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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A emoção leva o ser humano a perda da percepção. Isto é muito comum no futebol, e serve para explicar alguns insucessos. Se enquadra perfeitamente no atual momento do Náutico. A queda do técnico, Fernando Marchiori, após a vexatória derrota - 4x2 - de virada, para o Paysandu, foi o atestado de uma morte anunciada, fato que estava tão iminente, dada a ocorrência dos fatos durante a semana, mas que os dirigentes alvirrubros não foram capazes de perceber.
Rei morto, rei posto!
A agilidade que faltou para apagar o incêndio, que deixou o Timbu chamuscado, no alçapão da Curuzu, sobrou no anúncio do novo treinador: Bruno Pivetti. O novo comandado teve passagens pelo Guarani e pela Chapecoense. Nada do que ele sabe, lhe será tão útil, nas próximas duas partidas do time da Rosa e Silva, quanto um punhado de sorte.
Em todas as explanações que assisti sobre case de sucesso no futebol, a frase - no futebol não existe sorte, e sim, trabalho e competência - foi ressaltada como um mantra. Contudo, na implantação de qualquer metodologia de trabalho, o fator tempo será imprescindÃvel para se obter sucesso. Afinal, sabemos que, sucesso só vem antes de trabalho no dicionário. O trabalho a ser implantado por Pivetti pode vir a dar frutos no futuro. O presente pertence a sorte.
O saudoso, Napoleão Macedo, ex-diretor de futebol do Santa Cruz, costuma dizer que: "quando o time está para ser campeão, se sente o cheiro no vestuário!" Traduzindo: isto é a percepção de que as coisas estão encaixadas, que deu liga. Certa vez, perguntei a ele qual era o cheiro da derrota. Ele deu um grande gole na sua gigantesca dose de whisky, abriu um largo sorriso, e voltou a falar dos inúmeros, e agradáveis, momentos vivenciados por ele numa época em que o time do Arruda era o Terror do Nordeste.
Quando o futebol era menos profissional, e exigia uma presença mais efetiva dos dirigentes nos treinamentos, acompanhando, in loco, o trabalho de campo, a percepção dos gestores era mais aguçada. Os repórteres que cobriam o dia a dia dos clubes, tinham livre trânsito em todas as dependências, liberdade que lhes proporcionava a descoberta de obstruções que poderiam determinar o insucesso do trabalho.
Nos dias de hoje, a comunicação alcançou uma velocidade inimaginável, mas, em contrapartida, houve um bloqueio nas relações humanas devido a subtração dos espaços que eram concedidos aos profissionais das rádios, jornais e televisões. As equipes esportivas estão a funcionar como "assessorias" uma vez que, recebem materiais prontos das equipes de comunicação dos clubes.
A percepção aos fatos exige a presença fÃsica. A leitura do comportamento gestual, do grupo, e dos jogadores individualmente, só pode ser feita presencialmente. Eis a razão de tantos treinos fechados, sem a presença dos profissionais da imprensa esportiva.
O Cel. Adelson Wanderley, com passagem nos três grandes clubes pernambucanos, era um craque no trato com elencos de jogadores e comissões técnicas. Sabia logo quando o mexido não ia dar caldo. Com uma discrição que lhe era peculiar, o máximo que eu conseguia arrancar dele era uma metáfora: "Isso está mais para angu de caroço". Um mestre da percepção.
O repórter, Alfredo Augusto Martinelli, que brilhou nos maiores prefixos do rádio esportivo pernambucano, sempre anunciava suas participações nas resenhas esportivas, com o brado: "Eis-me aqui!".
Era a forma de dizer para os seus ouvintes que estava coladinho no fato.
Este tinha uma excelente percepção.
CLAUDEMIR GOMES
SOMOS TODOS RETRÃ!
Este o lema a ser adotado pela imensa torcida do Santa Cruz, formando uma corrente de fé, em apoio irrestrito ao Retrô, para que o clube de Camaragibe consiga o almejado acesso a Série C do Campeonato Brasileiro, façanha que vai assegurar a presença do Tricolor do Arruda na edição 2024 da Série D.
Com uma campanha irretocável, o Retrô está classificado para as oitavas de final do Brasileiro da Série D, onde terá como adversário o Maranhão Atlético Clube. O projeto, SOMOS TODOS RETRÃ, idealizado pelo tricolor, SÃlvio Costa, e abraçado pelos presidentes do Retrô, FPF e Santa Cruz, respectivamente, Laércio Guerra, Evandro Carvalho e Antônio LuÃs Neto, propõe que, os próximos jogos do representante pernambucano nas oitavas de final da competição nacional, sejam disputados no estádio do Arruda, com uma presença maciça da torcida do Santa Cruz.
"A ideia surgiu, e para nossa satisfação, foi abraçada por todos, sem nenhuma restrição. Na condição de tricolor, amante do Santa Cruz, entendo que, nossa corrente de apoio ao Retrô, para que ele consiga o acesso à Série C, tem que ir além do pensamento positivo. Vamos materializar isso, transformar em ação. No jogo do Retrô com o Maranhão, colocaremos 40 mil torcedores no Arruda. Não tenho dúvidas de que tal apoio fará a diferença", revela SÃlvio Costa sem esconder sua empolgação.
O presidente da Federação, Evandro Carvalho, já conversou com o presidente do Santa Cruz, Antônio LuÃs Neto, e deve acertar todos os detalhes com o gestor do Retrô, Laércio Guerra, nesta segunda-feira.
"A torcida do Santa Cruz já foi protagonista de alguns episódios que mereceram destaque na mÃdia internacional. Agora, estamos diante de um novo desafio, e de um fato inusitado: encher o estádio para apoiar um outro time, um coirmão, pois o sucesso dele irá asfaltar o caminho para o soerguimento do Santinha%u201D, argumenta Costa ao ressaltar que, %u201Co compartilhamento e a massificação de tal pensamento tem que começar já".
A utilização das redes sociais é o primeiro passo a ser dado pelos torcedores do Santa Cruz, no sentido de conscientizar a todos da importância de se lotar o estádio do Arruda para apoiar no Retrô no confronto com o Maranhão.
"A imprensa esportiva pernambucana sempre vestiu a camisa dos nossos clubes. Estou convicto de que contaremos com o apoio irrestrito de todos os veÃculos de comunicação nesta cruzada do futebol pernambucano. Mas tudo deve começar já, através das redes sociais. Espero que, todo tricolor coloque no seu perfil, da forma mais criativa e convincente possÃvel, o nosso lema: SOMOS TODOS RETRÃ!", finaliza SÃlvio Costa.
Para conquistar o acesso a edição 2024 da Série C, o Retrô precisa se classificar nas oitavas e nas quartas de final da Série D, pois os quatro clubes que chegarem as semifinais, estarão com o acesso assegurado.
CLAUDEMIR GOMES
Tem jeito para o Santa Cruz?
Eis a pergunta que ecoa em cada esquina, nos quatro cantos das cidades, do Recife a Petrolina. O pragmatismo das empresas de consultoria econômica aponta que não, por entender que o norte indicado pelos números é a insolvência do clube. Por outro lado, o romantismo do cordel aconselha ninguém ir de encontro a cabeça de cheia, povo unido e vespeiro de cobra coral.
Quem conhece o DNA do Clube das Multidões, cuja centenária história é rica de exemplos de mutirões, entende que, a unidade é a única alternativa de saÃda para o caos. Os céticos dirão que: unidade em clube de futebol é utopia. E é justamente por falta de união que, o clube mais popular do Estado, se apequenou de forma inversamente proporcional ao tamanho de sua torcida.
Há anos que os tricolores deixaram de exercitar a sábia arte da escuta. Todos que foram escalados para vivenciarem momentos como gestores, se acharam donos da verdade, trocaram os pés pelas mãos, passaram a chamar o clube de MEU, e fizeram o que parecia impossÃvel: deitaram o gigante.
De quem é a culpa?
De todos os falsos profetas. E não adianta ninguém querer marchar sozinho porque o "milagre da ressureição" só existe na Sagrada Escritura.
A reconstrução é possÃvel, entretanto, tudo passa pela capacidade dos tricolores de formar uma unidade sólida, consistente. Para isso, todos precisam aprender a escutar.
O mestre, Rubens Alves, no texto - A ESCUTATÃRIA - onde fala sobre a arte de escutar, adverte: "Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade...".
O ex-presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Fred Oliveira, comandou o futebol estadual numa época em que, os dirigentes dos clubes falavam, escutavam e se entendiam. PerÃodo em que tivemos quatro times do Estado disputando a Primeira Divisão Nacional. Pois bem! Sentindo-se desconfortável com o atual momento do Santa Cruz, Oliveira tomou a iniciativa de reunir um grupo de ilustres tricolores para se falar sobre a crise na qual a agremiação está mergulhada, e que parece insolúvel.
"Existe um clamor, mas ninguém quer admitir que estava escutando. à como se todos estivessem mudos. Conversei com alguns amigos e caà em campo convidando outros para nos sentarmos, e juntos, buscarmos uma saÃda para esta crise do Santa Cruz. O momento é para se ouvir o que cada um tem para dizer a respeito deste indesejado cenário", comentou Fred.
O encontro acontece nesta sexta-feira (04/08/2023), no Clube Português do Recife, às 12h30. "Espero que todos os amigos que convidamos compareçam. Este será o primeiro passo em busca de um caminho que leve o Santa Cruz a entrar em sintonia com o novo tempo", reforçou Fred Oliveira.
à importante observar que, Oliveira não é tricolor. "Sou torcedor do Náutico, fui presidente do meu clube querido, presidi a Federação, e por tudo que já vivenciei no futebol, não podia ficar de braços cruzados ante algumas cobranças e provocações que me foram feitas", revelou.
As eleições presidenciais do Santa Cruz estão previstas para os primeiros dias do mês de dezembro. A insensatez manda que se faça do tempo uma arma. A sensatez reza que: para o bem geral das Repúblicas Independentes do Arruda, o pleito deveria ser antecipado, pois os futuros gestores teriam tempo para dar inÃcio a um novo trabalho.
Recado para quem vier, e a quem merece receber:
O Santa Cruz é o Clube das Multidões. Nunca o chame de MEU.
CLAUDEMIR GOMES
A extraordinária, Rita Lee, há muito nos alertou que: "Somos mutantes!". Tudo muda, o tempo todo. No futebol não poderia ser diferente. Em tempos de chuteiras coloridas, até as óticas pelas quais estão sendo analisados os jogos, são diferentes. Já não vemos mais daquelas crônicas que eram verdadeiras pérola literárias. Saudade dos textos de Nelson Rodrigues, João Saldanha, Solange Bibas, Ney Bianchi, Oldemário Touguinhó, Adonias de Moura, Fernando Menezes, Geraldo Romualdo, Armando Nogueira...
Nos dias de hoje, os números explicam tudo, como se o futebol fosse uma ciência exata, tal qual a matemática, e o pragmatismo dos "professores" dói na alma. Time tal teve tanto de posse de bola; aconteceram tantos escanteios para o time B; o goleiro lançou N bolas para o jogador que avança pelo lado direito, mas deveria ter alternado porque o atacante da esquerda é mais agudo, e por aà vai. E o ex-jogador, tratado como a maior sumidade, pela emissora que o transformou em comentarista, ressalta a beleza incontida em cada gesto: "à um belo jogador; uma bela jogada; foi um belo lance...". A vida é mesmo bela!
Os campos de futebol no Brasil têm solos férteis. Craques brotam em todas as regiões, mas como acontecem com as plantas, são exportados ainda na condição de brotos. Viçosos, vão alimentar o mercado europeu, cobiçado por nove entre dez profissionais.
Os craques vão, mas voltam. Um regresso mais seguro do que o prometido pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, a sua amada Rosinha, no "hino", Aza Branca.
A marcha regresso nem sempre faz sucesso, mas a torcida do Sport está apostando todas as fichas na recomposição da dupla - Diego Souza e Vagner Love - que no inÃcio do século foi destaque com a camisa do Palmeiras. Bom! Só o tempo dirá se vale a pena ver de novo. Afinal, não se analisa desempenho no pressuposto. O fato tem que acontecer.
Apesar do pragmatismo, os números também são flexÃveis, seguem o ritmo do desempenho. Em determinado momento da disputa, do primeiro turno da Série B, o Sport chegou a ter 98% de probabilidade de acesso. Os leoninos encerraram o primeiro turno com 84,7% de chance. Um percentual por demais expressivo.
A diferença do nono colocado, o Botafogo/SP, para o quarto colocado, o Sport, são cinco pontos, que podem ser buscados numa sequência de duas vitórias. Como faltam 19 rodadas, este é um desafio que não chega a assustar. O equilÃbrio que foi estabelecido na disputa pode elevar o ponto de corte para 70 pontos. Normalmente os clubes trabalham em cima de 19 vitórias e 8 empates, que lhes garantem 65 pontos.
O Sport fechou o primeiro turno com 10 vitórias e 5 empates. Caso repita o feito no returno, fechará a conta com 20 vitórias e 10 empates, ou seja, precisos 70 pontos. AÃ, segundo os matemáticos de plantão, é só correr para o abraço.
Dentro deste contexto, tirar nota dez na execução do dever de casa passou a ser uma necessidade imperiosa para aprovação. O primeiro desafio é vencer o CRB, na noite deste sexta-feira, na Ilha do Retiro. O time alagoano não é um candidato ao acesso, mas tem que ser respeitado como um complicador.
Na condição de cronista esportivo, convivi com excelentes jogadores; com profissionais medianos e com pernas de pau. Confesso que nunca vi nenhum deles preocupados com números. Certa vez, o notável Ãnio Andrade, um dos melhores treinadores dentre os que tive oportunidade de acompanhar o trabalho no dia a dia, me repassou o seguinte ensinamento:
O Sport havia acabado de empatar um jogo em Salvador. Depois do jantar, cheguei junto do Ãnio e lhe disse: matematicamente ainda temos chance.
Ele olhou para mim, deu um gole no whisky, e disparou:
"Garoto preste atenção! Todas as vezes que, vocês da imprensa começam a dizer, matematicamente tem chance, é porque a vaca já foi para o brejo".
O mestre Ãnio sabia das coisas como poucos.