Histórico
Brasileiro Série A
Mudanças de cenário
postado em 27 de junho de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Numa competição de longa duração, como o Campeonato Brasileiro, as mudanças de cenários são constantes, razão pela qual, o desafio de todo o treinador envolvido na disputa é buscar a regularidade. As oscilações são inevitáveis para a maioria dos clubes, principalmente para os que não possuem bons elencos, não têm peças de reposição a altura.. A décima primeira rodada da Série A foi marcada pela saída do Sport da zona de rebaixamento, e pela entrada do Santa Cruz no desconfortável grupo de queda. É como se um tivesse passado o bastão para o outro. Motivo mais que suficiente para as redes sociais serem tomadas por gozações. É a gréa que embala as arquibancadas.

Os analistas dividem o campeonato em ciclos que são compostos de cinco rodadas. Portanto, estamos no terceiro ciclo. A mudança de cenário foi notória para Santa Cruz e Sport. Nas cinco primeiras rodadas os tricolores contabilizaram duas vitórias, dois empates e apenas uma derrota, justamente no clássico com o seu arquirrival Sport (1x0). Os campeões pernambucanos marcaram 11 gols e sofreram 6, ficando com um saldo positivo de 5 gols. Por outro lado, os rubro-negros sofreram três derrotas, empataram um jogo e venceram o clássico que disputaram com os tricolores. O time da Ilha do Retiro marcou 2 gols e sofreu 5, ficando com um saldo de 3 gols negativos.

O clássico doméstico funcionou como um divisor de águas na campanha do Santa Cruz, que não superou o fato novo na sua campanha que foi a derrota para o Sport. A mudança de cenário foi drástica. Da sexta a décima rodada os tricolores acumularam quatro derrotas e venceram apenas um jogo. O ataque funcionou apenas duas vezes em cinco jogos, enquanto a defesa foi vazada sete vezes. A sequência de resultados negativos levou o time a despencar do grupo de acesso para o grupo de rebaixamento. O terceiro ciclo começa com nova derrota da equipe comandada por Milton Mendes.

O segundo ciclo marcou o início da reação do Sport que marcou 8 gols em cinco jogos, contra 10 sofridos pela defesa. O início do terceiro ciclo foi marcado por uma goleada - 5x1 - dos rubro-negros sobre a Chapecoense, resultado que lhe tirou da zona de queda e diminuiu para um gol o saldo negativo. A queda do Santa Cruz, e o crescimento do Sport são exemplos de oscilações que proporcionam mudanças de cenários.

O Sport evoluiu no coletivo em virtude do crescimento tático. A medida que o conjunto passou a apresentar uma maior identificação com o plano de jogo definido pelo técnico Oswaldo de Oliveira, várias peças cresceram individualmente, fato que leva o treinador a ter um pensamento positivo em relação ao desempenho do time nos próximos ciclos. A chegada de novos jogadores aumenta o leque de alternativas a medida que se fizer necessária a reposição de peças no time titular.

Com um time de grandes limitações técnicas, o Santa Cruz, que não fez grandes investimentos para qualificar o grupo, joga sempre no limite, fato que deixa seus torcedores apreensivos a partir do momento que não escuta previsões otimistas do técnico. O desafio de Milton Mendes é estancar a queda, levar o grupo a reconquistar a autoestima, e dessa forma promover uma nova mudança de cenário. Caso contrario, o Santa será derrubado por uma regularidade negativa, que o transformará em saco de pancadas.

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Artigos
O adeus de Messi em dia de Silva
postado em 27 de junho de 2016
POR Roberto Vieira

Messi disse adeus.
Cansado de ser cobrado pelos hinos, pelos títulos, pela glória perdida.
Pela Argentina que não existe mais.
Messi diz adeus porque tudo tem começo, meio e fim.
Puskas disse adeus em 1956 por causa da invasão russa.
Just Fontaine disse adeus em 1960 por causa das contusões.
Uwe Seeler disse adeus em 1970 por causa dos cabelos brancos.
Todos sem títulos mundiais.
Todos sem títulos continentais.
Todos fundamentais.
Porém, sempre existe o caso do Rei Pelé.
Pelé que disse adeus em 1966.
Cansado das pancadas, das derrotas e de ser vendido como panaceia.
Pelé que nunca gostou de perder.
Ainda mais no meio da bagunça infernal de Liverpool.
Pelé que voltou questionado em sua realeza.
Pelé que devolveu a dúvida com o Tri.
Hoje?
Hoje é dia de Silva.
Silva que bateu a última penalidade.
Silva que continuaria Silva caso perdesse o pênalti.
Porque difícil é ser Messi.
Um menino perdido em suas lembranças de infância.
Defendendo um país que lhe exige ser Gardel e Evita.
Um país que vive perdido nos tangos da década de 30...

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Brasileiro Série A
Talento de Diego Souza desequilibrou
postado em 20 de junho de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

"Nada substitui o talento". A frase do jornalista, Paulo Jardel, nunca esteve tão atual para o torcedor do Sport, que viu o time rubro-negro vencer o Fluminense, neste domingo, na Ilha do Retiro, por obra do talento do meia Diego Souza. O gol da vitória foi marcado aos 45 do segundo tempo, na última volta do relógio, como diriam os narradores antigamente, fato que emoldurou a obra prima que tinha no seu contexto a insistência, a persistência, a técnica apurada e o bom condicionamento do jogador que arrancou do seu campo de jogo, colocou o pé numa dividida e superou a tudo, e a todos, se pôs no caminho do gol. Foi uma vitória com uma pincelada do quase extinto futebol arte.

Empolgado com o que viu e narrou para milhares de ouvintes, o narrador da Rádio Globo, Bartolomeu Fernando, foi curto e grosso na sua indagação: "O resultado foi justo?". Sim. Foi produto do time mais objetivo. O Fluminense até que teve mais posse de bola, e maior volume de jogo na primeira fase, contudo, seu ataque foi de uma ineficiência doentia. Além disso, a vitória pode ser creditada a um jogador que não desistiu dela. Diego Souza esteve frente a frente com Diego Cavalieri, mas o goleiro do Flu cresceu na sua frente. Depois foi primoroso numa cabeçada, mas a bola, caprichosamente esbarrou na trave e se perdeu pela linha de fundo. Equivocadamente, já tinha gente dizendo que ele havia deixado o futebol em casa. Mas o craque não desistiu da vitória, e com o talento que Deus lhe deu, fez a diferença.

Quanto ao restante do time, podemos dizer que a evolução tática acontece de forma lenta em decorrência da pobreza técnica do grupo. "É a nossa realidade", como bem define o rubro-negro, Humberto Araújo.    

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Brasileiro Série B
Contrariando a lógica
postado em 20 de junho de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

A décima rodada do Brasileiro da Série B foi bastante atípica. Quebrou "regras" e paradigmas. Nos dez jogos disputados tivemos cinco vitórias de clubes visitantes; quatro empates e uma vitória de mandante. Os visitantes marcaram 16 gols contra 11 dos donos da casa. Detalhe: dos quatro clubes que se encontravam no G4, três amargaram derrotas, apenas o Náutico empatou. Todos jogaram respaldados por suas torcidas. A rodada das surpresas colocou o CRB no grupo de acesso. Evidente que ainda faltam muitos jogos, mas o momento nos apresenta quatro clubes do Nordeste na briga direta por uma vaga na Série A em 2017.

Nesta terça=feira o Náutico vai ao Rio Grande do Sul medir força com o Brasil, que está a dois pontos do time alvirrubro, e ocupa a décima posição na tabela de classificação. No caso de uma vitória os gaúchos passam a equipe dos Aflitos na soma dos pontos. Por conseguinte, os comandados de Alexandre Gallo saem do G4. A derrota para o Vasco e o empate com o Bragantino, logo em seguida, revela uma osciliação. O Náutico vinha de uma sequência de cinco partidas sem perder. Aconteceu o fato novo no Rio, embora o time pernambucano tenha feito uma boa partida em São Januário. O injustificável foi o empate de sábado, no Arruda.

Atribuir o tropeço ao estado do gramado é querer tapar o sol com uma peneira. A oscilação é mais que natural num time em montagem. O trabalho nos Aflitos tem sido positivo, mas ainda falta muito para a equipe alvirrubra atingir o estágio desejado pelo treinador, e cobrado pela torcida. E que os fluídos da décima rodada recaiam sobre o Náutico, que vai jogar como visitante.

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Sport
Protesto por qualidade
postado em 17 de junho de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Torcedores com camisas das organizadas do Sport foram ao aeroporto externar o descontentamento com a fraca campanha do time rubro-negro no na Série A. Não houve registro de incidentes, até porque, os jogadores foram levados por outro caminho, para evitar o pelotão dos descontentes. No Brasileiro de 2015, após a disputa da oitava rodada, o Sport era o líder da competição com 18 pontos ganhos e mais de 70% de aproveitamento. O time comandado por Eduardo Baptista se mantinha invicto como a grande surpresa do campeonato. Este ano, após disputar oito jogos, o Leão é o vice-lanterna com apenas 5 pontos ganhos com 20,8% de aproveitamento.

Não foram poucos os erros cometidos pela diretoria na hora da reposição de peças. O Sport terminou o Brasileiro de 2015 na sexta posição da tabela de classificação porque tinha um grupo qualificado. A qualidade técnica é imprescindível na Série A. A contratação de um técnico também exige uma análise profunda do seu estilo, de sua personalidade, para ver se o mesmo se adéqua as características do clube. Tem coisas que se sobrepõem a uma simples comunhão de pensamento. O ex-presidente, Homero Lacerda, quando ia contratar um treinador submetia os candidatos a uma cansativa sabatina. Um exercício que diminuía consideravelmente a margem de erro.

As contratações do zagueiro, Ronaldo Alves, junto ao Náutico, e do atacante, Rogério, junto ao São Paulo, servem para acalmar o torcedor leonino que tem motivos mil para tanta insatisfação.

 

PÚBLICO FRACO

 

A oitava rodada do Brasileiro da Série A foi concluída com o Internacional assumindo a liderança do campeonato. O time colorado não chega a ser um primor, tem apresentado um futebol pragmático, mas é de uma objetividade impressionante. Em oito partidas contabilizou seis vitórias, um empate e uma derrota. O fato que mais chamou a atenção nesta rodada foi o público do jogo, Botafogo 3x1 América/MG: 883 pagantes. A média de público da rodada foi de 11.128 pagantes. Uma média que se equipara a da terceira divisão de alguns países da Europa. Não é preciso muito esforço para chegar a conclusão de que há alguma coisa errada no futebol brasileiro, que tem levado o torcedor a dar as costas ao futebol. Algo que vai além da crise econômica.

 

RICARDO ROCHA

 

Encontrei o tetracampeão, Ricardo Rocha, no Shopping RioMar. Veio descansar um pouco no Recife, embora esteja escalado para comentar o jogo do Sport com o Fluminense, domingo, na Ilha do Retiro. Atualmente Ricardo é um dos muitos ex-jogadores que comentam na Rede Globo. Nossos pensamentos convergem na mesma direção em relação a Seleção Brasileira. Primeiro que as mudanças precisam ultrapassar as quatro linhas, ou seja, se faz necessário uma mudança de comando. Tudo começa pela desastrosa gestão. Um outro ponto que contribui para o insucesso da seleção é a falta de líderes com maturidade no grupo. Taffarel, Jorginho, Leonardo, Ricardo Rocha, Dunga, Raí, Romário, Branco... eram jogadores maduros, de personalidade forte, que levaram o grupo a superarem grandes obstáculos na campanha vitoriosa de 94. Esta história acompanhei de perto, vendo o seu dia-a-dia.

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