Histórico
Brasileiro Série A
"Planejamento é pornografia"
postado em 06 de julho de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Conversar com o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, sobre futebol é somar conhecimento. Na manhã desta quarta-feira, falávamos sobre a situação dos dois representantes pernambucanos na Série A - Sport e Santa Cruz - que estão afogados na zona de rebaixamento, e investiram numa corrida desenfreada, e desesperada, em busca de reforços que possam qualificar seus elencos, numa prova inconteste dos erros cometidos por falta de um planejamento visando a disputa do maior campeonato do País.

"Planejamento é pornografia para os dirigentes do futebol pernambucano", destacou Azevedo. Verdade. Talvez este seja um dos males que afligem o nosso futebol e impede a evolução dos clubes. A centenária história dos três grandes clubes do Recife - Sport, Náutico e Santa Cruz - mostra que os períodos de maior crescimento foram decorrentes de um planejamento. Por serem pontuais não são analisados como exemplos a serem seguidos. Apostar no imediatismo virou regra, os erros se tornaram recorrentes e sazonais.

O Santa Cruz retorna a Séria A após uma ausência de dez anos. Neste período o Tricolor do Arruda chegou ao fundo do poço. Trilhou um caminho nunca desbravado por um grande clube do futebol brasileiro. Chegou ao fundo do poço: a Série D. A árdua trajetória, que lhe causou grandes prejuízos, não foi suficiente para mostrar aos atuais gestores das Repúblicas Independentes do Arruda que o planejamento era imprescindível para encarar o desafio da Série A. Dessa forma, o clube comete o mesmo erro de 2006, última vez que esteve na Primeira Divisão: disputar a Série A com a mesma estrutura com a qual logrou sucesso na Série B. Equivocados, os dirigentes corais não perceberam que a distancia que separa a Primeira da Segunda Divisão é abissal. Ao final da disputa da décima-terceira rodada, o time tricolor ocupa a penúltima posição na tabela de classificação com 11 pontos ganhos e um aproveitamento de 28,2%, números que lhes levam ao assustador percentual de 60% de chance de rebaixamento. Resumindo: nem os dirigentes, nem os profissionais contratados pelo clube foram capazes de fazer um planejamento.

Ao analisarmos os números do Sport chegamos a conclusão de que a situação do clube rubro-negro não difere muito da do coirmão. O torcedor leonino fica sem entender como um time que, em 2015 fez uma campanha de manutenção muito positiva, tendo finalizado sua participação na sexta posição da tabela de classificação, pode estar fazendo campanha tão discreta nesta edição da Série A. Na realidade são muitos os fatores, mas um dos principais deles é o desconhecimento dos atuais dirigentes da matéria futebol. O executivo do futebol, os gestores do clube e os treinadores falharam na remontagem do time para a temporada 2016. A reposição de peças foi uma tragédia, fato que explica a dificuldade do clube de deixar a desconfortável zona de rebaixamento.

Sport e Santa Cruz investiram na contratação de vários jogadores que, no meio do ano, já foram dispensados por deficiência técnica, fato que escancara a falta de planejamento. E os torcedores que fiquem a espera de um milagre.

leia mais ...

Brasileiro Série A
Fragilidade escancarada
postado em 04 de julho de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O impacto de um gol no primeiro minuto de jogo desarticula qualquer plano tático. Isto é fato. Alguns times conseguem superar, outros não. Este, talvez, ser o álibi utilizado pelo técnico Milton Mendes para justificar mais um tropeço do Santa Cruz. É como se ele estivesse se segurando no pincel para não cair da escada. Entretanto, nada explica o treinador abdicar do futebol de Keno, o melhor atacante do time, que ficou no banco e, quando acionado, mostrou o tamanho do equívoco do comandante. A oitava derrota em nove jogos disputados dividiu as opiniões nas Republicas Independentes do Arruda. Portanto, a semana tanto servirá para recuperar jogadores e treinar melhor o grupo, buscando novas alternativas táticas, como também esquentará os bastidores, comportamento natural quando o time não vai bem dentro das quatro linhas.

Todos no Arruda se iludiram com o canto da sereia. As conquistas dos títulos do Pernambucano e da Copa do Nordeste têm sua importância, alegram os torcedores, mas não são referências para o Brasileiro da Série A. Os dirigentes tricolores esqueceram o passado e incorreram no mesmo erro que foi cometido há dez anos, quando o time ascendeu à Série A e manteve um grupo com perfil de Série B. O resultado não foi outro senão uma queda imediata. Este ano o Santa Cruz manteve praticamente o mesmo grupo com que disputou a Segunda Divisão, ano passado. A maioria dos jogadores contratados não tem qualidade para suprir as deficiências do elenco. Enfim, a qualificação que se faz necessária ainda não aconteceu.

A campanha de manutenção, que no início da disputa parecia fácil, se transformou num grande desafio diante da sequência negativa que levou o time a contabilizar três pontos em vinte e sete disputados. Um clube que atinge o patamar de dezenove derrotas sela o seu rebaixamento. Nas seis rodadas que faltam para fechar o primeiro turno, o Santa Cruz terá quatro confrontos com um nível de dificuldade altíssimo contra Internacional, Atlético/MG, Grêmio e São Paulo. Os outros dois adversários, América/MG e Coritiba, são da mesma estatura do Tricolor do Arruda.

leia mais ...

Brasileiro Série A
PATÉTICOS
postado em 01 de julho de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Dizer o que?

Sport e Santa Cruz deram vexame na décima-segunda rodada do Brasileiro da Série A. As frustrantes derrotas para o Vitória/BA (3x2) e para a Ponte Preta (3x0), respectivamente, deixaram rubro-negros e tricolores sem respostas, fato que levou dirigentes, técnicos e jogadores a serem protagonistas de cenas lamentáveis, tão patéticas quanto as apresentações das duas equipes que encontram dificuldade para sair da zona de rebaixamento.

Na quarta-feira, em Salvador, pós jogo, numa flagrante falta de respeito para com a torcida, e os profissionais da imprensa pernambucana, o técnico Oswaldo de Oliveira, os jogadores e os dirigentes leoninos fizeram um pacto de silêncio e não concederam entrevistas. Não é fácil encontrar respostas para vexames sem reconhecer as falhas e fragilidades do grupo. Seria tentar explicar o inexplicável. Mas faz parte da liturgia do cargo de treinador, e Oswaldo não é nenhum trainee na profissão. Após uma noite em silêncio, a delegação desembarca no Recife atribuindo a derrota aos erros de arbitragem. Erros que aconteceram penalizando os dois clubes. É difícil pensar em evolução quando não se faz mea culpa. Diante do Vitória, o time do Sport não foi sequer a caricatura da equipe que goleou (5x1) a Chapecoense. O desafio da regularidade ainda não foi alcançado pelo treinador e seus comandados.

Vexame lá, vexame cá. O Santa Cruz foi a campo enfrentar a Ponte Preta e os 8.517 torcedores que marcaram presença no estádio do Arruda tiveram a impressão de que estavam assistindo a uma nova versão do filme king Kong, com a Macaca esmagando a Cobra Coral. Um time sem qualidade técnica, sem qualidade tática e com um condicionamento físico acabou se transformando uma presa fácil para a equipe visitante que não teve dificuldade de impor sua proposta de jogo.

O pior não aconteceu dentro das quatro linhas. Na coletiva de imprensa, do técnico Milton Mendes, um ensaio de ópera cômica. Tão logo o treinador começou a tentar explicar o inexplicável, um grupo de jogadores, as lideranças do grupo, invadiu a sala e o volante, Uillian Correia, tentou intimidar os repórteres. Iranildo Silva, repórter da Transamérica/FM e presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco encarou o desequilibrado, com o treinador se pondo entre os dois, o que levou o experiente Léo Moura a tirar o grupo da sala. O incidente levou o treinador a elucubrações em todas as respostas na tentativa de explicar o vexame.

Não precisa ser nenhum estudioso em futebol para observar que o Santa Cruz não se qualificou para disputar a Série A, fato que lhe levou a amargar sete derrotas nas oito últimas rodadas. Para escapar do rebaixamento, o Tricolor do Arruda precisa adicionar aos pontos contabilizados até o momento, nove vitórias e seis empates, o que lhe levaria a soma de 44 pontos, que nas últimas edições tem sido a marca do ponto de corte.

leia mais ...

Artigos
Linha de passe e choque de realidade
postado em 01 de julho de 2016

Por ROBERTO VIEIRA


Duas coisas passam pela cabeça tricolor nesta sexta-feira.

Primeiro.

A linha de passe do terceiro gol da Macaca.

Segundo.

O inevitável choque de realidade da Série A.

Aquele instante em que muita coisa pode ser feita para não cair.

Mas quando o cérebro registra que não somos tão fortes quanto imaginávamos ser.

É nessa hora que muitas vezes o barco perde o rumo.

Onde se esquece o sextante.

Onde se soltam as âncoras sem nem saber porque...

leia mais ...

Brasileiro Série B
Gol contra, do adversário, vale muito
postado em 29 de junho de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Valeu pelo resultado! A magra vitória do Náutico sobre a Luverdense - 1x0 - com um gol contra marcado pelo zagueiro Wallace, teve um sabor de alívio para o torcedor alvirrubro. Afinal, o time vinha de uma sequência de quatro jogos sem vitória, encontrava-se na oitava posição, na tabela de classificação, e corria o risco de se distanciar, ainda mais, do grupo de acesso. Com os três pontos contabilizados, não só estancou a "queda" como também ficou a um ponto do G4. O sobe e desce a importância de se fazer uma boa "gordura", quando tiver oportunidade, como também o equilíbrio da disputa, onde o décimo-primeiro colocado, o Brasil de Pelotas, está a três pontos do quarto colocado, o CRB.

Mais que as edições anteriores da Série B, a atual vem sendo marcada por uma pobreza técnica impressionante. Não existe uma grande equipe se destacando. Até o líder Vasco tem três derrotas. É possível observar clube na zona de acesso com uma das defesas mais vazadas do campeonato. A regularidade fará a diferença nesta disputa de ponto a ponto. Qualquer prognóstico que vir a ser feito antes da vigésima rodada é pura especulação, fruto do achismo e da vontade de adivinhar.

Foi impressionante o número de chances desperdiçadas pelos comandados do técnico Alexandre Gallo. Aliás, este é um detalhe que leva a torcida alvirrubra a ter bons sentimentos em relação a chegada do time à Série A. O Náutico não apenas tem um dos melhores ataques, mas também se destaca pela criatividade. Se o time fosse tão eficiente na finalização quanto é efetivo na criação, fatalmente estaria brigando pela primeira da tabela.

Bom! O próximo adversário, sábado, será o Atlético/GO, que vem descrevendo uma campanha elogiosa, sendo um dos creditados ao acesso. Vencer um adversário de peso, na condição de visitante, é marcar o retorno ao G4. E viva o equilíbrio entre as forças, que valoriza sobremaneira o futebol de resultados, faz a torcida ir ao delírio com uma vitória produzida por um gol contra. Coisas do futebol.  

leia mais ...