Histórico
Futebol Brasileiro
A má educação em campo
postado em 21 de setembro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Gosto de futebol!

Milhões de brasileiros gostam de futebol. Um dos sonhos, de nove entre dez garotos do nosso País, é ser jogador de futebol. Vivemos na "Pátria de Chuteiras", como bem falou o mestre, Nelson Rodrigues.

Não é à toa que o futebol é considerado o esporte mais popular do planeta. Dizem que ele explica o Brasil; explica o mundo, e até mesmo a própria vida. Bom! Isto é mote para reflexões dos seguidores das teorias do mestre, Freud. Como não passo de um escriba enxerido, vou por pra fora, aquilo que está enchendo o meu saco.

O fato de nunca ter tido intimidade com a bola, no máximo fui candidato a beque de usina, daqueles que davam chutões na bola, pra onde o nariz estivesse apontando, não arrefeceu, em momento algum, minha paixão pelo futebol. Até porque tive o privilégio, de ver centenas de craques em ação. Virtuosos que, hoje em dia, já não se "fabrica" mais.

O mundo está interligado, e isto nos oportuniza ver jogos de tudo quanto é canto. Imagine que, a televisão colocou na sua grade, até o Campeonato Saudita. Sinais dos tempos. Antes, a turma de lá, gostava de ver os craques que coloriam os campos de cá. Hoje, rezamos para que a turma de cá se eduque com os profissionais de lá.

Pois é! O excesso de malandragem do jogador brasileiro, a má educação, que atingiu um patamar altíssimo, está tirando a graça do jogo jogado no País da Bola. Anexe a este contexto, a morosidade do VAR, que prejudica toda a dinâmica da partida, com interrupções que duram até oito, nove minutos, para definir um impedimento provocado por um "cabelinho de sapo".

Você deixa a sala, vai no sanitário, faz todas as necessidades, e quando volta a equipe do VAR ainda está discutindo o sexo dos anjos. Acho que o problema está nas cores das linhas: vermelho e azul. Não podemos esquecer que o Brasil está rasgado no meio. De um lado a turma do cordão encarnado, do outro, a galera do cordão azul. As cores não podem se misturar. E quem disser que uma, ou outra, está errada, terá a cabeça posta a prêmio. O tira teima do VAR segue esta linha.

A irreverência, o deboche, coisas desse tipo, que antes eram expressas na ginga do jogo, deixou o campo para dar lugar a simulação, a fakes grosseiros emoldurados por um gestual bizarro. O que antes era posto na latrina, onde se praticava o melhor futebol do mundo, virou marca registrada da pátria das mentiras.

Minha mulher, Áurea Regina, é noveleira de carteirinha. Ultimamente ela tem dado audiência a seção: Vale a Perna ver de Novo. Ela faz um comparativo entre o antes e o agora. Tece críticas aos autores atuais, mas não deixa de assistir nenhum dos títulos ora em exibição.

Acho que estou assimilando um pouco do jeito de ser de Áurea Regina. Assisto a um montão de jogos de times e seleções europeias. Também vejo um punhado de jogos, de várias competições brasileiras. A diferença entre o comportamento dos profissionais de lá, e dos profissionais de cá, é gritante. Resumo da ópera: o jogador brasileiro precisa se educar.

Afinal, a má educação atravanca a evolução.

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Sport
Ruídos na comunicação
postado em 12 de setembro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Com o fechamento da vigésima-sexta rodada, observamos que, o empacotamento dos clubes, no Brasileiro da Série B, está consolidado. Fato que desperta a atenção do público para a competição. É importante diferenciar nível técnico de competitividade. O nivelamento observado nesta edição da Segundona Nacional, não pode ser atribuído a um bom nível técnico. É produto único da competitividade expressa pelas equipes.

O Sport está há cinco rodadas sem saborear uma vitória, entretanto, tal oscilação não desbancou o time da expressiva condição de vice-líder. O Vitória não vence há três jogos, e na sua última apresentação foi goleado - 6x0 - pelo CRB, que, neste returno, vem descrevendo uma das campanhas mais vitoriosas. Apesar do hiato, o rubro-negro baiano segue como líder isolado.

As reações apresentadas por Atlético de Goiás, e CRB, nas últimas cinco rodadas, onde ambos os times contabilizaram 13 dos 15 pontos disputados, lhes colocam na condição de protagonistas na briga pelo acesso, visto que, ambos estão, respectivamente, a um e a quatro pontos do Novo Horizontino, que, no momento, ocupa a quarta posição do G4.

O notório empacotamento da Série B, que leva nove clubes a sonharem com o céu, faz com que, o sucesso seja separado do insucesso por uma linha muito tênue. Tal fato foi observado no confronto do Novo Horizontino com o Avaí, que fechou a última rodada. Uma vitória levaria o clube paulista a vice-liderança, entretanto, como perdeu um jogo onde era tido como favorito, permaneceu na quarta posição, na tabela de classificação, com 45 pontos. Mesma pontuação de Vila Nova e Criciúma, seus seguidores mais próximos.

O empate do Sport (3x3), com o Criciúma, na Ilha do Retiro, provocou muitos ruídos na comunicação do clube leonino. Tudo começou com a falta de habilidade da diretoria de futebol, e a falta de agilidade do departamento de comunicação do clube, na divulgação equivocada sobre a participação, ou não, do jogador, Diego Souza, na partida.

No final do encontro, o técnico, Enderson Moreira, deu um chá de espera de uma hora e meia, nos repórteres que lhes aguardavam para a coletiva de imprensa, e destilou toda sua insegurança, com o momento que atravessa o time leonino, no veneno que cuspiu na mídia, a quem, de forma generalizada, fez acusações injustas. Na segunda-feira, primeiro dia útil da semana, quando era esperado um clima mais ameno, foi a vez dos jogadores. Capitaneados por Vágner Love, tentaram adoçar a limonada, mas sem habilidade no trato com as palavras, fizeram o ponche amargar que nem fel.

De desabafo de Love se pinça a infeliz citação: "Quem não quiser apoiar fique em casa". Lamentável.

Primeiro que o torcedor do Sport é de uma fidelidade incontestável. Segundo: a exemplo de todos os outros torcedores existentes no mundo inteiro, o amante do Leão da Ilha do Retiro é movido pela emoção. Alguma reação de descontentamento, expressa ao final do doloroso resultado (3x3) do confronto com o Criciúma, é fruto da paixão. O torcedor se sente traído ao ter seus sonhos frustrados. Isto faz parte da liturgia do futebol, o esporte que mais mexe com a emoção dos humanos.

Não é fácil para um torcedor observar, e achar que está tudo normal, a queda de rendimento da equipe, num momento de definições, quando começa a contagem regressiva para o encerramento do campeonato. Afinal, nos últimos cinco jogos, o Sport sofreu 9 gols, uma média de 1,8 gol por partida. Nas 22 rodadas anteriores, a equipe havia sofrido 17 gols, média de 0,77 por jogo.

Entendo que, alguns cronistas, gostam, de forma equivocada, de analisar os jogos falando no pressuposto. Ora, quem faz suposições é pai de santo ou futurólogo. Cronista tem de analisar os fatos. Mas é injusto generalizar toda a crônica esportiva pernambucana, taxando os profissionais de negacionistas.

Os próximos confrontos do Sport serão com o lanterna ABC, e o vice lanterna Londrina. Como bem coloca o jornalista, José Gustavo, são jogos que o torcedor coloca como vitórias na conta do Leão.

Que os jogadores se comportem como prometeram.

Até lá, esperamos que diminuam os ruídos na comunicação, do Clube da Ilha do Retiro.  

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Brasileiro Série B
Nível técnico assustador
postado em 04 de setembro de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

O nível técnico desta edição do Brasileiro da Série B é terrível! Acredito ser o mais baixo, desde que a competição passou a ser disputada no atual modelo de pontos corridos. Tal fato explica o nivelamento que, no momento, expõe o vice-líder Sport, ao risco de cair para a sexta posição, na tabela de classificação, na próxima rodada. Por outro lado, o oitavo e nono colocados, respectivamente, Atlético Goianiense e CRB, que apresentaram as melhores performances nas cinco últimas rodadas, passaram a alimentar o sonho do acesso.

Respeito o pragmatismo dos números, mas sou aquele amante a moda antiga: prefiro as análises por desempenho.

Sabemos que, numa competição de tiro longo, como o Campeonato Brasileiro, composto de 38 rodadas, é impossível os times não oscilarem. Portanto, o desafio é manter uma regularidade para prolongar os bons momentos, e se mostrar resiliente para superar a má fase.

O Sport fez um primeiro turno - jogos de ida - excelente. Acumulou uma gordura que lhe mantém no G4. Mas, seu desempenho no returno tem sido sofrível: o rubro-negro pernambucano, dentre os clubes que almejam o acesso, é o que contabiliza os piores resultados. A mudança de comportamento do time dentro das quatro linhas lhe levou a gastar toda a reserva. Enquanto Vagner Love e companhia amargavam a subtração, de forma inversa, os concorrentes comemoravam as somas, e viram diminuir uma distância que era confortável para o time da Ilha do Retiro.

O jogo com o Criciúma, programado para sábado a noite, na Ilha do Retiro, é um autêntico divisor de águas para o time comandado pelo técnico, Enderson Moreira: a depender da combinação dos resultados, pode permanecer na condição de vice-líder, ou pode deixar o G4, descendo até a sexta posição.

Evidente que, tal pressão é vivenciada por todos aqueles que estão no privilegiado grupo de acesso, ou em condições de chegar a ele. Mas o caso do Sport se torna mais assustador, e dramático, por conta do baixo desempenho da equipe no returno.

O pragmatismo dos números reza que, devemos seguir o norte apresentado por eles. Portanto, para aqueles que consultam os sites que, estudam as probabilidades de cada um, é fundamental traçar um paralelo entre o que foi produzido no primeiro turno, e o que está sendo contabilizado no returno. Afinal, ainda não é chegada a hora de passar a régua e fechar a conta.

Estamos a doze rodadas do final da competição, e como esta edição da Série B, nos faz lembrar, um balaio de jaboticaba, onde todas as frutas são parecidas, a bola da vez pode ser definida na última rodada.

Nas últimas cinco rodadas o Atlético Goianiense apresentou o melhor desempenho dentre os 20 times que disputam a Série B: quatro vitórias e um empate. Neste mesmo período o Sport somou apenas uma vitória. O CRB, do técnico Daniel Paulista, contabilizou 11, dos 15 pontos disputados, passando a ser visto pelo retrovisor dos times que estão a sua frente, na disputa por uma vaga de acesso.

O baixo nível técnico tornou a disputa angustiante para os torcedores dos vários clubes, que ao invés de vivenciarem emoção, vivenciam sofrimento.

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Futebol Pernambucano
Um corpo sem cabeça
postado em 28 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

O futebol pernambucano chegou ao fundo do poço!

Eis a frase mais repetida, no final de semana, após a consolidação da fracassada campanha do Náutico, na Série C do Campeonato Brasileiro.

Bom! Deduzo que, o fundo do poço seja o fim do caminho. Santa Cruz, Retrô, Náutico e os clubes do Interior, que disputam a Primeira Divisão Estadual, estão em gozo de férias, a quatro meses do final da temporada.

É hora de reconstruir. Todos estão cientes desta realidade. Mas o sistema impede a tão sonhada, e desejada, metamorfose.

Defeito de formação é feito catinga de bosta: não acaba nunca.

O burgomestre, Rubem Moreira, que para muitos foi o maior presidente da história da Federação Pernambucana de Futebol, dentre os legados deixados, está o da cultura vitalícia no comando da entidade que rege o futebol pernambucano.

Com exceção de Dilson Cavalcante, cuja incompetência lhe rendeu uma passagem relâmpago pela presidência da FPF, todos os outros que se sentaram no trono, pós Rubão, pensaram a entidade como: "Coisa minha, pessoal e intransferível". É assim que reza a cartilha do insucesso.

Os irmãos Oliveira - Fred e Carlos Alberto - comandaram o futebol pernambucano por mais de duas décadas. Evandro Carvalho, atual presidente, foi levado para entidade por Fred Oliveira, na década de 80, do século passado, e através de um trágico acidente de percurso, a súbita morte de Carlos Alberto, em 2011, foi guindado ao cargo de presidente, status que lhe está assegurado até 2026.

Tomando por base a década de 80, do Século XX, observamos que pouca coisa mudou no futebol pernambucano: a mesma praça, o mesmo coreto, só mudam as bandas. Infelizmente, as trocas foram terríveis. As bandas atuais são desafinadas, os músicos não têm embocadura para tocas os instrumentos. Resultado: o público se afastou; os concertos de péssima qualidade desqualificaram o produto. Com tanta gente atravessando os acordes, o futebol pernambucano perdeu o rumo, tal qual a nossa Frevioca.

Mas a festa continua. Os votos das miseráveis Ligas, que se saciam com trinta dinheiros, asseguram o poder quase vitalício do burgomestre. Esse baixo clero, que tira e bota, colocou uma farda de general no sargento. A resultante foi se ter um péssimo general no comando, enquanto se perdeu um bom sargento.

O mundo é feito de comandantes e comandados. Nem todos têm a capacidade, o carisma e o entendimento que exige o cargo de comando. Mas se for eficiente como comandado, dará uma contribuição efetiva para o crescimento da máquina.

Passei minha infância em Carpina, e tal qual toda cidade do Interior, muitas são as estórias, Contos da Carochinha, que são contadas para a criançada. A da Mula sem Cabeça sempre me assustou. Mas tudo não passava de coisa do imaginário, que virava folclore.

Agora, em pleno Século XXI, me assusto ao constatar que o futebol pernambucano é um corpo sem cabeça.

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Brasileiro Série B
Equilíbrio e sofrimento
postado em 22 de agosto de 2023

CLAUDEMIR GOMES

 

Dois jogos abrem, nesta terça-feira, as disputas da vigésima quinta rodada do Brasileiro da Série B. Por coincidência, as equipes que, no momento, ocupam a quarta, a quinta e a sexta posição na tabela de classificação, respectivamente, Vila Nova, Criciúma e Juventude, estarão em ação, fato que pode provocar uma "mexida no tabuleiro", por conseguinte, uma mudança de posição de algumas peças.

A rodada será concluída na próxima segunda-feira. Até lá, torcedores de vários times estarão com as atenções voltadas para os resultados dos jogos, fazendo contas, e estudando as probabilidades de cada equipe, se levando em consideração vários fatores, principalmente a quantidade de jogos que cada uma delas fará na condição de mandante, e de visitante.

Diante do grande equilíbrio de forças, definido desde os primeiros confrontos, e consolidado ao longo da disputa, é possível afirmar que, oito equipes vivenciarão uma verdadeira via crucis, de treze paradas, na busca pelas quatro primeiras vagas na classificação final, posições que garantem o acesso, a Série A em 2024.

Uma rápida olhada na tabela de classificação, leva o torcedor a pensar que, os jogos desta vigésima quinta rodada, não são de caráter decisivo. Entretanto, ante o equilíbrio da disputa, tal pensamento é equivocado. É certo que ainda não chegamos ao ponto de abertura da contagem regressiva, mas a soma de pontos, já é uma questão de sobrevivência para os clubes que alimentam o sonho do acesso.

Com 45 pontos somados em 24 partidas, o Sport figura na segunda posição da tabela. Os leoninos, que têm um excelente aproveitamento como mandantes, até o final da disputa farão sete jogos na Ilha do Retiro, e sete partidas na condição de visitantes. Os cálculos da classificação estão sendo feitos com vinte vitórias. Neste cenário, o time da Ilha do Retiro precisa tirar nota 10 no dever de casa, ou seja, vencer todas as partidas que disputar no seu "caldeirão".

Vagner Love e companhia também farão sete jogos na condição de visitantes. Apesar da notória dificuldade de se sobrepor aos adversários em seus domínios, o Sport tem chances reais de obter sucesso em alguns jogos na casa dos adversários. Afinal, o futebol não é tão previsível assim, que se possa assegurar vitórias em todas as partidas na Ilha do Retiro, e nenhuma em outros Estados. A turma põe na conta, nas casas de apostas, mas quem define os resultados são os desempenhos dos times dentro das quatro linhas.

Há muito tempo que o artilheiro leonino - Vagner Love - não deixa sua assinatura nas redes adversárias. A expectativa da torcida rubro-negra é sobre quando ele desencantará novamente, e como o time irá reagir na ausência de Juba, que está se transferindo para o Bahia. Dois fatos que aproximam os torcedores do Leão de um ataque de nervos. Quem poderia atenuar a tensão ainda não deu o ar da graça: Diego Souza.

Coisa do futebol brasileiro!

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