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Maio 2012 ›› Por ROBERTO VIEIRA
Existem jogos simples.
Jogos nos quais o técnico faz as escolhas certas.
Jogos em que o time pode e deve ganhar mesmo fora de casa.
Então surgem as individualidades.
Ou a falta delas.
Um gol na pequena área em cobrança de lateral.
Uma falha absurda numa saÃda de gol.
Erros de finalização cara a cara.
Uma equipe é feita por homens.
E o seres humanos falham desafiando a mais perfeita lógica.
Perder em São Januário faz parte.
Mesmo contra um time com Júlio César, Jorge Henrique e Nenê.
Um time com média de idade jurássica.
Fica a solidão de Gallo na beira do gramado.
A solidão de quem sabe montar o quebra cabeças.
Porém, algumas vezes faltam as peças...
O 3 x 2 foi injusto com Gallo.
CLAUDEMIR GOMES
O regulamento é claro: o saldo de gols é um dos critérios de desempate no Brasileiro da Série B. E o Náutico segue à risca. O time alvirrubro marcou 15 gols nos últimos cinco jogos, contra dois sofridos por sua defesa. Tal performance lhe rendeu quatro vitórias e um empate. Com o melhor ataque neste inÃcio de competição, 18 gols, a equipe do técnico Alexandre Gallo também tem a segunda defesa menos vazada: 6 gols. Os números lhes colocam na quarta posição da tabela de classificação com um aproveitamento de 67%. Segundo o site Chance de Gol, que faz um estudo das probabilidades de todos os clubes envolvidos na competição, o Timbu tem 92,4% de chance de acesso à Série A.
Se os gols são determinantes para o time alcançar a meta, a ordem é não ter complacência com os adversários, principalmente nos jogos como mandante. "Caiu na Arena, morreu". Sentencia o torcedor mais eufórico. E tem razão para tal. Afinal, nos jogos disputados em casa o Náutico contabilizou 4 vitórias, marcou 15 gols e sofreu 3. Nas duas últimas saÃdas empatou com o Bahia sem gols e venceu o Paysandu no temido estádio da Curuzu por 3x1. A campanha é imperativa, impõe respeito a qualquer adversário, inclusive ao lÃder Vasco com quem os alvirrubros medem força nesta terça-feira, no Rio.
O grupo montado por Gallo deu liga, e nem o entra e sai de jogadores, em decorrência de lesões ou suspensões, tem afetado a regularidade do grupo que não evolui na dependência de um artilheiro. Os 18 gols marcados pelo time tem nada menos que dez autores. Naturalmente que, com o crescimento do conjunto surgem os destaques individuais, mas a metamorfose alvirrubra é produto da força coletiva, coisa que não aconteceu no Pernambucano e na Copa do Brasil.

CLAUDEMIR
GOMES
"Foi a mão de Deus"! A frase é de autoria do argentino, Diego Maradona, no Mundial de 86, no México, para explicar um polêmico gol de mão que marcou contra a Inglaterra. Acredito que este seja o mesmo argumento utilizado pelos peruanos em relação ao gol de RuidÃaz, na vitória - 1x0 - do Peru sobre o Brasil, na Copa América do Centenário, que está sendo disputada nos Estados Unidos. A irregularidade tem servido de escudo para o técnico Dunga tentar justificar o injustificável.
E que a "mão de Deus" venha provocar, com muito atraso, evidentemente, a revolução tão desejada no futebol brasileiro. Atribuir todo insucesso ao treinador é um exagero. Entretanto, o torcedor analisa apenas aquilo que ele enxerga dentro das quatro linhas. Como a "seleção" começa com um exagero de equÃvocos nas convocações, fica difÃcil produzir algo positivo nas mãos de um técnico medÃocre. Dunga tem perfil de sargento, e a CBF colocou nele uma farda de general. O que aconteceu na Copa de 2010 não foi suficiente para os iluminados dirigentes que, de forma açodada, lhes recrutarem, pós vexame dos 7x1 na Copa de 2014, para promover uma reforma na Seleção Brasileira, tarefa para a qual ele não está capacitado.
Fatos relevantes muitos vezes passam despercebidos, razão pela qual, gostaria que alguém me mostrasse qual o grande trabalho, ou a reciclagem feita por Dunga no quatro anos que separaram o Mundial da Ãfrica, do Mundial do Brasil. Enfim, nada justifica seu retorno ao comando da Seleção.
O problema do futebol
brasileiro não é a safra de jogadores. à certo que temos apenas Neymar como
grande protagonista, mas tudo começa com uma visão distorcida dos gestores. A
crise moral que afundou a polÃtica brasileira num mar de lama se estendeu ao
futebol. Pena que não tenha uma Lava Jato da bola. Assim, só nos resta apelar
para a "mão de Deus".
Ah! E tudo conspirou contra a "Seleção do Circo", como diz o amigo, José Joaquim Pinto de Azevedo. Quando todos esperavam que a tecnologia fosse corrigir o erro da arbitragem, o que se viu foi uma lambança sem precedente. Seis minutos de jogo paralizado e um bando de patetas perdidos numa incerteza que nem as imagens claras foram suficientes para o gol de mão não ser validado.
CLAUDEMIR GOMES
Campeonato Brasileiro Séries A,B,C e D; Copa América do Centenário, e a partir de hoje, Eurocopa. E haja futebol. O amigo, Gilberto Lyra, amante do automobilismo, também gosta de um bom jogo de futebol, mas registrou o seu protesto contra o fato de a Rede Globo não transmitir o GP do Canadá de Fórmula Um, que acontece neste final de semana. O futebol abafou o ronco dos motores. "Não vai mostrar nada, nem tomada de tempo, nem de a corrida", desabafou. Entendo, e respeito, as preferências, mas é preciso se render as evidencias. O futebol se tornou um dos maiores negócios do planeta, o apelo midiático é fantástico, e sua popularidade só cresce nos quatro cantos do mundo. Esta é a nova ordem, e para quem busca outras alternativas a saÃda é a tv por assinatura.
O fato de, este ano, a Eurocopa vir a ser disputada simultaneamente com a edição especial da Copa América, que pela primeira vez saiu da América do Sul, pois foi bancada pelos norte-americanos, nos arremete a algumas análises, e algumas comparações são inevitáveis. De saÃda observamos duas festas: a do primo rico - Eurocopa - e a do primo pobre - Copa América - embora esta edição, especÃfica, do torneio das Américas, esteja sendo disputada num paÃs de Primeiro Mundo, os Estados Unidos.
DISTORÃÃES
A competição européia, em que pese as ausências de Brasil, Argentina e Uruguai, possui um nÃvel técnico melhor que a Copa do Mundo. Tal fato levou os organizadores a promoverem um aumento de participantes. Normalmente os inchaços provocam uma queda de qualidade nos torneios. Isto é fato. A edição especial da Copa América do Centenário adotou alguns paÃses que nada agregou ao torneio. O maior exemplo é a seleção do Haiti. Um paÃs que vive abaixo da linha de pobreza não tem condições de ter um bom futebol. A goleada - 7x1 - que a Seleção Brasileira aplicou sobre a frágil equipe haitiana, se tornou constrangedora por conta das imagens que a Rede Globo apresentou no intervalo da partida. Imagens gravadas para reportagens especiais que serão apresentadas pelo Luciano Huck no seu programa. A sensação era de que se estava tripudiando sobre a miséria. Ficou difÃcil dissociar a condição humana e social do futebol. A mistura das imagens do jogo com a condição de vida que se tem no Haiti foi trágica. Este tipo de coisa não existe na Eurocopa, até porque há uma disputa seletiva para as seleções assegurarem suas participações na grande festa.
INDAGAÃÃES
Com a oportunidade de traçar um paralelo entre a Eurocopa e a Copa América do Centenário, o torcedor se mostra curioso para ver o quanto o futebol europeu perde tecnicamente com as ausências dos jogadores sulamericanos. Por outro lado, é uma oportunidade que se tem para avaliar a evolução das seleções sulamericanas que hoje têm vários jogadores vinculados a clubes em vários paÃses da Europa.
Duas coisas precisam ser levadas em consideração: o fato de os dois torneios estarem sendo realizados pós temporada européia, fato que impacta no condicionamento fÃsico dos atletas, e o quesito harmonia. à natural que, a maioria dos jogadores não consiga ser tão brilhante nas seleções de seus paÃses, quanto são vestindo a camisa de seus clubes. Futebol é um esporte coletivo, e o entrosamento do conjunto requer tempo e entrosamento. A Seleção Brasileira, nos dias de hoje, recruta seus jogadores em vários paÃses. O grupo pode ter unidade, mas não tem harmonia.
Bom! O cardápio do futebol está servido. Tem jogo para todos os gostos. Da pobre Série D a Eurocopa. Elejam suas preferências.
CLAUDEMIR GOMES
Um jogo de futebol, por regra, é disputado em noventa minutos, mas pode ser decidido em fração de segundo, fato que exige, de todos os profissionais, uma atenção redobrada, dentro das quatro linhas, do primeiro ao último instante da disputa. A vitória do Náutico - 3x1 - sobre o Paissandu, no temido Estádio da Curuzu, em Belém, foi um exemplo claro daquilo que podemos chamar de surpresa e desatenção, com o registro de gols aos 40 segundos do primeiro tempo, e outro aos 10 segundos da etapa final.
Antes de a bola rolar na sétima rodada da Série A, tive a curiosidade de consultar o Chance de Gol, site que faz projeções apresentando probabilidades para o futuro das equipes na competição. Evidente que, em se tratando de futebol, tudo é muito prematuro, porém, como a margem de acerto do site é muito boa, ao logo do campeonato realizo várias consultas. Após a conclusão dos dez jogos evoquei o saudoso Mané Queiroz: "Se o Campeonato Brasileiro terminasse agora o Náutico estaria classificado para a Série A de 2017".
E tudo foi muito rápido. Gols que aconteceram num piscar de olhos. Os narradores que não estiveram atentos também foram pegos de surpresa, e levaram "bolas nas costas" até por conta daquela vinhetinha de trinta segundos. O futebol tem dessas maravilhosas surpresas. E olha que todos ficaram tensos quando, horas antes do inÃcio da partida, o técnico Alexandre Gallo foi obrigado a abrir mão do atacante Rony, uma das peças mais positivas do time alvirrubro, por não se ter a certeza de que o jogador estava, ou não, pendurado com três cartões. Falha primária do profissional que acompanha os relatórios dos jogos. Uma lambança que deixou a todos sobressaltados de como o time de Gallo reagiria sem sua grande válvula de escape. Tensão que aumentou após o Timbu ser surpreendido com um gols aos quarenta segundos.
Bom! Ainda tinha todo um jogo, ou seja, noventa minutos para uma reação. E o Náutico mostrou que tem a força do conjunto, que seu crescimento na competição é sustentável, e não existe essa de dependência de jogador nenhum, embora seja indiscutÃvel o reconhecimento e a valorização sobre determinadas da engrenagem. E o conjunto mostrou força e harmonia a partir dos quinze minutos, fato que proporcionou uma reação ainda no primeiro tempo, quando Bergson marcou o gol de empate com a marca da coletividade.
E a bola rola para os dois lados. Portanto, é preciso ter atenção lá e cá. Antes que o torcedor alvirrubro, que acompanhava o jogo pelo rádio, e pela televisão, se acomodasse na poltrona: gol de Jefferson Nem aos dez segundos do tempo final. E o raio caiu no mesmo local duas vezes seguidas. Com um detalhe: os times já haviam trocado de lado. Azar do Lobo. Sorte do Timbu. Mas para mostrar que tudo não passou de um lance de sorte, Jefferson Nem, que antes estava cotado para figurar no banco, foi guindado a condição de titular e aproveitou a chance. Mal o árbitro trilou o apito, o zagueiro do Paissandu ainda cochilava, mas Nem estava muito aceso, ligado no jogo, marcou o gol que mudou a história da partida. A virada no placar tinha sua assinatura. Era pouco para um atacante que estava iluminado. Vitória tão expressiva, que coloca o Náutico no G4, tinha que ser fechada em alto estilo. E veio o inspirado Jefferson com um gol de placar. à o Náutico com cara de Série A.
E a torcida alvirrubra foi dormir embalada pelo xote do Trio Nordestino:
"Neném, neném, neném
O que aconteceu
Tão todos te querendo
Tu vem fica mais eu, oh!"...