presidente do Náutico, a época, o elegante Sérgio Aquino. Oliveira estava veraneando na praia de Tamandaré, Litoral Sul de Pernambuco. Severino Otávio (Branquinho), conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco, também estava passando uns dias na mesma praia. Formamos um grupo: João Caixero, Sérgio Aquino, Severino Otávio, e este escriba. Fomos tentar acalmar a "fera". Um encontro pra lá de produtivo.
Os contratos comerciais dos clubes da Série A com a televisão eram feitos pelo Clube dos 13. Somente em 2004 é que surgiu a FBA - Futebol Brasil Associados - que passou a administrar a Série B. Um modelo que não prosperou, implodiu, e levou o futebol brasileiro a um atraso danoso, com uma estrutura de gestão caduca, em comparação ao futebol europeu.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que sempre estudou o futebol brasileiro e internacional, é enfático na sua avaliação:
"Duas Ligas administrando o
mesmo campeonato não vinga em lugar nenhum", afirma Azevedo.
Os clubes já foram divididos em dois grupos, fato que nos lembra a famÃgera divisão ocorrida em 1987, quando da criação dos Grupos Verde e Amarelo, que no final transformou a decisão do tÃtulo daquela edição num angu de caroço. Até hoje, Sport e Flamengo esbravejam: "87 é nosso!". Em todas as instâncias da Justiça, o rubro-negro pernambucano já teve o tÃtulo transitado e julgado a seu favor.
Na atual divisão a LIBRA é bem mais forte que a LFF.
A divisão de renda sempre foi o obstáculo maior para o entendimento entre os clubes. São tantos os argumentos postos na mesa, revelando as mil e uma realidades existentes num paÃs continental, que chegamos à conclusão de que, um consenso entre clubes de duas Ligas nos parece mais difÃcil do que juntar petistas e bolsonaristas numa passeata pacifica.
Tudo caminha para uma pulverização, sobrando jogos para tudo quanto é rede de televisão. O problema será a qualidade do produto que as empresas de comunicação oferecerão ao público consumidor.
Dizem que o tempo ajusta tudo. Sendo assim, um dia, esse trem andará nos trilhos.
CLAUDEMIR GOMES
O taxista Val é um tricolor fervoroso. Não perde um jogo do Santa Cruz no Arruda; arranja tempo para ir ver treino; acompanha as resenhas esportivas em diferentes rádios, enfim, se entrega ao seu clube do coração, de corpo e alma. Sempre que passo pelo local onde faz ponto, ele puxa conversa sobre o futebol. Adora revelar seus conhecimentos sobre o futebol local, brasileiro e internacional. Se enche de informação, e forma opinião sobre tudo.
Val é o tÃpico torcedor raiz, aquele que se alimenta do amor, mas saboreia o veneno da rivalidade. Hoje cedo, logo que me avistou bradou: "Acho que o Sport não passa para a Série A".
- Só Love pode lhe responder! Disse em tom de provocação, e fiquei no aguardo da reação.
"O jogo com o Vila Nova disse tudo. O cara, com 38 anos, a bola vem, bate nele, e entra. A sorte não vai durar até o final. Os outros times vão se reforçar". Virou as costas e saiu como se tivesse sentenciado o futuro do time rubro-negro, único representante pernambucano na Série B.
Em nenhum momento Val falou sobre a campanha do seu amado Santa Cruz. Não fez previsões sobre o futuro. A ordem do dia é secar o Leão, fato que me levou ao questionamento: o que lhe deixará mais feliz, o acesso do Tricolor do Arruda, ou a frustração dos leoninos de verem o Sport permanecer mais um ano na Segunda Divisão Nacional?
Coisa da rivalidade!
Por outro lado, o rubro-negro Carlos, porteiro do edifÃcio Joaquim Cardoso, desfila diariamente, lépido e fagueiro, com a camisa do Sport. Qualquer comentário que se faça, a resposta é a mesma: "Quinta-feira serei lÃder", prognóstica colocando a vitória do conjunto leonino, sobre o Juventude, como certa. Afinal, os números alimentam o seu otimismo.
Com um aproveitamento de 100% como mandante, o Sport ainda irá disputar quatro jogos na Ilha do Retiro, neste primeiro turno da Série B, e mais quatro partidas na condição de visitante. Em onze jogos disputados, até o momento, o rubro-negro pernambucano contabilizou 7 vitórias, sendo 6 em casa, e uma em campo do adversário. Chegar ao final do turno com dez vitórias, ou mais, representa um paço gigantesco na caminhada em busca do acesso.
Vale lembrar que a matemática da classificação segue a mesma: 19 vitórias e 8 empates. Naturalmente que, o sarrafo pode subir ou descer mais um pouco, tudo vai depender do desempenho dos times, mas 65 pontos é uma marca que deixa qualquer clube tranquilo em relação ao acesso.
- A diretoria precisa investir nuns dois reforços! Alerta o leonino Raul Henry, observando que a manutenção da boa campanha passa por um grupo forte.
Um pensamento com o qual comunga o ex-presidente, Homero Lacerda, que é apontado como um dos dirigentes com maior conhecimento de futebol na vitoriosa história do Sport Club do Recife.
- O time do Sport está bem encaixado em todos os setores, mas em time que está vencendo também se mexe. Se a ordem é elevar o padrão, agregar valores se torna indispensável, comenta Homero liberando a receita do sucesso que fora utilizada por ele em várias ocasiões.
"A alegria de Val acaba quando chegar o mata, mata. A partir daà acaba a autonomia de voo do Santinha", diz Carlos em voz alta para provocar o amigo.
"O Leão vai morrer na praia", rebate o tricolor Val com a segurança de um vidente.
Fico a pensar, cá com meus botões: o que seria do futebol sem o doce ranço da rivalidade?
CLAUDEMIR GOMES
A décima-primeira rodada do Brasileiro da Série B, disputada no meio da semana, nos apresentou um balanço atÃpico com cinco vitórias de times visitantes; quatro vitórias de equipes mandantes, e um empate. A combinação dos resultados foi benéfica para o Sport que chegou ao cobiçado G4. Detalhe: o rubro-negro pernambucano tem dois jogos a menos que os demais concorrentes, fato que referenda o seu poder de fogo, e o coloca entre os clubes cotados para conseguirem uma vaga de acesso para a Série A, em 2024.
Neste final de semana a competição atinge a marca de um terço dos jogos já disputados. Os analistas começam a apontar tendências, e a selecionar os clubes que irão até o final brigando por uma vaga. Naturalmente que, nem todas as previsões se concretizam. Os cálculos nem sempre são exatos por conta do achismo que é contrariado pelo imponderável do jogo jogado.
Segundo as análises do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que respeita muito o norte apontado pelos números, a briga pelo acesso ficará restrita a sete, no máximo, oito clubes. No momento, por tudo que foi construÃdo até agora, o Sport tem 92,8% de chances de ascender à Primeira Divisão Nacional.
Temos assistido a muitos confrontos da Série B. Apesar de não ser um ponto fora da curva, o Sport possui um dos conjuntos mais harmoniosos da disputa. A manutenção sempre foi o desafio maior dos times que têm o acesso como meta. Normalmente, dos quatro clubes que fecham o primeiro turno da competição no G4, dois, ou mais, conseguem assegurar o acesso ao final da disputa.
Deu liga!
Eis a melhor definição para o grupo dirigido por Enderson Moreira, treinador com grande conhecimento da Série B, e com campanhas exitosas na categoria. O técnico leonino colocou as peças em seus devidos lugares, e tem extraÃdo o melhor de cada um de seus comandados. Com exceção de Vagner Love, que funciona como cartão de apresentação do time rubro-negro, sendo o ponto de desequilÃbrio, os demais assumiram a condição de coadjuvantes de forma natural. A resultante de tal conscientização foi o fortalecimento do coletivo, onde se observa um setor defensivo consistente; armadores que alimentam bem um ataque cuja movimentação tem sido das mais efetivas e eficientes do Brasileiro.
O acesso está ligado diretamente a manutenção do padrão de jogo que os leoninos estão apresentando. Num campeonato de trinta e oito rodadas, todos os times oscilam. à natural que, os que erram menos, oscilam menos, avançam mais na direção do topo da tabela de classificação.
A matemática do sucesso segue a mesma: 19 vitórias e 8 empates, números que levam um clube ao montante de 65 pontos. O desafio é grande, principalmente quando a disputa é marcada pelo equilÃbrio de forças, como está ocorrendo nesta edição, onde 8 times se mostram com chances de acabar o campeonato no G4. Fazer bem o dever de casa é uma obrigação para quem tem metas ousadas, mas os pontos do acesso terão que ser conquistados na condição de visitante.
Outras rodadas com o mesmo histórico do da décima-primeira, podem tornar a disputa ainda mais imprevisÃvel.